sábado, janeiro 28, 2012

Da série: ‘São Bonitas as Canções’: ‘Mãe’, com Gal Costa



Sejamos francos: canções em homenagens às mães, em sua maioria, soam... óbvias — desprovidas da poesia que a maior referência na vida de cada um de nós mereceria. Exceção feita — além de “Lady Laura”, de Roberto & Erasmo, e “Let It Be”, dos Beatles — a “Mãe”, composta por Caetano Veloso que, curiosamente, jamais a registrou. 

Gravada por Gal Costa no álbum Água Viva, de 1978, a letra de “Mãe” — repleta de imagens caleidoscópicas — detecta, com precisão cirúrgica, uma grande verdade: não importa o que um homem tenha se tornado ao longo de sua vida. Não importa. 

Diante de sua mãe, ele será sempre... um menino. E jamais deixará de ser amado por ela. 


quinta-feira, janeiro 19, 2012

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Casa no Campo’, com Elis Regina



Ao longo destas três décadas após o desaparecimento de Elis Regina, inúmeras cantoras — várias delas dotadas de enorme talento, carisma e rigor na escolha de seus repertórios — surgiram no Brasil. Contudo, a lacuna deixada pela ausência da Pimentinha ainda não foi preenchida. 

E jamais será.

A essa altura, tudo já foi dito sobre Elis. Portanto, para celebrar a sua memória, nada mais oportuno do que recorrer à sua arte incomparável. E perene.

Clichê dos clichês, mas inevitável — e verdadeiro: 30 anos depois de sua morte, Elis Regina... vive.



Veja o vídeo da belíssima “Casa no Campo”, de Zé Rodrix e Tavito, gravada por Elis naquele que, muito provavelmente, é o meu álbum preferido da cantora — o de 1972:

Da série ‘Frases’: Chico Buarque

É preciso sempre desconfiar das coisas fáceis.”

(Chico Buarque, em entrevista à Rolling Stone Brasil, outubro de 2011)



sábado, dezembro 24, 2011

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Dead’s Man Rope’, de Sting


Faixa de Sacred Love [2003], o último álbum de inéditas de Sting, “Dead's Man Rope” fala de um indivíduo que trilha, durante “mil anos”, por um caminho de “vazio”, dor”, “raiva”. E acaba “se afastando de si próprio”. E do “amor de Jesus”.

Até que, uma noite, “a mão de um anjo” pousa sobre a sua cabeça, trazendo “a doce chuva do perdão”.

Em suma, trata-se de uma canção de conversão. E fé. Portanto, uma mensagem perfeita para refletirmos no dia de hoje. Um Natal de paz para todos vocês.



Veja o vídeo de “Dead’s Man Rope” extraído do DVD Inside: The Songs of Sacred Love, também de 2003. A canção cita “Walking In Your Footsteps”, de Synchronicity, o quinto (e último) álbum do Police — porém, em um contexto totalmente diferente...


Da série ‘Frases’: Lulu Santos

A alegria lubrifica o dia-a-dia


(Lulu Santos, “Manhas e Mumunhas”, CD Letra e Música, 2005)


sábado, dezembro 10, 2011

SuperHeavy: Mick Jagger em boa companhia



CD
SuperHeavy (Universal Music)
2011

Novo projeto do líder dos Rolling Stones é marcado pela colaboração e pela diversidade de estilos


Em seus quatro discos solo — She's The Boss [1984], Primitive Cool [1987], Wandering Spirit [1993] e Goddess in The Doorway [2001] —, Mick Jagger sempre se cercou de gente boa: Bono Vox (U2), Pete Townshend (The Who), Jeff Beck, Lenny Kravitz, o baixista Flea (Red Hot Chili Peppers) e o produtor Rick Rubin, entre outros. Em sua nova empreitada, não poderia ser diferente.

O líder dos Rolling Stones juntou-se à cantora Joss Stone, ao guitarrista Dave Stewart (ex-Eurythmics), a Damien “Jr. Gong” Marley (sim, o filho do “homem”) e ao produtor de trilhas de cinema A. R. Rahman, no projeto que atende pelo (pouco criativo) nome de SuperHeavy, que lança o seu primeiro CD, epônimo. Ainda que esteja de longe de ser “super pesado”, trata-se de um supergrupo — entenderam agora?

E, com todo o respeito aos demais, a grande verdade é que a presença de Jagger traz visibilidade extra ao trabalho.

Vamos ao que interessa: SuperHeavy, o álbum, é bom? Digamos que seja... mediano. Há algumas faixas palatáveis como “Rock Me Gently”, “One Day One Night”, “Never Gonna Change” e o pop rock “Energy”. Mas, no geral, nenhuma das demais faixas empolga tanto quando o reggae “Miracle Worker”, o primeiro single. Entretanto, o disco tem um trunfo: a diversidade de estilos. A segunda faixa de trabalho, inclusive, é cantada — graças ao indiano Rahman, autor da canção —, em sânscrito, o idioma das escrituras sagradas hindus: “Satyameva Jayathe”, que significa “a verdade triunfa sozinha”. 

Moral da história: bilionário e dono de uma das patentes mais famosas do pop, Mick Jagger — mesmo sem ter realizado um grande disco — ainda busca, fora da formatação sonora mais do que “cristalizada” dos Rollling Stones, o simples prazer de fazer música, por si só.

Ponto para ele.



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quarta-feira, novembro 30, 2011

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Love Is Strong’, dos Rolling Stones

Em 2012, os Rolling Stones completam 50 anos de carreira. Portanto, a efeméride deve ser comemorada de alguma forma. É bem verdade que os discos de estúdio da banda — embora sempre tenham boas faixas aqui e ali —, perderam a relevância há tempos. Sendo assim, o mais provável é que eles saiam em turnê, com uma coletânea nas prateleiras. E ainda que não passem pelo Brasil, o mundo parece um lugar mais legal quando os Stones estão na estrada.

A primeira vez em que a banda britânica tocou no Brasil foi em 1995, na turnê Voodoo Lounge [no detalhe, a capa]. A primeira faixa de trabalho desse álbum — que, curiosamente, deixou de integrar o set list do espetáculo — foi a lânguida “Love Is Strong”, uma espécie de “conversa ao pé do ouvido”, pontuada pela harmônica de Mick Jagger. 

O vídeo, gravado em um elegante preto-e-branco, mostra os Stones, assim como os demais transeuntes, como gigantes que, literalmente, “estremecem” Manhattan.



segunda-feira, novembro 28, 2011

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Start Me Up’, dos Rolling Stones

Nos extras do DVD quádruplo Four Flicks, de 2003, Keith Richards revelou que os Rolling Stones possuem um verdadeiro “baú”, repleto de canções inacabadas e sobras de estúdio.

— Temos uma verdadeira “montanha” de coisas. Tínhamos que arranjar tempo para “garimpar” aquilo tudo...

O guitarrista também contou que foi justamente daí que surgiu “Start Me Up”, originalmente um reggae (!) que acabou excluído da seleção final do álbum Black And Blue [1976]. Durante as sessões de Some Girls [1978], um dos integrantes da banda — Richards não se lembra quem — teve a feliz ideia de tocá-la com um andamento de rock. O resultado foi até satisfatório. Mas ainda não seria daquela vez que a faixa veria a luz do dia.

Em 1981, nas gravações de Tattoo You [no detalhe, a capa] — por sinal, um dos melhores títulos da discografia do banda britânica —, “Start Me Up” foi novamente resgatada do “limbo”. E deu no que deu: tornou-se um dos cinco principais cavalos-de-batalha dos Stones, ao lado de “Jumpin' Jack Flash”, “Brown Sugar” e “Sympathy For The Devil”, além de “(I Can't Get No) Satisfaction”, claro.




Veja o hilário vídeo de “Start Me Up”, onde Mick Jagger, abusando de suas habilidades histriônicas, é a própria personificação do escárnio:

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Miss You’, dos Rolling Stones


Depois de uma série de discos medianos no decorrer da década de 1970 — embora, neste período, tenham emplacado hits como “It's Only Rock n'Roll”, “Angie” e “Fool To Cry”, entre outros —, os Rolling Stones só voltaram a “acertar a mão” em 1978, com o álbum Some Girls* [à direita, a capa].

Apesar de apresentar a formatação sonora habitual dos Stones nos rocks (“Shattered” e “When The Whip Comes Down”), country (“Far Away Eyes”) e soul (“Beast Of Burden” e o cover de “Just My Imagination”), Some Girls flertou com gêneros musicais que estavam em voga na época, como, pasmem, o punk (em “Respectable” e “Lies”) e a discothèque, como é o caso de “Miss You”.

Faixa que abre o álbum, “Miss You”, tornou-se, instantaneamente, um dos maiores clássicos da banda. Em 1993, na entrevista de divulgação da compilação Jump Back – The Best Of Rolling Stones '71 — '93, Mick Jagger, provavelmente cioso de suas “raízes blueseiras”, rejeitou a (inegável) influência da disco music nesta canção:

— Aquela gaita que eu toco não é exatamente disco, concorda?

Jagger, à época, era casado com a modelo nicaraguense Bianca, que ficou envaidecida com a música, imaginando tratar-se de uma homenagem de seu ilustre marido. Mal sabia ela que Mick compôs “Miss You” tendo em mente a também modelo Jerry Hall [acima], com quem era visto com frequência em Nova York. A americana, por sua vez, antes de se envolver com Jagger, manteve um relacionamento com Bryan Ferry, vocalista do Roxy Music, . 

O líder dos Stones, aliás, não fez por menos: com uma grande dose de ousadia, inseriu, nas entrelinhas, o sobrenome da amada na letra da canção (“I've been waiting in the hall / been waiting on your call...”). Os versos de “Miss You”, aliás, escancaram a falta que Jagger sentia de Jerry, mostrando desinteresse até mesmo diante do convite de amigos para sair umas “garotas porto-riquenhas / que estão ‘doidas’” para conhecê-lo. 

Farta da situação, Bianca Jagger pediu o divórcio naquele mesmo ano. E Mick viveu com Jerry Hall durante 22 anos. Tiveram quatro filhos. Separaram-se em 1999, quando uma certa apresentadora brasileira deu à luz mais um herdeiro do sr. Lábios de Borracha: o menino Lucas Jagger. 


* Justamente neste mês de novembro, chegou às lojas uma versão remasterizada de Some Girls, que traz um CD-bônus, com várias faixas inéditas.



Veja o vídeo oficial de “Miss You”, cujo vocal foi gravado ao vivo. Reparem no impagável semblante do baterista Charlie Watts, que, durante todo o tempo, parece se perguntar: “O que será que estou fazendo junto com esse bando de malucos?”





E ouça a versão original, que apresenta a gaita que Jagger usou como “álibi” para retrucar a influência disco music na faixa:

sexta-feira, novembro 18, 2011

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Almost Hear You Sigh’, dos Rolling Stones

Uma das melhores músicas dos Rolling Stones nos últimos 25 anos está escondidinha no (bom) álbum Steel Wheels [no detalhe, a capa], de 1989.

Praticamente desconhecida, “Almost Hear You Sigh” — que lembra vagamente “Beast of Burden”, de Some Girls [1978] — é um soul com indisfarçável influência do som da Motown – que Mick Jagger, por sinal, desde o início de sua carreira, jamais fez questão de esconder. 

Perfeita na melodia do refrão e nos backing vocais, “Almost Hear You Sigh” ainda se beneficia de sutis — e pontuais — intervenções de um violão de nylon, que desemboca em um belo solo. 

Smokey Robinson, um dos principais compositores da Motown, provavelmente ficaria orgulhoso dessa faixa.