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quinta-feira, novembro 19, 2009

Sting: quando o inverno chegar...


CD
If On A Winter's Night... (Deutsche Grammophon / Universal Music)
2009



Ex-Police mostra-se introspectivo em ‘If On A Winter's Night...’, seu novo CD solo


Após ter reativado, para surpresa geral, o The Police – naquela que foi a mais turnê lucrativa turnê mundial de 2007/2008 –, Sting ressurge, agora barbudo, e com um novo CD solo. E mantendo, coerentemente, o velho hábito de fazer exatamente aquilo que não se espera dele.

Em If On A Winter's Night..., o músico dedica-se inteiramente ao inverno – sua estação do ano predileta –, em um trabalho em que o formato pop rock simplesmente... inexiste. “O inverno, como temática, é rico em material e inspiração”, declarou recentemente.

O disco chega às prateleiras através do selo clássico Deutsche Grammophon – com edição nacional via Universal Music –, a exemplo de seu antecessor, Songs From The Labyrinth (2006), considerado o mais bem sucedido álbum de alaúde da história.

De modo introspectivo, o baixista mergulha na tradição britânica, em temas como “The Snow It Melts the Soonest” – balada de Newcastle, sua cidade natal, situada no norte da Inglaterra – e “Gabriel's Message”, que data do século XIV. Também há espaço para adaptações de peças clássicas, como “Der Leiermann”, do austríaco Franz Schubert, que tornou-se “The Hurdy-Gurdy Man”.

Apenas dois temas são verdadeiramente autorais: a boa “The Hounds of Winter”, originalmente gravada em Mercury Falling, de 1996, e “Lullaby For An Anxious Child”, lado B do single “You Still Touch Me”, do mesmo ano.

You Only Cross my Mind in the Winter”, apesar de letrada por Sting, é, na verdade, um tema do compositor alemão Johann Sebastian Bach. De modo inverso, o compositor de “Roxanne” musicou, em parceria com a harpista escocesa Mary Macmaster, “Christmas At Sea”, poema de Robert Louis Stevenson, autor de O Médico e o Monstro e A Ilha do Tesouro.

If On A Winter's Night... poderá agradar àqueles que aprenderam a apreciar o lado... hum, erudito do ex-Police. Entretanto, os que preferem o Sting pop de “If I Ever Lose My Faith In You” deverão manter distância desse CD – ainda que o mesmo “cresça” a cada audição. Com este álbum, o músico parece querer afirmar que, artisticamente, não se considera “refém” de nada: nem de seu antigo trio, nem de seus sucessos solo. E nem de qualquer coisa que “limite” a sua música.


P.S.: Vale lembrar que, apesar de ter se mantido na ativa durante todo esse tempo, Sting editou o seu último álbum de canções inéditas, Sacred Love, em 2003...

Sting: ‘globalização’ na ficha técnica

If On A Winter's Night... “nasceu” na cozinha da casa de Sting [foto], uma villa de 600 acres situada na região da Toscana, na Itália, onde o artista reside há mais de uma década. Inclusive, a dobradinha CD/DVD ao vivo ...All This Time, de 2001, foi gravada lá.

Para acompanhá-lo na empreitada, foram convidados instrumentistas de diferentes nacionalidades: a harpista escocesa Mary Macmaster; o trompetista libanês Ibrahim Maalouf; o violoncelista francês Vincent Ségal; o guitarrista argentino Dominic Miller – que trabalha com o ex-Police desde 1991; o violinista Daniel Hope; além da violinista Kathryn Tickell e de Julian Sutton (melodeon), músicos originários de Newcastle, cidade onde Sting nasceu.

If On A Winter's Night... também conta com as participações especiais do duo inglês Webb Sisters, do trompetista americano Chris Botti e do percussionista brasileiro Cyro Baptista.

‘Songs From The Labyrinth’

(...) seu antecessor, Songs From The Labyrinth (2006), considerado o mais bem sucedido álbum de alaúde da história.

(“Sting: quando o inverno chegar”)


Mesmo não tendo sido um CD de inéditas [saiba mais aqui], Songs From The Labyrinth [no detalhe, a capa] foi o disco de estúdio anterior a If On a Winter's Night...

No repertório, canções do compositor elizabetano John Dowland (1563-1626), estruturadas na sonoridade do alaúde. O bósnio Edin Karamazov dividiu com Sting a execução do instrumento neste trabalho.

Leia a resenha completa de Songs From The Labyrinth clicando aqui.


***


No século XV, o alaúde [abaixo] era considerado o “instrumento-rei”, desfrutando de enorme popularidade na Europa.

Com suas 23 cordas – e muito semelhante à cítara indiana –, caiu em desuso por volta de 1800, dando lugar a instrumentos de teclas.


Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘If I Ever Lose My Faith In You’, de Sting

(...) o Sting pop de “If I Ever Lose My Faith In You...




Depois de um álbum denso e melancólico como The Soul Cages (1991) – gravado ainda sob o impacto do desaparecimento de seu pai –, Sting reapareceu, dois anos depois, surpreendentemente pop com “If I Ever Lose My Faith In You”.

Originalmente lançada no CD Ten Summoner's Tales [no detalhe, a capa], a faixa esbanja alto astral, apesar do ceticismo da letra (“Você diria que perdi minha fé na Ciência e no progresso / você diria que perdi a crença na Santa Igreja. / (...) Você diria que perdi a confiança em nossos políticos / para mim, todos eles se parecem animadores de auditório”).

Em suma, a canção afirma que a estabilidade emocional é a melhor - ou, talvez, a única - forma de se “refugiar” do cinismo do mundo moderno. Destaque para o clipe, com suas belas imagens épicas.



Veja o vídeo de “If I Ever Lose My Faith In You:

O sagrado (e multifacetado) amor de Sting

...Sting editou o seu último álbum de canções inéditas, Sacred Love, em 2003...

(“Sting: quando o inverno chegar...”)


O mais recente álbum de inéditas de Sting, Sacred Love, de 2003 (!), causa algum estranhamento nas primeiras audições, devido à eletrônica utilizada em faixas como “Forget About The Future” e, principalmente, “Never Coming Home”.

Mas o ouvinte mais atento logo percebe que, em meio aos sequenciadores, há elementos nada usuais nas pistas de dança como o violão flamenco – cortesia do espanhol Vicente Amigo em “Send Your Love” –, bongôs marroquinos e improvisos de jazz.

O que faz concluir que Sting, obviamente, jamais se permitiria cair na... obviedade.

Nas letras, o bom nível de sempre, desde a tensa e claustrofóbica “Inside” (“Aqui dentro, está mais frio do que nas estrelas / Aqui dentro, os cães estão uivando”), que abre os trabalhos, passando pela raivosa “This War”, até a otimista faixa-título, que fecha o CD.

A delicada “Dead Man's Rope” menciona “dor”, “vazio”, “raiva” e “angústia” e, depois, a “doce chuva do perdão”, através do “amor de Jesus”. E cita “Walking In Your Footsteps”, de Synchronicity, último trabalho do Police. Já os engenhosos versos de “Stolen Car (Take Me Dancing)” contam a estória do sujeito que rouba o carro de um ricaço, e enquanto dirige, começa a se imaginar na vida do dono do veículo.

The Book Of My Life”, belíssima, usa a metáfora de um livro – no caso, Fora do Tom, a ótima autobiografia do cantor – para refletir sobre a vida: “Porque o fim é um mistério, que ninguém consegue ler / no livro de minha vida.” E traz a boa participação da citarista Anouskha Shankar – sim, filha de Ravi Shankar, o homem que, indiretamente, introduziu os sons indianos na música dos Beatles.

O ponto alto do disco, entretanto, é o soul “Whenever I Say Your Name”, dueto com Mary J. Blige.

Sacred Love, de um modo geral, é um bom álbum. Mas já se passaram seis anos desde o seu lançamento. De onde se conclui que passou da hora de Sting providenciar o seu sucessor...



P.S.: Devido à fria recepção à eletrônica de Sacred Love, o ex-Police regravou, ao vivo, todas as faixas do álbum no DVD Inside The Songs Of Sacred Love – mas excluindo dos arranjos os sequenciadores, e dando mais ênfase ao jazz. E, cá para nós, as canções soaram bem melhores assim...



Veja o vídeo de “Whenever I Say Your Name”, com Sting e Mary J. Blige:

Mary J. Blige

A supracitada Mary J. Blige [foto] possui dez álbuns em seu currículo.

Além da mencionada colaboração com Sting, a americana já participou de duetos com Elton John – a (fraca) versão ao vivo de “I Guess That's Why They Call It The Blues” – e George Michael – a excelente gravação de “As”, clássico de Stevie Wonder.


Veja “I Guess That's Why They Call It The Blues”, com Elton John e Mary J. Blige:




E o interessante vídeo de “As”, dueto da cantora com George Michael:

Sting e o ‘outono’

...a boa ‘The Hounds of Winter’, originalmente gravada em Mercury Falling, de 1996...





Mercury Falling [no detalhe] foi o álbum que Sting editou em 1996 – cuja faixa inicial era “The Hounds of Winter”, em versão superior à regravada pelo músico em seu recém-lançado trabalho, If On a Winter's Night....

Gravado em um período de suposta “crise de meia-idade” do ex-Police, o CD mostra desencanto já na foto da capa, que flagra o músico com um semblante de quem está atolado em dívidas...

Em entrevista da época, Sting declarou: “Tenho que aceitar a ideia de que estou ficando velho. E que vou morrer.” O próprio título do disco menciona, ainda que de forma metafórica, o “crepúsculo”: o mercúrio (do termômetro) descendo. A temperatura caindo. O outono. O ocaso.

Entretanto, as canções do álbum, curiosamente, não transparecem essa melancolia. Pelo contrário: há temas bastante “otimistas”, como o pseudo-gospel “Let Your Soul Be Your Pilot” – que foi o primeiro single de trabalho – e a pop “You Still Touch Me”.

Apesar de apresentas faixas menos inspiradas – como “Twenty-Five To Midnight” e o reggae placebo “All Four Seasons” –, o CD está repleto de bons momentos. Exemplos: a celta “Valparaiso” e a curiosa bossa nova em francês “La Belle Dames San Regrets”, cuja introdução é algo... hum, “sambista”, com direito à cuíca (!).

No quesito letra, Sting continuou à margem do superficial. A narrativa de “I Hung My Head”, presumivelmente ambientada no século XVIII, fala sobre um indivíduo que, disparando seu rifle a esmo contra uma colina, atinge acidentalmente – e fere de morte – um cavaleiro. Julgado, acaba condenado à guilhotina. Foi gravada de modo pungente pelo lendário Johnny Cash no CD American IV: The Man Comes Around, de 2002.

Já o country “I'm So Happy I Can't Stop Crying” fala sobre um homem cuja esposa o abandonou (“Ela aparece para perguntar como estou. Diz: ‘Você está bem? Estou preocupada com você. Você me perdoa? Quero que seja feliz’.”). E que, passada a tristeza inicial, aceita a separação (“Algo me fez sorrir / algo parece aliviar a dor / algo sobre o Universo / e como está tudo conectado”). Em 1997, recebeu uma versão do americano Toby Keith, com participação do próprio Sting.

Contudo, o ponto alto do disco, é a abrasileiradaI Was Brought To My Senses”, dona de versos “existencialistas” (“Pela primeira vez, vi a obra Divina / na linha onde as colinas se encontram com o céu”) e belas imagens (“Seríamos como a lua e sol /e, quando a nossa delicada dança no céu houvesse terminado seu curso, / então repousaríamos juntos”).

Mercury Falling termina com uma mensagem de esperança na rural “Lithium Sunset”* (“Tenho estado amedrontado / tenho estado despedaçado / (...) mas ficarei melhor”). O verso final, todavia, não deixa de constatar: “Vejo o mercúrio descendo...



* “Lithium Sunset” – “Crepúsculo de Lítio”. O lítio é o mais conhecido “estabilizador de humor”, amplamente utilizado na prevenção de crises depressivas e bipolares.




Veja o vídeo de “I Was Brought To My Senses:



E também “The Hounds Of Winter”, com participação do violoncelista brasileiro Jacques Morelenbaum:

Em seu novo livro, Stewart Copeland fala sobre o Police

O (estupendo) baterista do Police, Stewart Copeland [foto], 57 anos, acaba de lançar um novo livro. Espécie de “diário de viagens”, Strange Things Happen, inclui relatos de escapadas de leões no Congo e até vitórias em partidas de pólo contra o Príncipe Charles.

Mas Copeland não poderia deixar de falar sobre os (turbulentos) bastidores da turnê de seu famoso trio. Em entrevista recente, o americano falou sobre a provável reação de Sting ao livro:

– Não consigo imaginar que ele [Sting] vai lê-lo. Ele nunca assistiu ao meu filme [nota: o DVD Everyone Stares: The Police Inside Out]. Ele vai ler todas as partes do livro, exceto as que são sobre ele. Ele é completamente alérgico a ler qualquer coisa sobre ele, ou ver fotos deles.

E aproveita para desmitificar:

– Sting não tem nada disso [de egocentrismo]. Ele não é aquele cara que muita gente pensa. É uma pessoa sem um pingo de afetação, a pessoa menos vaidosa que você poderia imaginar. Ele é real – pura música. E também melancolia. Ele nasceu com uma química cerebral que não faz dele um cara feliz. Mas acho que é dessa melancolia que vem a sua grande arte.

Sobre um novo CD do Police, Copeland foi sincero:

– Um novo álbum, provavelmente não. Odeio entrar no estúdio para gravar bateria. E a versão mais dolorosa de algo que eu já odeio fazer é entrar no estúdio com o Police. É incrível subir no palco com aqueles dois filhos da mãe – eles são monstros da música. Mas entrar no estúdio sem aquelas 80.000 pessoas vibrando com a gente é um verdadeiro inferno...

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Primavera (Vai Chuva)’, com Tim Maia

Ah, sim: a canção citada no título da resenha do CD novo de Sting é a comovente “Primavera (Vai Chuva)”, de Genival Cassiano e Sílvio Rochael.

Lançada por Tim Maia [foto] em seu primeiro álbum, epônimo, de 1970, a faixa mantém o seu encanto inalterado – mesmo depois de quase quatro décadas (!).

E, cá para nós, o “Síndico” é um artista que faz muita, muita falta...



Veja o vídeo de “Primavera (Vai Chuva)”, com Tim Maia:


Sting e o Brasil

A ligação de Sting com o Brasil teve início na segunda metade da década de 1980.

Na ocasião, o músico engajou-se em uma campanha pela preservação da Amazônia, levando, inclusive, o cacique Raoni [foto] para a sua turnê europeia – o que rendeu muitas chacotas para ambos. Até de “CD player do Sting” o pobre indígena foi chamado...

Na entrevista de divulgação de seu show no Natura Nós – About Us, o inglês declarou-se fã de Gilberto Gil e Caetano Veloso, além de Antônio Carlos Jobim, é claro.

Com Jobim, aliás, Sting gravou uma belíssima versão de “How Insensitive (Insensatez)”, lançada no último álbum do Maestro Soberano, Antônio Brasileiro, de 1994.


***


Em sua autobiografia, Fora do Tom, Sting conta que o Police, no momento da assinatura do contrato com a A&M Records – o primeiro da carreira do trio –, recebeu autorização do diretor da companhia para retirar no depósito da gravadora, “como cortesia”, os discos que desejasse.

O baixista não teve dúvida: apanhou a discografia completa de Antônio Carlos Jobim...



Veja o vídeo de “How Insenstive (Insensatez)”, com Antônio Carlos Jobim e Sting:

Sting no Brasil


Por sinal, no próximo sábado, 21, Sting [em foto de Ivan Milutinovio, da agência Reuters] realizará o show de encerramento do festival Natura Nós – About Us, na Chácara do Jockey, em São Paulo.

Para surpresa geral, o baixista já avisou que, no set list, não haverá nenhuma canção (!) de seu CD novo, If On A Winter's Night.... Acompanhado por sua banda – “de rock”, como fez questão de frisar – ele tocará clássicos do Police e sucessos de sua carreira solo.

A considerar a sua recente apresentação no Uzbequistão, este é o provável roteiro:



* “If I Ever Lose My Faith In You
* “Message In A Bottle
* “Englishman In New York
* “Synchronicity II
* “Every Little Thing She Does Is Magic
* “If You Love Somebody Set Them Free
* “Fields Of Gold
* “Driven To Tears
* “Seven Days
* “Walking On The Moon” / “Tea In The Sahara
* “Shape Of My Heart
* “Wrapped Around Your Finger
* “Bring On The Night” / “When The World Is Running Down
* “Roxanne
* “Desert Rose
* “King Of Pain
* “Every Breath You Take

Bis:

* “Fragile

terça-feira, agosto 11, 2009

Inverno: inspiração para o novo CD de Sting

Terminada a turnê do Police – a mais lucrativa no ano de 2008 -, Sting* [no detalhe] já prepara um novo CD solo. O sucessor de seu trabalho mais recente, Songs from the Labyrinth – disco de alaúde que chegou às prateleiras em 2006 –, se chamará If On a Winter's Night....

Em seu site oficial, o baixista afirmou que o inverno é a sua estação favorita. E essa foi a sua inspiração para esse álbum, cujo repertório será estruturado em temas tradicionais do cancioneiro britânico como “A Soalin'”, “Gabriel's Message” e “The Snow It Melts the Soonest”, entre outros.

Sting também incluirá duas canções autorais: “The Hounds of Winter”, gravada originalmente no (bom) álbum Mercury Falling, de 1996, e “Lullaby for an Anxious Child”, lado B do single You Still Touch Me, do mesmo ano.

A exemplo de seu antecessor, If On a Winter's Night... será editado pelo selo alemão Deutsche Grammophon. O lançamento está previsto para o dia 26 de outubro desse ano, finalzinho de outono no Hemisfério Norte.


* Tire essa barba, meu filho...

Newcastle: rebaixado

Por falar em Sting: é bem provável que o ex-baixista do The Police não tenha gostado nadinha de ver o seu time de coração, o Newcastle [no detalhe, a camisa] sendo rebaixado.

Apesar de ter em seu elenco bons jogadores como o atacante Michael Owen – que acabou se transferindo recentemente para o Manchester United –, o clube do norte do país teve um desempenho pífio na última Premier League.

Resultado: na temporada 2009/2010, o time disputará a segunda divisão inglesa, mais conhecida como Cola-Cola Championship.

quinta-feira, junho 04, 2009

O Imperador e a Muralha


É provável que nem todos saibam por que o atacante Adriano, atualmente no Flamengo, é chamado de “Imperador”. O jogador recebeu esse apelido em referência ao imperador romano Públio Élio Trajano Adriano, mais conhecido pela construção da Muralha que leva o seu nome [no detalhe].

Localizada no norte da Inglaterra, próxima à atual fronteira com a Escócia, a Muralha de Adriano foi erguida quando o monarca percebeu que a expansão territorial do Império Romano era algo absolutamente inviável. Dessa forma, ficaria estabelecido que aquele local seria o limite ocidental do reino.

A Muralha também servia para proteger os domínios do Império da ação de invasores.


***


Em 1991, Sting compôs uma canção, “All This Time”, do álbum The Soul Cages, que cita a Muralha:


As professoras nos disseram
que os Romanos construíram esse lugar -
eles ergueram a Muralha e o Templo
no limite da Cidade-fortaleza do Império
.


Apesar do clipe “engraçadinho”, “All This Time” é uma canção de versos densos, que mencionam também o Novo Testamento (“Abençoados são os pobres / porque herdarão a Terra. / É melhor ser pobre / do que um gordo no buraco de uma agulha.”). Sting a compôs em homenagem a seu pai, que falecera no ano anterior.

Em entrevista, o ex-Police relembrou:

– Quando compus as canções de The Soul Cages, meu pai havia falecido há pouco tempo – e, no ano anterior, eu já havia perdido a minha mãe. E eu estava completamente obcecado pelas lembranças de minha infância e adolescência, que acabaram retratadas nas letras do disco. Hoje, vejo isso como uma forma inconsciente de tentar “resgatar” a presença de meus pais.

Detalhe: Sting nasceu na pequena cidade de Wallsend, no norte da Inglaterra, cujo nome significa... “fim da muralha”. Saiba mais aqui.



Confira aqui a letra e o vídeo de “All This Time”:

segunda-feira, dezembro 01, 2008

The Police: ‘Certifiable’

O Police, aliás, terá a sua bem-sucedida The Reunion Tour – que, como sabem, passou pelo Brasil, há exatos doze meses, em um memorável show no Estádio do Maracanã – registrada em CD e DVD.

Gravado durante apresentação na Argentina (hum... grato pela parte que me toca), Certifiable – Live in Buenos Aires, trará 14 músicas no CD, e 19 no DVD – ou seja, a íntegra do espetáculo.

Já estou no aguardo.


P. S.: No exterior, ainda haverá uma versão em blu-ray. Ê, civilização....

Sting surpreende mais uma vez

E por falar em Sting: no detalhe, uma das fotos de divulgação da ópera-rock Welcome To The Voice, de autoria de Steve Nieve e Mureil Teodori.

O espetáculo foi encenado no Théatre du Chatelet, em Paris, entre os dias 20 e 25 do mês passado, tendo sido protagonizado por ninguém menos que... sim, ele mesmo: Sting.

O ex-baixista do Police contracenou com seu filho Joe Sumner, de 21 anos, vocalista da banda Fiction Plane – e que guarda enorme semelhança física com o pai. O multifacetado Elvis Costello também integrou o elenco.



O cartaz do espetáculo

Da série ‘Frases’: Friedrich Nietzsche

Tudo aquilo que não me mata... fortalece-me.”



Nem todos sabem que essa frase – hoje tão “batida” no Orkut quanto a infeliz “falar de mim é fácil; difícil é ser eu” – foi, na verdade, proferida pelo filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844 — 1900).


Antes de a mesma cair na vulgaridade, até mesmo Sting a citou em “Ghost Story” (do CD Brand New Day, 1999), uma de suas canções que mais gosto: “What did not kill me/ just made me tougher”. Qualquer hora, eu a coloco na série “São Boitas as Canções”. Essa merece.

segunda-feira, outubro 06, 2008

‘Bossa Nova’

Bem, voltemos aos assuntos jobinianos. No início desse ano, a Globo exibiu novamente Bossa Nova (2000), com direção de Bruno Barreto, estrelado por Antônio Fagundes e pela atriz americana Amy Irving, esposa do diretor. Eu já havia visto esse filme. Mesmo assim, assisti mais uma vez. E com igual prazer.

Para ser franco, nem tanto por causa do filme em si – uma comédia romântica com uma leveza típica do gênero, com uma boa fotografia. O que me seduziu na película foi a maneira... digamos, charmosa como o Rio de Janeiro foi retratado.

(Charme esse que, por sinal, não existe mais. Falaremos sobre isso outra hora.)

Mas, em especial, a trilha sonora, composta em sua maioria por pérolas de Antônio Carlos Jobim executadas pelo craque Eumir Deodato. Destaque também para a cena de um funeral (não direi de qual personagem, para não transformar esse post em um spoiler), cuja música de fundo é a ótima versão de “How Insensitive (Insensatez)” que Jobim gravou em seu último álbum, Antônio Brasileiro (1994), com participação de Sting.

Resumindo: vale a pena assistir Bossa Nova. Mas, principalmente, correr atrás da trilha sonora do filme.

quarta-feira, março 19, 2008

The Police: para finalizar o assunto


Escrevi mais sobre o Police nos últimos meses do que na minha vida inteira. É natural, creio. Guardadas as devidas proporções, um beatlemaníaco teria o mesmo entusiasmo diante de uma turnê mundial do quarteto de Liverpool - se os quatro estivessem vivos, obviamente.

De qualquer forma, para finalizar esse assunto, gostaria de aprofundar algo que abordei de maneira superficial na matéria (gigantesca) que escrevi sobre o show do Maracanã, publicada na mais recente edição do IM [ver dois posts abaixo]: sobre a tal “desaceleração” de algumas canções executadas na turnê.

Para mim, são dois os motivos: a) idade, claro (os caras não são mais crianças); b) o amadurecimento dos três como músicos. A Legião Urbana é um bom exemplo disso: apenas sete anos separam a visceral “Geração Coca-Cola” da densa e progressiva “Metal Contra as Nuvens”.

O Police, da mesma forma, evoluiu, em apenas cinco anos, de uma faixa punk como “Next To You” para o detalhismo de uma “Wrapped Around Your Finger” - cuja letra, aliás, é fantástica.

A ótima “Murder By Numbers”, faixa que encerra Synchronicity, quinto e último álbum do trio, já dava (com sua guitarra jazzy) uma pista de como poderiam soar os futuros trabalhos da banda, se não tivesse havido a ruptura.

“Get Up Stand Up”

Tenho em casa discos de reggae, ska, dub e afins - embora, para ser franco como sempre, não os ouça com freqüência. Na minha modesta opinião, se o sujeito deseja atuar no jornalismo musical sem, pelo menos, conhecer os ritmos jamaicanos... só pode estar de brincadeira.

Mas sei que muita gente detesta tudo isso. E entendo perfeitamente os motivos: a questão da “apologia”, etc e tal. Reconheço que, de certa forma, eu partilhava da mesma opinião. Hoje, no entanto, vejo que é perfeitamente possível apreciar a música sem qualquer associação à marijuana - da qual, faço questão de frisar, jamais fui adepto.

No entanto, mesmo aqueles que não podem nem ouvir falar em reggae deveriam estar no Maracanã, no dia da apresentação do Police. A música de introdução do show era “Get Up, Stand Up”, na poderosa gravação original de Bob Marley [foto] e os Wailers.

E vamos combinar: aquilo tem uma força que nem o maior detrator da filosofia rastafari pode negar.