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sábado, novembro 17, 2012

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Pensamentos’, de Roberto Carlos e Erasmo Carlos

Em 2011, Roberto Carlos visitou o Santo Sepulcro, um dos locais mais importantes do Cristianismo


Pensamentos” foi lançada por Roberto Carlos em seu álbum de 1982. E, embora tenha sido regravada por Simone em seu disco natalino 25 de Dezembro, de 1995, permaneceu fora do repertório dos shows de RC até 2011 (!), quando foi retomada no CD/DVD Roberto Carlos em Jerusalém, gravado ao vivo na Terra Santa.

Composta em parceria com Erasmo Carlos, “Pensamentos” é uma das mais brilhantes letras escritas pela dupla. Ou, talvez, a mais brilhante. Os versos abordam temas complexos como a convivência humana (“Quem me dera que as pessoas que se encontram / se abraçassem como velhos conhecidos / descobrissem que se amam / e se unissem, na verdade dos amigos”) e, em um espectro mais amplo, a tolerância entre os povos (“Se as flores se misturam pelos campos / é que flores diferentes vivem juntas”).

A narrativa vai ainda mais fundo, considerando a possibilidade de que exista, de fato, destino (“Onde, às vezes, aparentes coincidências / têm motivos mais profundos”) e questionando o sentido da vida (“Pensamentos que me afligem / sentimentos que me dizem / dos motivos escondidos / da razão de estar aqui (...) / e eu penso nas razões da existência / contemplando a natureza desse mundo”).

Através de belas imagens (“E, no topo do Universo, uma bandeira / estaria no Infinito iluminada / pela força desse amor, luz verdadeira / dessa paz tão desejada”), Roberto e Erasmo finalizam amparando-se na fé para tentar compreender os mistérios que envolvem a Criação (“As perguntas que me faço / são levadas ao espaço / e, de lá, eu tenho todas as respostas que eu pedi (...) / e a voz dos ventos na canção de Deus / responde a todas as perguntas”).

Pensamentos” suscita uma reflexão profunda sobre a existência humana — e o seu papel nesse planeta. E nada fica a dever a outras canções que tratam de questões existenciais, como “Imagine”, por exemplo. Por tudo isso, é inacreditável que tenha ficado “esquecida” pelo Rei durante tantos anos.



Ouça a versão de “Pensamentos” do CD/DVD Roberto Carlos em Jerusalém. Se desejar, veja o vídeo — cuja padrão de imagem e áudio está abaixo do desejável —, clicando aqui:


sábado, novembro 10, 2012

Com apenas duas inéditas, Roberto Carlos reafirma seu apelo comercial


EP
Esse Cara Sou Eu (Amigo Records / Sony Music)
2012



Sem editar um disco de inéditas desde Pra Sempre, de 2003 (!) — o seu álbum de 2005, embora gravado em estúdio, trazia apenas uma música inédita —, Roberto Carlos acaba de lançar EP de quatro faixas, sendo duas inéditas. Desde a pré-venda, Esse Cara Sou Eu passou a liderar as vendas do iTunes — o que reafirma o apelo comercial do cantor de 71 anos de idade, mesmo na era dos downloads ilegais.

Já bastante conhecida do público devido à execução diária na novela Salve Jorge, a faixa-título é o tipo de letra — que, aliás, lembra “Romântico”, canção de 1995 — na qual RC é mestre: clara. Franca. Objetiva. E que retrata uma situação que muitas pessoas já vivenciaram. Ou vivenciam. Ou, pelo menos, gostariam de vivenciar. Por tudo isso, Esse Cara Sou Eu” atinge em cheio — e com extrema facilidade — a sensibilidade do ouvinte. Para completar, o refrão, a despeito de sua simplicidade, pega. No ato.

A maior surpresa do EP, entretanto, é a segunda inédita do EP, a descontraída “Furdúncio”. Funk melody (!) no estilo de “Ela Só Pensa em Beijar” de MC Leozinho — com quem, aliás, o Rei cantou em seu especial global de 2006 —, foi composta em 2007 em parceria com Erasmo Carlos. A parte instrumental contou com a participação da cozinha de Lulu Santos — o baixista Jorge Aílton e o baterista Chocolate. Os mais atentos observarão as terças de vozes, que escancaram a experiência de cinquenta anos do artista em estúdios de gravação. E, por mais improvável que, a princípio, a (ousada) empreitada pudesse parecer... deu certo.

A terceira faixa de Esse Cara Sou Eu é a solene “A Mulher que Eu Amo”, lançada em 2009 na trilha sonora da novela Viver a Vida — e que, até então, jamais havia aparecido em nenhum trabalho do cantor. Balada ao piano adornada com cordas e repleta de versos pungentes (“Quando vem pra mim, é suave como a brisa / e o chão que ela pisa / se enche de flor”), não soaria deslocada em um álbum de Antonio Carlos Jobim. 

Fechando o repertório, “A Volta”, que obteve boa repercussão ao integrar a trilha da novela América, em 2005. Composta a quatro mãos com o Tremendão em 1966, tornou-se o maior sucesso da carreira da dupla Os Vips. Contudo, só foi gravada por Roberto em seu supracitado álbum de 2005, em um (bom) arranjo a la Dire Straits. 

Embora altamente positivo, o lançamento de Esse Cara Sou Eu indica que o aguardado CD de inéditas de Roberto Carlos não deverá mesmo ser lançado este ano. Sendo assim, conclui-se que o álbum só verá a luz do dia em 2014. Afinal, supersticioso, RC provavelmente não lançaria/lançará nada no ano de 2013...




Veja o (simples, mas eficiente) vídeo, com letra, de “Esse Cara Sou Eu:





E ouça o funk melody Furdúncio:


sexta-feira, setembro 07, 2012

Cinco anos sem Luciano Pavarotti




O mais famoso dos chamados Três Tenores — os demais são Plácido Domingo e José Carrera, Luciano Pavarotti [no detalhe] eternizou-se por ter popularizado mundialmente a ópera.

Cinco anos após o seu desaparecimento — vítima de câncer no pâncreas, aos 71 anos, em Módena, sua cidade natal , relembremos Pavarotti com quatro colaborações suas com astros do pop mundial.




Em abril de 1998, Pavarotti e Roberto Carlos cantaram juntos “Ave Maria”, de Schubert, uma das mais tocantes melodias que existem. Ao lado do tenor, o Rei, com sua humildade habitual, comentou: “É um privilégio e um atrevimento, mas logicamente uma concessão maravilhosa de Luciano Pavarotti... me deixar cantar uma canção com ele”. Detalhe: próximo do final da canção, o italiano estende a mão para tocar a de RC:





Com Elton John, Pavarotti gravou a belíssima “Live Like Horses”. Reza a lenda que, ao olhar as duas rotundas figuras nas capas do single, Elton, com sua língua ferina, não perdeu a oportunidade de fazer piada, se utilizando do título da canção: “‘Vivem como cavalos’? Comem como cavalos!





“Panis Angelicus” é um cântico católico antiquíssimo, em latim (!), que Luciano Pavarotti regravou, em 1992, em dueto com... Sting. A resenha publicada, à época, no Jornal do Brasil criticou duramente o ex-Police, pela sua “inaptidão para o canto lírico”. Bobagem. Sting é um cantor popular. E a sua coragem, por si só, justifica a empreitada:





E, last but not leastPavarotti registrou, na companhia dos Passengers — leia-se: o projeto Original Soundtracks, de 1995, realizado pelo U2 em parceria com o produtor Brian Eno —, “Miss Sarajevo”. Quatro anos depois, a canção recebeu uma versão de George Michael:


sábado, março 10, 2012

Inaugurando a série ‘Causos’: Roberto Carlos & Erasmo Carlos



O fato já foi mencionado publicamente inúmeras vezes tanto por Roberto quanto por Erasmo Carlos. Quando um dos faz aniversário, o aniversariante telefona para o outro e diz:

Bicho, você pode ligar para cá e o telefone estar sempre ocupado. Ou acontecer de eu ter saído. Então, estou ligando só para você me dar os parabéns....

quarta-feira, fevereiro 08, 2012

R. I. P. Wando



Desde o dia 27 de janeiro, quando Wando foi internado em Minas Gerais devido a problemas cardíacos, torci pelo seu restabelecimento. E não apenas por razões humanitárias: sempre nutri sincera admiração pelo seu trabalho.

Por puro preconceito, nem todos admitem. Contudo, naquilo que se propunha a fazer — música assumidamente popular, com doses generosas de erotismo, mas sem jamais perder de vista o romantismo —, Wando era muito bom. Suas canções eram, acima de tudo, sinceras. E, justamente por isso, atingiam facilmente a sensibilidade de seu público.

Vale registrar que grandes nomes da música brasileira reconheceram o valor artístico de Wando, regravando suas composições. Exemplos: Caetano Veloso (“Moça”), Nando Reis (“Fogo e Paixão”, o maior sucesso da carreira de Wando) e até... Roberto Carlos (a delicada “A Menina e o Poeta”), entre outros.

Reza a lenda que, em casa e nos ensaios, Antonio Carlos Jobim gostava de cantar canções de outros autores, por pura diversão. Uma de suas escolhidas era “Mentiras”, de Adriana Calcanhotto. E outra era... a belíssima “Coisa Cristalina”, de Wando.

Descanse em paz, Wando.




Ouça “Coisa Cristalina”, que o artista compôs inspirado em um amigo igualmente apaixonado pela esposa e pela... cocaína...




...e “Tá Faltando um Abraço”:

sábado, janeiro 28, 2012

Da série: ‘São Bonitas as Canções’: ‘Mãe’, com Gal Costa



Sejamos francos: canções em homenagens às mães, em sua maioria, soam... óbvias — desprovidas da poesia que a maior referência na vida de cada um de nós mereceria. Exceção feita — além de “Lady Laura”, de Roberto & Erasmo, e “Let It Be”, dos Beatles — a “Mãe”, composta por Caetano Veloso que, curiosamente, jamais a registrou. 

Gravada por Gal Costa no álbum Água Viva, de 1978, a letra de “Mãe” — repleta de imagens caleidoscópicas — detecta, com precisão cirúrgica, uma grande verdade: não importa o que um homem tenha se tornado ao longo de sua vida. Não importa. 

Diante de sua mãe, ele será sempre... um menino. E jamais deixará de ser amado por ela. 


sexta-feira, julho 08, 2011

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Teresa da Praia’, de Billy Blanco e Antonio Carlos Jobim

Falecido hoje, aos 87 anos, de complicações decorrentes de um AVC, o paraense Billy Blanco [foto] compôs mais de 500 canções, muitas delas ainda inéditas. E foi parceiro de Antonio Carlos Jobim em dois momentos: na Sinfonia do Rio de Janeiro, de 1954, e em “Tereza da Praia”, do mesmo ano.

Lançada com grande sucesso por dois dos cantores mais populares da época, Dick Farney e Lúcio Alves, “Tereza da Praia” é um clássico absoluto da música brasileira. E foi regravada em 2008 na histórica dobradinha CD/DVD Roberto Carlos e Caetano Veloso e a Música de Tom Jobim.



Veja o descontraído dueto de RC com Caetano em “Teresa da Praia:




E ouça a gravação original, com Dick Farney e Lúcio Alves:

 

sexta-feira, junho 10, 2011

João Gilberto: 80 anos

                          
Antes de qualquer coisa, é necessário dizer que é motivo de alegria saber que uma das personagens centrais da nossa música, João Gilberto [no detalhe], continua entre nós. E precisamente hoje, 10 de junho de 2010, o “baiano bossa nova” completa 80 anos de idade.

Homem de temperamento recluso — considerado “excêntrico” por muitos — e perfeccionista ao extremo, João, com seu estilo inconfundível, “desconstruiu” e redefiniu os parâmetros da música brasileira. Nele, o que parece “simples” é pura complexidade. E o que alguns podem confundir com “economia” ou “limitação” é tão somente... sutileza. E precisão.

Embora sempre tenha sido um compositor bissexto, e tenha lançado poucos discos ao longo de sua carreira, o espectro de sua influência é enorme. Tornou suas canções como “Rosa Morena”, de Dorival Caymmi, além de clássicos como “Desafinado”, “Garota de Ipanema” e, claro, “Chega de Saudade”, todas de Antonio Carlos Jobim. 

E, entre seus companheiros de profissão, possui admiradores tão díspares quanto Roberto Carlos, Jorge Ben Jor e... Eric Clapton. 

Que João Gilberto ainda sopre muitas e muitas velinhas de aniversário. Provavelmente, ele saberia “desconstruir” até mesmo o tradicional “Parabéns para Você”...



Leia também:







Veja os vídeos de “Rosa Morena”...




...e três extraídos do excelente especial João & Antonio, gravado ao vivo no Theatro Municipal do Rio, em 1992 — um pecado este DVD jamais ter sido lançado: “Desafinado”...




...“Garota de Ipanema”...




...e “Chega de Saudade”:

terça-feira, abril 19, 2011

Roberto Carlos: 70 anos

                           

Do alto de meio século de uma carreira singular, Roberto Carlos [foto] tem muitos motivos pelos quais se orgulhar. Goste-se ou não dele, nenhum outro artista brasileiro possui números tão superlativos — na América Latina, vendeu mais até do que, pasmem... os Beatles (!).

Além de intérprete notável, RC é um compositor que, com a simplicidade de suas palavras, consegue tocar o coração de pessoas de todas as faixas etárias, de todas as classes sociais. Seja falando de amor ou de fé, o autor de “Emoções” é, sem sombra de dúvida, a voz do Brasil.

E, a exemplo de milhões de brasileiros, as canções de Roberto se entrelaçam com a história de minha vida. E isso vem desde a infância, nas celebrações do Natal na companhia de meus familiares — alguns, por sinal, já não estão vivos —, quando a trilha sonora sempre foi o seu novo álbum.

Sendo assim, não me constranjo em declarar a enorme admiração e sincero respeito que nutro por este homem. No meu íntimo, é como se RC fosse uma pessoa próxima, um amigo muito querido. E, de fato, sua música tem estado a meu lado durante todos esses anos.

Hoje, 19 de abril de 2011, Roberto completa 70 anos de idade. Fico feliz por ele estar vivo. Com saúde. E em plena atividade. Não sucumbiu diante de todos os momentos tristes que atravessou — e continua atravessando. Como disse (sabiamente) Caetano Veloso, “uma força” o leva a cantar. Somos privilegiados por ouvi-lo.

Em suma, Roberto Carlos é o Rei. De fato e de direito. Vida longa ao Rei.

quinta-feira, janeiro 13, 2011

Nestlé: 90 anos


Confesso que refleti muito antes de decidir postar este vídeo aqui. Não quis que pensassem que o blog estaria sendo pago para veicular aqui este anúncio, ou algo desse tipo.

Mas, francamente, não resisti à beleza do comercial de 90 anos da Nestlé, emoldurado pela impecável versão original de “Emoções”, de Roberto Carlos [no detalhe], gravada em 1981. Somente quem já viu o Rei cantando esta canção ao vivo pode avaliar: quando surgem os metais da orquestra do cantor, nem as cadeiras do local ficam indiferentes...

Observem que, no trecho da letra que diz “Saudades eu senti...”, aparecem as imagens dos inesquecíveis Antonio Carlos Jobim e Ayrton Senna.

Feliz do país que reverencia os seus ídolos.



Veja o comercial de 90 anos da Nestlé
...




...e ouça a gravação original do clássico “Emoções”:

segunda-feira, outubro 04, 2010

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Rainy Days and Mondays’, dos Carpenters


Hoje, se vivo fosse, meu pai completaria 60 anos de idade. Em sua memória, postarei uma canção de uma dupla que ele adorava – e que demorei doze anos (!) para... conseguir ouvir novamente: The Carpenters [no detalhe].

A explicação para tamanho hiato é que – somadas às recordações familiares, claro – a música dos irmãos americanos me comove mais do que a de qualquer outro artista. Mais do que a de Roberto Carlos. Mais do que a dos Beatles.

A doce voz de Karen Carpenter (1950 – 1983) é, na minha modesta opinião, um dos mais belos sons já produzidos pelo ser humano.


***


Em julho de 2009, citei Karen Carpenter no post em que falei sobre o maestro Quincy Jones. A canção “She's Out Of My Life”, gravada por Michael Jackson em Off The Wall – álbum produzido por Jones – foi escrita por Tommy Bahler para a cantora, que havia sido sua namorada...


***


Por coincidência ou não, hoje – como diz o título da canção – foi um “dia chuvoso”. E também uma segunda-feira...

quarta-feira, outubro 28, 2009

A edição brasileira da Billboard

A conceituada revista Billboard iniciou esse mês as suas atividades no Brasil. E já começou acertando*: a matéria de capa fala dos bastidores da turnê de 50 anos de carreira de Roberto Carlos [no detalhe].

A primeira edição traz uma entrevista exclusiva com Paul McCartney, que se mostra surpreso com o (enorme) interesse do planeta pela música dos Beatles, quase quatro décadas após a dissolução da banda.

E também uma interessante matéria sobre a única fábrica de discos de vinil da América Latina (!), situada no município de Belford Roxo, na Baixada Fluminense.

O TomNeto.com deseja êxito e vida longa à Billboard Brasil. Publicações musicais são sempre muito bem-vindas.


* Ainda que boa parte da imprensa queira ignorar o fato, a obra de Roberto Carlos é de suma importância para o cancioneiro popular brasileiro, sim. E isto, decididamente, é notícia.

segunda-feira, setembro 21, 2009

Da série ‘Parcerias’: Roberto & Erasmo nos últimos dez anos


O luto guardado por Roberto Carlos pela morte de sua esposa, Maria Rita, fez com que a sua parceria com Erasmo Carlos sofresse uma vertiginosa queda de produção na última década. Nos únicos três álbuns de estúdio que o Rei lançou em dez anos – os demais foram discos ao vivo ou projetos especiais, como Duetos (2006) –, há apenas cinco (!) parcerias inéditas com seu amigo de fé, irmão camarada.

O motivo: abalado, RC preferiu compor solitariamente durante esse período.

Na compilação 30 Grandes Sucessos, lançada em dezembro de 1999 – quando o estado de saúde de Maria Rita se agravou, e Roberto não teve condições de gravar um novo trabalho –, a única música nova era “Todas as Nossas Senhoras”, composta com Erasmo.

No CD Amor sem Limite, de 2000, o primeiro após o desaparecimento de Maria Rita, a única parceria inédita da dupla foi a bela “Tu És a Verdade, Jesus”. As outras duas canções que levavam a assinatura dos parceiros - “Mulher Pequena” e “Quando Digo que te Amo” - foram originalmente lançadas em 1993 e 1996, respectivamente.

Pra Sempre, que chegou às prateleiras em 2003, trazia somente duas faixas novas escritas por Roberto e Erasmo: a questionadora “Seres Humanos” e o bem-humorado blues “O Cadillac”.

No disco epônimo de 2005, a única inédita de RC com o Tremendão foi “Arrasta uma Cadeira”, gravada na companhia de Chitãozinho & Xororó. As demais – “Promessa” e “A Volta” – eram, na verdade, canções antigas que jamais tiveram registro na voz do Rei até então, além de “O Baile da Fazenda”, originalmente lançada em 1998.

Já nos discos de carreira que Erasmo Carlos editou desde 1999 – Pra Falar de Amor (2001), Santa Música (2004) e Rock ‘N’Roll (2009) – não há nenhuma parceria inédita da dupla. Pra Falar de Amor trazia a assinatura da dupla na boa “Qualquer Jeito”, versão de “It Should Have Been Easy”. Mas a faixa foi presenteada em 1987 à cantora Kátia, “afilhada” artística de Roberto e Erasmo. E obteve razoável execução radiofônica na ocasião.

Entretanto, os autores de “É Preciso Saber Viver” já confirmaram que existem quatro novas canções da dupla para o próximo CD de estúdio de Roberto, cujo lançamento está previsto para 2010.

‘A Mulher que Eu Amo’: a música nova de Roberto Carlos


Roberto Carlos [foto] cedeu uma música inédita – a primeira em quatro anos – para a trilha sonora da nova novela das oito, Viver a Vida. Chama-se “A Mulher que Eu Amo”, e será o tema da personagem principal, Helena, interpretada por Taís Araújo.

Outras faixas do cantor já fizeram parte de trilhas de novelas, como “Tanta Solidão” (Tropicaliente, 1994), “Índia” (Alma Gêmea, 2005) e “A Volta” (América, também de 2005). Mas nunca uma inédita.

Na canção, que compôs sozinho, RC volta a falar do amor eterno, a exemplo de suas composições ao longo dos últimos dez anos. E apesar dos versos otimistas (“E, com ela, eu acredito na felicidade”), emana uma tristeza... profunda.

E certamente não foi por acaso.

Com um arranjo intimista – basicamente piano e cordas –, evoca um tom camerístico que remete imediatamente a... Antônio Carlos Jobim. Talvez o trabalho em colaboração com Caetano em torno da obra do Maestro Soberano tenha inspirado Roberto nesse sentido...

A Mulher que Eu Amo” é, sem dúvida, uma faixa... forte. E que, cantada ao vivo, será ouvida pela plateia no mais respeitoso silêncio. E provavelmente será incluída como bônus do CD com o show de 50 anos de carreira, realizado no Maracanã, a ser lançado no Natal.

Post-sciptum em 23/10/2009: a faixa pode ser comprada através da internet. Mais detalhes no hot site www.amulherqueeuamo.com.br. É pela primeira vez que o Rei disponibiliza uma obra sua para venda on line.



Ouça “A Mulher que Eu Amo:




E confira também a letra, na íntegra:


A Mulher que Eu Amo
(Roberto Carlos)


A mulher que eu amo tem a pele morena
É bonita, é pequena
E me ama também.
A mulher que eu amo tem tudo que eu quero
E até mais do que espero
Encontrar em alguém.

A mulher que eu amo tem um lindo sorriso.
É tudo que eu preciso para minha alegria.
A mulher que eu amo tem nos olhos a calma,
Ilumina minh'alma,
É o sol do meu dia.

Tem a luz das estrelas
E a beleza da flor.
Ela é minha vida.
Ela é o meu amor.

Seu amor é para mim o que há de mais lindo.
Se ela está sorrindo, eu sorrio também.
Tudo dela é bonito, tudo nela é verdade.
E, com ela, eu acredito na felicidade.

A mulher que eu amo enfeita minha vida
Meu sonhos realiza,
Me faz tão bem.

Seu amor é para mim o que há de mais lindo
Se ela está sorrindo, eu sorrio também
Tudo nela é bonito, tudo nela é verdade.
E com ela eu acredito na felicidade.

‘A Mulher que Eu Amo’: a música nova de Roberto Carlos (2)

Como autorreferência – ou reafirmação da ideia –, Roberto Carlos repetiu em “A Mulher que Eu Amo” dois versos (“Ela é minha vida / ela é o meu amor”) que já apareciam no refrão da bela, porém pouco conhecida, “Todo Mundo me Pergunta”, lançada originalmente no CD Pra Sempre, de 2003.

Confira*:




* Desculpe, pessoal. Não encontrei outro vídeo dessa música...

Roberto Carlos mostra a música ‘Jantar à Luz de Velas’

D'après Cissa Guimarães: direto do Túnel do Tempo. Em reportagem exibida no Fantástico no dia 02 de setembro de 1979, Roberto Carlos mostrou, ao violão, um trecho da canção então intitulada “Jantar à Luz de Velas”.

Bem-humorado, o Rei contou que tratava-se de “uma continuação de ‘Café da Manhã’.”

A faixa acabou sendo lançada no álbum epônimo que Roberto editou em 1980, com o título alterado para “O Gosto de Tudo”.

terça-feira, julho 21, 2009

Roberto Carlos: meio século de reinado


Show
Itaú Brasil: Roberto Carlos – 50 anos
Data: 11 de julho de 2008
Local: Estádio do Maracanã - Rio de Janeiro


Para comemorar seus 50 anos de carreira, o Rei realiza um show histórico no Estádio do Maracanã

Cerca de 68 mil pessoas, de todas as faixas etárias, suportaram o vento frio que insistia em soprar no Estádio do Maracanã, na noite de sábado, 11 de junho. Mas por um bom motivo: tratava-se do show de comemoração aos 50 anos de carreira de Roberto Carlos, cujas canções fazem parte da vida de milhões de brasileiros.

Às 21h45, o Rei entrou ao palco de maneira triunfal, dirigindo o seu Calhambeque azul, modelo 1929, devidamente reformado. Após saudar a sua orquestra e a plateia extasiada, afirmou: “É a maior emoção que já senti em minha vida estar aqui no Maracanã cantando para vocês. Quando estava lá em Cachoeiro [nota: do Itapemirim, sua cidade natal] jamais imaginei que podia viver um momento como esse”. E iniciou os trabalhos com o seu cartão-de-visitas, “Emoções”.

O repertório foi basicamente o mesmo dos shows que o cantor tem apresentado ao longo dos anos, com as músicas que seu público sempre espera ouvir, como “Outra Vez”, “Proposta”, “Café da Manhã” e, no já tradicional esquema banquinho-e-violão, “Detalhes”, entre outras.

Contudo, dada a importância da ocasião, RC incluiu canções que não costumam fazer parte de seu set list, como “Do Fundo do meu Coração”, de 1986. Repleta da “tensão” encontrada em momentos anteriores da obra do Rei – como “Sua Estupidez”, por exemplo –, a faixa é uma das melhores da segunda metade de sua carreira.

Em homenagem a seus pais, o cantor reuniu em um tocante medley que reuniu a bela “Aquela Casa Simples” a “Meu Querido, Meu Velho, Meu Amigo” e “Lady Laura”. E até “Nossa Senhora”, há muito afastada do repertório do artista, foi relembrada, em um dos pontos altos do show.

No bloco dedicado à Jovem Guarda, Roberto, surpreendentemente, resgatou “Quando” – uma das melhores canções daquele período – e “Namoradinha de um Amigo Meu”, juntamente com “É Proibido Fumar”, “E por Isso Estou Aqui” e “Jovens Tardes de Domingo”.


Com Erasmo, o momento mais emocionante da noite

Em “Caminhoneiro” – outra que o Rei não cantava há tempos –, a chuva desabou sobre o Maracanã, o que fez com que RC paralisasse o show por cerca de dez minutos.

Já a escolha dos dois convidados foi bastante coerente: Erasmo Carlos e Wanderléa. Erasmo, por sinal, protagonizou o momento mais emocionante da noite. Após dirigir algumas palavras a Roberto através do telão, o Tremendão foi chamado ao palco. Os parceiros choraram abraçados e cantaram “Amigo” com muita dificuldade. Na sequência, já refeitos, relembraram momentos engraçados e emendaram com “Sentado à Beira do Caminho”.

Com a Ternurinha, também bastante emocionada, Roberto, como não poderia deixar de ser, cantou “Ternura”. Por fim, Erasmo juntou-se à dupla em “Eu Sou Terrível”.

Outro momento de grande emoção foi “Como É Grande O Meu Amor por Você”, cantada por um Maracanã em uníssono. Destaque também para o arranjo grandiloquente, de matizes épicos, de “Cavalgada”.

No gran finale, o estádio foi encoberto pela fumaça dos fogos de artifício, enquanto o Rei lançava rosas para sua fiel público, ao som de “Jesus Cristo”, coroando um dos melhores show de sua carreira. Um momento único, digno de um artista verdadeiramente singular.



Veja o medley que reuniu “Aquela Casa Simples”, “Meu Querido, Meu Velho, Meu Amigo” e “Lady Laura:




E também “Amigo”, com participação de Erasmo Carlos:

RC 50: repertório


Grandes canções de Roberto Carlos [foto], de várias épocas de sua carreira, ficaram ausentes do show em comemoração aos seus 50 anos de vida artística.

Exemplos: “Se Você Pensa” [1968], “As Curvas da Estrada de Santos” [1969], “Como Vai Você” [1972], “O Portão” [1974], “Fera Ferida” [1982], “Eu te Amo Tanto” [1998] e “Amor Sem Limite” [2000], entre tantas outras.

Mas convenhamos: é impossível resumir, em uma apresentação de duas horas, uma discografia de meio século como a Roberto Carlos.



Repertório:


* Intro (instrumental)
* “Emoções” [1981]
* “Eu te Amo, te Amo, te Amo” [1968]
* “Além do Horizonte” [1974]
* “Amor Perfeito” [1986]
* “Detalhes” [1971]
* “Outra Vez” [1977]
* “Aquela Casa Simples” [1986] / “Meu Querido, meu Velho, meu Amigo” [1979] / “Lady Laura” [1978]
* “Nossa Senhora” [1993]
* “Caminhoneiro” [1984]
* “Mulher Pequena” [1993]
* “O Calhambeque” [1964]
* “Do Fundo do meu Coração” [1986]
* “Proposta” [1973]
* “Seu Corpo” [1975]
* “Os seus Botões” [1976]
* “Café da Manhã” [1978]
* “Cavalgada” [1977]
* “Amigo” (com Erasmo Carlos) [1977]
* “Sentado à Beira do Caminho” (com Erasmo Carlos) [1971]
* “Ternura” (com Wanderléa) [1965]
* “Eu Sou Terrível” (com Erasmo Carlos e Wanderléa) [1967]
* “É Proibido Fumar” [1964] / “Namoradinha de um Amigo meu” [1966] / “E por Isso Estou Aqui” [1967] / “Quando” [1967] / “Jovens Tardes de Domingo” [1977]
* “É Preciso Saber Viver” [1974]
* “Como É Grande o meu Amor por Você” [1967]
* “Jesus Cristo” [1970]

segunda-feira, julho 20, 2009

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Sentado À Beira do Caminho’, de Roberto e Erasmo



Em uma audição apressada, pode parecer que a letra de “Sentado À Beira do Caminho” retrata um indivíduo que foi abandonado.

Mas não se trata disso: os versos de Erasmo Carlos – escritos em parceria com Roberto Carlos – se referem ao fim do programa Jovem Guarda, fato que deixou o Tremendão muito deprimido na ocasião.

Curiosidade: no momento em que compunham essa faixa, Erasmo e Roberto estacionaram no primeiro verso do refrão (“Preciso acabar logo com isto...”). E não conseguiam seguir adiante. Até que RC, que havia acabado de chegar de um show, pediu a Erasmo para tirar uma soneca de meia hora.

E acordou* eufórico:

Bicho, já sei como podemos terminar esse refrão: “Preciso acabar logo com isto. / Preciso lembrar que eu existo...”

Lançada originalmente no (bom) álbum Erasmo Carlos e os Tremendões, de 1970, “Sentado À Beira do Caminho” foi regravada no álbum Erasmo Carlos Convida, de 1980, com a participação de Roberto Carlos. Para muitos, essa é a versão definitiva da canção.



* Paul McCartney também teria “sonhado” com a melodia de “Yesterday”. Certa manhã, o ex-Beatle acordou, sentou-se ao piano e a tocou melodia inteira. “Será que isso não é alguma música que eu conheço?”, perguntou-se. Detalhe: “Yesterday”, ainda sem letra, foi batizada inicialmente de “Scrambled Eggs” (ovos mexidos).




Veja o (raríssimo) clipe de “Sentado À Beira do Caminho”, com Roberto e Erasmo:


domingo, dezembro 14, 2008

O Rei de Marfim


Show
Roberto Carlos – Gravação de Especial
Data: 11 de dezembro de 2008
Local: HSBC Arena - Rio de Janeiro
Foto: Tom Neto


Deixando de lado as cores azul e branco, Roberto Carlos recebe Zezé di Camargo & Luciano, Neguinho da Beija-flor, Rita Lee e Caetano Veloso em seu tradicional especial de fim de ano

Um engarrafamento monstro que se estendeu da praia do Leblon até a metade da Avenida Niemeyer fez com que eu chegasse atrasado a uma HSBC Arena totalmente lotada. A sorte é que o início do espetáculo – marcado para as 21 horas – também atrasou um pouquinho...

Precisamente às 22h30, os músicos iniciaram o medley instrumental de sucessos de Roberto Carlos, que sempre antecede a entrada do artista ao palco – para delírio da platéia. Deixando de lado o tradicional azul – ou branco –, o Rei surge em um elegante terno de cor... marfim.

As pessoas menos atentas podem pensar que RC realiza sempre o mesmo show, que começa com “Emoções” e termina com “Jesus Cristo”, tendo, no recheio, “Detalhes” no esquema banquinho-e-violão. Mas não é bem assim. O roteiro atual é absolutamente diferente das apresentações de dois, três anos atrás.

Retornaram ao repertório “Mulher de 40” (a melhor de todas as canções de “homenagens” que Roberto compôs nos anos 90), “Mulher Pequena” e, pasmem, a erótica “O Côncavo e O Convexo” - por sinal, em um ótimo arranjo. Foram mantidas no set listAlém do Horizonte”, “É Preciso Saber Viver”, “Como É Grande o Meu Amor por Você”, “Negro Gato” (o único número que precisou ser repetido) e a sempre infalível “Outra Vez”. Em compensação, ficaram de fora “Eu te Amo, te Amo, te Amo” e “Amor Perfeito”, além das recentes “Pra Sempre”, “Acróstico”, “Eu te Amo Tanto” e “Amor Sem Limite”.

(Sem contar cavalos-de-batalha como “Proposta”, “Café da Manhã”, “Cavalgada”...)

Como de praxe, não poderiam faltar os convidados especiais. Os primeiros da noite foram Zezé di Camargo & Luciano, que cantaram sozinhos “A Distância” e, na companhia do anfitrião, “O Portão”.

Na seqüência, Neguinho da Beija-Flor cantou com Roberto uma dobradinha de sua bela “Negra Ângela” (já gravada por Belo e pelo Soweto) com “Eu e Ela”, sucesso do Rei. Em seguida, a bateria da Beija-Flor de Nilópolis foi chamada ao palco, para acompanhar Neguinho e RC no samba-exaltação “A Deusa da Passarela”.

O dueto com Rita Lee, acompanhada da família – o marido, Roberto de Carvalho, e o filho Beto Lee – foi um dos pontos altos da noite. Mostrando entrosamento, Rita e RC fizeram bonito ao emendar sucessos dela, como “Papai, me Empresta o Carro”, “Flagra”, “Mania de Você” e “Baila Comigo”, com outros dele, como “Parei na Contramão”, “Splish, Splash” e “Cama e Mesa”. Espirituosa, a rainha do rock nacional ainda citou “Garota do Roberto”, de Waldirene (“Sou a garota papo firme que o Roberto falou”).

Mas a melhor participação foi realmente a de Caetano Veloso. “Debaixo dos Caracóis dos seus Cabelos”, a canção que Roberto compôs após visitar Caetano em seu exílio londrino, foi a senha para a entrada do compositor baiano em cena. No melhor momento do show, uma emocionante “Força Estranha”, com seu grandiloqüente arranjo de blues, foi cantada pela dupla pela primeira vez. Sozinho, Caê cantou “Você É Linda”, acompanhado pela banda de Roberto - e pela platéia embevecida.

A lamentar, o som da HSBC Arena, que poderia estar bem melhor. E também o fato de o recente projeto que reuniu Roberto Carlos e Caetano Veloso, A Música de Tom Jobim, ter sido mencionado uma única vez – quando ambos cantaram “Chega de Saudade”, com a participação do neto do Maestro Soberano, Daniel Jobim, no piano. As versões do Rei para “Eu Sei que Vou te Amar”, “Lígia” e, principalmente, “Por Causa de Você” são impecáveis. E mereciam integrar o roteiro.

Mesmo assim, certamente ninguém voltou para casa insatisfeito...