domingo, julho 29, 2007

I'm Back!

Depois de um breve-porém-tenebroso inverno (probleminhas de saúde na família - que, graças a Deus, estão sendo contornados), no qual postei nesse blog apenas UMA única vez em quase trinta dias (!), eis-me aqui novamente nessas mal traçadas weblinhas.

E mãos à obra. ;)

terça-feira, julho 03, 2007

International Magazine: edição de junho/2007


Apesar do enorme atraso nesse meu post, a edição de junho do jornal IM - INTERNATIONAL MAGAZINE já está nas bancas há pelo menos uns quinze dias. E esses são os destaques desse mês:

  • faixa-a-faixa exclusivo com David Kahne, produtor de Memory Almost Full, novo álbum de Paul McCartney. Por Cláudio Dirani;
  • tudo sobre o aguardado segundo disco dos Kaiser Chiefs. Por J.M. Santiago;
  • os 35 anos do clássico Exile On Main Street, dos Rolling Stones. Por Rodrigo Fernandes;
  • a caixa (contendo três DVDs) Biografitti, de Rita Lee. Por Emílio Pacheco.

E artigos meus sobre:

  • o CD Convida - Volume II, de Erasmo Carlos:
(...) "Exatamente 27 anos depois do cavalo-de-vendas Erasmo Convida, o Tremendão decidiu repetir a dose: convocou nomes ilustres para reler alguns momentos de uma obra simplesmente brilhante. E conseguiu o que provavelmente o que nem todos imaginavam: realizar um disco de duos tão bom quanto o anterior. Na verdade, muitos irão considerá-lo até... melhor." (...)

  • o DVD Ao Vivo, de Jorge Vercilo:
"Quase doze meses após o seu lançamento, Ao Vivo (também editado em CD, pela EMI), o mais recente trabalho do carioca Jorge Vercilo, foi recentemente laureado com o DVD de Ouro. Pelos novos parâmetros adotados pela APPB (Associação Brasileira dos Produtores de Discos), as quase trinta mil cópias vendidas credenciam o músico à premiação. Esse é o seu segundo DVD - o primeiro foi Livre, 2003. No mês passado, Jorge também recebeu o Prêmio Tim, na categoria Melhor Cantor Pop.

"Vercilo é um daqueles típicos casos de artista que tem público cativo - e cada vez mais numeroso - , mas que, por outro lado, não obtém respaldo por parte da crítica "especializada" (sim, com aspas). Mas por que será?
" (...)

  • o CD e DVD Luau MTV, de Nando Reis:
"Menos de doze meses após o seu último trabalho, Sim e Não, Nando Reis, sempre acompanhado de sua banda Os Infernais, coloca no mercado Luau MTV (Universal). O repertório conta com canções do supracitado Sim e Não (como a delicada "Espatódea", "N" e a pop "Sou Dela"), alguns momentos de sua carreira solo ("Quem Vai Dizer Tchau?" e "A Minha Gratidão é uma Pessoa", lançada, na verdade, pelo Jota Quest) e uma inédita, a mediana "Tentei Fugir". "As Coisas Tão Mais Lindas", gravada originalmente por Cássia Eller, recebe, pela primeira vez, registro do autor." (...)

  • o CD The Good, The Bad & The Queen, do The Good, The Bad & The Queen:
"Depois da literal "banda desenhada" [nota: esse é o termo utilizado em Portugal para designar história em quadrinhos] Gorillaz, muita gente esperava de Damon Albarn um novo álbum do Blur. Pois é, não foi dessa vez. O músico britânico optou por recrutar Paul Simenon (sim, esse mesmo: o baixista do Clash), Tony Allen (baterista de Fela Kuti) e o guitarrista Simon Tong (Verve) para pôr em prática o projeto The Good, The Bad & The Queen. O grupo, além de ter tocado na edição desse ano do conceituado Coachella Music Festival, na Califórnia, acaba de editar mundialmente o seu primeiro álbum, epônimo, pela EMI." (...)

  • os CDs 7 Sinais, de Almir Sater; e No Auditório Ibirapuera, de Renato Teixeira:
"Existe um Brasil bem diferente daquele que nós, moradores das grandes capitais, conhecemos - e que muitos, na verdade... nem conhecem. E esse outro Brasil é um lugar onde ainda se ouve a cigarra (e não tiros) anunciando o sol do dia seguinte e onde, pela manhã, o galo ainda canta - assim como os pássaros à tarde. Nesse país diferente, as pessoas não têm tanta pressa, conseguem sorrir, e o mato... ainda cresce.

"E essa terra é cantada com grande propriedade pelos notáveis (e parceiros) Almir Sater e Renato Teixeira, ambos com novos trabalhos:
7 Sinais (Velas) e No Auditório Ibirapuera (Som Livre), respectivamente." (...)


Leia a íntegra dessas matérias - e muito mais - no IM - INTERNATIONAL MAGAZINE desse mês. Nas bancas.

sexta-feira, junho 29, 2007

Skank: nova versão de "Tão Seu"

A nova campanha publicitária do Banco do Brasil tem como trilha sonora uma versão exclusiva que o Skank gravou para o antigo hit "Tão Seu".

Originalmente lançada em O Samba Poconé, de 1996, a faixa era um ska típico, com metais - bem condizente com o "antigo estilo" da banda mineira. Já a nova gravação (bem legal, aliás) segue a cartilha adotada pelo grupo a partir de Maquinarama, de 2000: de canções propriamente ditas - com inegável influência dos sacrossantos Beatles -, sem relação alguma com ritmos jamaicanos (saiba mais sobre Carrossel, o mais recente álbum de Samuel Rosa e cia., aqui).

Bem, você não tem conta no BB (eu também não tenho) e quer baixar a música, acertei? Ah, isso não é problema: para fazer o download, não é necessário ser cliente do banco. Basta acessar o site, clicando aqui.

A capa de "Sky Blue Sky"

Muitas vezes, o engenho de um disco começa logo na capa: para quem imaginava que a arte gráfica do ótimo Sky Blue Sky, do Wilco, era um desenho, eis a revelação: trata-se de uma fotografia mesmo.

O autor é o italiano Manuel Presti, que, justamente por essa foto, foi agraciado com o Wildlife Photographer of the Year 2005, organizado anualmente pelo Natural History Museum em conjunto com a BBC Wildlife Magazine. Fonte: o próprio site da BBC.

Falando no homem...

McCartney, todo antenado, teve uma idéia inusitada: gravou uma série de comentários e, com isso, criou uma espécie de... entrevista on line. Eu explico: o internauta acessa o site, faz uma pergunta (destacando em maiúsculas a palavra-chave) e Paul - claro, desde que a resposta à referida pergunta esteja gravada no bando de dados do site - "responde".

Por exemplo: se você pedir para que ele toque "EVER PRESENT PAST" (com a grafia exatamente assim, em maiúsculas), Macca pega o violão... e toca. Se você perguntar suas bandas preferidas, ele citará Kaiser Chiefs, Razorlight, etc. Mas se você tocar nos assuntos HEATHER MILLS ou JOHN LENNON, o espertalhão diz: "Desculpe, não entendi. Próxima pergunta?"

De qualquer forma, é bem divertido o negócio. Quer conferir? É só clicar aqui. Detalhe: após fazer uma pergunta, não demore muito a fazer a próxima - senão Paul se "entedia"... e boceja.

sexta-feira, junho 22, 2007

Passado sempre presente

Em seu novo disco, Memory Almost Full, Paul McCartney fala de suas lembranças. E também da idéia de fim.


Desde o lançamento de seu último álbum de inéditas, o belo e introspectivo Chaos And Creation In The Backyard (2005), Sir Paul McCartney não viveu momentos exatamente... tranqüilos. O ex-Beatle, depois de décadas na EMI, mudou de gravadora e viu o seu divórcio virar manchetes no mundo inteiro.

Apesar das intempéries, Memory Almost Full, ironicamente, soa mais... alegre do que o seu trabalho anterior. Este é o 21º disco solo de McCartney - o primeiro pelo selo Hear Music, empreendimento que envolveu a rede de cafeterias Starbucks e a gravadora Concord Music, o que fará com que seja comercializado tanto em lojas convencionais como nas filiais da Starbucks. Também será a primeira vez em que Paul disponibilizará um CD seu em formato digital. Consta que Macca ficou insatisfeito com a divulgação de Chaos And Creation ("a EMI não fez nada pelo álbum nos EUA") - e a ele foi prometido que o mesmo não aconteceria dessa vez.

O título alude à linguagem dos computadores, mas a intenção é mais ampla. Paul refere-se à sua própria "memória", repleta de recordações alegres e tristes de uma longa vida. O próprio músico definiu o disco como "um disco muito pessoal e, em muitos momentos, retrospectivo, desenhado da memória, como lembranças de garoto, de Liverpool e verões passados. (...) Creio que isso acontece porque estou nesse ponto de minha vida, mas então penso nas vezes que compus com John - e muito daquilo também foi feito olhando para trás. É como eu mesmo em 'Penny Lane' e 'Eleanor Rigby' - ainda estou usando os mesmos truques!"

De fato: ouvintes atentos encontrarão referências (intencionais?) a vários momentos da carreira do ex-Beatle nas 13 faixas do álbum - todas inéditas. O maior potencial comercial, no entanto, reside em "Ever Present Past", que já nasce clássica. Trata-se de uma verdadeira pérola pop, daquelas que ele (autor de algumas das mais lindas melodias do mundo) sabe fazer como poucos. E que certamente deverá funcionar muito bem ao vivo.

"Dance Tonight" é uma canção simples, descontraída, marcada por um bandolim que lhe confere ares folclóricos. "See Your Sunshine" soa, desde os vocais da introdução (bem Linda McCartney, aliás), como algo do Macca circa anos 80 - tipo Pipes of Peace. "Only Mama Knows" começa com um suave arranjo de cordas. Subitamente, entram as guitarras, a cozinha rítmica - e, ao iniciar o vocal, o andamento acelera. A partir daí, temos uma faixa vigorosa, estilo "Junior's Farm".

A melódica e tristonha "You Tell Me" é estruturada ao violão de aço e cantada em falsete. "Mr. Bellamy" - um dos melhores arranjos do álbum - passeia entre o sombrio e o delicado. "Gratitude" é uma balada ao piano, com um leve sabor R&B, que mostra McCartney cantando de modo visceral, como em "Maybe I'm Amazed". Na letra, bastante pessoal, ele diz que, apesar de tudo, não quer "trancar o coração". E emociona:

Eu estava sozinho, vivendo com uma lembrança.
Mas minhas noites frias e solitárias terminaram
quando você me protegeu.

Amado por você, eu era amado por você

Quero lhe mostrar minha gratidão.

O espectro dos Beatles se faz presente, em especial, na suíte que engloba quatro músicas da segunda metade do álbum, numa inequívoca referência a Abbey Road: "Vintage Clothes" (curiosamente, uma visão crítica da nostalgia), prima de "If I Needed Someone", de George Harrison; os bons solfejos da discursiva "That Was Me" (que lembra bastante "Spinning On An Axis", de Driving Rain, 2001); "Feet In The Clouds" (impossível não pensar em "Every Night"), na qual vocoder e cordas convivem harmoniosamente; e "House of Wax", uma faixa de matizes épicos - e que apresenta um belo solo de guitarra.

"Nod Your Head", que encerra os trabalhos, é cantada de modo raivoso - ele tem a sorte de a sua voz não ter envelhecido nadinha - o que remete o ouvinte imediatamente a "I'm Down" ou "Helter Skelter".


Álbum mantém o nível do primoroso CD anterior

Já "The End Of The End" merece ser ouvida com uma atenção toda especial. Esse é o momento mais pungente de todo o álbum - e certamente um dos mais intensos de toda a carreira do baixista. Poucas vezes ele permitiu-se ser tão... autobiográfico. Depois da desilusão do fim de seu segundo casamento, Paul, aos 65 anos, talvez já consiga vislumbrar... o fim da estrada. Em versos comoventes, McCartney expõe os seus "últimos desejos". E mostra-se, inclusive, espiritualizado:

No final do final,
é o começo de uma viagem para um lugar muito melhor -
e isso não seria ruim.

Então, um lugar muito melhor teria que ser especial -

não precisa ser triste.

No dia em que eu morrer,
gostaria que piadas fossem contadas

e estórias antigas sendo roladas
como carpetes
nos quais as crianças brincaram. (...)


Produzido por David Kahne (que já trabalhou com Sublimes, Strokes e Bruce Springsteen), Memory... começou a ser concebido, na verdade, em 2003 - tendo sido interrompido para dar lugar a Chaos And Creation. E, a exemplo deste último e dos dois trabalhos anteriores - os bons Flaming Pie (1997) e o já mencionado Driving Rain - em Memory..., Paul gravou sozinho praticamente todos os instrumentos.

[Nota: consta que Nigel Godrich, o produtor do último álbum, teve peito para rejeitar várias canções que McCartney levou para o estúdio durante as gravações, o que acabou gerando atritos entre os dois. Conclusão: algumas dessas faixas do disco novo podem ser as tais em que Paul acreditava - mas que não agradaram a Godrich.]

Memory Almost Full, além de manter o nível de seu primoroso antecessor, é um trabalho absolutamente condizente com a (ímpar) trajetória do músico. E não deixa de ser admirável o fato de Paul, mesmo tendo um nome a zelar, não abrir mão de criar, de olhar para frente - ainda que esse olhar carregue uma certa... nostalgia.

Mas não seria justo culpá-lo por isso: afinal, recordações... ele deve ter de sobra.

quinta-feira, junho 14, 2007

Giancarlo Rufatto & Lo-fi Dreams: em Curitiba

Recebi hoje da minha amiga Kátia Sandrin, também jornalista, o seguinte e-mail:

"Olá, pessoal. A partir de amanhã, começo uma série de shows pelas ruas cidade de Curitiba. O plano é reunir imagens para dois clipes que serão lançados junto com um disco daqui algum tempo. Mas não é só isso: o projeto também inclui um documentário sobre a vida de algumas pessoas que sobrevivem duramente de musica pelas ruas de Curitiba. Artistas que não tem pai rico, não são filhos de fazendeiros, não moram em apartamentos de luxo. Muitos só estão ali para ter o almoço e a janta do dia. Outros ficam emocionados apenas de voce gastar minutos para com eles. Eles são os verdadeiros invisíveis e estão em todas as cidades do Brasil. Por isso, amanhã, quando voce passar por algum artista, pare um minuto, diga "como vai?". Se eles estão ali tocando a música que gostam ou a que fazem (apesar de todos os problemas que alguns possuem) é porque um dia se apaixonaram pela música - assim como eu, você, todo mundo. Amanhã, 12:00am no Terminal Guadalupe, Curitiba. Passe por ali e venha ouvir um pouco de música sobre pessoas de verdade.

Próximos shows
(datas serão confirmadas):

  • Praça Zacarias;
  • Cruzamento da Marechal Deodoro com a Marechal Floriano;
  • Show com a banda Ventosur na rua XV;
  • Acompanhando artistas da rua XV."

Bem, está dado o recado. Quem estiver em Curitiba, pode conferir o som de Giancarlo Rufatto & Lo-fi Dreams. E quem não estiver, pode visitar o My Space dos caras: http://www.myspace.com/lofidreams.

Abração. ;)

domingo, maio 27, 2007

International Magazine: edição de maio/2007

Esses são os os destaques da edição de maio do jornal IM - INTERNATIONAL MAGAZINE:


  • tudo sobre o insperado Acústico MTV, de Lobão. Por Tom Neto.
(...) "Como não poderia deixar de ser, a polêmica começou muito antes do lançamento do álbum. Tão logo foi feito o anúncio de que Lobão sentaria no banquinho da emissora paulistana, muitos estranharam a decisão do músico. E a imprensa, claro, não perdeu a piada - classificando-o até como um... 'cordeiro'.

"O grande questionamento era: depois de tanto vociferar contra a ditadura estética do jabá imposta às rádios pelas grandes gravadoras e afirmar que certos artistas usam o acústico como um "desfibrilador" (para ressuscitar suas carreiras moribundas), o artista agora "se rende às corporações"? Mas o pior é que ele tem dois álibis." (...)


  • os 40 anos de Sgt. Pepper's. Por Gustavo Montenegro;

  • dose dupla de Caetano Veloso: a cobertura do show (por Rodrigo Sabatinelli) e a resenha sobre o box Quarenta Caetanos - Vol .II - 74 e 85 (por Luiz Felipe Carneiro);

  • entrevista exclusiva com Rodrigo Santos, baixista do Barão Vermelho, falando sobre o seu primeiro CD solo. Por Elias Nogueira;



E outros artigos meus:

  • CD Sky Blue Sky, do Wilco:
(...) "A banda americana era um dos expoentes do chamado "country alternativo" - que se convencionou chamar de alt.country -, marcado pela adição de dissonâncias e efeitos até então incomuns ao gênero. Só que, dessa vez, a proposta é outra.

"Distante do experimentalismo do ótimo Yankee Hotel Foxtrot (2002), o grupo do vocalista Jeff Tweedy cometeu um disco bucólico, setentista, de canções propriamente ditas, embaladas em arranjos agridoces. Ou seja, o grupo fez um retorno às suas origens campestres." (...)

  • CD Favourite Worst Nightmare, dos Arctic Monkeys:
"Com seu primeiro álbum, os Arctic Monkeys provaram a eficácia de um hype de Internet nos dias de hoje: no ano passado, venderam mais de um milhão de cópias de Whatever People Say I Am, That's What I'm Not apenas na Grã-Bretanha - sendo as 364 mil logo na semana de lançamento (!) -, totalizando 2,1 milhões de cópias no mundo inteiro. Foi o álbum de estréia mais vendido do mercado fonográfico britânico em toda a história.

"Só que um estouro dessas proporções gera, inevitavelmente, um efeito colateral: a pressão sobre o trabalho seguinte. Na Inglaterra, o comentário é que, esse era "o mais aguardado segundo álbum" em dez anos." (...)

  • CD e DVD No Maracanã - Multishow ao Vivo, de Ivete Sangalo:
"Meses atrás, uma revista de cultura pop - ou contracultura, como eles preferem - teve a coragem de fazer uma matéria de capa com Ivete Sangalo. Os protestos nos fóruns de discussão na Internet foram imediatos. Mas o fato é que a publicação merece as congratulações. Sim, porque - mesmo que alguns não queiram - a cantora é notícia. E notícia não se escolhe - se .

E convenhamos: poucas coisas são mais repugnantes do que jornalismo tendencioso e/ou omisso." (...)



Leia a íntegra dessas matérias - e muito mais - no IM - INTERNATIONAL MAGAZINE desse mês.

Já nas bancas.

"E é por isso que eu bebo demais... "

CD
Back to Black (Universal)
2007 


Entre porres e vexames, Amy Winehouse convence como a nova diva da velha soul music

Ela é uma morena inglesa de apenas 23 aninhos, bonita (embora tenha perdido muito peso recentemente) e canta como a Sarah Vaughan. Ela é Amy Winehouse [que aparece na foto acima; aliás, uma bela foto] que, quatro anos após a sua estréia com Frank (um disco com acento mais jazzístico), acaba de colocar na praça seu segundo álbum, Back to Black, lançado mundialmente pela Universal.

Ao mesmo tempo classudo e visceral, Back to Black é um trabalho encharcado - e isso não é uma licença poética - de soul music. Sob uma formatação totalmente vintage, Winehouse narra, de modo dilacerado, todas as suas desventuras amorosas.

E etílicas.

A eficaz "Rehab" (single de sucesso no Velho Mundo) convence logo de cara. "Tears Dry On Their Own", a linda "Love Is a Losing Game" e "You Know I'm No Good" fariam o exigente Berry Gordy sorrir de orelha a orelha. É aquela história: a Motown, assim como a música dos Beatles, é como se, mal comparando, fosse um templo em que, volta e meia, alguém entra para acender uma vela...

Mas Amy Winehouse tem sido menos comentada pelo talento do que pelos... vexames. Se tudo isso é uma estratégia de marketing ou não, só ela sabe. Mas o fato é que a moça já coleciona uma série de... humincidentes públicos (shows cancelados, vômito no palco, etc), por conta de seu apreço pela manguaça.

O ápice do constrangimento foi Amy ter comparecido supostamente mamada ao programa de Charlotte Church, na TV britânica. A anfitriã ainda fez (ou tentou fazer) um dueto com sua convidada em "Beat It", de Michael Jackson. Entretanto, os erros cometidos por Winehouse durante a performance - e seu desempenho vocal abaixo da crítica - transformaram o duo em um espetáculo decididamente embaraçoso.

De qualquer forma, esqueça os pileques e ouça o disco. Vale a pena.




Confira o vídeo de "Beat It":

quarta-feira, maio 23, 2007

Caetano Veloso: Encontros O Globo


Dessa vez, Caetano Veloso foi o nome escolhido para mais uma edição do Encontros O Globo - Especial Música, realizada no auditório do jornal. Durante uma hora e meia, o compositor respondeu às perguntas da platéia, dos convidados e dos mediadores Hélio Eichbauer (cenógrafo de vários shows de Caetano - inclusive o atual, ), Cora Rónai (colunista do Segundo Caderno e responsável pelo suplemento Informática Etc.) e o jornalista Antônio Carlos Miguel. E também dos intenautas que enviaram suas perguntas através do site d'O Globo.

De ótimo humor, Caetano falou sobre sua falta de interesse pelos telefones celulares ("Jamais tive um"), arrancando risos do público. Opinou também sobre a presença de Gilberto Gil no Ministério da Cultura ("Somos amigos íntimos há muitos anos. E, na época, desaconselhei o Gil a ir. Porque ele estaria lá muito mais como símbolo do que por outra razão") e sobre a interdição do livro Roberto Carlos em Detalhes ("Fico incomodado com a idéia de proibição de um livro. Sobretudo um livro interessante e carinhoso como este. Tenho esperanças de que, um dia, essa decisão possa vir a ser revogada - embora eu saiba que, do ponto de vista jurídico, haja legitimidade na decisão de Roberto Carlos.")

Ao violão, explicou o seu processo de composição e cantou algumas canções, como "Outro", "Odeio", "Força Estranha" ("Não havia me dado conta de que nunca gravei essa") e "Minha Voz, Minha Vida".

Perguntei sobre dois projetos que estavam em andamento na época de lançamento do - Dezesseis Sambas e Novas Canções Sentimentais -, e ele respondeu de maneira prolixa:

- Ambos estão arquivados na minha mente. Se bem que, na verdade, eu tinha três projetos: esses dois; e um terceiro, também de rock, em que eu não apareceria. Seria um trabalho creditado a uma banda e eu ficaria escondido - até minha a voz seria gravada com distorções. Mas acabei transformando esse projeto no próprio - ainda que eu pense em fazer mais um trabalho com essa banda que me acompanha.

E prosseguiu:

- Algumas faixas que seriam incluídas em um possível álbum Dezesseis Sambas já foram utilizadas: "Musa Híbrida" foi gravada no ; "Luto" foi entregue à Gal; e "Tiranizar" [nota: registrada por Leila Pinheiro no CD Nos Horizontes do Mundo, 2005]. Já as Novas Canções Sentimentais, seriam todas inéditas e autorais, mas compostas na mesma estética desses sucessos populares que gravei e que fizerem sucesso. A única canção existente desse álbum seria essa, que fiz para o Peninha.

E emendou com "Tá Combinado".

Fui cumprimentá-lo no final, e agradeci por ele ter encerrado o evento cantando "You Don't Know Me" (do clássico Transa, 1972). Foi justamente essa música que eu havia lhe pedido.

A propósito: ninguém perguntou sobre a Luana Piovani...



Confira algumas fotos que tirei do Encontro:










Os três mediadores (da esq. para dir): Cora Rónai, Antônio Carlos Miguel e Hélio Eichbauer