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terça-feira, outubro 25, 2011

Rock In Rio: Stevie Wonder ‘meets’ Antonio Carlos Jobim



Um dos pontos altos da apresentação de Stevie Wonder [acima, em foto do portal Terra] no Rock In Rio foi quando o artista convidou a sua filha, Aisha Morris — que inspirou, em 1976, a gema pop “Isn't She Lovely?” — para cantar “Garota de Ipanema”. Um momento antológico.

Mas não apenas pelo fato de Wonder estar tocando uma canção de Antonio Carlos Jobim [à direita] — ou seja, um gênio “se debruçando” sobre a obra de outro. Não. 

A versão de SW para “Garota de Ipanema” entrou para a história pelos minutos em que a toda a magia da música do Maestro Soberano se fez ecoar na Cidade do Rock, na voz dos jovens que, “regidos” por Wonder. cantaram o clássico de Tom & Vinicius a plenos pulmões.

No entanto, estes mesmos jovens talvez não saibam de cor mais cinco — não mais: apenas cinco — canções do autor de “Wave”. Lamentavelmente. A (monumental) obra de Antonio Carlos Jobim — que, em um mundo ideal, deveria ser tão emblemática para o nosso povo quanto o Corcovado ou o Pão de Açúcar — ainda está para ser descoberta. 

Quem sabe um dia?



quarta-feira, outubro 12, 2011

Da série ‘Fotos’: Cristo Redentor. 80 anos

Cristo Redentor*. 80 anos. Cartão postal do Rio de Janeiro. Orgulho do Brasil.


* Esta foto foi tirada por mim em junho deste ano.


Veja o vídeo do clássico “Corcovado”, extraído do (magnífico) especial João & Antonio, gravado no Theatro Municipal do Rio em 1992 e exibido pela Rede Globo naquele mesmo ano.

segunda-feira, setembro 26, 2011

Sobre Geraldo Pereira

Mineiro de Juiz de Fora, Geraldo Pereira [no detalhe] morou próximo ao Morro da Mangueira, o que  fez com que se tornasse um dos compositores da escola — e também amigo de Cartola.

Considerado o inventor do “samba sincopado” — que, anos mais tarde, influenciaria a bossa nova —, Geraldo foi o autor de “Falsa Baiana”, regravada por Gal Costa, “Acertei no Milhar” e “Pisei num Despacho”, entre outras. 

Entretanto, sua obra mais conhecida é, sem dúvida, “Sem Compromisso”, que Chico Buarque gravou em seu “álbum de intérprete”, Sinal Fechado, de 1974. Segundo o próprio Chico, no DVD Anos Dourados, foi Antonio Carlos Jobim quem o apresentou a este samba.

Geraldo Pereira morreu, em 1954, aos 31 anos, em uma briga de faca com Madame Satã, “figurinha carimbada” da Lapa daquela época.



Veja o vídeo de “Sem Compromisso”, com Chico Buarque e Antonio Carlos Jobim, extraído de um especial da Rede Bandeirantes:




E ouça também a versão que Simone gravou em seu álbum ao vivo Feminino, de 2002, na companhia de Zeca Pagodinho. A dupla não perdeu a oportunidade de fazer algumas impagáveis “atualizações” na letra do antigo samba...

segunda-feira, agosto 01, 2011

Chico Buarque: tal qual um bom livro


CD
Chico (Biscoito Fino)
2011


A música do compositor carioca torna-se cada vez mais minuciosa. Talvez por influência de sua... literatura


Nos últimos anos, Chico Buarque tem alternado sua atuação entre a música e a literatura. Após um disco de inéditas, invariavelmente sai em turnê — que acaba gerando CD/DVD ao vivo —, e recolhe-se para escrever mais um romance — o mais recente foi (o ótimo) Leite Derramado [2009]. Portanto, mantendo a “tradição”, o artista volta à ribalta, cinco anos após o seu último álbum de estúdio, Carioca, com um novo trabalho, intitulado simplesmente... Chico

Amparado por uma inteligente estratégia de marketing, concentrada no site www.chicobastidores.com.br — que disponibilizava conteúdo exclusivo para aqueles que adquiriam a bolacha ainda em fase de pré-venda —, Chico chega às lojas com boa visibilidade, mesmo em tempos de downloads ilegais. Este é o terceiro título do artista pela gravadora Biscoito Fino.

Faixa que abre os trabalhos — e também a primeira música de trabalho —, a modinha “Querido Diário” chama a atenção pelo sabor algo... interiorano. Entretanto, ao mesmo tempo, remete o ouvinte à cordialidade típica do Rio antigo. A letra é clara: é como se alguém estivesse fazendo anotações do próprio cotidiano em um diário. Mas não deixa de causar certa estranheza com o verso “amar uma mulher sem orifício”, que faz uma crítica velada a uma certa... digamos, “irracionalidade” das religiões — que vem praticamente desde o início da história da Humanidade...

Rubato” — que significa, em italiano, “roubado” — é, na linguagem musical, o termo utilizado para designar a aceleração ou desaceleração do tempo de execução de uma peça. Ou seja, o intérprete “rouba” um pouco do tempo de algumas notas e o compensa em outras. É também o título da simpática (e espirituosa) marchinha composta em parceria com o baixista Jorge Hélder, cuja letra menciona três musas com nomes que rimam entre si: Aurora, Amora e Teodora. Entretanto, o título não é gratuito. Na letra, o compositor revela seu temor: “Venha, Aurora, ouvir agora / a nossa música / depressa, antes que um outro compositor me roube”. E, em contrapartida, assume: “Venha ouvir, sem mais demora / a nossa música / que estou roubando de outro compositor”. 

Moral da história: na arte, ninguém parte do zero.

Com um discreto acento blues, “Essa Pequena” fala claramente do relacionamento entre um homem maduro e uma mulher mais jovem: “Meu tempo é curto / o tempo dela sobra. (...) / Feito avarento, conto os meus minutos / cada segundo que se esvai”. Mas, no final, o eu-lírico se conforma: “Sinto que ainda vou penar com essa pequena, mas / o blues já valeu a pena”.


Parceria com João Bosco, ‘Sinhá’ é a letra mais instigante

Mesmo não sendo um baião legítimo, “Tipo um Baião” traz a influência do gênero no qual Luiz Gonzaga foi rei — por sinal, o Velho Lua é citado no final da canção. Como o título entrega, é... “tipo um baião”. Igualmente gracioso é o dueto de Chico com Thaís Gulin em “Se Eu Soubesse”, já gravada pela cantora curitibana, com a participação do autor, em Ôôôôôôôô, seu segundo álbum, lançado este ano. Já a (bela) “valsa russa” “Nina” ilustra o romance virtual de um brasileiro com uma moça... moscovita: “Nina anseia por me conhecer em breve / me levar para a noite de Moscou. / Sempre que esta valsa toca / fecho os olhos / bebo alguma vodca / e vou...”

Parceria com Ivan Lins — e já gravada por Diogo Nogueira —, “Sou Eu” ressente-se pela participação do veterano baterista Wilson das Neves, totalmente inexpressivo como intérprete. Melhor resultado é obtido em outro samba do álbum, “Barafunda”, cuja letra fala das difusas recordações do autor de “O que Será? (A Flor da Terra)” e cita Cartola, Garrincha, Zizinho, Pelé e... Mandela.

O provável ponto alto de Chico é a delicada “Sem Você nº 2”. Inspirada na pérola de Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes — que, além do título, é citada na introdução —, possui versos... capciosos: “Sem você, o tempo é todo meu / posso até ver o futebol (...). / Sem você, é um silêncio tal / que ouço uma nuvem a vagar no céu / ou uma lágrima cair no chão. / Mas não tem nada, não”.

Contudo, a letra mais instigante do disco é justamente a da última faixa. Composta em parceria com João Bosco — e com a participação do próprio no violão e nos vocais —, “Sinhá” é samba de nítidos matizes africanos, que narra a estória do velho escravo que está sendo castigado, sob a acusação ter visto nua a “sinhá” que batiza a canção. “Por que talhar meu corpo? / Eu não olhei Sinhá. / Para que que vosmecê / meus olhos vai furar? / Eu choro em iorubá / mas oro por Jesus. / Para que que vassuncê / me tira a luz?”.

Em dez faixas que totalizam apenas 31 minutos de música, Chico, o disco, dá o seu “recado” de maneira concisa. Atualmente, a produção de Chico, o compositor, é desapegada dos “apelos” da música popular: refrões fáceis, etc. Ao contrário: é minuciosa, concentrada. Para ser apreciada sem pressa. Tal qual um bom livro — por influência, presume-se, de sua recente (e proveitosa) proximidade com a literatura. 

Chico está no mesmo nível de trabalhos anteriores do artista, como os (excelentes) Paratodos [1993] e As Cidades [1998]. E possui melhor aproveitamento do que o seu antecessor, o bom Carioca [2006]. Em suma: trata-se de um trabalho de Chico Buarque — com tudo o que isso significa. E não é à toa que ele é chamado de gênio.



Leia também:







Ouça “Querido Diário...




...e “Sem Você nº 2:

 

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Sem Você’, de Tom e Vinicius



O provável ponto alto de Chico é a delicada “Sem Você nº 2”. Inspirada na pérola de Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes...”

(“Chico Buarque: Tal Qual um Bom Livro”, agosto de 2011)


Sem Você” foi gravada pela primeira vez em 1959 (!), por Sylvia Telles [à esquerda], em seu belíssimo álbum Amor de Gente Moça, inteiramente dedicado às canções de Antonio Carlos Jobim.

Chico Buarque jamais escondeu o seu apreço por esta canção. Tanto que a gravou duas vezes: a primeira, acompanhado pelo próprio Jobim ao piano, no Songbook Vinicius de Moraes, de 1993; e a segunda, no duplo Chico ao Vivo, de 1999, como homenagem ao Maestro Soberano, que falecera cinco anos antes.

— No trecho em que canto “sem você”, estou me referindo a ele. “Você”, no caso, é ele, o Tom.



Veja o vídeo de “Sem Você”, com Chico Buarque e Antonio Carlos Jobim, extraído de um especial exibido pela Rede Bandeirantes em 1993:

sábado, julho 30, 2011

Ricardo Teixeira na revista ‘Piauí’

“Minha nossa... Qual de vocês está com a mão amarela?”


A edição de julho da revista Piauí* apresentou extensa matéria sobre o presidente da CBF, Ricardo Teixeira [foto]. E... bem, é impossível não destacar a admirável elegância e franciscana humildade do dirigente.

Confira os melhores momentos:


Meu amor, já falaram tudo de mim: que eu trouxe contrabando em avião da Seleção, a CPI da Nike e a do Futebol, que tem sacanagem na Copa de 2014. É tudo coisa da mesma patota, UOL, Folha, Lance, ESPN, que fica repetindo as mesmas merdas.

(detalhe: de acordo com a matéria, ele chama a todos — homens e mulheres — de “meu amor”.)


O Lula me falava: ‘Eu não vejo essa Globo News porque só dá traço. Então, esse UOL só dá traço. Quem lê o Lance? Oitenta mil pessoas? Traço! Quem vê essa ESPN? Traço! Portanto, só vou ficar preocupado, meu amor, quando sair no Jornal Nacional.

(referindo-se à baixa audiência/tiragem dos referidos veículos)


Que porra as pessoas têm a ver com as contas da CBF? Que porra elas têm a ver com a contabilidade do Bradesco ou do HSBC? Isso tudo é entidade [separando as sílabas] pri-va-da. Não tem dinheiro público, não tem isenção fiscal. Por que merda todo mundo enche o saco?



Pedir porra nenhuma — o filme é nosso. As imagens são minhas.”

(sobre as filmagens das duas últimas Copas do Mundo, realizadas pela Conspiração Filmes)



São uns filhos da puta — nem colocaram que não tinha a coisa do meu bar.”

(sobre a nota de cinco linhas, publicada no jornal Folha de São Paulo, que informava que o processo conhecido como “voo da muamba” — no qual o dirigente era réu — foi arquivado)



Falaram que eu tinha trazido material contrabandeado, o caralho. Agora, sabe por que isso tudo aconteceu? Porque não deixei que a imprensa entrasse no avião e porque o secretário da Receita, o Osíris Lopes Filho, ia ser demitido. Descemos no aeroporto, o povo da Receita falou para deixarmos as bagagens, que eles iam guardar e dali a três dias devíamos voltar para pegar. A CBF pagaria todo o imposto, como pagou depois, mas o seu Osíris armou para mostrar serviço, posou de arauto da moralidade, a imprensa comprou a história e nós nos fodemos.”

(sobre o mesmo episódio)



Eu vou infernizar a vida deles. Enquanto eu estiver na CBF, na Fifa, onde for, eles não entram.

(sobre a BBC)



Dele, eu não deixo passar nada. Outro dia, recebi um dinheiro dele. Mas eu doo para a caridade. Na próxima que ganhar, vou publicar no site da CBF um agradecimento.”

(sobre o comentarista esportivo Juca Kfouri, que já foi processado por Ricardo Teixeira mais de cinquenta vezes)



Se você está na merda, vão falar: ‘Coitado do Ricardo. Vamos dar uma mão para ele.’ Mas aí, todo mundo volta para casa, não ajuda e finge que esqueceu o assunto. Agora, pense na situação inversa: ‘Porra, o Ricardo está bem pra caralho! Que sucesso!’ Pode ter certeza que vai ser aquele que você acha que é seu melhor amigo quem vai dizer primeiro: ‘Também, roubando, quem não fica bem?

(expondo a sua peculiar visão da amizade)



Não ligo. Aliás, caguei. Caguei montão.”

(explicando o quanto se importa com as acusações de corrupção)



O neguinho do Harlem olha para o carrão do branco e fala: ‘Quero um igual’. O negro não quer que o branco se foda e perca o carro. Mas no Brasil não é assim. É essa coisa de quinta categoria.

(corroborando a tese de Tom Jobim de que o brasileiro não lida bem com o sucesso alheio)



Olha como a imprensa brasileira é escrota! A imprensa brasileira é muito vagabunda!

(sobre as três sucintas reportagens de sites brasileiros sobre o documento que absolvia o dirigente da acusação de suborno. Apenas a da BBC esclarecia o caso com detalhes)



O feio é perder, minha querida. Quando ganha, acabou.”

(sobre a eleição da Fifa, na qual foi reeleito Joseph Blatter — que não tinha adversários)



Por que ele tem que sair? Não tem que sair nada. Palocci não vai sair.

(sobre o ex-ministro da Casa Civil)



Taí, vai ver que a minha vaidade é essa: ver que as maiores empresas do mundo, a maior de carne, a maior de seguros, a maior cervejaria, o maior banco do país, a maior editora, todo mundo investiu milhões no ladrão, no bandido aqui, numa CBF de merda, num time que só perde, né?” 

(referindo-se aos grandes patrocinadores da Copa do Mundo no Brasil: Seara, Liberty, Ambev, Itaú e Abril)



Não leio mais porra nenhuma. A vida ficou leve pra cacete. Tá muito bom.

(após ter cancelado o resumo diário dos jornais, ter parado de ver televisão e se afastado da internet)



Isso é o governo. E se o governo acha que a Copa não é prioridade, não posso fazer nada. Esse é o SEU país

(sobre o atraso nas obras de infraestrutura para a Copa do Mundo)



Alguém está falando do Palocci hoje? Não, ? Se eu renunciasse hoje, viraria santo.

(sobre a renúncia do ex-ministro)



Em 2014, posso fazer a maldade que for. A maldade mais elástica, mais impensável, mais maquiavélica. Não dar credencial, proibir acesso, mudar horário de jogo. E sabe o que vai acontecer? Nada. Sabe por quê? Porque eu saio em 2015. E aí, acabou.”




* Leia a reportagem, na íntegra, clicando aqui. 

sexta-feira, julho 08, 2011

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Teresa da Praia’, de Billy Blanco e Antonio Carlos Jobim

Falecido hoje, aos 87 anos, de complicações decorrentes de um AVC, o paraense Billy Blanco [foto] compôs mais de 500 canções, muitas delas ainda inéditas. E foi parceiro de Antonio Carlos Jobim em dois momentos: na Sinfonia do Rio de Janeiro, de 1954, e em “Tereza da Praia”, do mesmo ano.

Lançada com grande sucesso por dois dos cantores mais populares da época, Dick Farney e Lúcio Alves, “Tereza da Praia” é um clássico absoluto da música brasileira. E foi regravada em 2008 na histórica dobradinha CD/DVD Roberto Carlos e Caetano Veloso e a Música de Tom Jobim.



Veja o descontraído dueto de RC com Caetano em “Teresa da Praia:




E ouça a gravação original, com Dick Farney e Lúcio Alves:

 

sexta-feira, junho 10, 2011

João Gilberto: 80 anos

                          
Antes de qualquer coisa, é necessário dizer que é motivo de alegria saber que uma das personagens centrais da nossa música, João Gilberto [no detalhe], continua entre nós. E precisamente hoje, 10 de junho de 2010, o “baiano bossa nova” completa 80 anos de idade.

Homem de temperamento recluso — considerado “excêntrico” por muitos — e perfeccionista ao extremo, João, com seu estilo inconfundível, “desconstruiu” e redefiniu os parâmetros da música brasileira. Nele, o que parece “simples” é pura complexidade. E o que alguns podem confundir com “economia” ou “limitação” é tão somente... sutileza. E precisão.

Embora sempre tenha sido um compositor bissexto, e tenha lançado poucos discos ao longo de sua carreira, o espectro de sua influência é enorme. Tornou suas canções como “Rosa Morena”, de Dorival Caymmi, além de clássicos como “Desafinado”, “Garota de Ipanema” e, claro, “Chega de Saudade”, todas de Antonio Carlos Jobim. 

E, entre seus companheiros de profissão, possui admiradores tão díspares quanto Roberto Carlos, Jorge Ben Jor e... Eric Clapton. 

Que João Gilberto ainda sopre muitas e muitas velinhas de aniversário. Provavelmente, ele saberia “desconstruir” até mesmo o tradicional “Parabéns para Você”...



Leia também:







Veja os vídeos de “Rosa Morena”...




...e três extraídos do excelente especial João & Antonio, gravado ao vivo no Theatro Municipal do Rio, em 1992 — um pecado este DVD jamais ter sido lançado: “Desafinado”...




...“Garota de Ipanema”...




...e “Chega de Saudade”:

quinta-feira, janeiro 13, 2011

Nestlé: 90 anos


Confesso que refleti muito antes de decidir postar este vídeo aqui. Não quis que pensassem que o blog estaria sendo pago para veicular aqui este anúncio, ou algo desse tipo.

Mas, francamente, não resisti à beleza do comercial de 90 anos da Nestlé, emoldurado pela impecável versão original de “Emoções”, de Roberto Carlos [no detalhe], gravada em 1981. Somente quem já viu o Rei cantando esta canção ao vivo pode avaliar: quando surgem os metais da orquestra do cantor, nem as cadeiras do local ficam indiferentes...

Observem que, no trecho da letra que diz “Saudades eu senti...”, aparecem as imagens dos inesquecíveis Antonio Carlos Jobim e Ayrton Senna.

Feliz do país que reverencia os seus ídolos.



Veja o comercial de 90 anos da Nestlé
...




...e ouça a gravação original do clássico “Emoções”:

quarta-feira, julho 07, 2010

20 anos sem Cazuza



Duas décadas após o seu desaparecimento, o poeta continua vivo

Hoje, 07 de julho de 2010, completam exatos 20 anos da morte de Cazuza [foto]. Ainda lembro, como se fosse ontem, do dia de seu falecimento. Inclusive, ainda adolescente, compareci ao sepultamento – e acabei aparecendo, de perfil, em uma foto publicada na revista Contigo!.


A essa altura, tudo já foi dito sobre o poeta e sua obra. Por sinal, em maio de 2008, quando ele completaria 50 anos de idade, escrevi uma matéria sobre a efeméride para o jornal International Magazine. A mesma também pode ser lida no portal Let's Rock.

Em referência à data, deixo aqui uma canção pouco conhecida, parceria dele com Gilberto Gil. Composta em 1987, “Um Trem para as Estrelas” foi registrada inicialmente para a trilha do filme homônimo, de Cacá Diegues, em um dueto do ex-vocalista do Barão Vermelho com o autor de “Refazenda”. No ano seguinte, contudo, Cazuza a regravou, solitariamente, em seu terceiro – e melhor – álbum solo, Ideologia.

A letra traz uma crítica social dura:

São sete horas da manhã
Vejo o Cristo da janela.
O sol já apagou sua luz
E o povo, lá embaixo, espera.
Nas filas dos pontos de ônibus,
Procurando aonde ir.
São todos seus cicerones –
Correm para não desistir
Dos seus salários de fome
E a esperança que eles têm...


E demonstra uma certa... er, descrença. Como se toda a beleza da paisagem da cidade fosse, de fato – como diz a obra-prima de Antônio Carlos Jobim e Aloysio de Oliveira –, “inútil”:

Estranho o teu Cristo, Rio
Que olha tão longe, além
Com os braços sempre abertos
Mas sem proteger ninguém.


Após duas décadas de ausência, o poeta, decididamente, ainda está vivo.



Veja o vídeo de “Um Trem para as Estrelas”, com Cazuza e Gilberto Gil...





...também a versão que o ex-Barão Vermelho gravou sozinho, no álbum Ideologia:

segunda-feira, maio 17, 2010

Da série ‘Fotos’: a música brasileira, ontem e hoje

De Antônio Carlos Jobim a Restart, a música produzida no Brasil retrocedeu bastante ao longo dos anos...

E a tendência é piorar...

sexta-feira, abril 23, 2010

Jobim, por eles e elas


CDs
Aqui Tem Tom - Volumes 1 e 2 (Som Livre)
2010


Os dois volumes da compilação ‘Aqui Tem Tom’ alternam, como de praxe, bons e maus momentos

Passados quinze anos de seu desaparecimento, ocorrido no dia 08 de dezembro de 1994, a atemporal obra de Antônio Carlos Jobim – mesmo sem ter a sua grandiosidade plenamente reconhecida – continua sendo revista e cultuada. Prova disso é a compilação Aqui Tem Tom, disponível em dois volumes – vendidos separadamente –, que chega às prateleiras via som Livre.

Muitas vezes, all star tributes são verdadeiros balaios de gato. Contudo, ao lado de deslizes típicos de projetos desta natureza, Aqui Tem Tom apresenta bons momentos.


Acompanhada por Hélio Delmiro, Calcanhotto brilha

O volume 1, inteiramente dedicado a intérpretes femininas, consegue, no frigir dos ovos, um bom aproveitamento. Tem Maria Bethania, à vontade, em “Anos Dourados”. Tem Nana Caymmi, transformando “Insensatez” em uma canção sua. Tem Joyce, perfeita, em “Discussão”. E tem Elis Regina, introspectiva, em “Sabiá”.

Mas, por outro lado, tem Gal Costa – embora afinadíssima como sempre – errando a letra de “Se Todos Fossem Iguais a Você” (em vez de “a sua vida / é uma linda de amor”, a baiana cantou “vai, sua vida / é uma linda de amor”). Tem Isabella Taviani lutando contra a própria grandiloquência – e eventualmente perdendo – em “Caminhos Cruzados”. E Beth Carvalho concedendo ao clássico “Chega de Saudade” um inadequado acento sambão joia.

Tais deslizes, entretanto, não chegam a comprometer o trabalho, que também traz Fernanda Takai, Roberta Sá e Paula Toller, corretas em “Estrada do Sol”, “Brigas Nunca Mais” e “Por Causa de Você”, respectivamente.

O grande destaque, porém, é Adriana Calcanhotto, acompanhada pelo violonista Hélio Delmiro, na bela versão de “O Amor em Paz”, gravada para o CD 3 do Songbook Vinícius de Moraes, idealizado pelo falecido produtor Almir Chediak.


Ouça “O Amor em Paz”, com Adriana Calcanhotto...


...e “Sabiá”, com Elis Regina:



Djavan e a versão definitiva de ‘Correnteza’

Já o volume 2, que conta apenas com vozes masculinas, tem como trunfos, por exemplo, a versão delicada de Caetano Veloso para “Eu Sei que Vou te Amar” – que cita “Dindi” e “De Você, Eu Gosto” – e o saudoso Tim Maia, na companhia dos d'Os Cariocas, em uma boa versão de “Ela É Carioca”. Mas, de um modo geral, fica inegavelmente aquém de seu correlato.

Lenine, por exemplo, nada acrescentou à obra-prima “Wave” – será que o temperamental João Gilberto não autorizou que a sua versão fosse incluída neste projeto? Igualmente inexpressiva – ainda que esforçada – é a releitura de “Waters of March”, versão anglófona de “Águas de Março”, cometida por Art Garfunkel, metade do extinto duo com Paul Simon.

Sem contar a insuportável versão de Sergio Mendes e will.i.am para o ótimo tema “Surfboard”.

Mas nem tudo está perdido: há também Djavan, na versão definitiva de “Correnteza”. Há o swing de Wilson Simonal em “Só Tinha de Ser com Você” – que, contudo, não supera a (insuperável) gravação de Elis Regina, do álbum Elis & Tom (1974). Há Ed Motta, acompanhado ao piano por Daniel Jobim, saindo-se muito bem na intrincada melodia de “Por Toda a Minha Vida (Exaltação ao Amor)”.

Há também Chico Buarque, convincente no ancestral registro de “Retrato em Branco e Preto (Zíngaro)” – cuja letra, por sinal, foi escrita pelo próprio Chico. E, como curiosidade, há um mergulho nas raízes gaúchas, na pouco conhecida “Rodrigo, Meu Capitão”, parceria de Jobim com Ronaldo Bastos, originalmente lançada na trilha sonora de O Tempo e o Vento, na voz de Zé Renato.


Ouça “Eu Sei que Vou te Amar”, com Caetano Veloso...



...e “Por Toda a Minha Vida (Exaltação ao Amor)”, com Ed Motta:



Ideal para neófitos

Os dois volumes de Aqui Tem Tom oferecem, portanto, um pequeno aperitivo do vasto cancioneiro do autor de “Garota de Ipanema” – curiosamente, a canção está ausente de ambos os CDs. Sendo assim, acabam sendo uma boa pedida para os neófitos.

Contudo, para quem quer realmente se aprofundar nos originais do Maestro Soberano, ficam algumas dicas: os ótimos Elis & Tom (1974) e Terra Brasilis (1980), o derradeiro Antônio Brasileiro (1994), a compilação – editada para o mercado americano – Finest Hour (2000), além do excelente Inédito, gravado ao vivo no estúdio em 1987.

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Correnteza’, de Antônio Carlos Jobim


“...mas nem tudo está perdido: há também Djavan, na versão definitiva de ‘Correnteza’...”


Tenho que confessar: quando ouvi, na década de 1990, a versão que Djavan gravou para “Correnteza”, pensei que o autor fosse o próprio músico alagoano.

Escrita a quatro mãos por Antônio Carlos Jobim e Luiz Bonfá, foi lançada originalmente no álbum Urubu, de 1976. Sem querer “rasgar seda”: a versão de Jobim é ótima.

Mas a de Djavan é realmente a definitiva.

Além da boa melodia, a letra, cinematográfica, traz versos interioranos, à la Guimarães Rosa, de rara beleza. Fechando os olhos, é possível “visualizar” todas aquelas imagens. As flores sendo levadas pelo rio. A fruta madura que cai da ingazeira. A chuva torrencial que veio das montanhas. O gado caminhando no barro. O sol brilhando por entre as serras. E a moça vindo na beira da estrada.

Dado o meu apreço por mato e estrada – mesmo sendo um homem “de cidade grande” –, “Correnteza” é uma das cinco canções que mais gosto na vida. Simples assim.


Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Wave’, de Antônio Carlos Jobim

“...será que o temperamental João Gilberto não autorizou que a sua versão fosse incluída neste projeto?”
Desde o seu lançamento, como faixa-título do álbum que Antônio Carlos Jobim editou em 1967, “Wave” já recebeu inúmeras versões. Algumas delas brilhantes, como a do próprio Jobim em seu CD Inédito, de 1987. Sendo assim, é dificílimo – senão impossível – apontar a melhor de todas.

Mas não resta dúvida de que o brilhante registro de João Gilberto [foto] é um fortíssimo candidato.

Faixa do (ótimo) álbum Amoroso, de 1977 [já falei sobre ele aqui], a gravação de João foi arranjada pelo alemão Clare Fischer, que soube unir, com maestria, cordas e bateria ao que JG possui de inigualável: seu violão e sua voz. Um primor.

Se me pedissem para ilustrar, com uma canção, a paisagem entre as Pedras do Arpoador e a praia do Leblon, esta seria a escolhida. E precisamente nesta versão.


***

Curiosidade: escrevi sobre a criação de “Wave” aqui mesmo no blog, em um post de outubro de 2008, que pode ser lido clicando aqui.