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segunda-feira, novembro 17, 2008

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Azul e Amarelo’, de Lobão e Cazuza

Nem todos sabem que Lobão [no detalhe] e Cazuza – fãs confessos de Cartola [ver dois posts abaixo] – deram crédito ao autor de “O Sol Nascerá” em uma canção que compuseram juntos.

A faixa em questão chama-se “Azul e Amarelo” e integrava o último CD do ex-vocalista do Barão Vermelho, Burguesia, de 1989. Já o Grande Lobo a registrou em seu álbum Sob O Sol de Parador, naquele mesmo ano.

A “parceria” entre os três deu-se pelo fato de a canção citar, na letra, dois versos de “Autonomia”, do compositor mangueirense: “Mas não quero, não vou/ Não quero...”.

A gravação de Cazuza – a melhor, na modesta opinião desse vosso amigo – apresenta um doce arranjo bossa-novístico, enquanto a versão de Lobão é adornada por flautas que aludem imediatamente à sonoridade de outro mestre: Pixinguinha.




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Curiosidade: em meados de 1989, a extinta Rede Manchete exibiu um especial de Lobão em que ele cantava “Azul e Amarelo” na companhia de ninguém menos que... Paulinho da Viola. Infelizmente, não há no You Tube nenhum vídeo dessa apresentação.


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Em 1995, mencionei essa canção à falecida Dona Zica. Essa, aliás, foi a única vez em que estive pessoalmente com ela. E a viúva de Cartola, um tanto lacônica, respondeu-me: “É verdade. Recebo parte dos direitos dela, inclusive...”

sábado, janeiro 26, 2008

Paulinho da Viola: velha intimidade


Com seu Acústico MTV, Paulinho da Viola realiza um dos melhores trabalhos de 2007

Ainda que todos considerem a série Acústico MTV um formato esgotado, eis que a emissora paulistana tira um belo coelho da cartola, com o lançamento - em CD e DVD, como é de praxe - do título dedicado a Paulinho da Viola, via Sony & BMG.

A bem da verdade, um Acústico de Paulinho tem um quê de redundância, visto que a música de Paulinho jamais foi elétrica. Mas o projeto serve para jogar luz e dar visibilidade a esse que, sem dúvida, é um mestre do samba.

Com a elegância de sempre, Paulinho da Viola apresenta um repertório muito bem escolhido, com sucessos como “Eu Canto Samba”, a politizada “Sinal Fechado” (que fala, de modo cifrado, do silêncio imposto ao país pela ditadura militar), “Coração Leviano”, “Argumento”, “Dança da Solidão” e outros. Entre as inéditas, destaque para “Talismã”, parceria de Paulinho com Marisa Monte e Arnaldo Antunes, que já nasceu clássica.

Seguindo o mesmo raciocínio, seria interessante que a MTV realizasse, com toda pompa e circunstância a que tem direito, um Acústico (sem ironia) com ninguém menos que o papa da bossa nova, João Gilberto.

sexta-feira, dezembro 07, 2007

Paulinho da Viola: Encontros O Globo


O última edição do Encontros O Globo - Especial Música do ano de 2007 contou com a presença de Paulinho da Viola. Durante duas horas, o mestre do samba respondeu às perguntas dos mediadores (os jornalistas João Máximo, Antônio Carlos Miguel e Zuenir Ventura) e do público que lotou o auditório do jornal, assim como dos internautas que enviaram suas dúvidas através do O Globo On Line.

A tão comentada elegância de Paulinho é absolutamente verdadeira. Figura extremamente simpática, contou longas histórias e, acompanhado de seu violão, cantou alguns de seus sucessos, como “Cenário” e “Eu Canto Samba”. Obviamente, a Portela era um assunto que não poderia faltar. E o compositor relembrou o momento exato em que, menino, se apaixonou pela escola:

- Foi no Carnaval na Avenida Rio Branco - ainda não havia, naquela época, desfile na Marquês de Sapucaí, muito menos Sambódromo. Eu gostava muito de andar sozinho.

O autor de “Sinal Fechado” falou sobre a gênese dessa canção:

- Aquele momento [durante a ditadura militar] era de silêncio. As pessoas viviam desconfiadas, com medo até de conversar. E eu fiz essa música por causa de um conhecido meu. Um dia, eu o encontrei na rua e ele disse que precisava muito falar comigo. Outras vezes, nos encontramos e nada de ele falar. E até hoje, tantos anos depois, ele ainda não conseguiu me dizer o que queria - disse, Paulinho, para risos da platéia.

E, embora de modo lacônico, o cantor não fugiu quando questionado se considerava superado o lamentável episódio de 1995 (quando Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil, Gal Costa e Maria Bethânia receberam da Prefeitura do Rio um cachê maior do que o dele para cantar no reveillon na praia de Copacabana):

- Sim, considero - disse, sorrindo.

Perguntado sobre a passagem do tempo, Paulinho respondeu com profundidade:

- Aquele meu verso 'quando eu penso no futuro, não esqueço o meu passado' é verdadeiro. Às vezes, começo a lembrar dos fatos de toda a minha vida. E sempre tenho a impressão de tudo passou depressa demais, mesmo sabendo que, na verdade, não foi assim. De modo que só posso concluir que não vivo no passado. Mas o passado vive em mim - afirmou, arrancando aplausos entusiasmados do público.


Veja algumas fotos que tirei do Encontro:



Os mediadores [da esq. para a dir.]: os jornalistas João Máximo, Antônio Carlos Miguel e Zuenir Ventura