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sábado, novembro 17, 2012

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Pensamentos’, de Roberto Carlos e Erasmo Carlos

Em 2011, Roberto Carlos visitou o Santo Sepulcro, um dos locais mais importantes do Cristianismo


Pensamentos” foi lançada por Roberto Carlos em seu álbum de 1982. E, embora tenha sido regravada por Simone em seu disco natalino 25 de Dezembro, de 1995, permaneceu fora do repertório dos shows de RC até 2011 (!), quando foi retomada no CD/DVD Roberto Carlos em Jerusalém, gravado ao vivo na Terra Santa.

Composta em parceria com Erasmo Carlos, “Pensamentos” é uma das mais brilhantes letras escritas pela dupla. Ou, talvez, a mais brilhante. Os versos abordam temas complexos como a convivência humana (“Quem me dera que as pessoas que se encontram / se abraçassem como velhos conhecidos / descobrissem que se amam / e se unissem, na verdade dos amigos”) e, em um espectro mais amplo, a tolerância entre os povos (“Se as flores se misturam pelos campos / é que flores diferentes vivem juntas”).

A narrativa vai ainda mais fundo, considerando a possibilidade de que exista, de fato, destino (“Onde, às vezes, aparentes coincidências / têm motivos mais profundos”) e questionando o sentido da vida (“Pensamentos que me afligem / sentimentos que me dizem / dos motivos escondidos / da razão de estar aqui (...) / e eu penso nas razões da existência / contemplando a natureza desse mundo”).

Através de belas imagens (“E, no topo do Universo, uma bandeira / estaria no Infinito iluminada / pela força desse amor, luz verdadeira / dessa paz tão desejada”), Roberto e Erasmo finalizam amparando-se na fé para tentar compreender os mistérios que envolvem a Criação (“As perguntas que me faço / são levadas ao espaço / e, de lá, eu tenho todas as respostas que eu pedi (...) / e a voz dos ventos na canção de Deus / responde a todas as perguntas”).

Pensamentos” suscita uma reflexão profunda sobre a existência humana — e o seu papel nesse planeta. E nada fica a dever a outras canções que tratam de questões existenciais, como “Imagine”, por exemplo. Por tudo isso, é inacreditável que tenha ficado “esquecida” pelo Rei durante tantos anos.



Ouça a versão de “Pensamentos” do CD/DVD Roberto Carlos em Jerusalém. Se desejar, veja o vídeo — cuja padrão de imagem e áudio está abaixo do desejável —, clicando aqui:


quinta-feira, novembro 01, 2012

‘Keep Moving Forward’: o ‘jingle de campanha’ de Stevie Wonder




Sete anos após o seu último álbum de inéditas — A Time To Love [2005], de onde saiu o seu hit mais recente, “From The Bottom Of My Heart” —, Stevie Wonder acaba de lançar novo single. Mas por motivos extramusicais.

Keep Moving Forward” é, despudoradamente, uma faixa de apoio à reeleição de Barack Obama [no detalhe, os dois amigos] à presidência dos Estados Unidos. Na letra (para lá de populista), Wonder, além de citar Obama nominalmente, afirma, com todas as letras, que ele é “o cara”.

Do ponto do vista musical, a canção traz o groove típico de SW, com um leve “tempero” árabe, já utilizado em faixas anteriores — e com resultados mais satisfatórios —, como “Pastime Paradise”, do clássico Songs In The Key Of Life, de 1976. 

É louvável quando um artista tem coragem de “dar a cara a tapa” e se posicionar politicamente. Mas o fato é que “Keep Moving Forward”, mero “jingle de campanha”, não fará a menor diferença na obra monumental do genial Stevie Wonder.




Veja o vídeo, com letra, de “Keep Moving Forward:


Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Madana Mohana Murari’, com Homem de Bem


O violonista, cantor e musicoterapeuta Tomaz Lima [no detalhe] — que também atende pelo nome artístico de Homem de Bem — já conta com uma discografia de vinte títulos. Tornou-se conhecido em 1992, quando a sua gravação do mantra indiano “Madana Mohana Murari” era executada diariamente, em rede nacional, na trilha sonora da novela Pedra Sobre Pedra.

E, pasmem, caiu no gosto popular (!). 

Dois anos depois, gravou a faixa que abre o CD nacional da novela Sonho Meu, o mantra “Bhaja Shiri Krishna”. E, em 2001, foi contratado pela Rede Globo para ensinar Sandy a cantar mantras para o folhetim Estrela Guia. Naquele mesmo ano, editou o álbum Mantras e Bhajans de Estrela Guia.

Vale a pena assistir o magnífico vídeo de “Madana Mohana Murari”, que — com uma certa intenção... hum, panteísta, digamos assim — apresenta belíssimas imagens de elementos da natureza.




sábado, outubro 27, 2012

‘Sorte e Azar’: a ‘nova’ música do Barão Vermelho




Comemorando 30 anos de carreira fonográfica, o Barão Vermelho decidiu colocar o pé na estrada. Na turnê, batizada de + 1 Dose — citando o verso inicial de “Por Que A Gente É Assim?”, faixa do terceiro álbum do grupo, Maior Abandonado [1984] —, a banda passará pelas principais capitais brasileiras até março de 2013.

O Barão aproveitou a efeméride para remasterizar o seu disco de estreia, Barão Vermelho [no detalhe, a capa], que será reeditado em novembro, em CD e vinil, acrescido da demo de “Nós” — que, embora tenha sido lançada somente no supracitado Maior Abandonado, foi o primeiro fruto da parceria Frejat/Cazuza — e do segundo take de “Por Aí”. No formato digital, também estará disponível a versão em espanhol (!) de “Down em Mim”. 

Durante o processo de digitalização do álbum, o Barão teve a — desculpem: foi inevitável — sorte de encontrar uma fita K7, com a voz de Cazuza, de uma canção chamada... “Sorte e Azar”. A faixa foi excluída da seleção final do primeiro trabalho do quinteto pelo finado produtor Ezequiel Neves, que se sentia desconfortável com a palavra “azar”. Na década de 1990, em entrevista à extinta revista Bizz, Frejat revelou, aos risos:

— O Ezequiel chegou a sugerir que trocássemos o título para “Sorte ou Não”.

Com esse trunfo nas mãos, o Barão entrou em estúdio e “vestiu” o canal de voz do autor de “Codinome Beija-flor” com um belo arranjo, com direito a violões, guitarras bluesy, cordas e tudo o mais. O resultado não poderia ter sido melhor. 

Na interpretação visceral e nos versos de tons nada “pastéis”, “Sorte e Azar” corrobora o que Lobão afirmou há alguns anos: Cazuza, morto, está mais vivo do que muita gente.




Veja o vídeo (com letra) de “Sorte e Azar”. Uma dica: ouça em alto e bom som, para captar bem a voz do artista. No atual cenário da música brasileira — onde tudo oscila entre o “plastificado” e a indigência total —, simplesmente não existe mais quem cante com a intensidade e a verdade de Cazuza:






Veja também o bonito vídeo que mistura imagens de arquivo de Cazuza a cenas atuais dos integrantes do Barão Vermelho no estúdio:


Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Codinome Beija-flor’, de Cazuza



“...o canal de voz do autor de ‘Codinome Beija-flor’...”




No dia 31 de julho de 1985, uma semana após a sua (turbulenta) saída do Barão Vermelho, Cazuza foi internado no Rio de Janeiro, apresentando febre de 42 graus. Na ocasião, pediu para realizar um teste de HIV, mas os imprecisos exames daquela época deram negativo. 

Durante o período que passou no hospital, o cantor recebia a “visita” de alguns beija-flores na janela do seu quarto. E isso o inspirou a escrever uma de suas mais belas — e metafóricas — letras: “Codinome Beija-flor”. 

A letra fala do fim de um relacionamento, sob a ótica mais sincera — e humana — possível: dependendo das circunstâncias da ruptura, não há, de fato, a menor condição de o casal se tornar “amiguinho”. E há um outro detalhe que chama a atenção: mais de uma década antes da popularização da internet, o poeta anteviu — e, o mais incrível, compreendeu — o que, futuramente, viria a ser chamado na web de... nick name.

Lançada no seu primeiro disco solo, epônimo [no detalhe, a capa], editado naquele mesmo ano, “Codinome...” teve a parceria do produtor Ezequiel Neves — por ter colaborado em alguns versos — e foi musicada pelo pianista e produtor Reinaldo Arias. Acompanhada por piano e adornada com cordas, a faixa revelou um Cazuza introspectivo, “desamado”. Bem diferente do enfant terrible dos tempos do Barão. 

Codinome Beija-flor” marcou o início da aproximação de Cazuza da MPB — que, ao lado do rock, o influenciou desde os tenros anos de sua infância.




Veja o vídeo do delicado — e tocante — dueto de Cazuza com Simone em “Codinome Beija-flor”, exibido originalmente no especial global Uma Prova de Amor, de dezembro de 1988, que, vinte anos depois, foi eternizado no DVD Pra Sempre Cazuza:






Veja também um vídeo gravado para o programa Clip Clip, no qual Cazuza cantou acompanhado pelo tecladista, cantor e compositor Nico Rezende, produtor de seu primeiro álbum solo:


sábado, outubro 13, 2012

‘Doom and Gloom’: a nova música dos Rolling Stones



Completando meio século de carreira este ano, os Rolling Stones celebram a data com a compilação Grrr! [no detalhe, a pitoresca capa], disponível em três ou quatro CDs — que incluem 50 ou 80 faixas, respectivamente —, e também uma edição em vinil.

Além dos clássicos stonianos de sempre, Grrr! apresenta duas inéditas: “Doom And Gloom” e “One More Shot”. A primeira, aliás, já foi lançada em single e pode ser adquirida, em formato digital, através do iTunes.

E quem imaginava que os Stones ressurgiriam burocráticos, musicalmente “envelhecidos” levará um belo susto — no melhor sentido: ao lado de “Don't Stop” [2002], “Doom And Gloom” é, por assim dizer, a melhor canção que os sexagenários gravaram no século XXI. Apesar de a letra não ser nada excepcional, o (afiado) instrumental é digno do melhor da banda. 

A produção ficou sob a batuta de Don Was, que vem trabalhando com o grupo desde o ótimo Voodoo Lounge, de 1994.

“Doom And Gloom” e “One More Shot” são as duas primeiras músicas inéditas que os Rolling Stones gravam desde o seu último álbum de estúdio, A Bigger Bang [leia a resenha aqui], de 2005. O lançamento mundial de Grrr! está previsto para o dia 12 de novembro.



Veja o (controverso) vídeo de “Doom and Gloom” — contra-indicado para pessoas “fenfíveis”:

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Mixed Emotions’, dos Rolling Stones



Na ocasião de seu lançamento, “Mixed Emotions” — primeira música de trabalho do bom Steel Wheels, de 1989 [no detalhe, a capa] — foi, para os fãs dos Rolling Stones, um sopro de ar de puro, depois de álbuns fracos como Undercover [1983] e Dirty Work [1986].

Obviamente incluída na coletânea Grrr! [saiba mais aqui], “Mixed Emotions” é uma típica — e infalível — faixa dos Stones: rock com letra tolinha, mas repleto daquela manemolência que somente eles sabem fazer. E que atinge seu clímax no refrão simples, porém arrebatador.  

É uma daquelas canções que dispensam maiores explicações. Emana pura alegria de viver*.




* Por gentileza, não levem em consideração a (injustificável) roupinha de ginástica de Mick Jagger e concentrem-se na canção. Ele bem que poderia ter passado o clipe inteiro com a guitarra na mão...



Veja o vídeo de “Mixed Emotions:


Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Moon Is Up’, dos Rolling Stones



A produção ficou sob a batuta de Don Was, que vem trabalhando com o grupo desde o ótimo Voodoo Lounge, de 1994




Em entrevista incluída nos extras do DVD quádruplo Four Flicks [2003], o guitarrista Keith Richards revelou:

— Temos verdadeiras montanhas de coisas inacabadas. Sem contar as faixas obscuras que adoramos e que gostaríamos de retomar. Mas precisaríamos ter tempo para fazer isso.

Bem, com 50 anos de carreira nas costas, podemos imaginar não apenas as (incontáveis) canções que a banda não conseguiu finalizar, como também excelentes faixas que chegaram a ser lançadas — mas que não obtiveram a visibilidade merecida. Um dos DVDs do supracitado box Four Flicks, aliás, registra um show do grupo no tradicional Olimpia, de Paris, cujo repertório é formado majoritariamente por lados B. E é excelente.

Um exemplo de “pérola perdida”, conhecida apenas pelos fãs ardorosos da banda (oi?) e que provavelmente jamais foi executada ao vivo é “Moon Is Up”, do já mencionado Voodoo Lounge [no detalhe, a capa]. Sob todos os aspectos, “Moon Is Up” é algo peculiar no repertório dos Rolling Stones: desde a guitarra “limpinha” do riff de introdução até uma surpreendente bateria eletrônica tocada por Charlie Watts, passando por pedais de timbres variados, violões e até por um igualmente inesperado solo de... acordeon (!). 

Vale destacar também a (belíssima) letra, que é puro lirismo — totalmente fora do escárnio habitual dos Rolling Stones.

Em suma, é inacreditável como “Moon Is Up” não tenha sido regravada por algum outro intérprete — ou pela própria banda — ao longo desses dezoito anos.



Veja o vídeo de “Moon Is Up” que, embora fan made, é de primeira:


Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘You Can't Always Get What You Want’, dos Rolling Stones


O óbvio ululante: “You Can't Always Get What You Want” é um dos maiores clássicos da discografia dos Rolling Stones. Ponto. Lançada inicialmente como lado B de outro clássico — a fantástica “Honk Tonk Women” —, a faixa foi posteriormente incluída em um dos melhores álbuns da banda: Let It Bleed, de 1969 [no detalhe, a capa].

Em seus quase oito minutos (!) de duração, “You Can't Always Get What You Want” passeia por vários estilos. A introdução traz um coral de igreja (!), que é sucedido por uma arranjo folk, até prosseguir em um crescendo até a bombástica segunda parte, com direito a orquestra, percussão com molho de soul music, solo de piano e por aí vai. 

Utilizando uma linguagem cifrada, a letra faz uma crítica social à Inglaterra da época — citando o exemplo do tal sr. Jimmy, um idoso que estava esperando na fila para retirar uma simples receita médica. E também fala sobre drogas e desilusão. 

Contudo, apesar de uma certa esperança (“Mas, se você tentar, / às vezes, pode encontrar o que precisa”), trata, essencialmente, da resignação que qualquer pessoa precisa ter — até mesmo por uma questão de dignidade — diante de um revés. Nesse sentido, a mensagem é transmitida de modo perfeito. Do tipo: “Na vida, não se pode vencer sempre”. Ou: “Não se pode ter tudo”. 

E é absolutamente natural que seja assim.



Ouça “You Can't Always Get What You Want:


sexta-feira, setembro 28, 2012

A influência da ópera na música do Queen




Na ocasião, a colaboração entre Freddie Mercury e a soprano catalã Montserrat Caballé — saiba mais aqui — não foi exatamente uma surpresa para os fãs do Queen. Ao longo de sua discografia, o quarteto inglês flertou várias vezes com elementos de ópera. Vejamos alguns exemplos.



Em seus quase sete minutos (!) de duração, a épica “Innuendo”, faixa-título do último álbum do Queen lançado em vida por Freddie Mercury, em 1991, é pura ambição. Além da letra de rara sensibilidade, o (inusitado) arranjo, tal qual uma peça sinfônica, apresenta vários “movimentos”: rock, música flamenca e um trecho com intrincados vocais com clara influência operística. Devido ao estado de saúde do vocalista, a banda aparece no vídeo através de imagens de outros clipes — em especial, da excelente “Breakthru” —, submetidas a efeitos de computação gráfica





A introdução de “It's a Hard Life”, de The Works [1984], cita a ópera Pagliacci* — mais precisamente, a ária “Vesti La Giubba” —, do italiano Ruggero Leoncavallo. Embora não tenha obtido o mesmo destaque de outras faixas do mesmo álbum, como “Radio Ga Ga” e “I Want To Break Free”, trata-se, sem dúvida, de uma das mais belas canções do Queen — a letra é simplesmente magnífica —, a despeito de toda a afetação de Freddie Mercury no vídeo. Por sinal, a julgar pela indumentária dos integrantes da banda, a ação do clipe se passa no tempo de Luís XV:


* Curiosamente, os Titãs citaram a mesma ópera na faixa “Ridi Pagliaccio”, do CD Domingo, de 1995 (“Ridi Pagliaccio / ridi di che? / Ridi Pagliaccio / Ridi di me”).






Naturalmente, não poderíamos esquecer da clássica “Bohemian Rhapsody” — faixa do álbum sintomaticamente intitulado... A Night At The Opera [1975] —, que permanece impactante até os dias atuais. E que dispensa comentários:


quinta-feira, setembro 27, 2012

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘One’, do U2




Voltando ao U2 — mencionado recentemente aqui e aqui: muito provavelmente a melhor e mais pungente canção de toda a trajetória do quarteto irlandês não é outra senão... “One”. 

Faixa do (ótimo) Achtung Baby [1991] [no detalhe, a capa], a letra de “One” retrata, inicialmente, um casal “discutindo a relação”, expondo suas diferenças (“Somos um / mas não somos iguais”) e fragilidades (“Um amor / uma vida / é o que alguém precisa / à noite”), utilizando, eventualmente, frases... contundentes (“Veio aqui para ressuscitar os mortos? / Veio aqui dar uma de Jesus / para os ‘leprosos’ da sua mente?”). Mas sem chegar a um consenso em momento algum.

E, surpreendentemente, se transforma em um libelo pelo Amor Universal (“Uma vida / uns com os outros / irmãs / irmãos”). Resumindo: um hino. Não é fácil imaginar que tipo de inspiração possa ter acometido um ser humano — a ponto de levá-lo a compor uma canção de tamanha intensidade.

Em seu sétimo álbum, The Breakthrough [2005], Mary J. Blige regravou a faixa, na companhia do próprio U2. Se algum de vocês não ouviu a releitura da cantora americana, não é necessário perder tempo. Algumas canções deveriam ser “tombadas” em suas versões originais. É justamente o caso da (definitiva) gravação de “One” cometida pelo U2.




Veja o vídeo de “One”, na versão do cineasta e fotógrafo holandês Anton Corbijn:





E veja também a versão da (não me canso de dizer) indescritível turnê 360º, precedida por um tocante depoimento de Desmond Tutu, Prêmio Nobel da Paz em 1984. Nas entrelinhas, o arcebispo sul-africano destaca a nobilíssima atuação da One Campaign, organização não-governamental — da qual Bono é membro e cofundador — que visa angariar fundos e medicamentos para nações em situação de pobreza extrema:  


sexta-feira, agosto 03, 2012

‘White Light’: o novo single de George Michael




O período em que George Michael [foto] esteve internado em um hospital de Viena, Áustria — vítima de uma pneumonia que quase o matou — acabou rendendo um single.

Os versos de “White Light”, a faixa em questão, aludem claramente à enfermidade do cantor, que não esconde a felicidade de não se deparar com “a luz branca” do fim. E agradece a quem rezou por ele. 

O vídeo, que não economiza na produção — GM, por sinal, costuma caprichar nos seus clipes —, tem a participação da top model Kate Moss. E a letra de “White Light” soa sincera. Mas a verdade é que, em priscas eras, George Michael já escreveu canções bem melhores...




quarta-feira, maio 16, 2012

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘My Valentine’, de Paul McCartney



Depois de Michael Jackson — com “Black Or White”, “Remember The Time” e, principalmente, “Thriller” —, o videoclip extrapolou a sua função, a princípio, meramente promocional para se tornar, de maneira inconteste, uma forma de arte.

Um exemplo recente é “My Valentine”, uma das duas inéditas do (estupendo) Kisses On The Bottom [no detalhe, a capa], novo álbum de Paul McCartney, que chegou às prateleiras em fevereiro deste ano. No vídeo, Natalie Portman e Johnny Depp “interpretam” a letra da canção, utilizando a linguagem dos sinais. 

Embora aparentemente simples, a ideia não poderia ter sido mais brilhante — não somente do ponto de vista poético, mas, sobretudo, por aproximar a faixa daqueles que, infelizmente, estão privados de ouvi-la. 


***


Em entrevista recente, Paul McCartney revelou que a inspiração para “My Valentine” surgiu durante uma viagem de férias ao Marrocos, quando uma frase pronunciada pela sua atual esposa, Nancy Shevell, acabou se transformando no primeiro verso da música: “E se choveu? / Não nos importamos”. 

Na ocasião, McCartney sentou em um antigo piano do hotel em que o casal estava hospedado e, segundo ele, “a canção saiu praticamente de uma só vez”.


***


Curiosidade: apesar de a gravação contar com a (impecável) participação de ninguém menos que Eric Clapton no violão de nylon, é realmente Johhny Depp quem executou, no vídeo, o solo de violão. Para quem não sabe, o ator também é músico, tendo, entre outras colaborações, tocado slide guitar em “Fade-In-Out”, faixa do terceiro álbum do Oasis, Be Here Now, de 1997.




Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Only Our Hearts’, de Paul McCartney



“...uma das duas inéditas do (estupendo) Kisses On The Bottom, novo álbum de Paul McCartney...”



A outra faixa inédita do mais recente CD do ex-Beatle é “Only Our Hearts”, cuja ficha técnica tem um convidado (mais do que) especial: Stevie Wonder [no detalhe, a dupla de gênios], na companhia de sua inconfundível harmônica, exatos 30 anos após o belíssimo dueto em “Ebony And Ivory”.

O repertório de Kisses On The Bottom — cuja direção musical foi assinada pela cantora, pianista e compositora canadanese Diana Krall, que também “emprestou” a sua banda para a gravação do disco — é formado por standards americanos dos anos 20, 30 e 40. E os dois originais de McCartney estão irrepreensivelmente conectados a essa estética — como ocorrera em Run Devil Run, de 1999, no qual o baixista incluiu três autorais inéditas em meio a releituras de rocks da década de 1950.




quinta-feira, março 29, 2012

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Meu Amigo, Meu Herói’, com Zizi Possi



A singela “Meu Amigo, Meu Herói” foi um “presente” de Gilberto Gil a Zizi Possi, que a gravou em seu terceiro álbum, epônimo, editado em 1980. Naquele mesmo ano, integrou a trilha sonora da novela Plumas & Paetês. No entanto, curiosamente, Gil jamais a incluiu em nenhum disco seu.

Por razões familiares, esta canção sempre me comoveu sobremaneira. E, no dia de hoje, sua menção se faz mais do que oportuna.




Veja o vídeo da gravação original de “Meu Amigo, Meu Herói”, cantada por Zizi Possi — que este vosso amigo considera a mais bela voz feminina brasileira viva...




...e também a versão de Caetano Veloso, extraída do especial de TV Grandes Nomes, de 1981. Curiosidade: no colo de Renato Aragão, ainda criança, está Moreno Veloso, filho de Caetano:

quinta-feira, março 08, 2012

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Woman’, de John Lennon



Há um detalhe raramente observado — e, consequentemente, pouco comentado — na belíssima “Woman”, na qual John Lennon homenageou sua esposa, Yoko Ono — e, por tabela, as demais mulheres do planeta. 

Na introdução da faixa — mais precisamente em 0:03 do vídeo abaixo —, o ex-beatle sussurra a “dedicatória”: “For the other half of the sky” (“Para a outra metade do céu...”). Esta frase nada mais é do que um antigo provérbio chinês, utilizado certa vez pelo ditador Mao-Tse-tung. E traduz o quão... hum, celestial Lennon considerava Yoko e suas congêneres. 

Em sua última entrevista, concedida à *Rolling Stone americana em 05 de dezembro de 1980  três dias antes de seu assassinato  e publicada na edição de janeiro da revista, Lennon classificou “Woman” como a “versão adulta” de “Girl”, pérola de Rubber Soul, que os Fab Four editaram em 1965. A canção foi lançada no (bom) álbum Double Fantasy [1980], seu derradeiro trabalho.



* Na famosa — e ousada — foto de Annie Leibovitz que ilustrou a capa da Rolling Stone de janeiro de 1981 [no detalhe], Lennon aparece nu, em posição fetal, simbolizando a sua “fragilidade” diante de Yoko Ono, a quem chamava de... “mãe” (!). O conceito da foto foi idealizado pelo músico. Sincera, a fotógrafa tentou argumentar que “as pessoas não querem ver Yoko na capa”. John, contudo, fez prevalecer a sua decisão.



Veja o vídeo de “Woman”. Na letra de rara sensibilidade, Lennon não se constrange em reconhecer a “criancinha” que “existe dentro do homem”:


sexta-feira, março 02, 2012

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Let Your Soul Be Your Pilot’, de Sting



Com seu jeitão gospel e belas imagens, “Let Your Soul Be Your Pilot” — do álbum Mercury Falling [1996] — é uma das mais interessantes letras já escritas por Sting [foto]. Um ouvinte menos atento pode classificá-la como uma mera mensagem de incentivo, de encorajamento a alguém que está desnorteado (“se a bússola gira / para nenhum lugar que você conheça bem...”)

Entretanto, bem ao estilo do ex-Police — ou seja, longe de qualquer obviedade —, trata-se, na verdade, de uma canção... romântica. A explicação está nos versos: 


Deixe que a sua dor seja o meu sofrimento
Deixe que as suas lágrimas sejam minhas também...”


Afinal, que prova de amor pode ser mais eloquente do que assumir a dor da pessoa amada — para que esta não sofra?




quarta-feira, fevereiro 08, 2012

R. I. P. Wando



Desde o dia 27 de janeiro, quando Wando foi internado em Minas Gerais devido a problemas cardíacos, torci pelo seu restabelecimento. E não apenas por razões humanitárias: sempre nutri sincera admiração pelo seu trabalho.

Por puro preconceito, nem todos admitem. Contudo, naquilo que se propunha a fazer — música assumidamente popular, com doses generosas de erotismo, mas sem jamais perder de vista o romantismo —, Wando era muito bom. Suas canções eram, acima de tudo, sinceras. E, justamente por isso, atingiam facilmente a sensibilidade de seu público.

Vale registrar que grandes nomes da música brasileira reconheceram o valor artístico de Wando, regravando suas composições. Exemplos: Caetano Veloso (“Moça”), Nando Reis (“Fogo e Paixão”, o maior sucesso da carreira de Wando) e até... Roberto Carlos (a delicada “A Menina e o Poeta”), entre outros.

Reza a lenda que, em casa e nos ensaios, Antonio Carlos Jobim gostava de cantar canções de outros autores, por pura diversão. Uma de suas escolhidas era “Mentiras”, de Adriana Calcanhotto. E outra era... a belíssima “Coisa Cristalina”, de Wando.

Descanse em paz, Wando.




Ouça “Coisa Cristalina”, que o artista compôs inspirado em um amigo igualmente apaixonado pela esposa e pela... cocaína...




...e “Tá Faltando um Abraço”:

terça-feira, janeiro 31, 2012

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘This Happy Madness (Estrada Branca)’, com Frank Sinatra & Antonio Carlos Jobim



Regravada por Edu Lobo no ótimo Meia Noite, a letra original de “Estrada Branca”, de Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes — lançada em 1957 por Elizeth Cardoso no clássico Canção do Amor Demais — é triste de doer. Já “This Happy Madness”, a versão anglófona gravada em Sinatra & Company [1971] – com participação de Jobim –, curiosamente, é o oposto. O próprio título já entrega.

A destacar, além da emissão vocal perfeita de Frank Sinatra e do belo arranjo, a intervenção de Antonio Brasileiro no inconfundível “ô, dandá / ô, dandá” — o que será que os americanos pensaram quando ouviram isso? —, que seria citado, pelo próprio Tom, cinco anos depois, na sua obra-prima “Correnteza”, do álbum Urubu.



Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Beatriz’, com Antonio Carlos Jobim



Originalmente lançada em 1983, a trilha sonora do musical O Grande Circo Místico — composta por Edu Lobo e Chico Buarque — foi reeditada em 2009 pela Biscoito Fino, por ocasião de seus 25 anos de lançamento. E esta reedição trouxe uma preciosa faixa-bônus: uma gravação instrumental (inédita) de “Beatriz”, gravada por ninguém menos que... Antonio Carlos Jobim, acompanhado somente pelo violino de João Daltro.

Depois de “dividir os holofotes” com a magnífica letra de Chico Buarque durante todos estes anos no registro impecável de Milton Nascimento, a melodia de Edu Lobo brilhou solitariamente na versão de Jobim — que é capaz de emocionar até mesmo... uma pedra.

Curiosidade: a viúva do Maestro Soberano chama-se Ana Beatriz Lontra Jobim.