Para saudar a chegada da “estação das flores”: “Movimento de Primavera”, de Alexandre Guerra [http://www.alexandreguerra.com.br/]. Uma melodia estupenda, que não necessita de uma única sílaba... para tocar profundamente o coração do ouvinte.
“Movimento de Primavera” integrou a trilha lounge da novela Páginas da Vida.
Com o passar dos anos, meu interesse por música clássica, pouco a pouco, foi aumentando. Sem que isso significasse, necessariamente, uma diminuição do meu apreço pela canção popular – as duas vertentes não são excludentes.
(E os Beatles estão aí para não me deixar mentir...)
Desse modo, ocorreu-me a ideia de compartilhar esse prazer com todos vocês que frequentam o blog. Evidentemente, há também a intenção de desmitificar a ideia de que a música clássica é uma arte “elitista” e... ahn, chata. Pronto, falei.
Portanto, começamos com esta que é, provavelmente, a minha peça clássica predileta: a magistral “Nocturne Op. 9 No. 2”, de Chopin [no detalhe].
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Nascido em 1810, o polaco Frédéric Chopin é considerado um dos pianistas mais importantes da história – e um dos maiores compositores para o instrumento. Sua influência permanece até os dias de hoje, e é comparada à de outros gênios da música, como Mozart e Beethoven.
Sempre com a saúde frágil, morreu em Paris, em 1849, aos 39 anos, vítima de tuberculose.
Curiosidade: antes do funeral de Chopin, de acordo com a sua vontade, seu coração foi retirado. O músico temia ser enterrado vivo – leia-se: catalepsia. Sendo assim, o órgão foi posto por sua irmã em uma urna de cristal selada, com conhaque, destinada a Varsóvia, capital da Polônia.
Permanece até hoje, lacrado, dentro de um pilar da Igreja da Santa Cruz, em Krakowskie Przedmieście, debaixo de uma inscrição do Evangelho de Mateus, 6:21: “Onde seu tesouro está, estará também seu coração”.
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Outra curiosidade: em 1983, o cantor libanês naturalizado italiano Gazebo lançou uma canção em homenagem ao pianista, “I Like Chopin”, que foi sucesso no mundo inteiro.
Veja o vídeo de “Nocturne Op. 9 No. 2”, com o russo Sergei Rachmaninoff:
A afirmativa de que os Beatles [no detalhe] “alçaram a música pop ao status de arte” não é mero delírio de fã. É fato.
Além das inovadoras técnicas de gravação – como o primeiro loop da história em “Tomorrow Never Knows” – e o flerte com música indiana (“Norwegian Wood”, “Love You To” e “Within You Without You”, o quarteto de Liverpool foi o primeiro a utilizar a música de câmara no pop.
Dois exemplos estão em “Eleanor Rigby” (do álbum Revolver, 1966) e “She's Leaving Home” (de Sgt. Pepper's Lonely Heart Club Band, 1967) – canções estruturadas em elementos de música de concerto.
Via de regra, os Rolling Stones [foto] são mais identificados pelo escárnio, pela “trangressão”. Mas o fato é que eles possuem canções tão estupendas quanto as... dos Beatles – sim, é verdade.
É o caso da tristonha “As Tears Go By”, que, por sinal, também conta com com um quarteto de cordas em seu arranjo.