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terça-feira, setembro 27, 2016

Da série ‘Na Estante’: ‘David Bowie Está Aqui’


Livro
David Bowie Está Aqui (Cosac & Naif)
Vários Autores
2013


Dentre todas as biografias de músicos de rock já editadas, David Bowie Está Aqui é, sem dúvida, uma das que mais impressionam pelo acabamento. Convenhamos: Bowie merece tal deferência.

Enorme (31,2 x 24,2), trata-se de um misto de enciclopédia (pela pesquisa minuciosa) e livro de arte (por ser fartamente ilustrado com fotos de várias fases da vida do cantor, seus trajes e até de manuscritos de suas letras). A explicação: foi a primeira obra que teve acesso irrestrito ao The David Bowie Archive, o acervo pessoal do cantor.

A publicação data de 2013, por ocasião da exposição itinerante homônima de Bowie, exibida inicialmente no Victoria and Albert Museum, em Londres, de março a agosto daquele ano, e que foi reapresentada no Museu da Imagem do Som, em São Paulo, no ano seguinte. Os curadores do museu londrino dissertam sobre a influência do autor de “Fashion” – que se estendeu, inclusive, ao mundo da moda (!).

A má notícia é que a editora Cosac & Naif encerrou as suas atividades em novembro de 2015 – o que, em breve, transformará “David Bowie Está Aqui” em um item de colecionador. Algumas lojas virtuais, contudo, ainda possuem o item em estoque. Portanto, fica a dica: não deixe para amanhã para adquirir esse documento essencial sobre a vida e a trajetória singular do Camaleão.

sábado, abril 12, 2014

Mais do que uma homenagem familiar, um documento da História do País


Livro
Memórias de meu Pai — um Pracinha (Ricardo Pugialli)
2014


Autor de livros com Almanaque da Jovem Guarda e Os Anos da Beatlemania, entre outros, Ricardo Pugialli volta à carga com um trabalho extra-musical. Em Memórias de meu Pai — um Pracinha, o também pesquisador narra a experiência de seu pai, o Sr. Francisco Jayme Domingues Jr., ex-Combatente da Força Expedicionária Brasileira, em Monte Castelo, na Itália, durante a Segunda Guerra Mundial.

Em 218 páginas fartamente ilustradas — não apenas com fotos, mas também cartas, cartões postais, diplomas e até desenhos —, Memórias... impressiona pelo rigor cronológico: os nove meses no campo de batalha são contados mês a mês (!). E os relatos tristes se misturam a episódios surpreendentemente... engraçados.

Muito mais do que uma homenagem familiar, Memórias de meu Pai — um Pracinha é, inequivocamente, um documento da História do País. E presta um tributo merecido a homens que lutaram pela pátria e, não raro, viram a sua coragem sendo minimizada — e, eventualmente, ridicularizada. Mas que, acima de tudo, sobreviveram para contar: dos 25 mil Pracinhas que foram enviados para o conflito, o Sr. Francisco, 91 anos de idade, está incluído entre os menos de mil ainda vivos.

sábado, fevereiro 15, 2014

O jornalista Elias Nogueira lança o livro ‘Conversando com Elias’



O experiente jornalista e crítico musical Elias Nogueira já atuou em veículos importantes como Jornal do Brasil, Folha de São Paulo, International Magazine — do qual foi um dos fundadores — e Jornal do Commercio, entre outros. E decidiu compilar algumas das (inúmeras) entrevistas que realizou ao longo de quase três décadas de carreira. Assim nasceu o livro Conversando com Elias.

Em 190 páginas, estão reunidos agradáveis — e reveladores — diálogos com artistas do quilate de Erasmo Carlos, Ney Matogrosso e Zé Ramalho, entre outros, além de bandas consagradas como Barão Vermelho, Titãs e Autoramas. Com sua informalidade tipicamente carioca, Elias consegue obter de seus entrevistados respostas surpreendentes, oferecendo preciosas informações àqueles que apreciam ler sobre boa música. 

Conversando com Elias chega às livrarias através da Editora AMC Guedes.

terça-feira, outubro 08, 2013

‘A Conspiração Franciscana’, de John Sack



Ainda sobre São Francisco de Assis: o (ótimo) livro A Conspiração Franciscana, lançado em 2007 — mas que, reconheço, li somente em 2012 — aborda, ainda que indiretamente, a biografia do patrono dos animais e da natureza.

Escrito pelo americano John Sack, Conspiração... gira em torno de Conrad de Offida, frade franciscano que vivia recluso nas montanhas e que recebeu, através de um jovem mensageiro, a carta de despedida que o Irmão Leo, discípulo e amigo inseparável de Francisco, escreveu antes de morrer. 

O pergaminho em questão continha uma mensagem codificada, indicando que a Igreja teria ocultado, entre outros detalhes referentes à vida do santo, o seu verdadeiro local de sepultamento (!). Preocupado com os desdobramentos da carta, o frade abandona o seu isolamento para tentar elucidar estes mistérios.

Embora seja uma obra de ficção, o romance — que alterna suspense, humor e trechos realmente tocantes — foi baseado em fatos reais. Além dos supracitados Conrad e Leo, o Papa Gregorio X e o poeta Jacopone Da Todi realmente existiram. Recomendo.

sábado, agosto 24, 2013

Da série ‘Frases’: Caio Fernando Abreu

Quem procura não acha. É preciso estar distraído e não esperando absolutamente nada. Não há nada a ser esperado. Nem desesperado. Tudo é Maya/ilusão. Ou Samsara/círculo vicioso.”


Trecho da “Carta ao Zézim”, do escritor gaúcho Caio Fernando Abreu (1948 — 1996). Embora tenha sido escrita em 1979, só veio a ser publicada (postumamente) em 2002, no livro Caio Fernando Abreu: Cartas, organizado por Ítalo Moriconi.



sábado, abril 13, 2013

Livro mostra que Victor Biglione já é ‘de casa’


Livro
O Guitarrista Victor Biglione & a MPB, de Euclides Amaral (Esteio Editora)
2011/2013



Residente no Rio de Janeiro há meio século, Victor Biglione tem a sua proximidade com a música brasileira destrinchada em O Guitarrista Victor Biglione & a MPB, escrito por Euclides Amaral. Com prefácio do compositor Sérgio Natureza e nota do pesquisador Ricardo Cravo Albim, o livro foi editado originalmente em 2011 e recebe agora uma versão revista e ampliada.

Minucioso, Amaral refaz, em 221 páginas amplamente ilustradas — com fotos e partituras —, toda a trajetória profissional de Biglione, nascido em Buenos Aires e torcedor do San Lorenzo, o mesmo time do Papa Francisco I.

Antes de vir para o Rio — onde se estabeleceu em definitivo —, a família Biglione deixou a capital argentina para morar em São Paulo. Mais tarde, o músico transferiu-se para os Estados Unidos, para estudar na Universidade de Berklee, levando debaixo do braço uma carta de recomendação assinada por um certo... Antonio Carlos Jobim.

De volta ao Brasil, o guitarrista passou a acompanhar, em estúdio e apresentações ao vivo, nomes como Chico Buarque, Gilberto Gil, Maria Bethania, Gal Costa e Djavan, entre outros. O Guitarrista Victor Biglione & a MPB não deixa dúvidas: o músico estrangeiro com mais colaborações em shows e gravações de artistas brasileiros já é, definitivamente, “de casa”.

quarta-feira, setembro 16, 2009

‘Memória de Minhas Putas Tristes’, de Gabriel García Márquez


Com “apenas” quatro anos de atraso, finalizei a leitura de Memória de Minhas Putas Tristes.


Escrito de maneira magistral pelo colombiano Gabriel García Márquez – prêmio Nobel de Literatura em 1982 –, o romance narra a estória um velho jornalista, que, no seu aniversário de noventa anos, decide se “presentear” de modo inusitado: passar uma noite como uma ninfeta... virgem.

E o resultado disto é uma história de amor igualmente inusitada, que acaba demolindo antigos conceitos do personagem central da obra – um solitário convicto, que jamais havia se apaixonado em sua longa vida.

Ao contrário do que o título pode sugerir, Memória de Minhas Putas Tristes, não é relato lascivo. Pelo contrário: é pura poesia.

Antes de ser uma profunda reflexão sobre a velhice, o livro é uma ode à vida e ao amor – visto que ambos estão irremediavelmente entrelaçados.

Recomendo.

quarta-feira, agosto 19, 2009

Chico Buarque: polivalente


Livro
Leite Derramado (Companhia das letras)
2009



A genialidade do compositor também se faz notar em ‘Leite Derramado’, seu quarto romance

Nos últimos anos, Chico Buarque tem trabalhado da seguinte forma: o cantor e compositor edita um disco de inéditas, sai em turnê, grava CD/DVD ao vivo... e recolhe-se para a produção de mais um livro.

Chico, de fato, sumiu dos holofotes após o lançamento de Carioca Ao Vivo, de 2007 – registro do show que promoveu Carioca, seu último álbum de estúdio, que chegou às prateleiras em 2006. E, nesse intervalo, escreveu Leite Derramado, publicado pela editora Companhia das Letras.

Em seu quarto romance, Chico consegue superar sua empreitada anterior no campo literário, o ótimo Budapeste, de 2003. Leite Derramado baseia-se nas memórias de Eulálio d'Assumpção, ancião que convalesce em um leito de hospital, recordando o passado de glória de sua família, até a sua decadência atual.

E, através do monólogo do personagem central da obra, Chico revê boa parte da história do país. As lembranças um tanto desconexas do centenário Eulálio mencionam – embora sem ordem cronológica – a chegada da Coroa Portuguesa, a Abolição da Escravatura, o Golpe de 1964 e outros momentos cruciais do Brasil, não esquecendo, em momento algum, de sua esposa Matilde, figura onipresente na narrativa.

Outro tema recorrente no livro é o racismo, visto que a supracitada Matilde era mulata – e, por esse motivo, encontrou resistência da parte da mãe de Eulálio. Com isso, Chico acaba entrando na questão da miscigenação étnica brasileira: o tataraneto do centenário protagonista – o “garotão” traficante, cuja namorada ostenta um piercing (que ele chama de “brinco na barriga”) – é negro.

O interesse do leitor é mantido, da primeira à última página, pela prosa fluente do autor – e pelo humor desconcertante que percorre todo o livro.

Resumo: a genialidade do compositor Chico Buarque já impregnou a sua literatura. Sem dúvida alguma.

‘Leite Derramado’, o blog


A editora Companhia das Letras criou um blog interessante para ajudar a promover o livro Leite Derramado.

Além de oferecer um espaço para opiniões dos leitores a respeito da obra, o blog disponibiliza gratuitamente o download do primeiro capítulo.

Também é possível assistir um vídeo de Chico Buarque lendo esse mesmo trecho do romance.

‘O Velho Francisco’: a inspiração para ‘Leite Derramado’


A inspiração de Chico Buarque para escrever o romance Leite Derramado foi uma antiga canção de sua própria autoria.


O Velho Francisco” foi regravada em 2008 por Mônica Salmaso – que também participou de “Imagina”, de Carioca, último CD de inéditas de Chico. E a versão da cantora fez que o autor se lembrasse da música. Foi justamente dessa letra que surgiu a ideia do livro.

Faixa do ótimo Francisco, de 1987, “O Velho Francisco” fala de um ex-escravo que, idoso e enfermo, começa a recordar as suas façanhas. Exatamente como o velho Eulálio de Leite Derramado.


Confira a letra de “O Velho Francisco”:


O Velho Francisco
(Chico Buarque)

Já gozei de boa vida
Tinha até meu bangalô
Cobertor, comida, roupa lavada
Vida veio e me levou.

Fui eu mesmo alforriado
Pela mão do Imperador
Tive terra, arado
Cavalo e brida
Vida veio e me levou.

Hoje é dia de visita
Vem aí meu grande amor
Ela vem toda de brinco, vem
Todo domingo
Tem cheiro de flor.

Quem me vê, vê nem bagaço
Do que viu quem me enfrentou.
Campeão do mundo
Em queda de braço
Vida veio e me levou.

Li jornal, bula e prefácio
Que aprendi sem professor.
Freqüentei palácio
Sem fazer feio
Vida veio e me levou.

Hoje é dia de visita:
Vem aí meu grande amor.
Ela vem toda de brinco, vem
Todo domingo
Tem cheiro de flor.

Eu gerei dezoito filhas
Me tornei navegador
Vice-rei das ilhas da Caraíba
Vida veio e me levou.

Fechei negócio da China
Desbravei o interior.
Possuí mina de prata, jazida
Vida veio e me levou.

Hoje é dia de visita:
Vem aí meu grande amor.
Hoje não deram almoço, né?
Acho que o moço até
Nem me lavou.

Acho que fui deputado
Acho que tudo acabou.
Quase que já não me lembro de nada
Vida veio e me levou.



E o vídeo da canção, dirigido por Roberto Talma:

‘Budapeste’: no cinema


A exemplo dos romances anteriores de Chico BuarqueEstorvo (1991) e Benjamin (1995) – o ótimo Budapeste [no detalhe], antecessor de Leite Derramado, também foi adaptado para o cinema, em uma produção luso-húngaro-brasileira.


Com direção de Walter Carvalho e roteiro de Rita Buzzar, Budapeste traz, em seu elenco, Leonardo Medeiros, Giovanna Antonelli, Paola de Oliveira e a atriz húngara Gabrielle Hámori.

O próprio Chico Buarque faz uma ponta no filme. E, na trilha sonora, há a curiosa versão de “Feijoada Completa” cantada na língua magiar (!).

Fiz um breve comentário sobre esse livro em 2006, nos primórdios desse blog. E pode lê-lo clicando aqui.



Veja aqui o trailer oficial de Budapeste:

segunda-feira, agosto 03, 2009

‘Romário’, o livro

Às voltas com problemas com a Justiça, Romário tem, pelo menos, um motivo para comemorar: o livro Romário [no detalhe] (Editora Altadena, 287 páginas), de autoria do jornalista Marcus Vinícius Rezende de Moraes. O prefácio é do radialista e comentarista esportivo Washington “Apolinho” Rodrigues.

Diferentemente de uma biografia “formal”, o livro traz histórias curiosas e/ou engraçadas da vida do Baixinho, contadas por 98 personagens que conviveram com ele durante a sua carreira, entre parentes, amigos, técnicos, dirigentes, jogadores, jornalistas e outros profissionais.

Romário custa R$ 35 e pode ser comprado pelo novo site oficial do ex-craque [http://www.blogger.com/www.romário11.com.br] e também no endereço http://www.livrodoromario.com.br/.


***


Em seu primeiro ano como profissional, o Baixinho – ainda na reserva – chegou para o então técnico Antônio Lopes, na concentração do Vasco, e mandou, na lata:

– Professor, me coloca no time. Eu jogo muito mais do que esse camisa 10 aí.

E o camisa 10 em questão era Roberto Dinamite – que, na época, já era considerado o maior ídolo da história do clube cruz-maltino...

quarta-feira, maio 13, 2009

Da série ‘Perguntar não ofende’: a biografia de Robinho

Vamos abrir um parêntese para falar sobre o supracitado Robinho: o ex-atacante do Santos e Real Madrid, atualmente no endinheirado Manchester City, acaba de ganhar uma biografia (!).

Robinho – King of the City [em português, Robinho – O Rei do City; no detalhe, a capa] chegará às livrarias a partir de 07 de setembro. Escrito pelo jornalista Peter Smith, torcedor dos Citizens, o livro já está disponível para pré-venda em alguns sites especializados, pelo valor de 16 libras (cerca de R$ 50), em média.

Não se pode negar que Robinho é bom de bola – embora não tão bom quanto ele imagina. Mas, perguntar não ofende: será que ele já merece uma biografia... aos 25 anos de idade?

terça-feira, março 10, 2009

‘Será que eu sou medieval?’


Já que falei em “metáforas medievais” no post anterior: como grande apreciador de literatura medieval, acabei comprando, por indicação de um amigo, Rei Arthur [no detalhe], do escritor e jornalista (nascido em Singapura, mas radicado na Escócia) Allan Massie.


O ciclo arturiano já foi tema de inúmeras obras – como o famoso As Brumas de Avalon*, da americana Marion Zimmer Bradley. Mas o livro de Massie possui o diferencial de ser baseado nas narrativas que o sábio e astrólogo medieval Michael Scott fazia ao seu pupilo, Frederico de Hohenstaufen (1194 – 1250), imperador do Sacro Império Romano.

Bem, agora só falta arranjar tempo para iniciar a leitura...



* As Brumas de Avalon, lançado em quatro volumes em 1979, focaliza a Távola Redonda – contudo, sob a singularidade da ótica feminina.


***


O título deste post cita “Medieval II”, canção de Rogério Meanda e Cazuza, lançada no primeiro disco solo do Exagerado, de 1985. Sempre adorei essa música. Qualquer hora, falarei sobre ela aqui...

quarta-feira, março 29, 2006

‘Budapeste’


Finalizei a leitura de Budapeste, terceiro romance (os demais são: Estorvo, 1991; e Benjamin, 1995) de Chico Buarque, lançado no ano passado. Pelo interesse que me despertou, devo confessar que li de maneira voraz.

A livro conta a estória do ghost-writer carioca José Costa que, após um congresso de ghost-writers realizado na capital húngara, encontra-se seduzido inicialmente pela língua magiar. Posteriormente, conhece uma bela mulher que começa a lhe ensinar o idioma, com a qual a passa ter um envolvimento amoroso. Esses fatos fazem com que o escritor assuma um... alter ego: Zsoze Kósta.

Chico conduz a narrativa com maestria, criando imagens brilhantes, e apresentando um senso de humor absolutamente inusitado. O livro flui perante os olhos do leitor.

Há algum tempo atrás, o autor de "Vai Passar" foi definido como "um escritor que faz música". Faz sentido. Pois, além de suas melodias elaboradas e harmonias complexas, Chico é um dos mais hábeis manipuladores de palavras não só do Brasil, mas da própria Língua Portuguesa.

Tanto nas canções, quanto, agora, também na literatura, trata-se - tenho dito reiteradas vezes - de um gênio da nossa cultura.