sábado, setembro 16, 2006

IM: edição de setembro/2006


Esses são os os destaques da edição de setembro do jornal IM - INTERNATIONAL MAGAZINE:

  • entrevista exclusiva com Samuel Rosa, falando sobre o novo CD do SKANK, por MARCELO FRÓES;
  • outra entrevista exclusiva: dessa vez com o grupo THE ORIGINALS, por ELIAS NOGUEIRA;
  • o resgate, em DVD, do especial de RITA LEE JONES, exibido pela Rede Globo no início dos anos 80, por LUIZ FELIPE CARNEIRO;

E artigos meus sobre:

  • o novo CD ao vivo do grande ED MOTTA;
  • Um Violeiro Toca, compilação do virtuoso das dez cordas, ALMIR SATER;
  • Você Não Me Conhece, o terceiro (e bom) álbum de JAY VAQUER;
  • Perfil, a nova coletânea de MILTON NASCIMENTO;
  • o disco (se é que podemos classificar como tal) de remixes de PAUL McCARTNEY.


Já nas bancas!


Ouça aqui trechos de:

sexta-feira, setembro 15, 2006

Marina Lima: "Por Que Não Nos Reinventar?"

É necessário observar toda a trajetória artística de Marina Lima para compreender em que contexto se situa o seu novo trabalho de inéditas, Lá Nos Primórdios (gravado de forma independente, apenas com a distribuição a cargo da EMI).

Ao lado de Kid Abelha, Cazuza e cia., a cantora e compositora carioca foi um dos pilotis da geração da MPB surgida nos anos 80 - exatamente: classificar aquela turma como sendo "apenas" rock é uma estupidez reducionista - com sucessos como a clássica "Fullgás", "Acontecimentos", e a linda "Virgem", entre tantos outros.

Na segunda metade dos anos 90, Marina entra em um processo depressivo que, ironicamente, afeta a sua voz. Registros À Meia-Voz, álbum de 1996, expõe o problema (e é importante dizer: com uma boa dose de coragem) já a partir do título: os registros vocais soam como pálidos rascunhos da intérprete de "Não Sei Dançar", lançada apenas seis anos antes.

Em 1998, é editado Pierrot Do Brasil, trabalho aquém da capacidade de Marina. O ao vivo Síssi Na Sua até insinuava uma retomada... que ainda não se confirmava. Seu sucessor, Setembro (2001) também passara em brancas nuvens (ainda que uma das canções, "Notícias", tenha integrado a trilha de uma novela global). E até o seu bom Acústico MTV não teve a resposta usual dos produtos lançados sob a chancela da emissora paulistana.

Entretanto, como o velho clichê da fênix que ressurge das cinzas, Marina Lima verdadeiramente renasceu a partir do show que deu nome ao CD recém-lançado. Primórdios estreou no final do ano passado e, rapidamente, tornou-se sucesso de crítica e público.

E o título desse álbum até pode suscitar algum caráter retrospectivo, sobretudo considerando que a cantora regravou - e, diga-se de passagem, de modo muito convincente - canções anteriores: "Difícil" (Todas, 1985), "Meus Irmãos" (O Chamado, 1994) e "$Cara" (Próxima Parada, 1989). Mas não há o menor resquício de nostalgia nessas três, nem no restante do trabalho: a sonoridade é contemporânea, vigorosa - com belas guitarras (quase sempre pilotadas pelo craque Fernando Vidal) e boas programações eletrônicas. Marina Lima está olhando para frente, em direção ao futuro.

Que ninguém a convide para nenhum revival.

A faixa que abre o CD já dá a senha: "Três" tem um quê de tango - só que reprocessado, no melhor estilo Piazzola From Hell, em que a cantora entrega o mote do trabalho: "não há lugar para lamúrias (...)/ mas por que não nos reinventar?". "Valeu", a segunda música do disco é (acredite)... uma ciranda nordestina (!) - ainda que eletrônica, claro.

Recentemente, Marina declarou: "a música é matemática; inspiração é para os leigos". De fato: apesar de trazer o calor que sempre caracterizou seu trabalho ("eu tenho febre, eu sei..."), tudo aqui soa como se fosse minuciosamente raciocinado - nada por acaso. E ainda há espaço para a ironia: em "Vestidinho Vermelho", versão de Alvin L. para "Beautiful Red Dresses" de Laurie Anderson, e em "Anna Bella", co-escrita com seu irmão Antônio Cícero ("por que as mulheres também não podem ter a sua sauna gay?").

Marina ainda gravou "Dura Na Queda", samba que Chico Buarque compôs para Elza Soares, registrado pelo autor pela primeira vez em Carioca, CD desse ano.

Sei que você deve estar se perguntando: "mas, afinal... e a voz dela"? Bem, a intérprete de agora não é mais aquela de outrora. Pode-se dizer que, com astúcia, a cantora criou para si um outro estilo, mais contido - eventualmente recitado, até - de cantar. E tem se saído bem.

O bom Lá Nos Primórdios é o disco pelo qual o seu público aguardou desde [abrigo] - álbum de canções alheias lançado há exatos onze anos. E receber Marina Lima de volta (parafraseando suas próprias palavras) reinventada, depois de todo esse tempo ... é uma bela notícia.

Ouça um trecho de "Difícil".

sábado, agosto 12, 2006

IM: edição de agosto/2006


Esses são os os destaques da edição de agosto do jornal IM - INTERNATIONAL MAGAZINE:

  • tudo sobre o novo CD da banda KEANE, a nova revelação do pop internacional, por RICARDO SCHOTT e EMÍLIO PACHECO;
  • a crítica do DVD P.U.L.S.E. e o falecimento de Syd Barrett, fundador do PINK FLOYD, por JORGE ALBUQUERQUE;
  • o primeiro registro ao vivo (em CD e DVD), Going To Tell You a Secret, de MADONNA, por RODRIGO FERNANDES;

E artigos meus sobre:

  • o músico inglês JAMIE CULLUM, autor e intérprete do sucesso "Mind Trick";
  • Ringleader Of Tormentors, o novo CD de MORRISSEY, ex-vocalista dos Smiths;
  • os 20 anos de lançamento d Cabeça Dinossauro, a porrada dos TITÃS;
  • e uma reflexão sobre a polêmica resposta da crítica a Segundo, da cantora MARIA RITA.

Já nas bancas!

Ouça aqui trechos de:

quarta-feira, agosto 02, 2006

Skank: novo single

A música nova do Skank, "Uma Canção É Pra Isso" (o primeiro single do novo álbum, Carrossel, com lançamento previsto para esse mês) é simplesmente ótima - não há outro termo aplicável.

Pop de primeiríssima (com a mesma pegada do hit anterior, "Vou Deixar"), é forte candidata a melhor canção do ano e - não tenho a menor dúvida - vai estourar.

Quem quiser conhecer a pérola, é só visitar o site oficial do grupo mineiro, cujo link está aqui.

quarta-feira, julho 26, 2006

Puxa, mas que coincidência...

Foi só eu falar a respeito da candidatura de Paulo Ricardo (no tópico abaixo), que o cara mudou de idéia.

Leia em: http://www.pauloricardo.com/blog.asp

terça-feira, julho 25, 2006

Flashback - International Magazine: PAULO RICARDO

A exemplo do nosso bom companheiro Ricardo Schott (colaborador da revista BIZZ e do site NITIDEAL, entre outros), que costuma resgatar, no blog DISCOTECA BÁSICA, textos seus publicados aqui & ali, acabei tendo o insight do Flashback.

E, nessa primeira.. ahn... edição... há o replay da resenha sobre o mais recente CD de PAULO RICARDO, Acoustic Live, que escrevi para a edição de abril desse ano do IM - INTERNATIONAL MAGAZINE. Escolhi essa matéria por uma razão muito simples: por razões físicas (e eu compreendo perfeitamente - isso acontece), o texto acabou saindo editado.

E, da maneira como a questão foi colocada, ficava a impressão de que eu era um simples detrator de PR, como existem vários por aí. Mas não é por aí. Tudo bem, continuo achando que esse disco foi completamente desnecessário. A diferença é que conheço muito bem o trabalho do artista, tenho respeito por ele - e tudo isso fica absolutamente claro na íntegra desse texto.

Se bem que essa candidatura dele para deputado...



PAULO RICARDO: QUAL SERÁ O PRÓXIMO CAPÍTULO?


Muito curiosa (ou acidentada, talvez) a trajetória artística de Paulo Ricardo. Antes de se tornar - digam o que disserem - uma das figuras-chave do BRock 80, o cantor, compositor e baixista (formado em jornalismo) iniciou sua carreira como crítico musical da extinta revista SomTrês. Logo após, morou um período em Londres e, no retorno, montou o RPM, que lançou um excelente disco de estréia (Revoluções Por Minuto, de 1985), cuja turnê nacional desencadeou uma verdadeira febre e gerou um álbum ao vivo (Rádio Pirata, 1986) que - até os pombos da praça sabem - bateu recordes (dois milhões e meio de cópias vendidas). A ressaca do mega-estrelato provocou a ruptura do grupo - decisão reconsiderada posteriormente com o lançamento de Os Quatro Coiotes, de 1988, disco que trazia alguns momentos interessantes (como a gótica "Sete Mares", "Um Caso De Amor Assim", a ótima "Ponto de Fuga" e o blues "Partners", que recebeu furiosa versão de Cássia Eller em 1994) e o aparente intuito de não repetir o fenômeno.

Após esse trabalho, a banda se dissolveu em definitivo e Paulo iniciou carreira solo, gravando dois álbuns (Paulo Ricardo, 1989; e Psico Trópico, 1990, com produção de Liminha) que obtiveram pouca repercussão. Em 1993, inspirado pelo grunge, recruta novos músicos e edita Paulo Ricardo & RPM, sem êxito. Um período de ostracismo antecedeu o bom Rock Popular Brasileiro (1995), antologia de sucessos do rock nacional - como o próprio título anuncia - que recolocou o cantor na mídia, através da regravação de "A Cruz e A Espada", em dueto com um já fragilizado Renato Russo.

Dois anos depois, lança O Amor Me Escolheu, que abrigava dois hits ("Dois", parceria com o antigo midas Michael Sullivan; e "Tudo Por Nada", versão para "My Heart Can't Tell You No", sucesso de Rod Stewart) e uma boa dose de coragem (poucos abririam um disco com a bela "E Não Vou Mais Deixar Você Tão Só", de Antônio Marcos). Inicia-se aí uma postura de cantor pop romântico: Paulo apresentava-se com uma indumentária absolutamente clean e não tocava contrabaixo em público nesse período.

Amor de Verdade foi lançado em 1999, e misturava três inéditas a releituras (com arranjos seqüenciados) de canções gravadas por Roberto Carlos, mas não compostas pelo Rei, como: "Sonho Lindo" e "Não Há Dinheiro Que Pague", entre outras. A única exceção era "Por Amor".

Em 2000, convida um time de instrumentistas de primeira linha (como o saxofonista Milton Guedes, o baixista Dunga e o guitarrista Kiko, do Roupa Nova) para a gravação do CD que tem como título apenas o seu nome, composto de boas e radiofônicas canções inéditas - tendo, quase em sua totalidade, Michael Sullivan como co-autor (tais como: "Vai", "Turquesas e Corais" e "Por Quê? (Na Dor E No Prazer))", essa última gravada posteriormente pelo já mencionado Roupa Nova). Entretanto, o único sucesso desse álbum foi a versão de "Imagine", de John Lennon, que foi tema de abertura de uma novela global e só entrou, na verdade, como faixa bônus da segunda edição do CD - que incluía também um versão em português (!) desse clássico. Parecia a derrocada do cantor romântico.

Para surpresa geral, a formação original do RPM voltou à ativa em 2002, com uma turnê nacional que gerou uma dobradinha CD + DVD de sucesso, sob a chancela da MTV. Contudo, quando todos imaginavam ouvir o primeiro álbum de inéditas da banda em anos, alegadas diferenças estéticas abortavam, mais uma vez, o prosseguimento do trabalho. O baterista Paulo "PA" Pagni permaneceu ao lado de Paulo Ricardo e, ao lado de outros músicos, foi formado o PR.5, cujo primeiro CD (o experimental Zum Zum) foi definido pelo cantor da seguinte forma:

- Esse é um trabalho diferenciado. Sei que as pessoas irão demorar um tempo para a assimilação dessas novas informações.

Os anos de experiência no show business e o faro de quem começou como crítico acertaram em cheio: o grupo teve um resultado pífio.E eis que Paulo Ricardo volta à carga (solo, novamente) com CD e DVD intitulados Acoustic Live (EMI), no qual ele registra sucessos de George Michael ("Careless Whispers", com a indefectível frase de sax pontuada por um piano) e Chris Isaak ("Wicked Game"), além de clássicos de Bob Dylan ("Like a Rolling Stone"), Wings ("My Love"), Rolling Stones ("Honk Tonk Women"), entre outros.

E ele até se dá bem em "Fire And Rain" (James Taylor). Mas também se dá muito mal em "Isn't She Lovely" - é sempre complicado regravar Stevie Wonder (até Gilberto Gil derrapou em suas releituras de "The Secret Life Of Plants" e "I Just Called To Say I Love You") - , sobretudo por um cantor - verdade seja dita - nem um pouquinho black, como Paulo Ricardo.

Bem, no final das contas.... o repertório é impecável, os arranjos são excelentes e o inglês de PR não merece qualquer repreensão. Está tudo muito bom, está tudo muito bem, mas sinceramente.... pegou muito mal. Com um set list desses, é difícil fazer um disco propriamente ruim. E Acoustic Live até não é um mau CD para se ouvir no carro, por exemplo - mas o grande problema é que essas canções (todas cristalizadas) não precisam de releitura - até porque, no quesito vocal, Paulo Ricardo perde em comparação aos originais.

O DVD traz algumas faixas bônus. como "Jealous Guy", "Quiet Nights Of Quiet Stars" e… "London London" - apenas quatro anos após ter sido registrada no ao vivo da MTV.

Fica a triste impressão de que, após o insucesso do último trabalho, Paulo tenta encarnar uma versão pop e mais jovem de Rod Stewart, que já está no quarto (!) songbook de clássicos americanos. Por coincidência (ou não), ele abre o disco com "Tonight's The Night"... Ou será que é Emmerson Nogueira que começa a fazer escola?

Se a intenção era se distanciar do formato PR.5, seria até melhor (e mais honesto) retomar a persona do cantor romântico, com um repertório autoral e, sobretudo, inédito.

Vejamos qual será a próxima empreitada de Paulo Ricardo.

A seguir, cenas dos próximos capítulos.

quarta-feira, julho 19, 2006

Links de julho

Seguem abaixo links para downloads de trechos (notem bem: trechos) de algumas canções dos CDs que resenhei no IM de julho. Espero que gostem.


Ouça: "Renata Maria", Chico Buarque.

Ouça: "What a Fool Believes", Doobie Brothers.

Ouça: "Seguindo Estrelas", Paralamas do Sucesso.

Ouça: "Mad About You", Sting.

Ouça: "É Assim Que Se Faz", Marcelo D2:

IM: edição de julho/2006



No IM - INTERNATIONAL MAGAZINE desse mês, destaque para o recém-lançado Stadium Arcadium, do Red Hot Chili Peppers; o furioso Living With War, de Neil Young; o CD ao vivo d Fernanda Abreu, e muito +.

Além disso, artigos meus sobre o novo disco d Chico Buarque; as duas compilações d Sting; Perfil, dos Paralamas do Sucesso; as coletâneas Disco Music e Pop Songs: Songs & Piano; e Meu Samba é Assim, d Marcelo D2.

Já nas bancas.

terça-feira, julho 18, 2006

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Poema’, com Ney Matogrosso


Certa vez, li uma entrevista de Lucinha Araújo, mãe de Cazuza [no detalhe], na qual ela dizia que, apesar da porra-louquice do poeta, ele era extremamente apegado à sua família.

Assim como eu.

Anos depois, conheci, muito tardiamente, a brilhante gravação de Ney Matogrosso (a quem, aliás, admiro profundamente) de "Poema", uma letra de Cazuza que foi dada por Lucinha para que Roberto Frejat musicasse - e essa foi a última parceria póstuma da dupla. Nesse mesmo dia, conheci a história dessa letra: esse foi um poema (daí o título) que Cazuza escreveu aos 17 anos d idade para a sua avó paterna.

Identifiquei-me muito com essa canção. Porque, a exemplo dele, sempre fui bastante apegado à minha avó paterna - uma mãe para mim. De modo que as coisas que são ditas nessa letra... eu assinaria embaixo, sem sombra de dúvida. Há um determinado momento em que todo mundo se sente que "perdeu ou está perdendo alguma coisa morna e ingênua - que vai ficando no caminho..."

Sendo assim, muito respeitosamente, eu gostaria de tomar emprestado esses versos do poeta para homenagear a minha avó paterna - que nesse mês de julho completa um ano de falecimento. Portanto, com amor e saudade, transcrevo abaixo, na íntegra, a letra da canção.


Poema
(Frejat - Cazuza)


CD Olhos de Farol, 1999, Ney Matogrosso.


Eu hoje tive um pesadelo e levantei atento, a tempo.
Eu acordei com medo e procurei, no escuro,
alguém com seu carinho
e lembrei de um tempo.

Porque o passado me traz uma lembrança
do tempo que eu era criança.
E o medo era motivo de choro
desculpa para um abraço ou consolo.

Hoje eu acordei com medo, mas não chorei
nem reclamei abrigo.
Do escuro, eu via um infinito sem presente, passado ou futuro.

Senti um abraço forte - já não era medo:
era uma coisa sua que ficou em mim

e que não tem fim.

De repente, a gente vê que perdeu (ou está perdendo)
alguma coisa morna e ingênua
que vai ficando no caminho - que é escuro e frio
mas também bonito, porque é iluminado
pela beleza do que aconteceu...

...há minutos atrás.



Ouça aqui a bela gravação de Ney Matogrosso de "Poema".

domingo, julho 02, 2006

Lulu Santos: prévia do novo CD

Em seu site oficial, Lulu Santos dá uma prévia do q será o seu novo CD, ainda sem título, a ser lançado agora no segundo semestre. O cantor disponibilizou quatro músicas: "Parabéns", "Seu Aniversário", Jaboticaba Mix" e o eletrosamba "Propriedade Particular".

A primeira audição deixa a impressão clara d q, após matar a saudade da guitarra em seu trabalho anterior (Letra e Música, lançado no ano passado), Lulu agora voltou a ligar os seqüenciadores...

O endereço é: www.lulusantos.com.br