quarta-feira, dezembro 05, 2012

Da série ‘Frases’: Renato Russo

Deixa o copo encher até a borda / que eu quero um dia de sol / num copo d'água...”


Na faixa “A Montanha Mágica”, do (ótimo) álbum V, da Legião Urbana, Renato Russo fala — de modo cifrado — de sua luta contra o alcoolismo. 



terça-feira, dezembro 04, 2012

Da série ‘Causos’: Cream




Impossível falar sobre power trios como The Jimi Hendrix Experience sem mencionar o Cream [no detalhe], supergrupo por formado por Jack Bruce, Eric Clapton e Ginger Baker na década de 1960. 

Em apenas três anos (1966-1969), o Cream gravou quatro álbuns de estúdio — Fresh Cream, Disraeli Gears, Wheels of Fire e Goodbye — e encerrou as suas atividades, devido às brigas constantes entre Bruce e Baker. As apresentações da banda em sua reta final acabaram se tornando um mero espetáculo de exibicionismo por parte do baterista e do baixista/vocalista. 

Reza a lenda que, durante um show, Baker e Bruce começaram a improvisar alucinadamente, como se quisessem provar um para o outro quem era o instrumentista mais competente. Clapton, obviamente, percebeu a situação. E, para ver qual seria a reação da dupla, parou de tocar a sua guitarra.

Pasmem: os dois rivais sequer perceberam (!). E prosseguiram o seu “duelo” particular.




Em 2005, o Cream se reuniu para cinco apresentações no Royal Albert Hall, em Londres. Clapton revelou à imprensa que a ideia partiu dele. E foi motivada pelo estado de saúde dos ex-companheiros — Baker sofria de artrite e Bruce, vítima de câncer, havia passado por um transplante de fígado. A fragilidade física da dupla é visível no vídeo abaixo, do maior clássico do grupo, “Sunshine Of Your Love”, extraído do DVD Royal Albert Hall London May 2-3-5-6, 2005. A (exuberante) técnica instrumental do trio, entretanto, não se dissipou com o tempo. E, infelizmente, o mesmo se pode dizer das rusgas do passado. Observem que, antes de saírem do palco, Clapton e Bruce, sorridentes, se abraçam. Este e Baker, por sua vez, mal se olham... 


Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘I Shot The Sheriff’, com Eric Clapton


Um assunto acaba “puxando” o outro. Composta por Bob Marley, “I Shot The Sheriff” foi lançada pelos Wailers no álbum Burnin', de 1973. Logo no ano seguinte, foi regravada por Eric Clapton no seu 461 Ocean Boulevard [no detalhe, a capa], onde obteve o seu melhor desempenho comercial: foi direto para a primeira posição da Billboard.

Na edição 2010 do Crossroads Guitar Festival*, Clapton tocou uma versão simplesmente arrasadora de “I Shot The Sheriff”. Em oito minutos e meio (!), God mostra o músico repleto de recursos que sempre foi. E prova por que é considerado o maior guitarrista vivo do planeta — e o segundo maior da história do rock, perdendo apenas para Jimi Hendrix.



* O Crossroads é um festival beneficente, organizado por Clapton a cada triênio, com fundos revertidos para a sua fundação — o Crossroads Centre —, localizada na Antigua, no Caribe, com o objetivo de recuperar dependentes químicos.




domingo, dezembro 02, 2012

Da série ‘Causos’: ‘Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band’, com Jimi Hendrix



Para finalizar, por ora, o assunto Jimi Hendrix, um episódio que ajuda a ilustrar toda a sua genialidade. Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, considerado o melhor e mais influente álbum da história da música pop, foi lançado pelos Beatles no dia 01 de junho de 1967, uma quinta-feira.

Pois bem: Hendrix comprou o álbum e, provavelmente antevendo o que aquele trabalho viria a representar, aprendeu a tocar a faixa-título. Na noite de domingo — apenas três dias (!) após o lançamento do disco —, o guitarrista abriu o show que realizou no Saville Theatre, em Londres, com ela. 

Detalhe: na plateia, estava um atônito Paul McCartney, que mal acreditava no que estava vendo/ouvindo...



Veja o vídeo com a versão de Jimi Hendrix para o clássico “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band:


quinta-feira, novembro 29, 2012

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Little Wing’, com Sting





Ainda sobre Jimi Hendrix. No encarte de seu segundo disco solo de estúdio, ...Nothing Like The Sun [no detalhe, a capa], de 1987, Sting declarou:


“[O trio] The Jimi Hendrix Experience foi uma das primeiras bandas que vi tocar. Eu tinha 15 anos e havia comprado o primeiro compacto de Jimi, ‘Hey Joe’. Ele estava tocando no clube GoGo, em Newcastle [nota: cidade natal de Sting]. Eu nunca havia visto ou ouvido algo como aquilo na minha vida e suponho que jamais verei.


No álbum em questão, Sting regravou “Little Wing”, uma das mais belas — e delicadas — faixas de Hendrix. Naquele mesmo ano, o ex-Police ainda teve a felicidade de tocá-la ao lado de outro de seus “heróis”, em alguns shows que realizaram juntos: o figurão do jazz Gil Evans.




Embora até tenha se saído bem em sua releitura, a versão de Sting se baseia em critérios afetivos — e não supera o original de Hendrix. Entretanto, vale a pena assistir o fan vídeo abaixo, repleto de imagens inebriantes, que conseguem fazer o espectador... viajar:






Ouça a gravação original de “Little Wing”:




terça-feira, novembro 27, 2012

Jimi Hendrix: 70 anos




Em agosto de 1969, no final de sua apresentação no festival de Woodstock, Jimi Hendrix [no detalhe] (1942 — 1970) decidiu protestar, à sua maneira, contra a Guerra do Vietnã. Tocou uma (desconcertante) versão instrumental de “The Star-Spangled Banner”, o hino nacional dos Estados Unidos, emulando, em sua guitarra, sons de bombas, metralhadoras e aviões de guerra. E deixou a plateia simplesmente... perplexa. 

Acabou fazendo história.

Se vivo fosse, Hendrix completaria, no dia de hoje, 70 anos de idade. E é sempre oportuno celebrar a memória daquele que, de maneira inconteste, é considerado, em seu instrumento, o mais brilhante músico de todos os tempos. O Pelé da guitarra. 

A comparação não é descabida: assim como jamais surgirá um novo Pelé, nunca teremos outro Jimi Hendrix. Simples assim.




sábado, novembro 17, 2012

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Pensamentos’, de Roberto Carlos e Erasmo Carlos

Em 2011, Roberto Carlos visitou o Santo Sepulcro, um dos locais mais importantes do Cristianismo


Pensamentos” foi lançada por Roberto Carlos em seu álbum de 1982. E, embora tenha sido regravada por Simone em seu disco natalino 25 de Dezembro, de 1995, permaneceu fora do repertório dos shows de RC até 2011 (!), quando foi retomada no CD/DVD Roberto Carlos em Jerusalém, gravado ao vivo na Terra Santa.

Composta em parceria com Erasmo Carlos, “Pensamentos” é uma das mais brilhantes letras escritas pela dupla. Ou, talvez, a mais brilhante. Os versos abordam temas complexos como a convivência humana (“Quem me dera que as pessoas que se encontram / se abraçassem como velhos conhecidos / descobrissem que se amam / e se unissem, na verdade dos amigos”) e, em um espectro mais amplo, a tolerância entre os povos (“Se as flores se misturam pelos campos / é que flores diferentes vivem juntas”).

A narrativa vai ainda mais fundo, considerando a possibilidade de que exista, de fato, destino (“Onde, às vezes, aparentes coincidências / têm motivos mais profundos”) e questionando o sentido da vida (“Pensamentos que me afligem / sentimentos que me dizem / dos motivos escondidos / da razão de estar aqui (...) / e eu penso nas razões da existência / contemplando a natureza desse mundo”).

Através de belas imagens (“E, no topo do Universo, uma bandeira / estaria no Infinito iluminada / pela força desse amor, luz verdadeira / dessa paz tão desejada”), Roberto e Erasmo finalizam amparando-se na fé para tentar compreender os mistérios que envolvem a Criação (“As perguntas que me faço / são levadas ao espaço / e, de lá, eu tenho todas as respostas que eu pedi (...) / e a voz dos ventos na canção de Deus / responde a todas as perguntas”).

Pensamentos” suscita uma reflexão profunda sobre a existência humana — e o seu papel nesse planeta. E nada fica a dever a outras canções que tratam de questões existenciais, como “Imagine”, por exemplo. Por tudo isso, é inacreditável que tenha ficado “esquecida” pelo Rei durante tantos anos.



Ouça a versão de “Pensamentos” do CD/DVD Roberto Carlos em Jerusalém. Se desejar, veja o vídeo — cuja padrão de imagem e áudio está abaixo do desejável —, clicando aqui:


sábado, novembro 10, 2012

Com apenas duas inéditas, Roberto Carlos reafirma seu apelo comercial


EP
Esse Cara Sou Eu (Amigo Records / Sony Music)
2012



Sem editar um disco de inéditas desde Pra Sempre, de 2003 (!) — o seu álbum de 2005, embora gravado em estúdio, trazia apenas uma música inédita —, Roberto Carlos acaba de lançar EP de quatro faixas, sendo duas inéditas. Desde a pré-venda, Esse Cara Sou Eu passou a liderar as vendas do iTunes — o que reafirma o apelo comercial do cantor de 71 anos de idade, mesmo na era dos downloads ilegais.

Já bastante conhecida do público devido à execução diária na novela Salve Jorge, a faixa-título é o tipo de letra — que, aliás, lembra “Romântico”, canção de 1995 — na qual RC é mestre: clara. Franca. Objetiva. E que retrata uma situação que muitas pessoas já vivenciaram. Ou vivenciam. Ou, pelo menos, gostariam de vivenciar. Por tudo isso, Esse Cara Sou Eu” atinge em cheio — e com extrema facilidade — a sensibilidade do ouvinte. Para completar, o refrão, a despeito de sua simplicidade, pega. No ato.

A maior surpresa do EP, entretanto, é a segunda inédita do EP, a descontraída “Furdúncio”. Funk melody (!) no estilo de “Ela Só Pensa em Beijar” de MC Leozinho — com quem, aliás, o Rei cantou em seu especial global de 2006 —, foi composta em 2007 em parceria com Erasmo Carlos. A parte instrumental contou com a participação da cozinha de Lulu Santos — o baixista Jorge Aílton e o baterista Chocolate. Os mais atentos observarão as terças de vozes, que escancaram a experiência de cinquenta anos do artista em estúdios de gravação. E, por mais improvável que, a princípio, a (ousada) empreitada pudesse parecer... deu certo.

A terceira faixa de Esse Cara Sou Eu é a solene “A Mulher que Eu Amo”, lançada em 2009 na trilha sonora da novela Viver a Vida — e que, até então, jamais havia aparecido em nenhum trabalho do cantor. Balada ao piano adornada com cordas e repleta de versos pungentes (“Quando vem pra mim, é suave como a brisa / e o chão que ela pisa / se enche de flor”), não soaria deslocada em um álbum de Antonio Carlos Jobim. 

Fechando o repertório, “A Volta”, que obteve boa repercussão ao integrar a trilha da novela América, em 2005. Composta a quatro mãos com o Tremendão em 1966, tornou-se o maior sucesso da carreira da dupla Os Vips. Contudo, só foi gravada por Roberto em seu supracitado álbum de 2005, em um (bom) arranjo a la Dire Straits. 

Embora altamente positivo, o lançamento de Esse Cara Sou Eu indica que o aguardado CD de inéditas de Roberto Carlos não deverá mesmo ser lançado este ano. Sendo assim, conclui-se que o álbum só verá a luz do dia em 2014. Afinal, supersticioso, RC provavelmente não lançaria/lançará nada no ano de 2013...




Veja o (simples, mas eficiente) vídeo, com letra, de “Esse Cara Sou Eu:





E ouça o funk melody Furdúncio:


Da série ‘Frases’: Frei Betto


A Terra é uma mulata de escola de samba, que gira em torno do próprio corpo e sua por todos os poros, dançando ao redor do mestre-sala, o Sol. De fato, não há ontem, hoje ou amanhã. Há dia e noite. Portanto, não faz sentido falar em passado, presente e futuro. Tudo é presente. Ninguém vive o que aconteceu ou o que vai acontecer. Só a nossa cabeça é que oscila entre o que já passou e o que ainda não é. Se soubéssemos viver aqui e agora, tirando o máximo proveito de cada momento presente, seríamos bem mais felizes.”


Do livro Alucinado Som de Tuba, de Frei Betto, Editora Ática, 2006.


quinta-feira, novembro 01, 2012

‘Keep Moving Forward’: o ‘jingle de campanha’ de Stevie Wonder




Sete anos após o seu último álbum de inéditas — A Time To Love [2005], de onde saiu o seu hit mais recente, “From The Bottom Of My Heart” —, Stevie Wonder acaba de lançar novo single. Mas por motivos extramusicais.

Keep Moving Forward” é, despudoradamente, uma faixa de apoio à reeleição de Barack Obama [no detalhe, os dois amigos] à presidência dos Estados Unidos. Na letra (para lá de populista), Wonder, além de citar Obama nominalmente, afirma, com todas as letras, que ele é “o cara”.

Do ponto do vista musical, a canção traz o groove típico de SW, com um leve “tempero” árabe, já utilizado em faixas anteriores — e com resultados mais satisfatórios —, como “Pastime Paradise”, do clássico Songs In The Key Of Life, de 1976. 

É louvável quando um artista tem coragem de “dar a cara a tapa” e se posicionar politicamente. Mas o fato é que “Keep Moving Forward”, mero “jingle de campanha”, não fará a menor diferença na obra monumental do genial Stevie Wonder.




Veja o vídeo, com letra, de “Keep Moving Forward: