quarta-feira, julho 19, 2006

Links de julho

Seguem abaixo links para downloads de trechos (notem bem: trechos) de algumas canções dos CDs que resenhei no IM de julho. Espero que gostem.


Ouça: "Renata Maria", Chico Buarque.

Ouça: "What a Fool Believes", Doobie Brothers.

Ouça: "Seguindo Estrelas", Paralamas do Sucesso.

Ouça: "Mad About You", Sting.

Ouça: "É Assim Que Se Faz", Marcelo D2:

IM: edição de julho/2006



No IM - INTERNATIONAL MAGAZINE desse mês, destaque para o recém-lançado Stadium Arcadium, do Red Hot Chili Peppers; o furioso Living With War, de Neil Young; o CD ao vivo d Fernanda Abreu, e muito +.

Além disso, artigos meus sobre o novo disco d Chico Buarque; as duas compilações d Sting; Perfil, dos Paralamas do Sucesso; as coletâneas Disco Music e Pop Songs: Songs & Piano; e Meu Samba é Assim, d Marcelo D2.

Já nas bancas.

terça-feira, julho 18, 2006

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Poema’, com Ney Matogrosso


Certa vez, li uma entrevista de Lucinha Araújo, mãe de Cazuza [no detalhe], na qual ela dizia que, apesar da porra-louquice do poeta, ele era extremamente apegado à sua família.

Assim como eu.

Anos depois, conheci, muito tardiamente, a brilhante gravação de Ney Matogrosso (a quem, aliás, admiro profundamente) de "Poema", uma letra de Cazuza que foi dada por Lucinha para que Roberto Frejat musicasse - e essa foi a última parceria póstuma da dupla. Nesse mesmo dia, conheci a história dessa letra: esse foi um poema (daí o título) que Cazuza escreveu aos 17 anos d idade para a sua avó paterna.

Identifiquei-me muito com essa canção. Porque, a exemplo dele, sempre fui bastante apegado à minha avó paterna - uma mãe para mim. De modo que as coisas que são ditas nessa letra... eu assinaria embaixo, sem sombra de dúvida. Há um determinado momento em que todo mundo se sente que "perdeu ou está perdendo alguma coisa morna e ingênua - que vai ficando no caminho..."

Sendo assim, muito respeitosamente, eu gostaria de tomar emprestado esses versos do poeta para homenagear a minha avó paterna - que nesse mês de julho completa um ano de falecimento. Portanto, com amor e saudade, transcrevo abaixo, na íntegra, a letra da canção.


Poema
(Frejat - Cazuza)


CD Olhos de Farol, 1999, Ney Matogrosso.


Eu hoje tive um pesadelo e levantei atento, a tempo.
Eu acordei com medo e procurei, no escuro,
alguém com seu carinho
e lembrei de um tempo.

Porque o passado me traz uma lembrança
do tempo que eu era criança.
E o medo era motivo de choro
desculpa para um abraço ou consolo.

Hoje eu acordei com medo, mas não chorei
nem reclamei abrigo.
Do escuro, eu via um infinito sem presente, passado ou futuro.

Senti um abraço forte - já não era medo:
era uma coisa sua que ficou em mim

e que não tem fim.

De repente, a gente vê que perdeu (ou está perdendo)
alguma coisa morna e ingênua
que vai ficando no caminho - que é escuro e frio
mas também bonito, porque é iluminado
pela beleza do que aconteceu...

...há minutos atrás.



Ouça aqui a bela gravação de Ney Matogrosso de "Poema".

domingo, julho 02, 2006

Lulu Santos: prévia do novo CD

Em seu site oficial, Lulu Santos dá uma prévia do q será o seu novo CD, ainda sem título, a ser lançado agora no segundo semestre. O cantor disponibilizou quatro músicas: "Parabéns", "Seu Aniversário", Jaboticaba Mix" e o eletrosamba "Propriedade Particular".

A primeira audição deixa a impressão clara d q, após matar a saudade da guitarra em seu trabalho anterior (Letra e Música, lançado no ano passado), Lulu agora voltou a ligar os seqüenciadores...

O endereço é: www.lulusantos.com.br

IM - edição de junho/06

A edição do IM - International Magazine q ainda se encontra nas bancas traz a entrevista exclusiva concedida a Marcelo Fróes pelo guitarrista Sérgio Dias, falando sobre a histórica volta dos Mutantes - q renderá CD e DVD ao vivo.

Traz tb: a segunda parte da entrevista concedida a Elias Nogueira e Ricardo Schott pelos Detonautas, contando ainda com a presença d Rodrigo Netto, assassinado durante um assalto semanas depois; a cobertura do Abril Pro Rock, realizado em Olinda e Recife (por Gustavo Montenegro); além d artigos meus sobre o novo CD de Nando Reis, a coletânea de Caetano Veloso, a trilha da mini-série JK, o trabalho q reuniu Ana Carolina & Seu Jorge, além do CD do próprio Seu Jorge, solo.

quarta-feira, junho 28, 2006

Você tira o chapéu para Marisa Monte?


Marisa Monte é algo ímpar nesse País. Goste-se ou não dela, a cantora é um dos raros casos de música com grande apelo comercial, porém realizada com enorme critério. Marisa foi capaz de compor e gravar uma canção cujo refrão repete como um mantra a frase "Amor I Love You" (sem que isso soasse banal), incluindo a narração de um trecho do belo romance O Primo Basílio, de Eça de Queiroz (sem que isso parecesse pernóstico)... e que estourou em todas as FMs.

Inegavelmente, Marisa é uma artista de coragem: em tempos de retranca criativa - onde requentar parece ser mais cômodo do que elaborar um novo cardápio - a cantora lança não um, mas dois CD's, vendidos separadamente. E ambos com repertório inédito. São eles: Infinito Particular e Universo Ao Meu Redor, que saem pela Phonomotor, selo de Marisa (com distribuição pela EMI), seis anos após o seu último de inéditas, o bom Memórias, Crônicas e Declarações de Amor (sem contar o brainstorm pop-concreto gravado com os Tribalistas em 2002).

Sintomaticamente, os trabalhos têm perfis bastante distintos, mas sem que isso traga qualquer indício de esquizofrenia - Marisa sempre trafegou com desenvoltura por territórios variados. Desde a parte gráfica, fica clara a diferença entre ambos: Universo... investe numa estética algo psicodélica; enquanto o seu correlato possui uma capa totalmente preta.

Infinito Particular é um CD com vocação pop, porém longe da obviedade. Não há nenhuma "Beija Eu" aqui - as músicas são reflexivas, intimistas, com um clima que eventualmente lembra Portishead. As melodias são bonitas, com destaque para a música de trabalho "Vilarejo" e as belas "Pra Ser Sincero" (que já foi parar na trilha da nova novela global das sete) e "Levante". Trata-se, enfim, de um trabalho honesto, bem-cuidado - como de praxe em se tratando de Marisa - mas, sinceramente, nada que vá revolucionar a música brasileira.

Já Universo Ao Meu Redor é um disco de samba, coerente com o trabalho que Marisa gravou com a Velha Guarda da Portela em 2000 - além de suas boas incursões no gênero ao longo da carreira. Mas engana-se quem, à primeira impressão, pensar que se trata de um álbum coberto de bolor. Absolutamente. Ainda que respeitosa para com a tradição, Marisa consegue imprimir uma aura de contemporaneidade ao CD. Produzido por Mário Caldato Jr., Universo... possui elementos incomuns em discos tradicionais de samba: um efeito na voz aqui, um slide ali, cordas acolá. Muito interessante. Em "Statue of Liberty", "Satisfeito" e "Meu Canário", insólitos efeitos eletrônicos criam uma amálgama inusitada. E em vários momentos do álbum surgem timbres de teclados que JAMAIS seriam ouvidos em um CD de qualquer cantora de samba da qual você se lembre nesse exato instante.

A afinação e o timbre agradabilíssimo de Marisa dispensam comentários. E o repertório - entre antigas pérolas de D. Ivonne Lara, Paulinho da Viola e inéditas autorais totalmente conectadas com a proposta - mantém alto o nível da conversa. Enfim, um trabalho que regozija os apaixonados pela boa MPB.

Tudo bem, alguns chatos podem dizer que Marisa Monte realizou anteriormente trabalhos superiores a esses (como o ótimo Verde Anil Amarelo Cor De Rosa e Carvão, 1995, onde a cantora gravou Velvet Underground e Jorge Ben, sem perder a unidade). Contudo, só pelo arrojo da atual empreitada, ela já merece as congratulações.

Para ela, eu tiro o chapéu.

sábado, maio 06, 2006

"RARITIES 1971 - 2003"


(Esse texto não foi publicado porque, mais uma vez, me atrasei e perdi o fechamento da edição do IM- INTERNATIONAL MAGAZINE. E como escrever para si próprio é algo egoísta - masturbatório, eu diria - fica este aqui também como curiosidade.)


SEI, APENAS ROCK 'N ROLL… MAS QUEM NÃO GOSTA?


Comentou-se que o último trabalho de estúdio dos Rolling Stones (o ótimo A Bigger Bang) teria tido um fraco desempenho comercial. Uma banda em plena turnê mundial sem um produto viável nas prateleiras (sobretudo, em se tratando dos Stones, um mega-empreendimento envolvendo milhões de dólares)? Complicado. Provavelmente por essa razão, o grupo inglês decidiu lançar uma segunda edição de A Bigger Bang, agora acompanhado de um DVD bônus - com imagens da gravação do disco, clips, etc - e também o CD Rarities 1971 - 2003.

Até segunda ordem, um álbum dos Rolling Stones é sempre bem-vindo - ainda que seja um trabalho multifacetado como esse, que traz faixas ao vivo, lados B e até remixes. No entanto, a unidade sonora do CD (ou seja: a alquimia de blues e rock que consagrou a banda) está assegurada.

O melancólico country "Wild Horses" (em versão extraída do também ao-vivo-salada-de-frutas Stripped, de 1995) não justifica sua inclusão como raridade: possivelmente só está em Rarities 1971 - 2003 pela pérola que é - uma das mais belas canções desses senhores britânicos. O clássico "Tumbling Dice" comparece em matadora versão ao vivo, assim como "I Just Want To Make Love To You" - de Willie Dixon, gravada pelos Stones pela primeira vez em seu disco de estréia, de 1964 (!).

Os remixes também não fazem feio: o mais interessante é o de "Mixed Emotions", que não despreza a vitalidade rock da gravação original - continua sendo rock, só que agora com motor turbo. O de "Harlem Shuffle" até respeita bastante a versão que os Stones fizeram em 1986 desse clássico do soul - na verdade, essa faixa foi a única sobrevivente do naufrágio chamado Dirty Work, de 1986 - , porém, com balanço renovado. E há ainda a versão extended de "Miss You", reverente ao registro de 1978 - totalmente contagiado pela disco, apesar da harmônica bluesy tocada por Jagger - aliás, esse instrumento foi o álibi usado pelo cantor para negar a influência do movimento nessa faixa...

Falando em soul, há uma boa versão ao vivo (de 1981) da bela "Beast Of Burden" - que contém os ingredientes que Jagger certamente absorveu ouvindo The Miracles. E "If I Was A Dancer", espécie de continuação de "Dance" (de Emotional Rescue, 1980) também mata a pau.

Rarities 1971 - 2003 traz ainda versões ao vivo da pungente "Thru And Thru" (de Voodoo Lounge, 1994, cantada por Keith Richards) e a bordoada de "Live With Me", entre outras. E ainda aproveitam para pagar tributo a alguns de seus heróis como Chuck Berry (em "Let It Rock") e Muddy Waters ("Mannish Boy").

Mas raridades mesmo são "Wish I'd Never Met You", o envenenado "Fancy Man Blues", a delicada "Anyway You Look At It" e "Through The Lonely Nights", que mantêm o bom nome da empresa.

Enfim, essa é a Maior Banda De Rock'n'Roll Do Mundo, mesmo em um trabalho sem grandes critérios, nem pretensões. De qualquer forma, aqui está um ótimo souvenir do show histórico na Praia de Copacabana.

terça-feira, abril 11, 2006

IM: edição de abril/2006


Falando em Paulo Ricardo... a edição desse mês do IM - International Magazine traz a resenha q escrevi sobre o novo CD do cantor, Acoustic Live, juntamente com a entrevista exclusiva q Paulo concedeu ao tablóide. Alem desse, há artigos meus sobre os mais recentes trabalhos do Simply Red, Stevie Wonder e Burt Bacharach.

Destaque tb para a análise do DVD Tim Maia - Ensaio (por Rodrigo Fernandes), a ótima entrevista q o grande Aldir Blanc cedeu a Felipe Tadeu, e muito mais.

Nas bancas.

sábado, abril 08, 2006

"Lolita"


Iniciei a leitura do antiqüíssimo romance Lolita, escrito pelo russo Vladimir Nabokov, publicado pela primeira vez em 1955, na França.

A estória retrata a paixão de um homem maduro pela púbere filha d sua senhoria - q se tornaria posteriormente sua esposa, visto que o inescrupuloso protagonista da trama acaba casando-se com a mãe, para estar mais próximo da filha. Na verdade, eu já havia assistido a uma versão feita para o cinema, filmada ainda em preto-e-branco (infelizmente, não me recordo elenco, diretor, nem ano d lançamento).

Em Lolita, foi a primeira vez em q foi retratada na literatura uma atração q se aproxima perigosamente daquilo q muitos poderiam classificar como, digamos... pedofilia - algo q considero decididamente repugnante. E isso fez com q o livro fosse inicialmente recusado por vários editores da época, q o consideraram "pornografia pura". Mas a verdade é q esse romance expôs o mito da predileção d alguns sujeitos + velhos por ninfetas, e acabou exercendo sua influência até no mundo da música.

Para quem não sabe: esse livro inspirou Sting a compor "Don't Stand So Close To Me" (do álbum Zenyatta Mondatta, do Police, 1980; posteriormente regravada - d modo brilhante, por sinal - pela própria banda na coletânea Every Breath You Take - The Singles, 1986; e também pelo próprio baixista, já em carreira solo, no bom ao vivo "...All This Time", 2001).

Há também uma canção de Paulo Ricardo intitulada "Lolita", lançada em 2000 - muito fraca, por sinal (embora eu até goste dele).

quarta-feira, março 29, 2006

‘Budapeste’


Finalizei a leitura de Budapeste, terceiro romance (os demais são: Estorvo, 1991; e Benjamin, 1995) de Chico Buarque, lançado no ano passado. Pelo interesse que me despertou, devo confessar que li de maneira voraz.

A livro conta a estória do ghost-writer carioca José Costa que, após um congresso de ghost-writers realizado na capital húngara, encontra-se seduzido inicialmente pela língua magiar. Posteriormente, conhece uma bela mulher que começa a lhe ensinar o idioma, com a qual a passa ter um envolvimento amoroso. Esses fatos fazem com que o escritor assuma um... alter ego: Zsoze Kósta.

Chico conduz a narrativa com maestria, criando imagens brilhantes, e apresentando um senso de humor absolutamente inusitado. O livro flui perante os olhos do leitor.

Há algum tempo atrás, o autor de "Vai Passar" foi definido como "um escritor que faz música". Faz sentido. Pois, além de suas melodias elaboradas e harmonias complexas, Chico é um dos mais hábeis manipuladores de palavras não só do Brasil, mas da própria Língua Portuguesa.

Tanto nas canções, quanto, agora, também na literatura, trata-se - tenho dito reiteradas vezes - de um gênio da nossa cultura.