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sábado, novembro 22, 2014

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Panamericana’, de Lobão



Parceria sua com o baixista Arnaldo Brandão (ex-A Outra Banda da Terra e Hanoi Hanoi) e o poeta Tavinho Paes, “Panamericana” abre o sexto álbum de estúdio de Lobão, Sob o Sol de Parador, editado em 1989 [no detalhe, a capa].

Na ocasião de seu lançamento, o cantor explicou:

— “Panamericana” fala sobre uma hipotética “República das Bananas” — no caso, Parador —, com 19 perguntas e nenhuma resposta.

De fato, a incisiva letra faz um resumo da (triste) história política da América Latina, enumerando vários de seus movimentos armados: os uruguaios Tupamaros, os argentinos Montoneros, o peruano Sendero Luminoso e os colombianos do 19 de abril (M-19), entre outros. A citação da famosa frase do guerrilheiro Ernesto “Che” Guevara, um dos líderes da Revolução Cubana, no refrão (“Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás”), evidentemente, foi pura ironia...

A síntese de “Panamericana” pode ser encontrada no segundo verso da canção, que questiona a fragilidade das instituições democráticas do continente: “O que é democracia ao sul do Equador?

Curiosidade: as também mencionadas Mães da Praça de Maio, do Chile, haviam sido homenageadas, dois anos antes, pelo U2, em “Mothers Of The Disappeared”, (de The Joshua Tree) e por Sting, em “They Dance Alone” (de ...Nothing Like The Sun).




sábado, outubro 27, 2012

‘Sorte e Azar’: a ‘nova’ música do Barão Vermelho




Comemorando 30 anos de carreira fonográfica, o Barão Vermelho decidiu colocar o pé na estrada. Na turnê, batizada de + 1 Dose — citando o verso inicial de “Por Que A Gente É Assim?”, faixa do terceiro álbum do grupo, Maior Abandonado [1984] —, a banda passará pelas principais capitais brasileiras até março de 2013.

O Barão aproveitou a efeméride para remasterizar o seu disco de estreia, Barão Vermelho [no detalhe, a capa], que será reeditado em novembro, em CD e vinil, acrescido da demo de “Nós” — que, embora tenha sido lançada somente no supracitado Maior Abandonado, foi o primeiro fruto da parceria Frejat/Cazuza — e do segundo take de “Por Aí”. No formato digital, também estará disponível a versão em espanhol (!) de “Down em Mim”. 

Durante o processo de digitalização do álbum, o Barão teve a — desculpem: foi inevitável — sorte de encontrar uma fita K7, com a voz de Cazuza, de uma canção chamada... “Sorte e Azar”. A faixa foi excluída da seleção final do primeiro trabalho do quinteto pelo finado produtor Ezequiel Neves, que se sentia desconfortável com a palavra “azar”. Na década de 1990, em entrevista à extinta revista Bizz, Frejat revelou, aos risos:

— O Ezequiel chegou a sugerir que trocássemos o título para “Sorte ou Não”.

Com esse trunfo nas mãos, o Barão entrou em estúdio e “vestiu” o canal de voz do autor de “Codinome Beija-flor” com um belo arranjo, com direito a violões, guitarras bluesy, cordas e tudo o mais. O resultado não poderia ter sido melhor. 

Na interpretação visceral e nos versos de tons nada “pastéis”, “Sorte e Azar” corrobora o que Lobão afirmou há alguns anos: Cazuza, morto, está mais vivo do que muita gente.




Veja o vídeo (com letra) de “Sorte e Azar”. Uma dica: ouça em alto e bom som, para captar bem a voz do artista. No atual cenário da música brasileira — onde tudo oscila entre o “plastificado” e a indigência total —, simplesmente não existe mais quem cante com a intensidade e a verdade de Cazuza:






Veja também o bonito vídeo que mistura imagens de arquivo de Cazuza a cenas atuais dos integrantes do Barão Vermelho no estúdio:


segunda-feira, março 15, 2010

Lobão: biografia ‘em praça pública’


Em uma iniciativa pioneira, cantor escreve sua biografia diante de internautas

Aos 52 anos da idade – completará 53 em outubro –, o cantor, compositor, instrumentista e apresentador da MTV (ufa!) Lobão decidiu escrever as suas memórias. 50 Anos a Mil – o título é um corruptela de versos de “Decadence Avec Élégance” (“É melhor viver dez anos a mil do que mil anos a dez”) – está sendo escrito a quatro mãos pelo Grande Lobo em parceria com o jornalista Cláudio Tognolli.

Perguntado se utilizaria os serviços de um ghost writer, Lobão respondeu bem ao seu estilo, mencionando outra canção, a bela “Você e a Noite Escura”:

– Sempre fui o meu próprio fantasma – gracejou.

Contudo, diferentemente de qualquer outra biografia, 50 Anos a Mil apresenta uma particularidade: está sendo escrita praticamente... “em público”. Ou seja, à medida em que a narrativa avança, o autor de “Vida Louca Vida” disponibiliza, através de seu Twitter, pequenos trechos da obra – que ele prefere chamar de “pílulas” – aos seus mais de dezessete mil seguidores.

– Os trechos não são todos “sintetizáveis”. Além do mais, escolho randomicamente: às vezes, dá; às vezes, não. Mas acho isso bom – explica.

No livro, Lobão repassa sem pudores – e com muito bom humor – toda a sua, segundo o próprio, “atribulada” vida, sem excluir passagens traumáticas, como a sua prisão por porte de entorpecentes e a “expulsão” do palco do Rock In Rio II, debaixo de uma chuva de latas arremessadas por metaleiros.

– Sou um cara mais confessional do que gostaria de ser. Acho que torceria para ser uma criatura mais cool – divaga.


Quatro CDs e um DVD acompanharão o livro

Após anos de embates com determinados setores da mídia, Lobão não esconde a alegria de permanecer “vivo” – leia-se: artisticamente relevante:

– Não só me alijaram, como também me decretaram inúmeros atestados de óbitos! – debocha – E agora, eu aqui, vivinho, vou contando essas coisas...

O músico não deixa de detalhar o processo de gravação de seus discos, analisando a todos sem auto-indulgência:

Cuidado! foi justamente o que mais faltou em toda a produção desse álbum – que, aliás, poderia ter sido um compacto duplo, com “Esfinge de Estilhaços” e “Pobre Deus” no Lado A; e “O Eleito” e “Por Tudo Que For” no Lado B – fulmina.

O livro será acompanhado por quatro CDs com as melhores faixas de sua discografia – escolhidas pelo próprio Lobão –, além de seu único DVD, Acústico MTV, ganhador do Grammy Latino de 2007, na categoria Melhor Álbum de Rock [no detalhe, o artista exibe, feliz, a estatueta].

50 Anos a Mil sairá em outubro, pela editora Nova Fronteira. Para ler as “pílulas” de Lobão, basta acessar o Twitter do artista: http://twitter.com/lobaoeletrico.

Lobão: minha primeira resenha

O ano era 1992. Eu estava concluindo o Ensino Médio, ainda sem saber o que fazer da vida. Mas já gostava (muito) de música naquela época. Aliás, meu interesse pelo assunto surgiu no tempo das fraldas...

Até que, uma bela manhã, abri o jornal. E vi uma nota sobre um show que Lobão faria, naquele mesmo dia, na Concha Acústica da UERJ. Entrada franca. “Estou dentro!”, pensei.

Na volta para casa, tive um impulso de... escrever a resenha da apresentação – que, permaneceu inédita até o prezado momento. Não me perguntem por que fiz isso – até hoje, não saberia responder.

Creio que, por não ter levado a máquina fotográfica, quisesse “registrar” aquele evento de alguma forma. O mais curioso é que, naquele instante, jamais me passava pela cabeça me envolver algum dia com jornalismo musical.

De 1993 para cá, muita coisa aconteceu. Tanto na carreira de Lobão quanto na minha vida. Portanto, a matéria em questão está sendo publicada aqui apenas à guisa de curiosidade. E (quase) sem edição...



Show
Projeto Brahma – O Primeiro do Meio-dia
Lobão, Boca Livre e Cássia Eller
Local: Concha Acústica da UERJ (Rio de Janeiro)
Dezembro de 1992


Em formato acústico, Lobão, Cássia Eller e Boca Livre fazem show para plateia barulhenta

Pelo nome, o evento deveria começar ao meio-dia. Deveria. Cheguei apenas quinze minutos antes desse horário, esbaforido, imaginando estar atrasado. Na porta da UERJ, uma fila imensa – não sei como esse pessoal coube inteiro lá dentro – e um sol de rachar. Por volta das 13 horas, os portões foram abertos, na maior organização.

Após mais quinze minutos de espera, entra o apresentador do show: Fernando Vanucci (“Alô, você!”). Sabe-se lá Deus por que, a claque não perdoou: “Viado! Viado!”. Simpático, Vanucci fez ouvido de mercador. E auto-ironizou: “Pois é, todo mundo se espanta de como sou baixinho...”

Para “fazer hora”, o apresentador fez uma espécie de gincana, com perguntas sobre a carreira dos três artistas que se apresentariam. Quem acertasse, ganharia um chopp do patrocinador do evento. Em se tratando de crianças – havia crianças no local, sabia? –, ganhava um guaraná.
Logo após a brincadeira, Vanucci chamou ao palco a primeira atração:


BOCA LIVRE


Formado por Zé Renato (violão e voz), Maurício Maestro (contrabaixo e vocal), Lourenço Baeta (violão e vocal) e o ex-Vímana Fernando Gamma (violão e vocal), o quarteto (ironicamente) tocou apenas... quatro músicas: “Feito Mistério”, “Ponta de Areia”, e seus dois maiores sucessos, “Toada” e “Quem Tem a Viola

Além de bons instrumentistas, os integrantes são impecáveis nas harmonias vocais. Destaque também para a luz e o som do evento – que estavam simplesmente perfeitos.


CÁSSIA ELLER


Muito bem recebida pelo público, a cantora entrou no palco com seu violão a tiracolo, e visual despojado: jeans e uma t-shirt larga – o que dava a uma certa de impressão de... , fragilidade à sua figura. Mas isso só até o momento em que abriu a boca. A voz extensa de Cássia parecia fazer tremer as paredes do auditório.

A apresentação começou com “Sensações”, de Luiz Melodia. E prosseguiu com a versão rasta de “Eleanor Rigby”, dos Beatles. Na terceira música, a gayRubens”, a plateia já estava na mão de Cássia. Na sequência, o rock vigoroso “Não Sei o Que Eu Quero da Vida” chutou para longe o conceito de que o-banquinho-e-o-violão estão sempre associados à bossa nova.

Finalizando a surpreendente apresentação, a sua bem-sucedida de versão de “Por Enquanto”, da Legião Urbana, com citação dos Beatles de “I've Got a Feeling”. Com a potência de sua voz, e sua “entrega” no palco, Cássia vai longe.

E chegou a vez do astro da tarde.


LOBÃO


Delírio total do público: o Grande Lobo entra cena, de cabelos curtos, t-shirt lisa, bermuda quadriculada, tênis com meia soquete – visual totalmente clean. Com a tulipa de chopp na mão – devido ao calor, o artista bebeu várias durante o show – e desbocado com sempre, negou que estivesse “light”, como Fernando Vanucci o apresentou.

Eis o set list, com os comentários do músico:

* “Por Tudo o que For
* “Help” (Ao tocar o clássico dos Beatles, Lobão não perdeu a piada: “Essa o Collor deve estar cantando agora...”)
* “Essa Noite, Não” (“Essa é a melô do suicida frustrado. Ou vice-versa.”)
* “Noite e Dia / Me Chama” (“Duas canções que a Marina Lima gravou.”)
* “Bangu x Polícia 0” (Para esse número, Lobão chamou ao palco Ivo Meirelles)
* “Panamericana (Sob o Sol de Parador)” (“Essa é sobre uma imaginária República das Bananas, com dezenove perguntas para nenhuma resposta.”)
* “E o Vento te Levou
* “Chorando no Campo” (“Uma canção meio country”)
* “Vida Bandida” (“Me inspirei no Jorge Ben Jor para arranjar essa.”)
* “Mal Nenhum” (“A minha primeira parceria com o Cazuza. Adoro essa música.”)
* “Decadence Avec Élégance” (“Em 1985, me pediram para fazer uma música para uma novela da Globo sobre o mundo das passarelas, chamada Ti Ti Ti. Pensei em falar sobre o oposto da elegância das modelos. Aí saiu: ‘Você não sabe a arte de saber andar /nem de salto alto nem de escada rolante.’ E é uma canção bilíngue – o refrão é em francês.”)
* “Corações Psicodélicos” (“Não sei se vai sobreviver assim, sozinha ao violão”. Sobreviveu, sim)
* “Rádio Blá
* “Revanche”.


No intervalo entre uma canção e outra, Lobão pedia silêncio à plateia. E não era atendido.

– Vocês são revolucionários. A geração ‘cara-pintada’. Vocês são inteligentes, porra! Este é um show universitário, não o Xou da Xuxa! – disparou.

Até que, em um determinado momento, o artista perdeu a paciência. E deixou o palco, levando o violão em uma das mãos. E a tulipa na outra.

Alguns aplaudiram a atitude do músico. Outros vaiaram. Após levantar de seu banquinho, Lobão deu três passos. Parou. E voltou ao microfone, destilando ironia: “Vocês são demais, tá?”. E retirou-se em definitivo. Fernando Vanucci, sem ação, não sabia o que dizer.

Final de show. Bolas de aniversário caindo do teto do auditório. Tudo muito bonito. No repertório de Lobão, porém, ficaram faltando sucessos como “Vida Louca Vida” e “Canos Silenciosos”. A despeito disso, foi uma apresentação memorável. Que os “caras-pintadas” não souberam apreciar devidamente.

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Noite e Dia’, de Lobão e Júlio Barroso


Noite e Dia” é uma das mais belas canções de Lobão. Parceria deste com Júlio Barroso, foi lançada por Marina Lima [foto], no álbum Desta Vida, Desta Arte, de 1982. Nesta época, aliás, o Grande Lobo era baterista da cantora.

No ano seguinte, foi gravada pela Gang 90 – da qual o coautor da faixa, Júlio Barroso, era líder – e, em 1986, pelo próprio Lobão, em O Rock Errou.

Exatamente uma década depois, foi revista por Paulo Ricardo, no CD Rock Popular Brasileiro. Recentemente, foi regravada pelo próprio Lobão em seu Acústico MTV, de 2007.


Veja o vídeo da... er, “curiosa” história da criação de “Noite e Dia...






...e ouça a canção propriamente dita:

Júlio Barroso: a promessa não-cumprida do rock nacional

O disc-jockey, poeta e jornalista carioca Júlio Barroso [foto] foi, sem dúvida, a grande promessa não-cumprida do rock nacional.

Gravou, em 1983, um único disco com à frente da Gang 90, Essa Tal de Gang 90 & as Absurdettes, com o qual emplacou três hits: a ótima “Nosso Louco Amor” (tema da novela Louco Amor, de Gilberto Braga, exibida naquele mesmo ano), “Perdidos na Selva”* (regravada, com sucesso, pelo Barão Vermelho, em 1996), e “Telefone” (que recebeu, em 1999, uma versão do Ira!, com participação de Fernanda Takai).

Barroso morreu no dia 06 de julho de 1984, aos 30 anos, ao cair da janela de seu apartamento – no 11º andar –, em São Paulo, em circunstâncias não esclarecidas até hoje. Fica a certeza de que seria um ídolo da envergadura de Renato Russo, Cazuza e Lobão, se a vida não tivesse lhe escapado tão precocemente.



* Curiosidade: “Perdidos na Selva” é uma parceria de Julio Barroso com... Guilherme Arantes. Entretanto, o festival MPB Shell não permitia que um autor concorresse com duas canções. Sendo assim, Arantes, que na edição de 1981 já defendia “Planeta Água” – que terminou na segunda colocação –, abriu mão da autoria de “Perdidos na Selva”.



Veja os vídeos de “Telefone...



...“Nosso Louco Amor...




...e “Perdidos na Selva.

segunda-feira, novembro 17, 2008

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Azul e Amarelo’, de Lobão e Cazuza

Nem todos sabem que Lobão [no detalhe] e Cazuza – fãs confessos de Cartola [ver dois posts abaixo] – deram crédito ao autor de “O Sol Nascerá” em uma canção que compuseram juntos.

A faixa em questão chama-se “Azul e Amarelo” e integrava o último CD do ex-vocalista do Barão Vermelho, Burguesia, de 1989. Já o Grande Lobo a registrou em seu álbum Sob O Sol de Parador, naquele mesmo ano.

A “parceria” entre os três deu-se pelo fato de a canção citar, na letra, dois versos de “Autonomia”, do compositor mangueirense: “Mas não quero, não vou/ Não quero...”.

A gravação de Cazuza – a melhor, na modesta opinião desse vosso amigo – apresenta um doce arranjo bossa-novístico, enquanto a versão de Lobão é adornada por flautas que aludem imediatamente à sonoridade de outro mestre: Pixinguinha.




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Curiosidade: em meados de 1989, a extinta Rede Manchete exibiu um especial de Lobão em que ele cantava “Azul e Amarelo” na companhia de ninguém menos que... Paulinho da Viola. Infelizmente, não há no You Tube nenhum vídeo dessa apresentação.


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Em 1995, mencionei essa canção à falecida Dona Zica. Essa, aliás, foi a única vez em que estive pessoalmente com ela. E a viúva de Cartola, um tanto lacônica, respondeu-me: “É verdade. Recebo parte dos direitos dela, inclusive...”

quinta-feira, abril 19, 2007

Lobão: entrevista

Lançando o CD Acústico MTV, Lobão [foto] concedeu entrevista exclusiva ao site da revista Época, onde (como de costume) não deixa pedra sobre pedra: ele fala abertamente sobre seu retorno a uma multinacional, o projeto de uma caixa reunindo toda a sua obra, o marasmo da música brasileira e... governo Lula.

E o título da matéria é "o Lobo volta mansinho". Imagina.

Confira a entrevista, na íntegra, clicando aqui.