sexta-feira, outubro 06, 2006

Caetano Veloso: na íntegra

Para não ultrapassar a limite de espaço - calcanhar-de-aquiles de dez entre dez veículos impressos - , escrevi dois textos sobre o CD , de Caetano Veloso: um mais curto do que o outro. Notei, entretanto, que o mais extenso até estava dentro das limitações estabelecidas - e, obviamente, seria o meu escolhido para enviar para a editoria do IM.

Entretanto, atrasado para o fechamento da edição, cometi o desatino de enviar... o texto mais curto.

Tudo bem. Paciência.

No entanto, por entender que "os filhos são para o mundo", por que eu deveria guardar esse artigo só para mim? Deixo-o, à guisa de curiosidade, aqui no blog.


Vale lembrar que o tema é polêmico, mas o meu gesto não visa revogar uma vírgula sequer daquilo que foi publicado. Muito pelo contrário: por me estender, naturalmente me aprofundo sobre o assunto.

E acreditem: lamento muito pelo ocorrido.

"...nem uma força virá me fazer calar... "



Saudades de Caetano Veloso

Chega a ser... melancólico... constatar a derrocada criativa de um dos mais influentes artistas brasileiros de todos os tempos: Caetano Veloso acaba de editar (Universal), seis anos após Noites Do Norte, o seu último de inéditas. E, pela primeira vez em sua carreira, o compositor baiano apresenta um álbum que inclui apenas músicas de sua autoria - doze ao todo.

Com o auxílio dos jovens (e bons) instrumentistas Ricardo Dias Gomes (baixo), Marcelo Calado (bateria) e Pedro Sá (guitarra), é um disco de arranjos coesos e minimalistas, porém insuficientes para disfarçar a indigência das novas canções de Caetano. Eventualmente, há um sopro de pop rock no ar, como na embaraçosa "Rocks" - uma boa base instrumental que acabou desperdiçada em uma narrativa bobinha, bobinha (sinta só o refrão: "você foi a rata comigo..."). Embora jamais tenha dominado a linguagem do rock, Caetano já transitou por essa seara de maneira muito mais convincente - "Eclipse Oculto" é um bom exemplo.

(E, como Caetano não costuma pregar prego sem estopa, fica a pulga atrás da orelha: será que ele fez "Rocks" a sério? Ou estaria Caê tirando um sarro do gênero, parodiando-lhe o primarismo? Tomara que não. Pois, nesse caso, seria como assinar e lavrar em cartório um atestado de parco conhecimento acerca do assunto - mesmo ele tendo comparecido ao festival na Ilha de Wight, etc e tal....).

O álbum - de notável cunho experimental - já começa mal com a pueril "Outro", cuja letra é simplesmente constrangedora: "você nem vai me reconhecer quando eu passar por você/ de cara alegre e cruel/ feliz e mau/ como um pau duro". Lamentável. A pretensa provocação na concretista "Homem" parece algum rascunho inacabado dos Titãs. E o que dizer então do inacreditável orgasmo luso de "Porquê"? Se a intenção era chocar, soou apenas... ridículo. Só faltou, numa alusão a "April In Portugal (Coimbra)", Caetano batizar a canção de... "Alcova em Portugal".

Já o pseudo-samba "Musa Híbrida" apresenta uma harmonia até interessante, em arranjo totalmente estruturado em uma boa guitarra wah-wah. Mas nada que empolgue ninguém.

No refrão de "Odeio", Caetano repete "odeio você/ odeio você", como um mantra do mal, em um exercício de pura revolta anciã - perfeita para um aposentado cantar para uma atendente do posto do INSS.

A confessional "Não Me Arrependo" é o primeiro single escolhido para as rádios - e não por acaso. A interpretação sentida e a simplicidade da letra expõem a semelhança com recentes versões de sucessos populares feitas por Caetano. Sem ser necessariamente brilhante, trata-se do único resquício - ainda que em tons pastéis - do autor de "Itapuã".

Aliás, nos últimos 12 anos, os melhores momentos de Caetano (verdade seja dita: um grande intérprete) deram-se somente através de canções alheias, como "Você Não Me Ensinou a Te Esquecer", do repertório de Fernando Mendes; "Só Vou Gostar De Quem Gosta De Mim", de Rossini Pinto; além da (merecidamente) estourada "Sozinho", de Peninha. E, infelizmente, nos deixa a certeza de que o seu esgotamento como compositor não era apenas uma má impressão.

Na verdade, esse é o ponto chave da questão: o autor que anteriormente, entre arroubos de inteligência e sensibilidade criava versos como "a rima é o antiacidente", hoje rima "ouro de tolo" com "lobo bolo".

Paira uma dúvida: será que não haveria ninguém do convívio de Caetano que pudesse avisá-lo que, paulatinamente (sem trocadilho), a sua reputação está sendo empurrada ribanceira abaixo? Que, para lançar um trabalho tão ineficaz como esse, seria mais produtivo editar, quem sabe?, o seu acalentado disco de canções românticas? E que, além do desrespeito para com a sua própria trajetória, Cê chega a ser uma afronta... ao seu público?

A pirotecnia habitual, pelo menos, ele já assegurou - ao classificar (numa recente entrevista concedida para a televisão) um colega de classe como... besta.

E ainda é bem capaz de ele ainda dizer que quem não gostou de é idiota.

Resta, portanto, um sentimento de... saudade. Saudade do artista que, outrora, concebeu álbuns marcantes como Cinema Transcendental e Circuladô. Artista esse que, devo dizer...

...parece não mais existir.

E que ninguém pense que isso é dito com algum prazer ou alegria.

Em tempo: há pouco mais de um mês atrás, um jornal carioca tentou, timidamente, reacender a polêmica dos anos 60 do "disco do Caetano Veloso versus disco do Chico Buarque" - visto que este último também editou CD novo, Carioca, esse ano. Bem, se a questão é mesmo essa... dessa vez, deu Chico na cabeça.


Ouça aqui um trecho de
"Por Quê?".


IM: edição de outubro/2006

Esses são os os destaques da edição de outubro do jornal IM - INTERNATIONAL MAGAZINE:

  • entrevista exclusiva com LENINE, falando sobre o seu novo CD, Acústico MTV, por MARCELO FRÓES & MAURÍCIO GOUVÊA;
  • outra entrevista exclusiva: dessa vez com o cantor e compositor mineiro VANDER LEE, por MARCELO FRÓES;
  • três análises sobre o polêmico , o recém-lançado álbum de CAETANO VELOSO, por RODRIGO SABATINELLI, LUIZ FELIPE CARNEIRO e TOM NETO.

E artigos meus sobre:

  • Carrossel, o novo CD do SKANK;
  • o relançamento de Sobre Todas As Coisas, considerado por muitos o melhor trabalho de ZIZI POSSI;
  • Perfil, a nova coletânea de DJAVAN;
  • o disco-solo de DAVID GILMOUR, voz e guitarra do PINK FLOYD;
  • Minhas Canções, disco de covers de FÁBIO JR;
  • a dobradinha CD e DVD Os Britos Cantam os Beatles.


Já nas bancas!


Ouça aqui trechos de:


P.S. : peço aos leitores mil desculpas pelo atraso na postagem dos links.



quinta-feira, outubro 05, 2006

Voto nulo, 2

Vejam só essa: pouco mais de uma semana após eu ter escrito esse post abaixo a respeito de uma certa banda de rock que manifestou publicamente a idéia do voto nulo, tenho a (desagradável) surpresa de que o posicionamento agora parte também... de uma candidata (!), parte integrante do processo democrático.

Será que essa pessoa não tem consciência de que votar nulo (embora isso, que fique bem claro, seja um direito dela) é justamente desdenhar da opinião da maioria - leia-se: uma atitude anti-democrática?

Olha, sinceramente... essa eu nem vou comentar...

terça-feira, setembro 26, 2006

Pequena reflexão acerca do voto nulo

A apenas cinco dias das eleições, leio no jornal que uma conhecida banda do rock nacional defende abertamente a idéia do voto nulo.

Bem, impor aos astros de rock a responsabilidade de "guiar seu público" chega a ser algo até cruel (em entrevistas, Renato Russo mostrava-se desconfortável com o messianismo que lhe era atribuído). Entretanto, a influência que eles exercem em um número expressivo de pessoas (não necessariamente adolescentes) é uma realidade - e não pode ser subestimada. Sendo assim, creio, bom-senso é fundamental.

Pelo menos, publicamente.

O desencanto político é indiscutível. Entretanto, manifestar esse posicionamento acerca do voto nulo é, sem dúvida, um ato irresponsável, ainda que previsível - vindo de artistas que preferem continuar emulando uma rebeldia adolescente, mesmo já tendo chegado na casa dos quarenta anos.

Será que esses indivíduos não possuem discernimento suficiente para enxergar que, havendo um segundo pleito provocado por falta de votos no primeiro, o mesmo será custeado por verba... pública (ou seja, dinheiro do contribuinte: meu e seu)?

Bem, se ao menos esses cidadãos "inteligentíssimos" se comprometessem a pagar a próxima eleição dos cachês que recebem...

Lulu Santos: observação

Há uma outra observação (de suma importância) acerca do artigo que escrevi sobre o terceiro CD do cantor Jay Vaquer, na edição desse mês do IM - INTERNATIONAL MAGAZINE. Entretanto, dessa vez, diz respeito a LULU SANTOS, o qual mencionei na resenha em questão.

O texto fala em "...quase 25 de bons serviços prestados ao pop nacional..." pelo guitarrista carioca. E essa foi colocação um tanto imprecisa: na verdade, Lulu possui mais de um quarto de século de carreira - considerando o período como integrante do grupo de rock progressivo Vímana, como músico acompanhante, etc.

Na matéria, referi-me, na verdade, à sua estréia solo, com o álbum Tempos Modernos, em 1982. Porque foi a partir desse momento que ele formatou não só o seu estilo como também um gênero - tornando-se, a partir de então, um paradigma do pop nacional.

Além disso - até onde tenho conhecimento -, é justamente esse trabalho que Lulu prefere considerar como a gênese de sua trajetória.

terça-feira, setembro 19, 2006

Nando Reis: Encontros O Globo

Na última terça-feira, 19/09, estive presente em uma edição do ENCONTROS O GLOBO - MÚSICA, que cujo convidado dessa vez foi o cantor e compositor NANDO REIS, por ocasião do lançamento de novo CD, Sim E Não (cuja resenha, coincidentemente, foi escrita por mim para o IM - INTERNATIONAL MAGAZINE). O evento ocorreu no auditório do jornal.

Durante duas horas, o músico respondeu a perguntas dos jornalistas ANTÔNIO CARLOS MIGUEL e LEONARDO LICHOTE, do músico e poeta JORGE MAUTNER, dos internautas que acessaram o site d'O GLOBO e da platéia - na qual também estava presente o crítico musical JAMARI FRANÇA.

Nando cantou também cinco canções, nessa ordem: "O Segundo Sol", "All Star", "N", "Lindo Balão Azul" (de GUILHERME ARANTES, mas que Nando incluiu no roteiro de suas apresentações e "Relicário".

Confesso que jamais eu o havia visto pessoamente, até a presente data. Mas a impressão que ele deixou foi a melhor possível. Articulado e inteligente, Nando respondeu com simpatia e paciência a todas as perguntas - exceto sobre sucessão presidencial...

O músico falou de suas influências (entre elas Roberto & Erasmo e a Tropicália), seu trabalho como produtor, seu grupo (os Titãs), a sua total inaptidão com a internet, Marisa Monte, poesia, crítica, contrabaixo, violão, São Paulo F.C., Wando, e, claro, Cássia Eller.

sábado, setembro 16, 2006

Jay Vaquer: errata

Na matéria sobre o CD de JAY VAQUER (contida na edição desse mês do IM), escrevi, em um equívoco de digitação, que ele havia integrado o elenco do musical Viva Cazuza e não Cazas de Cazuza, que seria o correto.

Deixo aqui o meu mais sincero pedido de desculpas não somente ao artista, mas também aos leitores do tablóide.

IM: edição de setembro/2006


Esses são os os destaques da edição de setembro do jornal IM - INTERNATIONAL MAGAZINE:

  • entrevista exclusiva com Samuel Rosa, falando sobre o novo CD do SKANK, por MARCELO FRÓES;
  • outra entrevista exclusiva: dessa vez com o grupo THE ORIGINALS, por ELIAS NOGUEIRA;
  • o resgate, em DVD, do especial de RITA LEE JONES, exibido pela Rede Globo no início dos anos 80, por LUIZ FELIPE CARNEIRO;

E artigos meus sobre:

  • o novo CD ao vivo do grande ED MOTTA;
  • Um Violeiro Toca, compilação do virtuoso das dez cordas, ALMIR SATER;
  • Você Não Me Conhece, o terceiro (e bom) álbum de JAY VAQUER;
  • Perfil, a nova coletânea de MILTON NASCIMENTO;
  • o disco (se é que podemos classificar como tal) de remixes de PAUL McCARTNEY.


Já nas bancas!


Ouça aqui trechos de:

sexta-feira, setembro 15, 2006

Marina Lima: "Por Que Não Nos Reinventar?"

É necessário observar toda a trajetória artística de Marina Lima para compreender em que contexto se situa o seu novo trabalho de inéditas, Lá Nos Primórdios (gravado de forma independente, apenas com a distribuição a cargo da EMI).

Ao lado de Kid Abelha, Cazuza e cia., a cantora e compositora carioca foi um dos pilotis da geração da MPB surgida nos anos 80 - exatamente: classificar aquela turma como sendo "apenas" rock é uma estupidez reducionista - com sucessos como a clássica "Fullgás", "Acontecimentos", e a linda "Virgem", entre tantos outros.

Na segunda metade dos anos 90, Marina entra em um processo depressivo que, ironicamente, afeta a sua voz. Registros À Meia-Voz, álbum de 1996, expõe o problema (e é importante dizer: com uma boa dose de coragem) já a partir do título: os registros vocais soam como pálidos rascunhos da intérprete de "Não Sei Dançar", lançada apenas seis anos antes.

Em 1998, é editado Pierrot Do Brasil, trabalho aquém da capacidade de Marina. O ao vivo Síssi Na Sua até insinuava uma retomada... que ainda não se confirmava. Seu sucessor, Setembro (2001) também passara em brancas nuvens (ainda que uma das canções, "Notícias", tenha integrado a trilha de uma novela global). E até o seu bom Acústico MTV não teve a resposta usual dos produtos lançados sob a chancela da emissora paulistana.

Entretanto, como o velho clichê da fênix que ressurge das cinzas, Marina Lima verdadeiramente renasceu a partir do show que deu nome ao CD recém-lançado. Primórdios estreou no final do ano passado e, rapidamente, tornou-se sucesso de crítica e público.

E o título desse álbum até pode suscitar algum caráter retrospectivo, sobretudo considerando que a cantora regravou - e, diga-se de passagem, de modo muito convincente - canções anteriores: "Difícil" (Todas, 1985), "Meus Irmãos" (O Chamado, 1994) e "$Cara" (Próxima Parada, 1989). Mas não há o menor resquício de nostalgia nessas três, nem no restante do trabalho: a sonoridade é contemporânea, vigorosa - com belas guitarras (quase sempre pilotadas pelo craque Fernando Vidal) e boas programações eletrônicas. Marina Lima está olhando para frente, em direção ao futuro.

Que ninguém a convide para nenhum revival.

A faixa que abre o CD já dá a senha: "Três" tem um quê de tango - só que reprocessado, no melhor estilo Piazzola From Hell, em que a cantora entrega o mote do trabalho: "não há lugar para lamúrias (...)/ mas por que não nos reinventar?". "Valeu", a segunda música do disco é (acredite)... uma ciranda nordestina (!) - ainda que eletrônica, claro.

Recentemente, Marina declarou: "a música é matemática; inspiração é para os leigos". De fato: apesar de trazer o calor que sempre caracterizou seu trabalho ("eu tenho febre, eu sei..."), tudo aqui soa como se fosse minuciosamente raciocinado - nada por acaso. E ainda há espaço para a ironia: em "Vestidinho Vermelho", versão de Alvin L. para "Beautiful Red Dresses" de Laurie Anderson, e em "Anna Bella", co-escrita com seu irmão Antônio Cícero ("por que as mulheres também não podem ter a sua sauna gay?").

Marina ainda gravou "Dura Na Queda", samba que Chico Buarque compôs para Elza Soares, registrado pelo autor pela primeira vez em Carioca, CD desse ano.

Sei que você deve estar se perguntando: "mas, afinal... e a voz dela"? Bem, a intérprete de agora não é mais aquela de outrora. Pode-se dizer que, com astúcia, a cantora criou para si um outro estilo, mais contido - eventualmente recitado, até - de cantar. E tem se saído bem.

O bom Lá Nos Primórdios é o disco pelo qual o seu público aguardou desde [abrigo] - álbum de canções alheias lançado há exatos onze anos. E receber Marina Lima de volta (parafraseando suas próprias palavras) reinventada, depois de todo esse tempo ... é uma bela notícia.

Ouça um trecho de "Difícil".

sábado, agosto 12, 2006

IM: edição de agosto/2006


Esses são os os destaques da edição de agosto do jornal IM - INTERNATIONAL MAGAZINE:

  • tudo sobre o novo CD da banda KEANE, a nova revelação do pop internacional, por RICARDO SCHOTT e EMÍLIO PACHECO;
  • a crítica do DVD P.U.L.S.E. e o falecimento de Syd Barrett, fundador do PINK FLOYD, por JORGE ALBUQUERQUE;
  • o primeiro registro ao vivo (em CD e DVD), Going To Tell You a Secret, de MADONNA, por RODRIGO FERNANDES;

E artigos meus sobre:

  • o músico inglês JAMIE CULLUM, autor e intérprete do sucesso "Mind Trick";
  • Ringleader Of Tormentors, o novo CD de MORRISSEY, ex-vocalista dos Smiths;
  • os 20 anos de lançamento d Cabeça Dinossauro, a porrada dos TITÃS;
  • e uma reflexão sobre a polêmica resposta da crítica a Segundo, da cantora MARIA RITA.

Já nas bancas!

Ouça aqui trechos de: