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sexta-feira, dezembro 07, 2007

Paulinho da Viola: Encontros O Globo


O última edição do Encontros O Globo - Especial Música do ano de 2007 contou com a presença de Paulinho da Viola. Durante duas horas, o mestre do samba respondeu às perguntas dos mediadores (os jornalistas João Máximo, Antônio Carlos Miguel e Zuenir Ventura) e do público que lotou o auditório do jornal, assim como dos internautas que enviaram suas dúvidas através do O Globo On Line.

A tão comentada elegância de Paulinho é absolutamente verdadeira. Figura extremamente simpática, contou longas histórias e, acompanhado de seu violão, cantou alguns de seus sucessos, como “Cenário” e “Eu Canto Samba”. Obviamente, a Portela era um assunto que não poderia faltar. E o compositor relembrou o momento exato em que, menino, se apaixonou pela escola:

- Foi no Carnaval na Avenida Rio Branco - ainda não havia, naquela época, desfile na Marquês de Sapucaí, muito menos Sambódromo. Eu gostava muito de andar sozinho.

O autor de “Sinal Fechado” falou sobre a gênese dessa canção:

- Aquele momento [durante a ditadura militar] era de silêncio. As pessoas viviam desconfiadas, com medo até de conversar. E eu fiz essa música por causa de um conhecido meu. Um dia, eu o encontrei na rua e ele disse que precisava muito falar comigo. Outras vezes, nos encontramos e nada de ele falar. E até hoje, tantos anos depois, ele ainda não conseguiu me dizer o que queria - disse, Paulinho, para risos da platéia.

E, embora de modo lacônico, o cantor não fugiu quando questionado se considerava superado o lamentável episódio de 1995 (quando Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil, Gal Costa e Maria Bethânia receberam da Prefeitura do Rio um cachê maior do que o dele para cantar no reveillon na praia de Copacabana):

- Sim, considero - disse, sorrindo.

Perguntado sobre a passagem do tempo, Paulinho respondeu com profundidade:

- Aquele meu verso 'quando eu penso no futuro, não esqueço o meu passado' é verdadeiro. Às vezes, começo a lembrar dos fatos de toda a minha vida. E sempre tenho a impressão de tudo passou depressa demais, mesmo sabendo que, na verdade, não foi assim. De modo que só posso concluir que não vivo no passado. Mas o passado vive em mim - afirmou, arrancando aplausos entusiasmados do público.


Veja algumas fotos que tirei do Encontro:



Os mediadores [da esq. para a dir.]: os jornalistas João Máximo, Antônio Carlos Miguel e Zuenir Ventura

quinta-feira, novembro 15, 2007

Lulu Santos: Encontros O Globo


Estive presente a mais uma edição do Encontros O Globo - Especial Música, realizado no auditório do jornal, cujo convidado dessa vez foi ninguém menos que Lulu Santos. Diante de uma platéia, do ponto de vista etário, heterogênea - o que confirma que sua música atinge a pessoas de todas as idades -, o mestre do pop brasileiro, durante duas horas, falou sobre sua carreira, suas influências (como o twist, o pop anglo-americano e o samba de raiz) e cantou sucessos como “Tempos Modernos” (“foi com essa música que passei a ter confiança na minha capacidade como compositor”, disse ele), “Tão Bem”, “Assim Caminha a Humanidade” e “A Cura”. Lulu também cantou uma inédita em sua voz, o samba “Quisera Eu”, parceria sua com Zélia Duncan.

Absolutamente à vontade - e brincalhão como nunca - Lulu respondeu às perguntas dos mediadores (os jornalistas Bernardo Araújo, Antônio Carlos Miguel e Ronald Villardo; e a cantora Preta Gil), do público presente e dos internautas que enviaram mensagens através d'O Globo On Line. Questionado sobre a inspiração para “Como uma Onda”, seu maior clássico, o artista foi sincero:

- O que essa música tem é um bocado de harmonia. Um dia desses, estive observando a obra dos Beatles e percebi que, via de regra, tudo funciona em três acordes. O cancioneiro brasileiro tradicional, no entanto, é repleto de harmonias complexas. E 'Como uma Onda' foi inspirada, na verdade, em 'Acontece', de Cartola - disse o cantor para, logo em seguida cantar a sua famosa canção, para delírio dos presentes.

Perguntei sobre o possível relançamento de Mondo Cane - o seu excelente álbum de 1992, e ele respondeu:

- Tenho vontade de relançar não somente esse, como também os demais discos meus que não se encontram mais em catálogo. Como o Long Play, meu disco mais recente, foi editado pelo meu selo, apenas com a distribuição a cargo da Som Livre, pode ser que agora seja mais fácil negociar essas reedições.

Mas confirmou que Long Play pode realmente ser o seu último trabalho:

- Pode ser o último, sim, nesse formato: de coleção de canções, de CD propriamente dito. Hoje existem tantas formas de se comercializar música: pelo celular, através de download... E não é só isso: tenho muitas canções e sinto vontade de reler meus 'lados b'. Tanto que, atualmente, quando alguém me pede uma canção inédita, eu respondo: 'puxa, procure dar uma olhadinha nos meus 22 discos. Pode ser que você encontre lá alguma coisa que te agrade...'

Lulu confessou que adora jogar Guitar Hero (“vocês tinham que me ver tocando Nirvana naquilo”, disse, arrancando risos da platéia) e aproveitou para elogiar Alexandre Pires e Xororó (“ambos são muito bons, muito sérios naquilo que fazem”). E ainda falou com um apreço todo especial sobre Guilherme Arantes:

- Ele tem uma obra fantástica. Existem pelo menos dez canções dele que eu gostaria de ter feito.

Um internauta enviou uma mensagem classificando o funk carioca como uma “deturpação musical”, por causa das “letras agressivas”, e perguntando se o cantor era “a favor” do gênero. Lulu não respondeu. Em silêncio, pegou o violão e cantou a letra singela de “Se Não Fosse o Funk”, de MC Marcinho, gravada por Lulu em Long Play. Momentos depois, filosofou:

- Atualmente, não existe nada que me irrite mais do que... a própria irritação. Porque você tem dois trabalhos: o de se irritar; e, depois, o de se acalmar. Então, é melhor evitar logo o primeiro trabalho.

Veja algumas fotos que tirei do Encontro:












Os mediadores [da esquerda para a direita]: os jornalistas Bernardo Araújo e Antônio Carlos Miguel, a cantora Preta Gil e o também jornalista Ronald Villardo





quarta-feira, maio 23, 2007

Caetano Veloso: Encontros O Globo


Dessa vez, Caetano Veloso foi o nome escolhido para mais uma edição do Encontros O Globo - Especial Música, realizada no auditório do jornal. Durante uma hora e meia, o compositor respondeu às perguntas da platéia, dos convidados e dos mediadores Hélio Eichbauer (cenógrafo de vários shows de Caetano - inclusive o atual, ), Cora Rónai (colunista do Segundo Caderno e responsável pelo suplemento Informática Etc.) e o jornalista Antônio Carlos Miguel. E também dos intenautas que enviaram suas perguntas através do site d'O Globo.

De ótimo humor, Caetano falou sobre sua falta de interesse pelos telefones celulares ("Jamais tive um"), arrancando risos do público. Opinou também sobre a presença de Gilberto Gil no Ministério da Cultura ("Somos amigos íntimos há muitos anos. E, na época, desaconselhei o Gil a ir. Porque ele estaria lá muito mais como símbolo do que por outra razão") e sobre a interdição do livro Roberto Carlos em Detalhes ("Fico incomodado com a idéia de proibição de um livro. Sobretudo um livro interessante e carinhoso como este. Tenho esperanças de que, um dia, essa decisão possa vir a ser revogada - embora eu saiba que, do ponto de vista jurídico, haja legitimidade na decisão de Roberto Carlos.")

Ao violão, explicou o seu processo de composição e cantou algumas canções, como "Outro", "Odeio", "Força Estranha" ("Não havia me dado conta de que nunca gravei essa") e "Minha Voz, Minha Vida".

Perguntei sobre dois projetos que estavam em andamento na época de lançamento do - Dezesseis Sambas e Novas Canções Sentimentais -, e ele respondeu de maneira prolixa:

- Ambos estão arquivados na minha mente. Se bem que, na verdade, eu tinha três projetos: esses dois; e um terceiro, também de rock, em que eu não apareceria. Seria um trabalho creditado a uma banda e eu ficaria escondido - até minha a voz seria gravada com distorções. Mas acabei transformando esse projeto no próprio - ainda que eu pense em fazer mais um trabalho com essa banda que me acompanha.

E prosseguiu:

- Algumas faixas que seriam incluídas em um possível álbum Dezesseis Sambas já foram utilizadas: "Musa Híbrida" foi gravada no ; "Luto" foi entregue à Gal; e "Tiranizar" [nota: registrada por Leila Pinheiro no CD Nos Horizontes do Mundo, 2005]. Já as Novas Canções Sentimentais, seriam todas inéditas e autorais, mas compostas na mesma estética desses sucessos populares que gravei e que fizerem sucesso. A única canção existente desse álbum seria essa, que fiz para o Peninha.

E emendou com "Tá Combinado".

Fui cumprimentá-lo no final, e agradeci por ele ter encerrado o evento cantando "You Don't Know Me" (do clássico Transa, 1972). Foi justamente essa música que eu havia lhe pedido.

A propósito: ninguém perguntou sobre a Luana Piovani...



Confira algumas fotos que tirei do Encontro:










Os três mediadores (da esq. para dir): Cora Rónai, Antônio Carlos Miguel e Hélio Eichbauer