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sexta-feira, abril 22, 2016

Prince (1958 — 2016)


Três meses após o abrupto desaparecimento de David Bowie, 2016 levou mais uma estrela de primeira grandeza do pop. Prince, 57 anos, foi encontrado sem vida no elevador de seu estúdio-residência Paisley Park, em Minneapolis, EUA. A causa do óbito ainda é desconhecida.

Em 38 anos de carreira fonográfica, deixou 39 álbuns, nos quais transitou com insuspeitada desenvoltura entre a black music e o rock. Além de cantar, compunha, produzia, dançava como poucos e era um exímio guitarrista. Não se deve classificar qualquer um como “gênio”. Mas ele bem que merecia o adjetivo.

Teve o seu auge comercial nos anos 1980, através de uma coleção de hits como “Purple Rain”, “When Doves Cry”, “Raspberry Beret”, “I Feel For You” (sucesso retumbante na voz de Chaka Khan) e “Nothing Compares 2 U” (conhecida mundialmente na versão de Sinéad O'Connor), entre outros, rivalizando com pesos-pesados com Michael Jackson e Madonna.

Na década seguinte, entrou em rota de colisão com as gravadoras e, desde então, passou a editar seus álbuns de modo independente. E foi além: começou a assinar os seus trabalhos com um símbolo ininteligível e impronunciável, exigindo que a imprensa musical o chamasse de O Artista. Por sua vez, os repórteres o denominavam como The Artist Formerly Known As Prince (O Artista Anteriormente Conhecido como Prince) — embora alguns repórteres se referissem a ele como… O Símbolo.

Do ponto de vista empresarial, Prince não lidou muito bem com o advento da internet. É bem verdade que vários de seus últimos singles foram lançados somente em formato digital. Mas, em contrapartida, por determinação judicial, a maioria de seus vídeos oficiais está disponível no YouTube sem a pista de áudio — ou seja... mudos. Tampouco permitiu que suas canções fossem incluídas em serviços de streaming como Spotify e Deezer. Resultado: embora continuasse lançando trabalhos de qualidade e com espantosa produtividade — eventualmente, mais de um CD por ano (!) —, os mesmos não chegavam ao grande público como deveriam.

Espera-se que o espólio de Prince reconsidere a relação de sua obra com as plataformas digitais. Para que as novas gerações tenham o privilégio de conhecer o talento de uma artista único.



Veja o vídeo de “Purple Rain”, tema do filme homônimo que, em 1984, permaneceu 24 semanas (!) no primeiro lugar da Billboard:

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘I Feel For You’, com Chaka Khan


Lançada originalmente no segundo álbum de Prince, epônimo, de 1979, “I Feel For You” não obteve grande repercussão. Entretanto, ao ser regravada por Chaka Khan, cinco anos depois, em seu sexto álbum [no detalhe, a capa] — que, não por acaso, acabou sendo batizado com o nome da canção  — tornou-se um hit instantâneo.

Convenhamos: amplamente superior à do autor, a (irresistível) versão da cantora é uma das mais poderosas faixas já concebidas para as pistas de dança. Além do rapper Melle Mel, “I Feel For You” conta com a participação (mais do que) especial de um certo… Stevie Wonder.

Detalhe: a produção ficou sob a batuta do próprio Prince. E, sendo o autor da canção, ele acabou levando para casa o Grammy de Melhor Faixa de R&B de 1985.


quarta-feira, setembro 28, 2011

A harmônica de Stevie Wonder em canções de outros artistas


Stevie Wonder, que se apresentará amanhã no Rock In Rio, é um artista cuja trajetória é absolutamente singular. 

Assinou seu primeiro contrato com uma gravadora, a Motown, aos 11 (!) anos de idade. Em sua discografia, encontram-se álbuns essenciais como Talking Book [1972], Innervisions [1973], Fulfillingness' First Finale [1974] e, em especial, Songs In The Key Of Life [1976]. Aos 61 anos, com mais de trinta hits no currículo, é o artista masculino que mais ganhou prêmios Grammy — 25 ao todo. Nada disso, entretanto, é novidade para ninguém.

O que talvez nem todos saibam é que, não bastasse o soberbo cantor e compositor que sempre foi, Stevie — a despeito da deficiência visual de nascença —, é um multi-instrumentista, gravando várias de suas faixas praticamente sozinho (!).

Contudo, apesar de dominar piano, baixo e até... bateria, Wonder é mais identificado pelo público por um instrumento em especial: a harmônica [no detalhe].

Além de estar presente em vários de seus clássicos como “Isn't She Lovely”, “Send One Your Love”, “From The Bottom Of My Heart” e “For Once In My Life”, a gaita de Stevie Wonder também aparece em sucessos de outros artistas.

Confiram alguns exemplos:


Gravado em Los Angeles, Luz, quinto álbum de Djavan, conta com a participação da inconfundível harmônica de Stevie Wonder em “Samurai”. Anos depois, em entrevista a Jô Soares, o cantor alagoano fez uma curiosa observação sobre seu convidado: “Ele tem uma bunda enorme”:



No ano seguinte, Wonder emprestou sua gaita à belíssima “I Guess That's Why They Call It The Blues”, lançada por Sir Elton John em seu álbum Too Low For Zero:




Em 1984, Stevie colaborou com Chaka Khan, em sua incendiária releitura de “I Feel For You”, uma das mais infalíveis faixas para pista já gravadas. A versão original, que o autor Prince, lançou em seu segundo disco, epônimo, de 1979, não chega nem perto...




Faixa do álbum Be Yourself Tonight [1985], do extinto duo Eurythmics, a bela melodia “There Must Be An Angel (Playing With My Heart)”, não poderia encontrar, além da voz cristalina de Annie Lennox, um adorno mais apropriado do que a harmônica de SW:




Stevie Wonder também participa da regravação da imortal “As Time Goes By”, que Carly Simon incluiu em seu Coming Around Again, de 1987:




Em Duets II, de 1996, derradeiro trabalho de Frank Sinatra, Stevie acompanhou o anfitrião e Gladys Knight em uma canção que fez muito sucesso em sua voz: “For Once In My Life:




Por considerá-la um tanto parecida com o antigo sucesso “I Was Made To Love Her”, Sting — fã confesso de Wonder — convidou-o para tocar gaita na esperançosa “Brand New Day”, faixa-título do álbum que o ex-Police editou em 1999. Em vídeo extraído do DVD Live At Universal Amphitheatre, daquele mesmo ano, a entrada-surpresa de SW causou enorme frisson na plateia. E vale a pena observar também a reação de Sting: terminada a canção, Stevie vai deixando o palco e o baixista observa, em silêncio, com as mãos juntas — como se estivesse rezando. Segundos depois, com a voz calma, diz, simplesmente: “Stevie Wonder”. Então, olha para o alto e completa a frase: “Um ser elevado”:




Stevie Wonder também participou — brilhantemente, diga-se de passagem — da dobradinha* “Berimbau/Consolação”, de Baden Powell e Vinicius de Moraes, gravada por Gracinha Leporace em Timeless, álbum lançado por seu marido, Sérgio Mendes, em 2006. Wonder e Mendes, aliás, são amigos de longa data:

* Dedico esta canção ao pequeno capoerista aqui de casa.