sábado, fevereiro 10, 2007

A existência de Deus "provada através de cálculo matemático"

Cada coisa que se lê na internet...

Deu no site do diário espanhol 20 Minutos: a probabilidade de que Deus [tradicionalmente caracterizado por um triângulo com um olho, como mostra a foto ao lado] exista é de 62%, segundo o cálculo realizado pelo jornalista e escritor alemão Thomas Vasek, a partir de uma fórmula criada há 250 anos pelo pastor presbiteriano e renomado matemático inglês Thomas Bayes.

Com seu cálculo pessoal, Vasek trata de encontrar ao menos uma saída parcial a um problema que tem ocupado a um sem número de pensadores ao longo dos séculos.

Todos os esforços em provar racionalmente a existência de Deus, segundo Vasek, resultaram em fracasso e, já no século XVII, Blaise Pascal - que era matemático, físico, teólogo e um jogador apaixonado - acreditava que tratava-se de uma questão diante da qual não restava outra possibilidade senão... apostar às cegas.

A íntegra dessas brilhantes conclusões pode ser lida, em espanhol, aqui.



"Pensar em Deus é desobedecer a Deus.
Porque Deus quis que não O conhecêssemos...

Por isso, não Se nos mostrou... "

(Alberto Caeiro a.k.a Fernando Pessoa, 08/03/1914)

Collor: de volta à mídia

O ex-presidente - hoje senador eleito pelo estado de Alagoas - FERNANDO COLLOR DE MELLO voltou à mídia com força total.

A revista Istoé dessa semana apresenta extensa matéria de capa com Collor, onde ele recorda o seu calvário e, recém-empossado, revela a sua expectativa e seus planos para o primeiro mandato no Senado Federal:

"É uma sensação muito positiva. Volto à vida pública conduzido pelo voto popular e sempre tive interesse em participar do Senado, uma Casa de pessoas mais experimentadas, de pessoas mais vividas no mister da política, e para onde também costumam ir ex-presidentes da República. Não trago nenhum sentimento subalterno de vendetta, mágoa, ressentimento. Ultrapassei uma fase penosa, dura, mas de muita experiência acumulada."

Já o portal G1 traz uma esclarecedora entrevista com o ex-presidente, onde ele anuncia que, em seu primeiro discurso na Casa, em março, irá dar "a sua versão" dos fatos que culminaram em seu impeachment, em 1992.

"Será fundamentalmente a versão de quem viveu os fatos que levaram a meu afastamento da presidência em 92. Todos já deram suas versões, livros foram escritos, teses foram defendidas em universidades, artigos reproduzidos. Cada um dando sua versão. Não há ainda a versão de quem viveu o fato - ou seja, a minha. Ainda não foi dada essa oportunidade à Nação brasileira. Agora, eleito senador, acho que chegou a hora da preencher essa lacuna. E será uma versão absolutamente fidedigna dos fatos. O juízo ficará a cargo de quem tiver a curiosidade de ouvir, assistir ou de ler."

Collor afirma que seu discurso será "rico em detalhes":

"Dia, hora, minuto, segundo, nomes, fatos concretos. Eu tenho um livro escrito de 640 páginas, que não pretendo publicar tão cedo. Algo que escrevi num momento de muita emoção, logo após minha absolvição no Supremo Tribunal Federal, em 94. É um livro importante porque ali estão colocadas as emoções de quem esteve submetido àquele moedor. Carreguei bastante nas tintas. Não distorci os fatos, mas carreguei na adjetivação, coisa que aprendi que, no Jornalismo, devemos evitar."

Aqui estão os links que conduzem diretamente às duas reportagens: a da Istoé; e do G1.

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

10 anos sem Paulo Francis

Ontem, 04 de fevereiro, completaram 10 anos desde o desaparecimento do jornalista e escritor PAULO FRANCIS [em foto de Bob Wolfenson]. E certamente a data suscita uma reflexão.

Sempre acreditei que o detestasse: tratava-se de um indivíduo frívolo, grosseiro, exibindo um ar de superioridade por viver em Nova York, a "capital do mundo" ("Waaall.... "). Entretanto - por mais que isso soe tão contraditório quanto o próprio Francis -, é impossível não reconhecê-lo como um homem extremamente culto, e que não tinha nenhum medo de defender suas convicções.

E a verdade é que jamais deixei de ler sua coluna Diário da Corte, n'O Globo.

Hoje, passada uma decáda, chego à conclusão de que desenvolvi o velho clichê da relação de "amor e ódio" para com Paulo Francis.

Devo reconhecer (historicamente - por razões etárias, não presenciei tais acontecimentos) o seu papel importante como colaborador d'O Pasquim durante a ditadura militar, assim como a sua (elogadíssima) atividade como crítico literário. E é curioso ler/ouvir relatos de pessoas próximas a Francis o definindo como "uma homem afável e carinhoso" - o que nos faz concluir que a sua pessoa pública "demolidora" era apenas... um avatar.

E com tudo isso... fica fácil dimensionar a falta que ele faz.


Relembre a locução muito peculiar de Paulo Francis nesse hilário video com alguns de seus erros de gravação.


quinta-feira, janeiro 25, 2007

Antônio Carlos Jobim: 80 anos

Essa efeméride jamais poderia deixar de ser mencionada aqui: ANTÔNIO CARLOS JOBIM [em foto de Ana Lontra Jobim, viúva do compositor], se vivo estivesse, completaria hoje 80 anos de idade.

O Maestro Soberano (que recebeu essa deferência na belíssima canção "Paratodos", do igualmente genial Chico Buarque de Hollanda) deixou uma obra ímpar, respeitada internacionalmente, com verdadeiras pérolas como "Eu Sei que Vou te Amar", "Wave", "Estrada do Sol", "Retrato em Branco-e-Preto (Zíngaro)", "Luíza", "Águas de Março","Lígia", "Anos Dourados" e as fundamentais "Chega de Saudade", "Desafinado" e "Garota de Ipanema", entre muitas outras.

No entanto (por ironia), o inestimável legado do músico ainda NÃO foi reconhecido em sua plenitude no seu próprio país. As manifestações em torno de seu octogenário - considerando a envergadura do homenageado - têm se mostrado... tímidas. Mas um dia, quem sabe, o Brasil irá... despertar e perceber a grandeza de homens como Jobim e o supracitado Chico Buarque, assim como Radamés Gnatalli e Heitor Villa-Lobos.

No release do último CD de Jobim, Antônio Brasileiro, Caetano Veloso o classificou como o "o sol da nossa música".

E pouquíssimas definições poderiam ser mais precisas do que essa.



"...longa é a arte; tão breve a vida..."

("Querida", Antônio Carlos Jobim, 1994)

José Dirceu: entrevista na Rolling Stone Brasil

Bem interessante a entrevista com o ex-Ministro-chefe da Casa Civil e Deputado Federal cassado (exercendo atualmente a função de advogado, com escritório em São Paulo), JOSÉ DIRCEU, concedida à revista Rolling Stone Brasil desse mês.

Dirceu (natural de Passa Quatro, MG - município que conheço muito bem) afirma que nenhum indício comprometedor foi encontrado na quebra de seu sigilo bancário, telefônico e fiscal, entre julho de 2005 e novembro de 2006; que a família de Celso Daniel [ex-prefeito de Santo André, assassinado em 2002] retirou a acusação contra ele; e também que foi absolvido pela CPI dos Bingos.

Tais fatos, obviamente, vêm corroborar a impressão deixada pelo silêncio sepulcral, constrangido, que tomou conta da Câmara Federal após o resultado da votação que culminou na cassação de seu mandato: tratava-se realmente de uma punição de cunho político.

E sem provas.

O ex-Ministro assegura que conseguirá provar a sua inocência e, conseqüentemente, tentará readquirir os seus direitos políticos (Dirceu está inelegível até 2015).

E, francamente, não duvido.

A íntegra da entrevista você lê aqui.

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Falando em Lennon.....


...vejam essa frase:


"É bem básico enquanto você cresce na classe operária, como eu cresci, odiar e temer a polícia como um inimigo natural e desprezar o Exército como algo que leva as pessoas embora para morrer em algum lugar".


JOHN LENNON fez essa declaração em 1971, ao jornal inglês Red Mole (traduzindo: "Toupeira Comunista" - um primor de um nome, não?). Essa entrevista - considerada a mais politizada do ex-beatle em toda a sua carreira - jamais havia sido publicada no Brasil até então e foi a matéria de capa da revista Bizz de setembro de ano passado (por ocasião do lançamento do filme-documentário The US vs. John Lennon, que retrata a verdadeira "guerra" que o músico inglês travou contra o governo norte-amerciano da época, em função de seus posicionamentos políticos - contra a guerra o Vietnã, por exemplo - que desagradavam à Casa Branca.

Bem, o artista até pode decidir ser apolítico - é um direito que o assiste. Contudo, se optar por despertar essa consciência em seu público (mas atenção: NUNCA de maneira partidária - porque ele também pode, por equívoco ou má-fé, induzir as pessoas ao erro), sua visibilidade terá sido utilizada de modo bem mais útil e responsável do que apenas entreter... e ganhar dinheiro.

E, verdade seja dito, conscientizar foi o que Lennon fez durante a maior parte de sua vida pública. Ainda que ele também tenha enchido os bolsos cantando "imagine no possessions" e... construído várias mansões nos EUA. Mas isso é uma outra história.

Caso você queira acessar a entrevista no original em inglês, é só clicar aqui.

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Mais uma dos Beatles...

Quase 37 anos após o encerramento de suas atividades, os BEATLES continuam atraindo (e é bom que se diga: MERECIDAMENTE) a atenção do planeta diante de uma simples... menção ao nome da banda. Há menos de três meses atrás, foi editado Love, que serviu como trilha sonora para a última turnê mundial do Cirque du Soleil - apresentando brilhantes colagens musicais, feitas por SIR GEORGE MARTIN e seu filho, Giles. E eis que temos agora mais novidades relacionadas aos Fab Four.

Segundo o Daily Express, PAUL McCARTNEY planeja terminar a inacabada demo de "Now and Then", que traz os vocais de JOHN LENNON. Uma fonte declarou ao jornal britânico que Paul sempre ficou "incomodado" pelo fato de essa canção jamais ter sido finalizada, por enxergar nela "um grande potencial". "Agora ele espera terminá-la, gravando os backing vocals, mantendo John na voz principal. Seria emocionante ouvir os dois cantando juntos mais uma vez".
Na verdade, McCartney gostaria de ter trabalhado na canção desde o lançamento da série Anthology - assim como foi feito com outras duas fitas de Lennon, entregues por Yoko ono para os três beatles sobreviventes: "Free as a Bird" (que foi lançada, com grande estardalhaço, no volume 1) e "Real Love" (que integrava o volume 2). Entretanto, GEORGE HARRISON (falecido em novembro de 2001), vetou a idéia por não considerar a canção "boa o suficiente" para justificar a empreitada. E essa foi a razão pela qual o terceiro volume de Anthology não apresentou nenhuma inédita.

A intenção de Paul McCartney é lançar "Now and Then" como um single. Contudo - a exemplo das supracitadas "Free as a Bird" e "Real Love" -, essa não será a primeira vez que a canção verá a luz do dia: as três aparecem no bootleg (de grande valor histórico) Free as a Bird - The Dakota Beatle Demos [1996], que reunia (como o próprio título anuncia) canções inéditas de Lennon, supostamente gravadas em seu apartamento no Edifício Dakota, em Nova York.

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Faz Parte do Meu Show’, de Cazuza

Pouquíssima gente sabe que "Faz Parte do meu Show" [faixa do ótimo álbum Ideologia, 1988], grande sucesso na voz de Cazuza [em foto de Flávio Colker], foi gravada primeiro, em um compacto, pelo Herva Doce ("Amante Profissional", "Erva Venenosa (Poison Ivy)"), grupo cujo vocalista era Renato Ladeira, co-autor da canção.

No livro Preciso Dizer Que te Amo - Toda a Paixão do Poeta, Ladeira conta que enviou a música para que Cazuza fizesse a letra. Até que, em uma madrugada no Baixo Leblon, o poeta chega no bar onde Ladeira estava, cantando a plenos pulmões: "Faz parte do meu show/ faz parte do meu show/ meu amor... Já fiz a nossa música!".

O curioso é que, apesar de Cazuza ter levado a canção em direção à bossa nova (com um belo arranjo de cordas assinado pelo maestro paranaense
Walter Branco), a gravação do Herva Doce - bem interessante, aliás - era uma balada pop.

Outra curiosidade: existe um trecho da letra - que, aliás, foi cortado da versão contida em Ideologia - que aparentemente resumia a própria história do ex-vocalista do Barão Vermelho ("Sonho, paixão/ aventura... e dor/ faz parte do meu show, meu amor").

O compacto do grupo foi lançado em 1986 e, obviamente, é considerado hoje uma raridade. Ladeira e Cazuza fizeram outras duas parcerias: "Desastre Mental" [faixa-título do disco que o Herva Doce editou em 1986 - registrada inicialmente em 1985 pelo Exagerado, em seu primeiro álbum solo] e "Amor Quente", que fazia parte da trilha da novela O Dono do Mundo, 1991, na voz de Lela Badaró.


Ouça a versão do Herva Doce de "Faz Parte do Meu Show
" - em gravação "ripada" de vinil:




(Nota: no portal oficial da Jovem Guarda, há uma entrevista com Renato Ladeira, que fala, entre outros assuntos, a respeito da volta do lendário grupo A Bolha, do qual foi membro, nos anos 70. O link que conduz diretamente à matéria está aqui.)



E ouça aqui a conhecidíssima gravação de Cazuza:

quarta-feira, dezembro 20, 2006

IM: edição de dezembro/2006


Esses são os os destaques da edição de dezembro do jornal IM - INTERNATIONAL MAGAZINE:

  • tudo sobre Love, o mais recente lançamento dos BEATLES , com colagens sonoras feitas pelo maestro GEORGE MARTIN e seu filho, GILES; artigo de MARCELO FRÓES;
  • o show exclusivo dos MUTANTES para o Fantástico, por MARCELO FRÓES;
  • uma entrevista exclusiva (realizada em 2002) do recém-falecido maestro ROGÉRIO DUPRAT, por LEANDRO LUIZ RIBEIRO;
  • outra entrevista exclusiva: com o grande ANTÔNIO ADOLFO e sua filha, CAROL SABOYA, por ocasião do CD ao vivo gravado pela dupla, por CÉLIO ALBUQUERQUE.

E artigos meus sobre:


  • Música ou ativismo político: saiba mais sobre 18 Singles, aquela que visa ser a coletânea "definitiva"do U2;
  • The Road to Escondido, o álbum que reúne J.J. CALE, autor do clássico "Cocaine", e seu ilustre "fã", ERIC CLAPTON;
  • o álbum de canções medievais de Sting, Songs from the Labyrinth;
  • o surpreedente Return to Cookie Mountain, o terceiro disco da banda americana TV ON THE RADIO, uma das atrações desse ano do Tim Festival;
  • Twentyfive, a compilação (disponível em versão dupla ou tripla) lançada para marcar os 25 anos de carreira de GEORGE MICHAEL;
  • e O Auto-reconhecimento do Brasil, uma reflexão sobre música rural e afins.

Já nas bancas!


Ouça aqui trechos de:


quinta-feira, novembro 23, 2006

Roberto Carlos: CD de 2005 (ainda)

A resenha do álbum de 2005 de Roberto Carlos que escrevi para o IM - INTERNATIONAL MAGAZINE no início desse ano - e que já estava disponível no site oficial da JOVEM GUARDA - a partir de agora pode ser lida (tardiamente) também no portal CLUBE DO REI. O link que conduz diretamente ao artigo está aqui.

Vale lembrar que, para acessar o conteúdo da página, é necessário efetuar um cadastro, fornecendo nome e e-mail - para o qual é enviada a senha do usuário.

No detalhe, a curiosa foto alterada por computador que ilustra a matéria: o Rei trajando uma roupa de uma cor absolutamente insólita para os seus padrões....