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sábado, maio 12, 2018

Burt Bacharach: 90 anos


Autor de algumas das mais belas canções populares de todos os tempos, o maestro, pianista e compositor americano Burt Bacharach completa hoje 90 anos de idade.

Vencedor de seis prêmios Grammy e três estatuetas do Oscars, foi regravado por artistas do calibre de Dionne Warwick, Frank Sinatra, Carpenters, Stevie Wonder e até os Beatles, entre outros. Enfim, uma carreira vitoriosa.

Admirador confesso de Ivan Lins, Antonio Carlos Jobim e de baião (!), ele, contudo, nem sempre foi unanimidade. Houve um tempo em que Burt Bacharach era sinônimo  de muzak, easy listening, “música de elevador”. Posteriormente, os detratores perceberam que, apesar de sentimentais e de fácil assimilação, suas composições eram musicalmente muito elaboradas, passando ao largo de qualquer banalidade.

Detalhe: Bacharach não quer saber de aposentadoria. Seu trabalho mais recente foi a trilha sonora do filme A Boy Called Po, lançada no ano passado. E acreditem: ele continua cumprindo a sua agenda de shows (!).

Para os amantes da boa música, é uma alegria e um privilégio celebrar a vida e a obra desse gênio do pop. Flores em vida para ele.



Relembrem alguns de seus inúmeros sucessos:




On My Own”, belo dueto de Patti LaBelle com Michael McDonald, obteve boa execução radiofônica na década de 1980:







Música-tema do filme Arthur, o Milionário Sedutor, “Arthur's Theme (Best That You Can Do)”, parceria de Bacharach com Christopher Cross, rendeu à dupla o Oscar de Melhor Canção:





Na sequência Arthur 2 – O Milionário Arruinado, Bacharach emplacou outra pérola, “Love Is My Decision” — dessa vez, na voz de Chris “The Lady In Red” deBurgh:






Imortalizada na voz de B.J.Thomas, “Raindrops Keep Fallin' On My Head” rendeu a Bacharach os seus dois primeiros Oscar, em 1969:






Sucesso na voz de Dionne Warwick — a maior intérprete de Burt Bacharach —, “Always Something There To Remind Me” ganhou uma boa releitura do Naked Eyes nos anos 1980.






Uma de suas canções mais emblemáticas, “I'll Never Fall In Love Again” foi regravada pelo maestro na companhia do amigo, fã e parceiro Elvis Costello — com quem gravou em 1998 o estupendo álbum Painted From Memory — para a trilha do filme Austin Powers: O Agente Bond Cama:





Por sua vez, a trilha de O Casamento de Meu Melhor Amigo trazia a ótima versão reggae de Diana King para “I Say A Little Prayer”:





Com a delicadeza habitual, os Carpenters, na sua releitura de “(They Long To Be) Close To You”, conseguem emocionar até uma parede






Fechando a sequência com chave de ouro: faixa cuja renda seria destinada às vítimas do vírus HIV, acabou se tornando uma das mais comoventes canções já escritas sobre a amizade. Gravada inicialmente por Rod Stewart, “That's What Friends Are For” recebeu de Dionne Warwick e seus amigos Stevie Wonder e Elton John a sua versão definitiva:



terça-feira, maio 01, 2018

Sting e Shaggy: parceria ‘improvável’ quebrando paradigmas



CD
44/876 (Universal Music)
2018


Um belo dia, Martin Kierszenbaum, produtor de Sting e também empresário de Shaggy, pediu ao astro inglês para gravar os vocais no refrão de uma faixa inédita do cantor jamaicano, a singela “Don't Make Me Wait”. Poucos meses depois, os dois artistas anunciaram não apenas ter finalizado a canção, mas, para surpresa geral… um álbum inteiro (!). Assim surgiu 44/876 — cujo título faz referência aos códigos de discagem de Reino Unido e Jamaica, respectivamente —, disponível em formato físico e nas plataformas digitais desde o dia 20 de abril.

Logo de cara, o CD quebrou dois paradigmas. É a primeira vez, em 33 anos de carreira solo, que Sting divide um trabalho com outro artista. Além disso, com exceção de uma outra faixa desde o fim do Police — como “Love Is The Seventh Wave” (1985) e “All Four Seasons” (1996) —, representa uma volta ao reggae após um hiato de mais de três décadas.

O clima de bom humor e camaradagem exibido pela dupla nos pockets shows e entrevistas de divulgação não parece ser jogo de cena: em “Morning Is Coming”, na irresistível “Gotta Get Back My Baby” e na canção que dá título ao disco (na qual confessa que o fantasma de Bob Marley “o asssombra” até os dias de hoje) fica claro que o baixista entrou, numa boa, na praia de Mr. Boombastic. E, ao se deparar com as 15 faixas da bolacha, o ouvinte só imagina duas hipóteses: a) o autor de “Englishman In New York” teve um surto de criatividade; b) ou decidiu abrir o baú de composições.

Todavia, apesar de ter embarcado no território musical de Shaggy, a assinatura de Sting como compositor aparece com muita nitidez em algumas faixas. “16 Fathoms” e “Crooked Tree”, por exemplo, poderiam muito bem integrar a trilha sonora de The Last Ship, musical idealizado pelo baixista que estreou na Broadway em 2013. As melodias de “Sad Trombone” da bela “22nd Street” evocam a proximidade do músico com o jazz. Da mesma forma, um piano jazzístico pontua a boa “Waiting For The Break Of Day”, cujo verso anárquico “se as leis são perversas / você é forçado a desobedecer” instiga tanto quanto os backing vocais gospel (!) no final da faixa. 

Dreaming In The U.S.A.” é um caso à parte. Pop rock que, do ponto de vista sonoro, destoa do restante do álbum, trata-se de uma declaração de amor aos Estados Unidos e a ícones americanos como Elvis, Sinatra e Marilyn Monroe. Contudo, não deixa de lamentar, implicitamente, a era Trump: “Aguardo o dia em que todos habitaremos uma América melhor”. Curiosamente, entretanto, um dos destaques do álbum não é uma canção autoral. A delicada “Love Changes Everything”, um primor de letra e melodia de Andrew Lloyd Weber, emociona em sua roupagem lovers rock. É a única faixa na qual Sting canta sozinho.

Em resumo, 44/876 é um álbum leve, solar e despretensioso, que tem tudo para agradar tanto aos que acompanham a carreira de Shaggy quanto àqueles que apreciam o Sting mais pop, menos “erudito”. Aliás, ao longo dos últimos 15 anos, o ex-Police tem declarado que “a surpresa é o elemento-chave na música de hoje”. E, sintomaticamente, um novo trabalho dele é sempre muito diferente do anterior. Portanto, se a intenção dele era surpreender o seu público com uma parceria tão “improvável”, o objetivo foi atingido. Não se espantem se ele permanecer em silêncio nos próximos dois, três anos. E reaparecer com algo inesperado.



O vídeo oficial de “Don't Make Me Wait”, primeira faixa de trabalho de 44/876, foi gravado em Kingston, capital da Jamaica. Na companhia de seu novo-amigo-de-infância, o inglês parece estar à vontade: joga sinuca, dominó e ainda bebe uma cerveja Red Stripe. E se diverte em meio às cenas, digamos, calientes, do povão dançando no baile. Vale a pena conferir:

quarta-feira, janeiro 25, 2017

Antonio Carlos Jobim: 90 anos


A trajetória musical de Antonio Carlos Jobim é repleta de grandes feitos. Em 1964, participou — como pianista e autor de seis das oito faixas do disco de jazz mais vendido da História — o essencial Getz/Gilberto. Três anos depois, recebeu um convite para dividir um disco com ninguém menos do que Frank Sinatra — algo que The Voice nunca havia feito até então e que jamais voltou a fazer.

Jobim foi o grande responsável por tornar a música brasileira mundialmente conhecida: “Garota de Ipanema” é segunda faixa mais executada e regravada de todos os tempos — perdendo apenas para “Yesterday”, dos Beatles. Goste-se ou não dele, o seu papel histórico é incontestável.

Músico clássico por formação, trouxe refinamento à canção popular, criando pérolas que continuarão atravessando gerações como “Águas de Março”, “Wave”, “Desafinado”, “Chega de Saudade” e dezenas de outras. Não tenham dúvida: o Maestro Soberano é o mais importante músico brasileiro de sempre.

Falecido em 1994, aos 67 anos, Antonio Carlos Jobim completaria hoje 90 anos. E, em tempos tão empobrecidos culturalmente como os atuais, a sua imensurável obra precisa, mais do que nunca, ser (re)descoberta. E celebrada.




Em um dos mais belos anúncios já feitos, a Brahma promoveu, em 1991, um emocionante “reencontro” de Jobim com o seu maior parceiro, o poetinha Vinícius de Moraes, falecido em 1980. Vale a pena conferir:


segunda-feira, dezembro 26, 2016

George Michael (1963 — 2016)


George Michael iniciou sua trajetória musical em 1981, formando o duo Wham! na companhia de Andrew Ridgeley, seu colega de escola. Rapidamente, a dupla se revelou uma usina de compactos de sucesso, como “Everything She Wants”, “Last Christmas”, “I'm Your Man” e, claro, a infecciosa “Wake Me Up Before You Go-Go”. Em 1984, lançou um single solo, a balada “Careless Whispers”, cujo sax inconfundível logo se tornou uma de canções mais emblemáticas.

Dois anos depois, decidiu embarcar em carreira solo, naquela que foi definida pela dupla como “a separação mais amigável da história do pop”. E “quebrou a banca” logo em seu álbum de estreia: com hits como “Father Figure”, “I Want Your Sex”, “One More Try”, “Kissing a Fool” e a faixa-título, Faith [1987] vendeu 25 milhões de cópias em todo o planeta e o colocou no mesmo patamar de mega astros como Madonna, Prince e Michael Jackson.

Evidentemente, a imagem de sex symbol — um misto de James Dean e Elvis Presley — ajudou bastante na empreitada. Contudo, Michael, ciente de sua capacidade — além de cantar, compor e ser um ótimo performer, tocava vários instrumentos e era um produtor de mão cheia —, tinha outros planos.

Em 1991, lançou o seu segundo álbum. Já no título, a mensagem era clara: Listen Without Prejudice (“Ouça sem preconceito”). Nas poucas entrevistas que concedeu no período, frisou que era “um compositor” e que, daquele momento em diante, a música “ficaria em primeiro plano”. A capa [no detalhe] não trazia nenhuma foto ou indicação do artista — apenas uma imagem em preto-e-branco de uma multidão de banhistas. Para completar, Michael se recusou a aparecer nos vídeos de divulgação.

O álbum emplacou dois hits: “Freedom '90” (cujo clipe mostra a jaqueta de couro de Faith entrando em combustão, simbolizando a ruptura com o passado) e “Heal The Pain”, balada acústica a la Paul McCartney (em 2005, ele regravaria a canção com a participação do ex-beatle). Entretanto, apesar de boas faixas como a bossa nova “Cowboys And Angels”, “Waiting For That Day”, “Praying For Time” (que George considerava a sua melhor letra) e “Something To Save”, o trabalho não repetiu, nem de longe, o desempenho de seu antecessor. Resultado: o cantor acusou a Sony de “escravizá-lo” e “não divulgar o disco com deveria”. E acionou judicialmente a companhia para se livrar do contrato. 

No decorrer do processo, Michael ficou fora do mercado fonográfico, lançando apenas o single Don't Let The Sun Go Down On Me (magnífico dueto com Elton John) e o EP ao vivo Five Live (que continha a sua emocionante versão de “Somebody To Love”, gravada em 1992 no Tributo a Freddie Mercury), de 1993. Acabou perdendo a ação, sendo “condenado” a lançar uma coletânea — Ladies & Gentlemen, que chegou às prateleiras somente em 1998, com duas faixas inéditas e dois covers (uma versão estupenda de “As”, de Stevie Wonder, e “I Can't Make You Love Me”, de Joni Mitchell), gravados exclusivamente para o projeto. 

Em 1996, assinou com a gravadora Virgin e editou o seu primeiro álbum de inéditas em meia década. O ótimo Older emplacou hits como “Fast Love”, a irresistível “Spinning The Wheel” e a balada “Jesus To a Child”, dedicada ao seu namorado brasileiro, o estilista Anselmo Feleppa — que conheceu logo após o memorável show no Rock In Rio II —, morto em decorrência do HIV. Mas nada que se comparasse aos seus áureos tempos. Naquele mesmo ano, gravou um bom MTV Unplugged que, embora tenha sido exibido pela emissora, jamais foi lançado oficialmente — provavelmente pelo uso de sequenciadores em um espetáculo que deveria ser... acústico.

Os problemas começam para valer em 1998, quando o artista foi preso por ato obsceno em um banheiro público de Los Angeles. Ele debochou da situação no vídeo de “Outside”, no qual aparece vestido de... policial. O episódio forçou-o a assumir a sua homossexualidade. No ano seguinte, lançou o classudo Songs From The Last Century. Produzido pelo renomado Phil Spector, trazia releituras de Frank Sinatra (“My Baby Just Cares For Me”), Nina Simone (“Wild Is The Wind”), Roberta Flack (“The First Time Ever I Saw Your Face”) e The Police (uma inesperada versão jazzy de “Roxanne”), entre outros.

A partir de então, foram períodos de depressão, internações em clínicas de reabilitação (confessou que fumava cerca de 25 cigarros de maconha por dia, além de consumir álcool, cocaína e crack), acidentes de trânsito e novos escândalos sexuais. George Michael, decididamente, passou a ser citado com mais frequência nos tabloides sensacionalistas ingleses do que nas publicações musicais.  

Editou, em 2004, aquele que viria a ser o seu último disco de inéditas. Patience apresentava um pop sofisticado e gerou o seu derradeiro hit, a ensolarada “Amazing”. Para variar, mais uma polêmica: ao criticar a invasão ao Iraque no irônico vídeo de “Shoot The Dog”, passou a sofrer boicote da imprensa americana de direita. Comemorou os 25 anos de carreira com a caprichada coletânea Twenty Five [2006] e saiu em turnê pela Europa — registrada em Live In London [2009], seu primeiro DVD.

Já em 2014, lançou o seu último trabalho, Symphonica. Gravado ao vivo durante a turnê homônima de 2011/2012 — que foi interrompida durante a passagem pela Suiça, quando uma severa pneumonia quase o matou , chegou às lojas quando o supracitado produtor Phil Spector já havia falecido. No repertório, covers de Terence Trent D'Arby (“Let Her Down Easy”) e do já mencionado Elton John (“Idol”), além de composições próprias como “A Different Corner”, o primeiro single que gravou após o fim do Wham!.

Junto com a notícia de sua morte prematura, aos 53 anos, chega a informação de que, durante anos, George Michael doou, em segredo, milhões de libras a instituições de caridade, cedendo, inclusive, direitos autorais de suas canções. Embora tenha deixado um punhado de sucessos — a despeito de uma discografia bastante reduzida —, fica a triste sensação de que o artista que esbanjava talento se esmerou em “roubar o próprio show”. E que, apesar dos cem milhões (!) de discos vendidos e duas estatuetas do Grammy, poderia ter ido muito, muito mais longe.



Não deixa de ser uma infeliz coincidência que o autor de “Last Christmas” [1984] tenha falecido justamente... no dia de Natal.

sábado, dezembro 12, 2015

Um século de Frank Sinatra


Além da beleza do timbre e da dicção absolutamente perfeita – podia-se compreender cada palavra que ele cantava –, Frank Sinatra (1915 – 1998) era dotado de impecável afinação e extremo bom gosto na escolha de seu repertório e arranjadores. Por tudo isso – com todo o respeito a Bing Crosby, Tony Bennett, Nat King Cole e Mel Tormé, entre outros –, foi, é e sempre será o maior dentre todos os crooners.

Sinatra completaria hoje um século de vida. E, embora seja o clichê dos clichês, não poderia ser mais verdadeiro: para todos aqueles que sabem apreciar a boa música e reverenciam sua memória até os dias atuais, The Voice… vive.



Ouça a irrepreensível versão de Sinatra para “Sweet Caroline”, de Neil Diamond, também famosa na voz de Elvis Presley:

terça-feira, abril 23, 2013

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Something’, com Paul McCartney e Eric Clapton



A participação de Eric Clapton em duas faixas do trabalho mais recente de Paul McCartney, Kisses On The Bottom — guitarra solo em “Get Yourself Another Fool” e violão de nylon na estupenda “My Valentine” —, não foi a primeira colaboração entre as duas lendas [no detalhe].

Em 1968, Clapton gravou o (lancinante) solo de “While My Guitar Gently Weeps”, composição de George Harrison, lançada pelos Beatles no chamado Álbum Branco. E em 2002, no histórico Concert For George — que homenageava o autor de “Here Comes The Sun”, que falecera um ano antes —, a dupla executou uma versão fantástica de “Something”* , faixa de Abbey Road, de 1969.

Acompanhado apenas pelo ukelele — uma espécie de cavaquinho —, Paul inicia a canção, evocando a singela versão que fazia parte do roteiro de sua turnê Driving Rain. Somente na segunda parte entram Clapton e a banda, com um arranjo absolutamente fiel à gravação original. 

Sem exagero: o momento em que McCartney faz uma terça de voz para Clapton é provavelmente um dos mais belos e intensos de toda a história do pop. Uma verdadeira pororoca de gênios.



* Curiosidade: Frank Sinatra, que também regravou “Something”, se referia (equivocadamente) à canção como “a mais bela composição de Lennon e McCartney”.




Leia mais “Something” no perfil do blog no Facebook.




Veja o vídeo da (maravilhosa) versão de “Something” do Concert For George:


Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Come Rain Or Come Shine’, com Eric Clapton e B. B. King



A admiração de Eric Clapton pelos clássicos americanos vem de longa data.”

(“Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Autumn Leaves’, com Eric Clapton”, abril de 2013)



Outro exemplo: a belíssima “Come Rain Or Come Shine”, já regravada por Deus-e-o-mundo — de Frank Sinatra a Ray Charles, passando por Billie Holiday e Sarah Vaughan —, que fecha o álbum Riding With The King, que Clapton editou na companhia de B. B. King [no detalhe, a capa] em 2000.


Leia mais sobre Eric Clapton no perfil do blog no Facebook



Ouça a versão de “Come Rain Or Come Shine” de Eric Clapton e B. B. King:



terça-feira, janeiro 31, 2012

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘This Happy Madness (Estrada Branca)’, com Frank Sinatra & Antonio Carlos Jobim



Regravada por Edu Lobo no ótimo Meia Noite, a letra original de “Estrada Branca”, de Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes — lançada em 1957 por Elizeth Cardoso no clássico Canção do Amor Demais — é triste de doer. Já “This Happy Madness”, a versão anglófona gravada em Sinatra & Company [1971] – com participação de Jobim –, curiosamente, é o oposto. O próprio título já entrega.

A destacar, além da emissão vocal perfeita de Frank Sinatra e do belo arranjo, a intervenção de Antonio Brasileiro no inconfundível “ô, dandá / ô, dandá” — o que será que os americanos pensaram quando ouviram isso? —, que seria citado, pelo próprio Tom, cinco anos depois, na sua obra-prima “Correnteza”, do álbum Urubu.



terça-feira, outubro 25, 2011

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Garota de Ipanema’



Composta em 1962 por Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, “Garota de Ipanema” chamava-se inicialmente “Menina que Passa”. E recebeu os seguintes versos: “Vinha cansado de tudo / de tantos caminhos / tão sem poesia / tão sem passarinhos / com medo da vida / com medo de amar. / Quando, na tarde vazia / tão linda no espaço / eu vi a menina / que vinha num passo / cheio de balanço / caminho do mar”.

Entretanto, os dois parceiros estavam insatisfeitos com a letra. Sendo assim, Vinicius a reescreveu, inspirado na jovem Helô Pinheiro [à esquerda], que passava frequentemente pela calçada do bar Veloso — atual Garota de Ipanema —, situada na rua Montenegro — que, posteriormente, passaria a se chamar rua Vinícius de Moraes. Na época, o Maestro Soberano e o Poetinha eram habitués do local.

No ano seguinte, “Garota de Ipanema” foi gravada no célebre álbum Getz/Gilberto. E, em 1964, foi a vez do próprio Jobim registrá-la, em seu The Composer Of Desafinado Plays.

Três anos depois, Frank Sinatra convidou Tom para que, juntos, gravassem o histórico Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim, o que projetou mundialmente a música do brasileiro. Adivinhem qual faixa abre o álbum? 

Garota de Ipanema” acabou se tornando a segunda canção mais executada e gravada no planeta em todos os tempos (!) — perdendo apenas para “Yesterday”, dos Beatles. O que deveria ser motivo de orgulho para todos nós, brasileiros.

No entanto, pouca gente se dá conta disso. Infelizmente.




Veja o antológico vídeo de Frank Sinatra e Antonio Carlos Jobim, ambos esbanjando charme, cantando “The Girl From Ipanema” em um especial da TV americana:




E ouça a (espetacular) versão gravada por Jobim em um de seus mais brilhantes trabalhos, Inédito, de 1987. Ao lado da sua inseparável Banda Nova, Tom, discretamente “desconstrói” o próprio clássico, começando a canção pela parte dois (“Ah, por que estou tão sozinho?”), criando improvisos, alterando andamentos – enfim, fazendo o diabo com “Garota de Ipanema”:

quarta-feira, setembro 28, 2011

A harmônica de Stevie Wonder em canções de outros artistas


Stevie Wonder, que se apresentará amanhã no Rock In Rio, é um artista cuja trajetória é absolutamente singular. 

Assinou seu primeiro contrato com uma gravadora, a Motown, aos 11 (!) anos de idade. Em sua discografia, encontram-se álbuns essenciais como Talking Book [1972], Innervisions [1973], Fulfillingness' First Finale [1974] e, em especial, Songs In The Key Of Life [1976]. Aos 61 anos, com mais de trinta hits no currículo, é o artista masculino que mais ganhou prêmios Grammy — 25 ao todo. Nada disso, entretanto, é novidade para ninguém.

O que talvez nem todos saibam é que, não bastasse o soberbo cantor e compositor que sempre foi, Stevie — a despeito da deficiência visual de nascença —, é um multi-instrumentista, gravando várias de suas faixas praticamente sozinho (!).

Contudo, apesar de dominar piano, baixo e até... bateria, Wonder é mais identificado pelo público por um instrumento em especial: a harmônica [no detalhe].

Além de estar presente em vários de seus clássicos como “Isn't She Lovely”, “Send One Your Love”, “From The Bottom Of My Heart” e “For Once In My Life”, a gaita de Stevie Wonder também aparece em sucessos de outros artistas.

Confiram alguns exemplos:


Gravado em Los Angeles, Luz, quinto álbum de Djavan, conta com a participação da inconfundível harmônica de Stevie Wonder em “Samurai”. Anos depois, em entrevista a Jô Soares, o cantor alagoano fez uma curiosa observação sobre seu convidado: “Ele tem uma bunda enorme”:



No ano seguinte, Wonder emprestou sua gaita à belíssima “I Guess That's Why They Call It The Blues”, lançada por Sir Elton John em seu álbum Too Low For Zero:




Em 1984, Stevie colaborou com Chaka Khan, em sua incendiária releitura de “I Feel For You”, uma das mais infalíveis faixas para pista já gravadas. A versão original, que o autor Prince, lançou em seu segundo disco, epônimo, de 1979, não chega nem perto...




Faixa do álbum Be Yourself Tonight [1985], do extinto duo Eurythmics, a bela melodia “There Must Be An Angel (Playing With My Heart)”, não poderia encontrar, além da voz cristalina de Annie Lennox, um adorno mais apropriado do que a harmônica de SW:




Stevie Wonder também participa da regravação da imortal “As Time Goes By”, que Carly Simon incluiu em seu Coming Around Again, de 1987:




Em Duets II, de 1996, derradeiro trabalho de Frank Sinatra, Stevie acompanhou o anfitrião e Gladys Knight em uma canção que fez muito sucesso em sua voz: “For Once In My Life:




Por considerá-la um tanto parecida com o antigo sucesso “I Was Made To Love Her”, Sting — fã confesso de Wonder — convidou-o para tocar gaita na esperançosa “Brand New Day”, faixa-título do álbum que o ex-Police editou em 1999. Em vídeo extraído do DVD Live At Universal Amphitheatre, daquele mesmo ano, a entrada-surpresa de SW causou enorme frisson na plateia. E vale a pena observar também a reação de Sting: terminada a canção, Stevie vai deixando o palco e o baixista observa, em silêncio, com as mãos juntas — como se estivesse rezando. Segundos depois, com a voz calma, diz, simplesmente: “Stevie Wonder”. Então, olha para o alto e completa a frase: “Um ser elevado”:




Stevie Wonder também participou — brilhantemente, diga-se de passagem — da dobradinha* “Berimbau/Consolação”, de Baden Powell e Vinicius de Moraes, gravada por Gracinha Leporace em Timeless, álbum lançado por seu marido, Sérgio Mendes, em 2006. Wonder e Mendes, aliás, são amigos de longa data:

* Dedico esta canção ao pequeno capoerista aqui de casa.

quinta-feira, setembro 30, 2010

Da série São Bonitas as Canções: ‘Englishman In New York’, de Sting


Em seus quatro minutos e meio de duração, “Englishman In New York” consegue sintetizar toda a musicalidade de Sting [acima] – desde o Police até a sua carreira-solo. Regravada em Symphonicities, a faixa foi lançada originalmente em seu segundo álbum solo de estúdio, ...Nothing Like The Sun, de 1987.

Trata-se de um reggae – uma das “marcas registradas” do Police –, porém, executado com elementos de jazz, gênero do qual o artista inglês aproximou após a dissolução do trio.

No meio da canção, após um trecho de improvisos jazzísticos, surge uma bateria... de rock (!) – ritmo que sempre esteve presente na sonoridade de sua antiga banda e em alguns momentos de sua carreira solo. Pronto: o “resumo da ópera” está aí.

Filmado em um elegante P&B, o vídeo – a exemplo da gravação – conta com a participação do saxofonista Brandford Marsalis.


***


Englishman In New York” é dedicada ao escritor britânico Quentin Crisp (1908 – 1999) [à esquerda], que, inclusive, aparece no clipe – sim, eu sei que ele se parecia com uma velhinha...

Crisp tornou-se um ícone do homossexualismo, após o lançamento de sua autobiografia, The Naked Civil Servant (1968), na qual se recusou a manter na obscuridade a sua orientação sexual.

Em 1986, Sting jantou no apartamento do escritor, no bairro novaiorquino do Bovary. E foi justamente após esse encontro que teve a ideia da canção.

Be yourself. No matter what they say


***


Curiosidade: em sua (ótima) autobiografia,
Fora do Tom (2003), Sting não escondeu o seu encanto com a cidade que, como Sinatra cantou um dia, “nunca dorme”.

— Minha primeira viagem a Nova York foi o início de um caso de amor permanente com uma cidade que me inebria como nenhuma outra.

Apesar de residir atualmente em uma villa na Toscana, Itália, o músico possui, entre as suas (inúmeras) propriedades, um apartamento em Manhattan.