Mostrando postagens com marcador Beatles The. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Beatles The. Mostrar todas as postagens

sábado, janeiro 28, 2012

Da série: ‘São Bonitas as Canções’: ‘Mãe’, com Gal Costa



Sejamos francos: canções em homenagens às mães, em sua maioria, soam... óbvias — desprovidas da poesia que a maior referência na vida de cada um de nós mereceria. Exceção feita — além de “Lady Laura”, de Roberto & Erasmo, e “Let It Be”, dos Beatles — a “Mãe”, composta por Caetano Veloso que, curiosamente, jamais a registrou. 

Gravada por Gal Costa no álbum Água Viva, de 1978, a letra de “Mãe” — repleta de imagens caleidoscópicas — detecta, com precisão cirúrgica, uma grande verdade: não importa o que um homem tenha se tornado ao longo de sua vida. Não importa. 

Diante de sua mãe, ele será sempre... um menino. E jamais deixará de ser amado por ela. 


terça-feira, outubro 25, 2011

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Garota de Ipanema’



Composta em 1962 por Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, “Garota de Ipanema” chamava-se inicialmente “Menina que Passa”. E recebeu os seguintes versos: “Vinha cansado de tudo / de tantos caminhos / tão sem poesia / tão sem passarinhos / com medo da vida / com medo de amar. / Quando, na tarde vazia / tão linda no espaço / eu vi a menina / que vinha num passo / cheio de balanço / caminho do mar”.

Entretanto, os dois parceiros estavam insatisfeitos com a letra. Sendo assim, Vinicius a reescreveu, inspirado na jovem Helô Pinheiro [à esquerda], que passava frequentemente pela calçada do bar Veloso — atual Garota de Ipanema —, situada na rua Montenegro — que, posteriormente, passaria a se chamar rua Vinícius de Moraes. Na época, o Maestro Soberano e o Poetinha eram habitués do local.

No ano seguinte, “Garota de Ipanema” foi gravada no célebre álbum Getz/Gilberto. E, em 1964, foi a vez do próprio Jobim registrá-la, em seu The Composer Of Desafinado Plays.

Três anos depois, Frank Sinatra convidou Tom para que, juntos, gravassem o histórico Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim, o que projetou mundialmente a música do brasileiro. Adivinhem qual faixa abre o álbum? 

Garota de Ipanema” acabou se tornando a segunda canção mais executada e gravada no planeta em todos os tempos (!) — perdendo apenas para “Yesterday”, dos Beatles. O que deveria ser motivo de orgulho para todos nós, brasileiros.

No entanto, pouca gente se dá conta disso. Infelizmente.




Veja o antológico vídeo de Frank Sinatra e Antonio Carlos Jobim, ambos esbanjando charme, cantando “The Girl From Ipanema” em um especial da TV americana:




E ouça a (espetacular) versão gravada por Jobim em um de seus mais brilhantes trabalhos, Inédito, de 1987. Ao lado da sua inseparável Banda Nova, Tom, discretamente “desconstrói” o próprio clássico, começando a canção pela parte dois (“Ah, por que estou tão sozinho?”), criando improvisos, alterando andamentos – enfim, fazendo o diabo com “Garota de Ipanema”:

segunda-feira, outubro 10, 2011

John Lennon: 71 anos



Ontem, 09 de outubro de 2011, John Lennon, se vivo fosse, teria completado 71 anos de idade. Curiosamente, Paul McCartney escolheu precisamente esta data para realizar o seu terceiro casamento — com a empresária americana Nancy Shevell.

Se era controverso como pessoa, Lennon, como artista, merece ser sempre lembrado. E não apenas da maneira mais óbvia, através de clássicos incontestáveis como “Imagine”, “Jealous Guy” e tantos outros.


***


Em 1980, durante o período de férias nas Bahamas, na companhia de seu filho Sean — onde nasceram as primeiras canções de Double Fantasy, seu último trabalho —, Lennon parecia ter recuperado a alegria. Ia à praia todos os dias e, influenciado pelas audições diárias de Burnin' [1973], sexto álbum dos Wailers, teve a ideia de gravar um álbum de “reggae e sons caribenhos”, segundo confidenciou, na época, a pessoas próximas.

O projeto acabou não seguindo adiante, devido à (sempre nefasta) interferência de Yoko Ono, que “sugeriu” que metade (!) do disco abrigasse composições dela — transformando o trabalho em uma espécie de “terapia de casal”. 

Lennon, entretanto, chegou a gravar uma faixa inspirado pelo sol do Caribe. “Borrowed Time”, maravilhosa ode à maturidade, era uma “releitura pessoal” que Lennon fez de “Hallelujah Times”, do já mencionado Burnin'. Na letra, repleta de lucidez — e uma certa... hum, “clarividência”, digamos —, John concluiu que vivia em um “tempo emprestado”.

A mais pura verdade.

Borrowed Time”, contudo, acabou ficando de fora da seleção final de Double Fantasy, sendo lançada apenas no primeiro álbum póstumo do ex-Beatle, Milk And Honey, de 1984. 


terça-feira, setembro 27, 2011

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Ebony and Ivory’, com Paul McCartney e Stevie Wonder



Ebony and Ivory” é uma das mais notáveis colaborações do pop — uma verdadeira “pororoca de gênios”.

Faixa que finaliza o ótimo Tug Of War [no detalhe], álbum editado pelo ex-Beatle em 1982, “Ebony and Ivory” é um libelo pela igualdade racial, utilizando a (inteligente) metáfora das teclas do piano: “O ébano e marfim vivem juntos em perfeita harmonia / lado a lado / no teclado do meu piano.”

E foi justamente para enfatizar esta ideia que McCartney optou por convidar um artista negro para gravar esta música com ele. A escolha não poderia ter sido mais feliz.


Veja o vídeo original:



Em julho de 2010, 28 anos após a gravação original, Paul McCartney e Stevie Wonder reviveram o dueto, em apresentação realizada na Casa Branca, onde o autor de “The Long And Winding Road” foi agraciado com o Prêmio Gershwin, pelo conjunto de sua obra. Detalhe: foi o primeiro estrangeiro a receber tal honraria.

O carinho e o respeito que nutrem um pelo outro ficam claros desde o momento em sobem ao palco. E, depois de uma execução irrepreensível, Wonder, no final da canção, exclama: “Amamos você, Paul”.

Sensibilizado, McCartney se aproxima de Wonder. Beija-o na testa. Diz-lhe algo ao pé do ouvido. E o beija novamente.

Felizmente, este momento único está registrado para a posteridade.




Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Knocks Me Off My Feet’ e ‘As’, de Stevie Wonder

Originalmente lançadas em Songs in The Key Of Life [no detalhe, a capa do álbum, de 1976] — álbum que está no mesmo patamar de clássicos do pop como Sgt. Peppers' [Beatles], Exile On Main Street [Rolling Stones] e Pet Sounds [Beach Boys] —, “Knocks Me Off My Feet” e “As” são duas das mais brilhantes canções do repertório de Stevie Wonder.

Suave e, ao mesmo tempo, intensa, “Knocks Me Off My Feet” soa como uma relato para lá de sincero: “Há algo que sinto algo por você / que me deixa fraco / e me tira o chão”. E possui um dos refrões mais inusitados — e infecciosos — do pop, que não deixa pedra sobre pedra: “Não quero chatear você com isso / mas te amo, te amo, te amo”.




Já “As” é, por assim dizer, uma das mais profundas declarações de amor já escritas ever. Um verdadeiro poema.

A versão que encerra o seu único DVD, Live At Last [2009], gravado ao vivo em Londres, é um capítulo à parte. Sem parar de tocar o seu teclado, Stevie deu um depoimento comovente, mencionando a mãe, que falecera dois anos antes — “foi o dia mais triste da minha vida”, lamentou. E revelou que, tempos depois, ela lhe pediu, em sonho, para que “continuasse levando sua mensagem de amor às pessoas”, através da música.

Ele prosseguiu, agradecendo “por tudo o que tenho recebido durante a minha carreira”, sem esquecer de mencionar o apoio recebido de sua família. E fechou com chave de ouro, pregando o amor universal e abençoando a todos [saiba mais aqui].

Stevie Wonder é um ser de luz. Suas canções exalam emoção em estado puro. Veja o vídeo abaixo. E tente se manter indiferente:


sexta-feira, junho 17, 2011

Da série São Bonitas as Canções: ‘Violet Hill’, do Coldplay

Violet Hill” foi o primeiro single [no detalhe, a capade Viva la Vida or Death And All His Friends . É considerada a primeira canção antibélica do Coldplay — embora o sentido da letra seja mais amplo do que apenas protestar contra a guerra...

Detalhe: no final do clipe, ao se jogar de costas sobre a neve, Chris Martin homenageia a famosa cena do filme Help!, dos Beatles, em que Paul, John, George e Ringo fazem a mesma coisa. E, de fato, “Violet Hill” soa bem Fab Four...


sábado, maio 21, 2011

Paul McCartney em solo carioca

                                                                 
Todo mundo sabe: Sir Paul McCartney [foto] tocará amanhã e segunda-feira, 23, no Estádio Olímpico João Havelange, o já famoso Engenhão, no Rio de Janeiro. Será a segunda passagem da turnê Up And Coming por terras brasileiras em menos de doze meses. Em novembro do ano passado, Macca se apresentou no Morumbi, em São Paulo, e no Beira-Rio, em Porto Alegre.

E convenhamos: seria de uma obviedade sem tamanho postar aqui, para mencionar o fato, algum dos clássicos dos Beatles, ou mesmo um hit do Wings ou de sua carreira solo.

Portanto, para mostrar que McCartney está (muito) distante de qualquer acomodação artística, uma boa pedida é a ousada “Don't Stop Running”, faixa que encerra o seu mais recente trabalho de estúdio, o surpreendente  Electric Arguments [à esquerda, a capa do álbum], de 2008.

O CD foi creditado, na verdade, a The Fireman, o projeto paralelo que Paul desenvolve ao lado do DJ Youth, ex-baixista do Killing Joke, e que já rendeu três álbuns.

Climática e eletrônica, “Don't Stop Running” é a prova cabal de que, mesmo tendo ultrapassado os “sixty-four”, Paul McCartney ainda procura novos rumos para a sua carreira. E acha.


P.S.: a resenha que escrevi sobre Electric Arguments pode ser lida clicando aqui.

P.S. nº 2: a apresentação de amanhã, 22,  será transmitida, ao vivo, em http://paul.terra.com.br/.



Ouça “Don't Stop Running”, do The Fireman. Tem quase quase dez minutos de duração. Mas vale a pena:

Paul McCartney: jazz e ‘rock pesado’

                         

Esta semana, aliás, Paul McCartney [foto] anunciou que está gravando um CD com standards de jazz. Canções da era “pré-rock”, segundo o próprio artista.

— É o estilo do meu pai e são músicas que admiro. Sempre quis fazer isso, desde quando ainda estava nos Beatles. Só que o Rod [Stewart] fez. Aí, pensei: ‘Vou ter que esperar um pouco, para não parecer que o estou imitando’.... — explicou o ex-beatle.

O repertório está sendo mantido no mais absoluto sigilo — McCartney só adiantou que pretende “se afastar das óbvias”. Sabe-se, contudo, que algumas faixas contam com a participação da cantora e pianista canadense Diana Krall.

— Vai ser música para a hora de chegar em casa, depois do trabalho. Você põe pra tocar e pega uma taça de vinho...

Este será o terceiro álbum de regravações da carreira do cantor. Em 1987, editou Choba B CCCP (Back In The USSR), inicialmente disponível apenas para a antiga União Soviética, no qual resgatou clássicos do rock como “Lucille” e “Twenty Flight Rock”. E repetiu a dose em 1999, com o arrasador Run Devil Run, seu primeiro trabalho após o falecimento de sua esposa Linda McCartney, em 1998.

Em contrapartida, Paul revelou que também está compondo para um álbum de “rock pesado”, inspirado por Wasting Light, o mais recente trabalho do Foo Fighters, banda de Dave Grohl, ex-Nirvana.

— Isso pode parecer estranho, mas mantém o frescor. Nunca se sabe: posso correr para uma garagem e fazer este outro álbum.


Veja o vídeo da (estupenda) versão “No Other Baby”, obscura faixa do The Vipers, que McCartney gravou em Run Devil Run:

terça-feira, abril 19, 2011

Roberto Carlos: 70 anos

                           

Do alto de meio século de uma carreira singular, Roberto Carlos [foto] tem muitos motivos pelos quais se orgulhar. Goste-se ou não dele, nenhum outro artista brasileiro possui números tão superlativos — na América Latina, vendeu mais até do que, pasmem... os Beatles (!).

Além de intérprete notável, RC é um compositor que, com a simplicidade de suas palavras, consegue tocar o coração de pessoas de todas as faixas etárias, de todas as classes sociais. Seja falando de amor ou de fé, o autor de “Emoções” é, sem sombra de dúvida, a voz do Brasil.

E, a exemplo de milhões de brasileiros, as canções de Roberto se entrelaçam com a história de minha vida. E isso vem desde a infância, nas celebrações do Natal na companhia de meus familiares — alguns, por sinal, já não estão vivos —, quando a trilha sonora sempre foi o seu novo álbum.

Sendo assim, não me constranjo em declarar a enorme admiração e sincero respeito que nutro por este homem. No meu íntimo, é como se RC fosse uma pessoa próxima, um amigo muito querido. E, de fato, sua música tem estado a meu lado durante todos esses anos.

Hoje, 19 de abril de 2011, Roberto completa 70 anos de idade. Fico feliz por ele estar vivo. Com saúde. E em plena atividade. Não sucumbiu diante de todos os momentos tristes que atravessou — e continua atravessando. Como disse (sabiamente) Caetano Veloso, “uma força” o leva a cantar. Somos privilegiados por ouvi-lo.

Em suma, Roberto Carlos é o Rei. De fato e de direito. Vida longa ao Rei.

quarta-feira, dezembro 08, 2010

Três décadas sem John Lennon


Exatos 30 anos após o precoce desaparecimento de John Lennon [no detalhe], aos 40 anos de idade, todos os pormenores da vida do ex-Beatle já foram amplamente destrinchados. Sua infância sofrida. Seu temperamento difícil. Sua (nada discreta) relação com a esposa, Yoko Ono. Seu ativismo político. Seu brutal assassinato. E, principalmente, seu inestimável legado artístico.

Sendo assim, só nos resta, mais uma vez... homenagear a sua memória.



Quem souber dizer a exata explicação,
me diz como pode acontecer?
Um simples canalha mata um rei...
Em menos de um segundo
...”


(“Canção do Novo Mundo”, Beto Guedes e Ronaldo Bastos)




Nobody Told Me’, do álbum póstumo Milk and Honey, de 1984.





Instant Karma!’, seu terceiro single solo, editado em 1970. Foi composta e gravada no mesmo dia. E chegou às lojas apenas dez dias (!) depois...





Look at Me’, de primeiro álbum lançado por John após o fim dos Beatles, Plastic Ono Band, de 1970.





Jealous Guy’, de seu segundo álbum pós-Fab Four, Imagine, de 1971.





Oh My Love’, também de Imagine. Como podem perceber, a faixa tem a participação de George Harrison, na guitarra.



Da série São Bonitas as Canções: ‘Canção do Novo Mundo’, de Beto Guedes

A faixa citada no post acima é a tocante “Canção do Novo Mundo”, letra de Ronaldo Bastos, musicada por Beto Guedes [no detalhe], e gravada por este.

Originalmente lançada no álbum Contos de Lua Vaga, de 1981 – e também registrada por Milton Nascimento em seu Ao Vivo, de 1983 –, “Canção do Novo Mundo” claramente homenageia John Lennon. E lamenta o seu falecimento: “Oh, minha estrela amiga / por que você não fez a bala parar?


***


Só para constar: Beto Guedes é um dos artistas brasileiros que mais respeito e admiro. Suas canções, na minha modéstia opinião, são a mais nítida “fotografia sonora” das Minas Gerais que tanto amo – mesmo sendo carioca de pai e mãe.


segunda-feira, outubro 04, 2010

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Rainy Days and Mondays’, dos Carpenters


Hoje, se vivo fosse, meu pai completaria 60 anos de idade. Em sua memória, postarei uma canção de uma dupla que ele adorava – e que demorei doze anos (!) para... conseguir ouvir novamente: The Carpenters [no detalhe].

A explicação para tamanho hiato é que – somadas às recordações familiares, claro – a música dos irmãos americanos me comove mais do que a de qualquer outro artista. Mais do que a de Roberto Carlos. Mais do que a dos Beatles.

A doce voz de Karen Carpenter (1950 – 1983) é, na minha modesta opinião, um dos mais belos sons já produzidos pelo ser humano.


***


Em julho de 2009, citei Karen Carpenter no post em que falei sobre o maestro Quincy Jones. A canção “She's Out Of My Life”, gravada por Michael Jackson em Off The Wall – álbum produzido por Jones – foi escrita por Tommy Bahler para a cantora, que havia sido sua namorada...


***


Por coincidência ou não, hoje – como diz o título da canção – foi um “dia chuvoso”. E também uma segunda-feira...

terça-feira, julho 20, 2010

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Alright’, do Supergrass

Tão infecciosa quanto – sem exagero – “She Loves You”, dos Beatles, “Alright”, do Supergrass, foi como um lufada de ar puro em meio à “poluição” que, via de regra, caracteriza a programação das FMs.

Faixa do disco de estreia do grupo, I Should Coco [no detalhe, a capa], de 1995, “Alright”, a despeito da letra bobinha, chega a comover, tamanha é a espontaneidade da coisa. Lembro exatamente do impacto que senti na primeira vez que a ouvi. Não por acaso, está entre as dez músicas de que mais gosto na vida.

E vale ressaltar que o vídeo é absolutamente condizente com o alto astral adolescente da canção.

Em abril deste ano, depois de seis álbuns de estúdio, a banda de Oxford anunciou o fim de suas atividades. Uma pena. De qualquer forma, fica para a posteridade um clássico digno da excelência pop que caracteriza a Grã-Bretanha.


segunda-feira, março 15, 2010

Lobão: minha primeira resenha

O ano era 1992. Eu estava concluindo o Ensino Médio, ainda sem saber o que fazer da vida. Mas já gostava (muito) de música naquela época. Aliás, meu interesse pelo assunto surgiu no tempo das fraldas...

Até que, uma bela manhã, abri o jornal. E vi uma nota sobre um show que Lobão faria, naquele mesmo dia, na Concha Acústica da UERJ. Entrada franca. “Estou dentro!”, pensei.

Na volta para casa, tive um impulso de... escrever a resenha da apresentação – que, permaneceu inédita até o prezado momento. Não me perguntem por que fiz isso – até hoje, não saberia responder.

Creio que, por não ter levado a máquina fotográfica, quisesse “registrar” aquele evento de alguma forma. O mais curioso é que, naquele instante, jamais me passava pela cabeça me envolver algum dia com jornalismo musical.

De 1993 para cá, muita coisa aconteceu. Tanto na carreira de Lobão quanto na minha vida. Portanto, a matéria em questão está sendo publicada aqui apenas à guisa de curiosidade. E (quase) sem edição...



Show
Projeto Brahma – O Primeiro do Meio-dia
Lobão, Boca Livre e Cássia Eller
Local: Concha Acústica da UERJ (Rio de Janeiro)
Dezembro de 1992


Em formato acústico, Lobão, Cássia Eller e Boca Livre fazem show para plateia barulhenta

Pelo nome, o evento deveria começar ao meio-dia. Deveria. Cheguei apenas quinze minutos antes desse horário, esbaforido, imaginando estar atrasado. Na porta da UERJ, uma fila imensa – não sei como esse pessoal coube inteiro lá dentro – e um sol de rachar. Por volta das 13 horas, os portões foram abertos, na maior organização.

Após mais quinze minutos de espera, entra o apresentador do show: Fernando Vanucci (“Alô, você!”). Sabe-se lá Deus por que, a claque não perdoou: “Viado! Viado!”. Simpático, Vanucci fez ouvido de mercador. E auto-ironizou: “Pois é, todo mundo se espanta de como sou baixinho...”

Para “fazer hora”, o apresentador fez uma espécie de gincana, com perguntas sobre a carreira dos três artistas que se apresentariam. Quem acertasse, ganharia um chopp do patrocinador do evento. Em se tratando de crianças – havia crianças no local, sabia? –, ganhava um guaraná.
Logo após a brincadeira, Vanucci chamou ao palco a primeira atração:


BOCA LIVRE


Formado por Zé Renato (violão e voz), Maurício Maestro (contrabaixo e vocal), Lourenço Baeta (violão e vocal) e o ex-Vímana Fernando Gamma (violão e vocal), o quarteto (ironicamente) tocou apenas... quatro músicas: “Feito Mistério”, “Ponta de Areia”, e seus dois maiores sucessos, “Toada” e “Quem Tem a Viola

Além de bons instrumentistas, os integrantes são impecáveis nas harmonias vocais. Destaque também para a luz e o som do evento – que estavam simplesmente perfeitos.


CÁSSIA ELLER


Muito bem recebida pelo público, a cantora entrou no palco com seu violão a tiracolo, e visual despojado: jeans e uma t-shirt larga – o que dava a uma certa de impressão de... , fragilidade à sua figura. Mas isso só até o momento em que abriu a boca. A voz extensa de Cássia parecia fazer tremer as paredes do auditório.

A apresentação começou com “Sensações”, de Luiz Melodia. E prosseguiu com a versão rasta de “Eleanor Rigby”, dos Beatles. Na terceira música, a gayRubens”, a plateia já estava na mão de Cássia. Na sequência, o rock vigoroso “Não Sei o Que Eu Quero da Vida” chutou para longe o conceito de que o-banquinho-e-o-violão estão sempre associados à bossa nova.

Finalizando a surpreendente apresentação, a sua bem-sucedida de versão de “Por Enquanto”, da Legião Urbana, com citação dos Beatles de “I've Got a Feeling”. Com a potência de sua voz, e sua “entrega” no palco, Cássia vai longe.

E chegou a vez do astro da tarde.


LOBÃO


Delírio total do público: o Grande Lobo entra cena, de cabelos curtos, t-shirt lisa, bermuda quadriculada, tênis com meia soquete – visual totalmente clean. Com a tulipa de chopp na mão – devido ao calor, o artista bebeu várias durante o show – e desbocado com sempre, negou que estivesse “light”, como Fernando Vanucci o apresentou.

Eis o set list, com os comentários do músico:

* “Por Tudo o que For
* “Help” (Ao tocar o clássico dos Beatles, Lobão não perdeu a piada: “Essa o Collor deve estar cantando agora...”)
* “Essa Noite, Não” (“Essa é a melô do suicida frustrado. Ou vice-versa.”)
* “Noite e Dia / Me Chama” (“Duas canções que a Marina Lima gravou.”)
* “Bangu x Polícia 0” (Para esse número, Lobão chamou ao palco Ivo Meirelles)
* “Panamericana (Sob o Sol de Parador)” (“Essa é sobre uma imaginária República das Bananas, com dezenove perguntas para nenhuma resposta.”)
* “E o Vento te Levou
* “Chorando no Campo” (“Uma canção meio country”)
* “Vida Bandida” (“Me inspirei no Jorge Ben Jor para arranjar essa.”)
* “Mal Nenhum” (“A minha primeira parceria com o Cazuza. Adoro essa música.”)
* “Decadence Avec Élégance” (“Em 1985, me pediram para fazer uma música para uma novela da Globo sobre o mundo das passarelas, chamada Ti Ti Ti. Pensei em falar sobre o oposto da elegância das modelos. Aí saiu: ‘Você não sabe a arte de saber andar /nem de salto alto nem de escada rolante.’ E é uma canção bilíngue – o refrão é em francês.”)
* “Corações Psicodélicos” (“Não sei se vai sobreviver assim, sozinha ao violão”. Sobreviveu, sim)
* “Rádio Blá
* “Revanche”.


No intervalo entre uma canção e outra, Lobão pedia silêncio à plateia. E não era atendido.

– Vocês são revolucionários. A geração ‘cara-pintada’. Vocês são inteligentes, porra! Este é um show universitário, não o Xou da Xuxa! – disparou.

Até que, em um determinado momento, o artista perdeu a paciência. E deixou o palco, levando o violão em uma das mãos. E a tulipa na outra.

Alguns aplaudiram a atitude do músico. Outros vaiaram. Após levantar de seu banquinho, Lobão deu três passos. Parou. E voltou ao microfone, destilando ironia: “Vocês são demais, tá?”. E retirou-se em definitivo. Fernando Vanucci, sem ação, não sabia o que dizer.

Final de show. Bolas de aniversário caindo do teto do auditório. Tudo muito bonito. No repertório de Lobão, porém, ficaram faltando sucessos como “Vida Louca Vida” e “Canos Silenciosos”. A despeito disso, foi uma apresentação memorável. Que os “caras-pintadas” não souberam apreciar devidamente.

sábado, fevereiro 06, 2010

‘Um Vício’, ‘Cicatriz’ e ‘Foi Mal’

Na introdução curtinha, o ouvinte imagina tratar-se de uma canção para cima. Pista falsa. Desde os primeiros versos, “Um Vício” define o amor de modo cáustico: “O amor devia ser proibido / porque é uma droga pesada”. E prossegue: “E, com a mesma rapidez que você chega aos céus / o inferno passa a ser seu lar. (...) / O que era doce transformou-se em vinagre e ácido. / O que era úmido, da mesma forma. Agora é árido. / E o que antes era vivo já não pulsa mais – tornou-se uma assombração.”

Cicatriz” é um ska animadinho, cujo clipe tem a participação da Intrépida Trupe. Mas não se iludam com isso. A exemplo de “Um Vício”, a letra novamente fala de amor de uma maneira cáustica: “Eu te afoguei no líquido / desse pântano escuro que eu chamo de amor.” O refrão, contudo, expressa alguma esperança: “Ninguém me garante que eu vou ser feliz / mas ninguém me impede de tentar sê-lo.

Já “Foi Mal” é um pop típico de Lulu Santos. Mas com versos indisfarçavelmente desencantados. O clipe original, claramente inspirado no filme A Hard Day's Night [no detalhe], presta homenagem aos Beatles.



Um Vício



Cicatriz




Foi Mal


sexta-feira, dezembro 18, 2009

Da série ‘Música clássica não é chata’: Chopin

Com o passar dos anos, meu interesse por música clássica, pouco a pouco, foi aumentando. Sem que isso significasse, necessariamente, uma diminuição do meu apreço pela canção popular – as duas vertentes não são excludentes.

(E os Beatles estão aí para não me deixar mentir...)

Desse modo, ocorreu-me a ideia de compartilhar esse prazer com todos vocês que frequentam o blog. Evidentemente, há também a intenção de desmitificar a ideia de que a música clássica é uma arte “elitista” e... ahn, chata. Pronto, falei.

Portanto, começamos com esta que é, provavelmente, a minha peça clássica predileta: a magistral “Nocturne Op. 9 No. 2”, de Chopin [no detalhe].


***


Nascido em 1810, o polaco Frédéric Chopin é considerado um dos pianistas mais importantes da história – e um dos maiores compositores para o instrumento. Sua influência permanece até os dias de hoje, e é comparada à de outros gênios da música, como Mozart e Beethoven.

Sempre com a saúde frágil, morreu em Paris, em 1849, aos 39 anos, vítima de tuberculose.

Curiosidade: antes do funeral de Chopin, de acordo com a sua vontade, seu coração foi retirado. O músico temia ser enterrado vivo – leia-se: catalepsia. Sendo assim, o órgão foi posto por sua irmã em uma urna de cristal selada, com conhaque, destinada a Varsóvia, capital da Polônia.

Permanece até hoje, lacrado, dentro de um pilar da Igreja da Santa Cruz, em Krakowskie Przedmieście, debaixo de uma inscrição do Evangelho de Mateus, 6:21: “Onde seu tesouro está, estará também seu coração”.


***


Outra curiosidade: em 1983, o cantor libanês naturalizado italiano Gazebo lançou uma canção em homenagem ao pianista, “I Like Chopin”, que foi sucesso no mundo inteiro.



Veja o vídeo de “Nocturne Op. 9 No. 2”, com o russo Sergei Rachmaninoff:

Os Beatles e a música clássica



E os Beatles estão aí para não me deixar mentir...”

(Da série ‘Música clássica não é chata’: Chopin)


A afirmativa de que os Beatles [no detalhe] “alçaram a música pop ao status de arte” não é mero delírio de fã. É fato.

Além das inovadoras técnicas de gravação – como o primeiro loop da história em “Tomorrow Never Knows” – e o flerte com música indiana (“Norwegian Wood”, “Love You To” e “Within You Without You”, o quarteto de Liverpool foi o primeiro a utilizar a música de câmara no pop.

Dois exemplos estão em “Eleanor Rigby” (do álbum Revolver, 1966) e “She's Leaving Home” (de Sgt. Pepper's Lonely Heart Club Band, 1967) – canções estruturadas em elementos de música de concerto.


Ouça “Eleanor Rigby...




...e “She's Leaving Home:

Os Rolling Stones e a música clássica

Via de regra, os Rolling Stones [foto] são mais identificados pelo escárnio, pela “trangressão”. Mas o fato é que eles possuem canções tão estupendas quanto as... dos Beatles – sim, é verdade.

É o caso da tristonha “As Tears Go By”, que, por sinal, também conta com com um quarteto de cordas em seu arranjo.


Ouça “As Tears Go By:

quarta-feira, outubro 28, 2009

Divulgado repertório do box de Paul McCartney


Em julho desse ano, Paul McCartney realizou três shows no estádio Citi Field, em Nova York. As apresentações foram gravadas, e se tornarão o box Good Evening New York City, composto de dois CDs e um DVD, que chega às prateleiras no dia 17 de novembro.

Além dos sempre oportunos clássicos dos Beatles e dos Wings, o set list apresenta canções mais recentes da carreira solo de Macca – como “Only Mama Knows”, a delicada “Calico Skies” e “Flaming Pie” – e dois temas de Electronic Arguments, último álbum do The Fireman, projeto paralelo do baixista – “Highway” e a ótima “Sing The Changes”.

Good Evening New York City também estará disponível em uma edição deluxe, que trará mais um DVD, com a apresentação de Paul na marquise do Ed Sullivan Theatre, também em Nova York, no dia 15 de julho – onde foi tirada a foto que ilustra este post. A performance foi ar no programa Late Show With David Letterman.

As faixas de Good Evening New York City:

CD 1
Drive My Car
Jet
Only Mama Knows
Flaming Pie
Got To Get You Into My Life
Let Me Roll It
Highway
The Long And Winding Road
My Love
Blackbird
Here Today
Dance Tonight
Calico Skies
Mrs Vandebilt
Eleanor Rigby
Sing The Changes
Band On The Run

CD 2
Back In The USSR
I'm Down
Something
I've Got A Feeling
Paperback Writer
A Day In The Life”/ “Give Peace A Chance
Let It Be
Live And Let Die
Hey Jude
Day Tripper
Lady Madonna
I Saw Her Standing There
Yesterday
Helter Skelter
Get Back
Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band”/ “The End

DVD
Drive My Car
Jet
Only Mama Knows
Flaming Pie
Got To Get You Into My Life
Let Me Roll It
Highway
The Long And Winding Road
My Love
Blackbird
Here Today
Dance Tonight
Calico Skies
Mrs Vandebilt
Eleanor Rigby
Sing The Changes
Band On The Run
Back In The USSR
I'm Down
Something
I've Got A Feeling
Paperback Writer
A Day In The Life”/ “Give Peace A Chance
Let It Be
Live And Let Die
Hey Jude
Day Tripper
Lady Madonna
I Saw Her Standing There
Yesterday
Helter Skelter
Get Back
Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band”/ “The End