quinta-feira, setembro 22, 2011

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Ao que Vai Chegar’, de Toquinho



Parceria de Toquinho com o baterista e compositor gaúcho Mutinho, “Ao que Vai Chegar” foi originalmente lançada em Sonho Dourado, álbum que o coautor de “Aquarela” editou em 1984. Naquele mesmo ano, tornou-se a música de abertura da novela Livre para Voar. Mesmo sendo apenas uma criança naquela época, logo percebi que estava diante de uma grande canção.

Contudo, só captei toda a essência de “Ao que Vai Chegar” muitos anos depois, quando meu filho estava “a caminho”. Foi então que tive a mais absoluta certeza de que — sem exagero algum — tratava-se de uma obra-prima.

Comovente, a letra é um diálogo de um homem com o seu próprio coração — a quem, embevecido, pede para “clarear o caminho” e “acender o olhar” do “novo amor” que “em breve, vai brilhar”. Fala de fé. Sonho. Força. Paixão. Paz. E “alegria de viver”.  

Dedico esta canção justamente àquele que “já chegou”. E que só tem trazido orgulho desde então.


“...e tanta coisa mais quero lhe oferecer...”


quinta-feira, setembro 15, 2011

Da série ‘Frases’: Pablo Neruda

Feche o livro e vá viver.”


“Adaptada” aos dias atuais, a frase do célebre poeta chileno Pablo Neruda (1904 —  1973) pode ser interpretada da seguinte forma: “Saia da frente do computador e vá fazer alguma coisa, caramba...”



Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Carioca’, de Chico Buarque

Com “apenas” alguns anos de atraso: a faixa que dá título à resenha de Carioca, álbum editado por Chico Buarque em 2006 [cujo link aparece na postagem sobre Chico, o mais recente trabalho do artista], chama-se justamente... “Carioca”.

Lançada originalmente no estupendo As Cidades, de 1998 [no detalhe, a capa], “Carioca” tem, em sua letra, arroubos de ufanismo sobre o Rio. Contudo, realista, não deixa de expor os flagelos da cidade — como, por exemplo, a prostituição infantil: “De noite, meninas / peitinhos de pitomba / vendendo por Copacabana as suas bugigangas”.

Em um elegante preto-e-branco, o vídeo foi filmado na esquina das ruas Sete de Setembro e Ramalho Ortigão, próxima à Confeitaria Cavé, no Centro do Rio, de onde o protagonista observa, em meio ao “pregão”, o “povaréu sonâmbulo, ambulando, que nem muamba”.



Da série ‘Polaroides do Rio’: Confeitaria Cavé


Também conhecida como Casa Cavé, a tradicionalíssima Confeitaria Cavé foi fundada, em 1860, pelo imigrante francês Charles Auguste Cavé, que ficou à frente do negócio até 1922. Portanto, é a mais antiga confeitaria da cidade.

Instalada, a princípio, na esquina da rua Uruguaiana [no detalhe], foi frequentada por figuras ilustres como o Marechal Deodoro da Fonseca, o Barão do Rio Branco, Olavo Bilac, Ruy Barbosa e José do Patrocínio, entre outros. 

Recentemente, transferiu-se para um imóvel vizinho, na rua Sete de Setembro, onde permanece como uma espécie de “elo perdido” entre os desleixados e turbulentos dias atuais e a elegância do Rio Antigo.

Da série ‘Frases’: Chico Buarque

Cidade Maravilhosa, és minha. 
O poente na espinha das suas montanhas
quase arromba a retina de quem vê.


Trecho de “Carioca”, do CD As Cidades, de 1998. Em tempo: a foto que ilustra esta postagem é de autoria de J. C. Couto.



Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Injuriado’, de Chico Buarque

Também lançado no supracitado Carioca, o impagável samba “Injuriado” foi gravado por Chico em dueto com sua irmã, Cristina Buarque. A letra corrobora, nas entrelinhas, a demolidora máxima de Nelson Rodrigues.

Na ocasião, surgiram rumores de que a faixa havia sido composta como uma espécie de “resposta” a Fernando Henrique Cardoso [no detalhe] — que, ainda presidente, classificou, em uma nota de bastidores, o autor de “Futuros Amantes” como um artista “elitista e ultrapassado”.

Chico, naturalmente, desmitificou:

— Isso é uma piada. Só rindo. Primeiro, porque não fiquei injuriado com nada. Segundo, porque nunca chamaria o Fernando Henrique de “meu bem”.



Veja o vídeo de “Injuriado”, extraído do DVD ao vivo Chico e As Cidades, de 1999:

segunda-feira, agosto 29, 2011

Da série ‘Polaroides do Rio’: o acidente no bondinho de Santa Teresa


O acidente no bondinho de Santa Teresa, ocorrido no sábado, 27, indignou-me duplamente. Primeiro, sem dúvida, pelas — até o momento — cinco vítimas fatais e 54 feridos na tragédia. Segundo, pela mancha (de sangue) em um dos mais tradicionais cartões-postais da cidade.

O bondinho funciona há 115 (!) anos. E é até compreensível o seu aspecto “vintage” — que, verdade seja dita, lhe confere um certo... charme, digamos assim. Entretanto, isso não é desculpa para a má conservação e a falta de manutenção do veículo, que visível para todos — tanto usuários quanto moradores do bairro. Some-se a isso a constante superlotação da atração, e temos aí uma “catástrofe anunciada”.

Sendo assim, fica no ar a pergunta: a partir de agora, quem terá coragem de passear naquele bondinho?

Ou será que a omissão das autoridades (in)competentes seria uma forma (desumana) de “justificar” a privatização do bondinho, o que certamente aumentaria o valor do bilhete, dos irrisórios R$ 0,60 atuais, para R$ 36,00 ou R$ 53,00 — preços do ingressos para o Trenzinho do Corcovado e para o bondinho do Pão de Acúçar, respectivamente. Desta forma, teríamos mais um ponto (na acepção da palavra) turístico — que, a exemplo dos dois citados, não estaria ao alcance de todos os cariocas e/ou residentes na cidade... 

É lamentável que o Poder Público esteja entregue a pessoas tão pouco comprometidas com a segurança e o bem-estar da população. A sorte é que todos eles passam. Todos.  

Mas o Rio de Janeiro fica.


Ouça a brilhante versão de João Bosco para “Rio de Janeiro (Isto É o meu Brasil)”, de Ary Barroso:


Força, Ricardo Gomes

A vida de um ser humano está, obviamente, muito acima de preferências futebolísticas. Sendo assim, o TomNeto.com se solidariza com os familiares de Ricardo Gomes [foto], que sofreu um AVC ontem, no segundo tempo da partida entre Flamengo e Vasco, no Engenhão. 

E deseja o rápido restabelecimento do técnico cruzmaltino.


***


É importante frisar que alguns idiotas — sim, idiotas —, que gritaram “vai morrer, vai morrer”, no momento em que a ambulância entrou no campo para levar Gomes ao hospital, não representam, em hipótese alguma, a Nação rubro-negra. Inclusive, houve um início de tumulto, logo controlado pela Polícia Militar, envolvendo (os verdadeiros) torcedores do Flamengo, que se revoltaram com esta minoria.

(Da mesma forma, tenho certeza absoluta de que aqueles que, em 1992, se divertiram — criando até uma paródia — quando uma grade da arquibancada do Maracanã cedeu, matando sete torcedores do Fla, também não são dignos representantes da torcida vascaína.)

Pasmem: houve quem tentasse justificar a atitude deplorável de ontem, afirmando tratar-se de “uma brincadeira”. 

A que ponto chegamos...

Da série ‘Frases’: Mario Quintana

Todos estes que aí estão
atravancando o meu caminho,
eles passarão.


Eu, passarinho!


O “Poeminha do Contra”, de autoria do brilhante poeta gaúcho Mario Quintana (1906 — 1994), é uma espécie de “mantra” para mim: tudo o que é ruim, passa. E sempre passará. E eu, “passarinho”.



sábado, agosto 20, 2011

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Querido Diário’, de Chico Buarque


Finalizadas as gravações de Chico, o novo álbum de Chico Buarque [foto], o artista decidiu que o álbum teria somente nove canções:

— Eu já havia feito um disco com nove músicas anteriormente, o Almanaque [de 1981]. Aí, lembrei da Ana Carolina, que gravou um assim [N9ve, de 2009]. E li que o Radiohead também [The King of Limbs, lançado este ano]. Então, fiquei tranquilo. Só que, “aos 45 do segundo tempo”, acabou surgindo mais uma faixa.

A “temporã” em questão é a modinha-de-viola “Querido Diário”, que, curiosamente, acabou sendo escolhida para abrir os trabalhos. Originalmente, tratava-se de um coco de versos bastante simples, composto em homenagem a duas de suas netas, Lua e Lia: “Lua, olha a Lia / Lia, olha a lua / no Japão / café com pão / vamos bater o coco, Tereza”.

Na gravação definitiva, apenas a melodia da cantiga foi preservada, na introdução. Mas a letra da canção em si foi conduzida para outra direção — nem um pouco pueril.


***


Primeira faixa de trabalho de Chico, “Querido Diário” fala, como o título entrega, das anotações de alguém no próprio diário. Contudo, em se tratando de Chico Buarque, não seria tão simples assim. 

Logo após o seu lançamento, a canção causou alguma polêmica com o trecho: “Amar uma mulher sem orifício...”. Houve que o classificasse como “o pior verso da MPB”.

Analisado isoladamente, o verso, de fato, soa estranho. Contudo, dentro do contexto no qual está inserido, faz todo o sentido. Quando Chico canta “Hoje pensei em ter religião / de alguma ovelha, talvez, fazer sacrifício / por uma estátua ter adoração / amar uma mulher sem orifício”, faz uma crítica (velada) a uma certa... hum, “irracionalidade” das religiões, que vem de tempos imemoriais. 

Exemplo: antigas civilizações que sacrificavam animais em devoção às suas “divindades”, etc...