sábado, fevereiro 23, 2013

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Seven Nation Army’, do The White Stripes

“...a exemplo dos extintos The White Stripes...”

(“Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Tighten Up’, do The Black Keys”, fevereiro de 2013)



É sempre oportuno relembrar o maior hit do The White Stripes, “Seven Nation Army”, faixa de abertura de Elephant [2003], quarto álbum do duo [no detalhe, a capa] — e eleita a Melhor Música Rock daquele ano. 

Acreditem: o (antológico) riff de guitarra de Jack White, atual The Dead Weather, se transformou em hino de torcida de futebol ao redor do planeta — inclusive no Brasil!




sexta-feira, dezembro 28, 2012

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Celebration Day’, do Led Zeppelin





Para encerrar (por ora) o assunto Led Zeppelin: curiosamente, “Celebration Day”, a canção que dá título ao novo DVD da banda, está ausente do repertório. 

Faixa do (fantástico) Led Zeppelin III, de 1970 [no detalhe, a capa], “Celebration...” é tão genial que, além da letra totalmente alto-astral (“My, my, my, I'm so happy (...) / we are gonna dance and sing in celebration”), consegue, apesar do peso, ser... dançante (!). 

Enfim, é uma daquelas canções que despertam vontade de ouvir seguidas vezes. E, de preferência, em volume bem alto.





segunda-feira, dezembro 17, 2012

Roberto Carlos, ‘o cara’


Resenha de show
Data: 14 de dezembro de 2012
Local: Ginásio do Maracanãzinho — Rio de Janeiro



Orgulhoso de seu passado, mas olhando para a frente, RC já entra no palco com ‘o jogo ganho’

Eventualmente, Roberto Carlos é “acusado” de fazer, há décadas, “o mesmo show”, com “as mesmas músicas”. Uma análise mais atenta desmonta completamente essa teoria. Foi, aliás, o que RC provou, mais uma vez, diante de 11 mil pessoas, na apresentação realizada na noite de sexta-feira, 14, no ginásio do Maracanãzinho, no Rio de Janeiro.

É bem verdade que, há muitos anos, o cantor faz a sua (triunfal) entrada no palco ao som de “Emoções”. Entretanto, o fato é que, por mais que o espectador já tenha visto dezenas de vezes, a cena é sempre impactante. Sempre. Os passos lentos. O sorriso aberto. O gesto de reverência à plateia. Enfim, no momento em que Roberto se aproxima do pedestal do microfone para cantar o primeiro verso (“Quando eu estou aqui / eu vivo esse momento lindo”) já está com o público na mão, apesar de quase uma hora e meia de atraso, devido a uma gravação para o Domingão do Faustão. Humilde, pediu “perdão” aos presentes e agradeceu pela paciência. Mas frisou, bem-humorado: “Não foi por minha culpa!”.

Assim como “Emoções”, duas que jamais estão ausentes do repertório dos shows do artista são “Detalhes” — em uma versão que começa com RC sozinho ao violão — e, sendo o homem de fé que sempre foi, “Jesus Cristo”, com seus “metais em brasa”, que encerra o show. Fica a pergunta: as pessoas que apreciam o seu trabalho conseguiriam conceber uma apresentação de Roberto sem estas três canções? Ou um show de Paul McCartney sem “Band On The Run”, “Hey Jude” e “Yesterday”? Ou um espectáculo dos Rolling Stones sem “Start Me Up”, “Brown Sugar” e “Jumpin' Jack Flash”? 

Esta é a questão.

Além das três citadas, existem outras que foram retomadas por Roberto Carlos há cerca de dez anos e que não saíram mais do seu set list. É o caso de “Além do Horizonte”, agora com claros ecos de bossa nova — diferentemente da versão original, de 1975, que flertava despudoradamente com o samba-rock. E também a pulsante versão de “Eu te Amo, te Amo, te Amo”, a infalível “Como É Grande o meu Amor por Você” e a homenagem de “Mulher Pequena”, que está longe de ser um de seus clássicos, mas é recebida com respeito pelo público — que sabe muito bem o que esta música significa para o cantor. 

Enfim, excluindo as canções “cativas”, várias músicas foram excluídas do roteiro. É o caso de “Amor Perfeito”, “É Preciso Saber Viver” e “Outra Vez”, entre outras. No lugar destas, entraram “Lady Laura” — em memória da mãe de Roberto, que faleceu em 2010 —, “Cama e Mesa”, a belíssima “Nossa Senhora”, “Desabafo” e a sentida “O Portão”.

O que prova que, ao seu estilo ponderado e criterioso de trabalhar — e, claro, sem mexer naquelas que não pode deixar de cantar —, Roberto Carlos altera com frequência o seu repertório, sim.



A versão eletrônica de ‘Fera Ferida’

Por sinal, apesar de (merecidamente) orgulhoso da sua obra que construiu ao lado de Erasmo Carlos, RC aparenta estar interessado em olhar para a frente. Não deixou de cantar “Furdúncio”, o seu (surpreendente) funk melody (!) lançado este ano. E revelou, no palco, que lançará, em 2013, um CD chamado Reimixes, no qual vários Djs irão “desconstruir” algumas de suas canções. E chamou ao palco o DJ Marcelo “Memê” Mansur para que o acompanhar em uma versão de “Fera Ferida” que empolgou o Maracanãzinho. Ver Roberto Carlos cantando sobre a base eletrônica de Memê foi simplesmente... de cair o queixo. “Nunca imaginei que, um dia, alguém faria algo assim com a minha música”, contou, sorrindo. Ah, esteja certo ninguém imaginaria, Roberto — e, principalmente, que você concordaria com a ideia.

Apesar da excelente resposta da plateia para “Fera Ferida”, a canção mais aplaudida da noite foi, sem dúvida alguma, “Esse Cara Sou Eu”, a primeira faixa inédita de Roberto em três anos. Música-tema do casal protagonista da novela Salve Jorge, “Esse Cara...” foi precedida por uma explicação do autor sobre a sua gênese. E interpretada de modo... impecável. Apesar de lançada em novembro, pode ser considerada a música do ano de 2012. O que confirma que “quem é Rei”... bem, vocês sabem.

Vale destacar um momento extra-musical: excepcionalmente, foram colocados à venda ingressos mais baratos, em um setor batizado de “arquibancada visão parcial” — à direita e à esquerda —, no qual o cantor era visto apenas de lado, quase de costas. Sabendo disso, RC, ao longo do show, inúmeras vezes cantou olhando para as pessoas situadas nesta direção — que deliravam. Exemplo de grandeza e sensibilidade de um artista ciente da dificuldade enfrentada por parte significativa de seu público para vê-lo ao vivo.

Aos 71 anos, com a voz nos conformes e ótima aparência — durante as músicas sensuais, como “Os Seus Botões” e “O Côncavo e O Convexo”, ele abusa do gestual e arranca gritinhos da plateia feminina —, Roberto Carlos finalmente assumiu: ele é realmente “o cara”.




Repertório:

* Overture
* Emoções (Roberto Carlos — Erasmo Carlos, 1981)
* Eu te Amo, te Amo, te Amo (Roberto Carlos — Erasmo Carlos, 1968)
* Além do Horizonte (Roberto Carlos — Erasmo Carlos, 1975)
* Cama e Mesa (Roberto Carlos — Erasmo Carlos, 1981)
* Detalhes (Roberto Carlos — Erasmo Carlos, 1971)
* Desabafo (Roberto Carlos — Erasmo Carlos, 1979)
* O Portão (Roberto Carlos — Erasmo Carlos, 1974)
* Lady Laura (Roberto Carlos — Erasmo Carlos, 1979)
* Nossa Senhora (Roberto Carlos — Erasmo Carlos, 1993)
* Mulher Pequena (Roberto Carlos — Erasmo Carlos, 1992)
* Fera Ferida (com participação do DJ Marcelo “Memê” Mansur) (Roberto Carlos — Erasmo Carlos, 1982)
* Medley, com texto de Ronaldo Bôscoli (1928 — 1994): Seu Corpo (Roberto Carlos — Erasmo Carlos, 1975) / Café da Manhã (Roberto Carlos — Erasmo Carlos, 1978) / Os Seus Botões (Roberto Carlos — Erasmo Carlos, 1976) / Falando Sério (Maurício Duboc — Carlos Colla, 1977) / O Côncavo e o Convexo (Roberto Carlos — Erasmo Carlos, 1983)
* Esse Cara Sou Eu (Roberto Carlos, 2012)
* Furdúncio (Roberto Carlos — Erasmo Carlos, 2012)
* Medley: É Proibido Fumar (Roberto Carlos — Erasmo Carlos, 1964) / Namoradinha de um Amigo Meu (Roberto Carlos, 1966) / Quando (Roberto Carlos, 1967) / E Por Isso Estou Aqui (Roberto Carlos, 1967) / Jovens Tardes de Domingo (Roberto Carlos — Erasmo Carlos, 1977) / Emoções (Roberto Carlos — Erasmo Carlos, 1981)
* Como É Grande o Meu Amor por Você (Roberto Carlos, 1967)
* Jesus Cristo (Roberto Carlos — Erasmo Carlos, 1970)

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Fera Ferida’, de Roberto Carlos e Erasmo Carlos


Em 2008, Caetano Veloso criou o blog Obra em Progresso, no sentido de interagir com os internautas, durante a concepção do que viria a se tornar o CD Zii & Zie [2009]. E dedicou uma postagem à “Fera Ferida”, que ouviu no rádio de um táxi. É uma pena o espaço já não estar no ar — o que obriga este relato a ser “painted from memory”.

Na ocasião, Caetano contou que, embora conhecesse a canção desde o seu lançamento, em 1982 [no detalhe, a capa] — inclusive a regravou em seu álbum de 1987 —, ouvi-la ali, de sopetão, o deixou emocionado. O autor de “Outras Palavras” prosseguiu a sua observação, afirmando que, desde o primeiro verso (“Acabei com tudo / escapei com vida”), “a bola nunca mais cai”. Ou seja, a canção mantém presa a atenção do ouvinte. Até o final.

E finalizou dizendo que escutar “Fera Ferida” pela primeira vez foi “uma grata surpresa, a mais instigante canção lançada por Roberto Carlos em muito tempo”. 

Caetano Veloso estava certíssimo. Repleta de belas imagens (“Os meus rastros desfiz / tentativa infeliz de esquecer”), “Fera Ferida” é, sem dúvida alguma, uma das mais brilhantes letras escritas por Roberto Carlos e Erasmo Carlos. E, embora também regravada, em um arranjo épico, por Maria Bethania em As Canções que Você Fez para Mim [1993] — inteiramente dedicado à obra da dupla —, a versão definitiva é, de fato, a de Roberto.

É o tipo de canção que o Rei nasceu para cantar. 




P.S.: Nutro sincera admiração pelas pessoas que conseguem fugir da escrita “analítica” da “terceira pessoa” e se expressam de modo mais pessoal em um blog. É algo que, confesso: sinto-me desconfortável em fazer — embora, através do Google Analytics, já tenha observado que, nas minhas raras postagens “confessionais”, a resposta, em visitações, é sempre muito positiva. Não está descartada, inclusive, a hipótese da criação de mais um blog, destinado apenas a pensatas e análises musicais “autobiográficas”. Ou, talvez, uma série — a exemplo da “São Bonitas as Canções” —, com estas características, dentro deste blog. Enfim, é uma ideia a ser amadurecida. Por ora, o que importa é destacar que as canções postadas neste espaço obedecem a três critérios: a) qualidade, evidentemente; b) relação com um ou mais textos postados recentemente; c) possuírem alguma história interessante a ser contada. Portanto, nada têm a ver com a minha pessoa ou com o meu cotidiano. E tampouco trazem alguma “mensagem subliminar”. “Fera Ferida”, contudo — independentemente de ser uma pérola —, é um caso à parte. Trata-se de uma música que tem “me acompanhado” há muitos anos e com a qual sempre me identifiquei. Sempre. Pela personalidade forte. Pelo temperamento arisco. Pelo modo irredutível de tomar decisões (“Não vou mudar: esse caso não tem solução”). E também pela minha trajetória de vida (“O coração perdoa / mas não esquece à toa / e eu não esqueci”). Alguns familiares, inclusive, já fizeram essa “associação”. Detalhe: sem que eu jamais tivesse manifestado para eles o meu apreço pela canção: “Olha a música do Tom!” Ou seja, do leão que só “se enfurece” e “ataca”... por ter sido “alvejado”. Sendo assim, “eternizá-la” neste espaço — além de uma tendência natural, dada a sua importância para mim — é um desejo antigo. A data do arquivo de imagem que ilustra esta postagem, guardada em meu pen drive durante um longo tempo, não me deixa mentir: “Modificado em 13/10/2008” (!).




Veja o vídeo da (surpreendente) versão eletrônica de “Fera Ferida”, com participação do DJ Marcelo “Memê” Mansur, extraído do Especial de Roberto Carlos de 2012. O fonograma será lançado no álbum Reimixes, que chegará às prateleiras em 2013:





E ouça a versão original da canção:



quarta-feira, dezembro 12, 2012

Ravi Shankar (1920 — 2012)



Morreu ontem (11), aos 92 anos, o maestro e (exímio) citarista Ravi Shankar [foto]. Ex-professor de cítara de George Harrison, foi decisivo na aproximação dos Beatles da música indiana. Reza a lenda que Harrison, em seu leito de morte — faleceu em 2001, vítima de câncer —, solicitou a presença de Shankar, para que este tocasse cítara no momento de seu desenlace.

Ravi Shankar era pai da cantora Norah Jones e da também citarista Anoushka Shankar.



Ouça “Farewell My Friend:


Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Sea Dreamer’, Anoushka Shankar e Sting



Ravi Shankar era pai da cantora Norah Jones e da também citarista Anoushka Shankar

(“Ravi Shankar (1920 — 2012)”, dezembro de 2012)


Com uma discografia que já conta com seis títulos, Anoushka Shankar [na foto, ao centro] já é um nome bastante conhecido na música ocidental. Seu trabalho mais interessante até o momento, o quinto, foi gravado em parceria com o produtor Karsh Kale [o último, da esquerda para a direita]. Lançado em 2007, Breathing Under Water oferece uma instigante amálgama de eletrônica com sons indianos.

Breathing Under Water conta com a participação da meia-irmã de Anoushka, Norah Jones, em “Easy”, e de Sting*, na (belíssima) faixa “Sea Dreamer” — que nada mais é do que o tema instrumental que batiza o disco, letrado pelo ex-Police.



* Tendo nascido em uma cidade portuária — Newcastle, situada ao norte da Inglaterra —, Sting sempre foi um apaixonado pelo mar. Desde a infância, devorava romances sobre o assunto — como o clássico A Ilha do Tesouro, de Robert Louis Stevenson. O tema, aliás (com o perdão do trocadilho), permeia várias de suas canções, como “Valparaiso”, “All This Time” e “The Pirate's Bride”, entre outras. Em uma entrevista, o músico confessou ter a impressão de que seu pai desejava que seu filho trabalhasse em alguma profissão ligada ao mar. “Sei que, de certa forma, o desapontei”, lamentou Sting.




Ouça “Sea Dreamer”, de Anoushka Shankar e Karsh Kale, com participação de Sting:




E veja o vídeo de “Your Eyes”, a (brilhante) participação de Anoushka no Concert For George, realizado no Royal Albert Hall, em Londres, no dia 29 de novembro de 2002 — exatamente um ano após o desaparecimento do ex-beatle George Harrison:


quarta-feira, dezembro 05, 2012

‘Celebration Day’: a ‘enciclopédia do rock’ do Led Zeppelin



DVD/CD/Blu-Ray
Celebration Day (Warner)
2012



No dia 10 de dezembro de 2007, os três sobreviventes do Led Zeppelin — Jimmy Page, Robert Plant e John Paul Jones — reuniram-se para uma única apresentação, em memória do turco Ahmet Ertegun, fundador e presidente da Atlantic Records, na qual o quarteto gravou seus primeiros álbuns. E somente agora, cinco anos depois (!), o concerto realizado na arena O2, em Londres, diante de 18 mil sortudos — que esgotaram os ingressos em questão de horas — é lançado em CD, DVD e Blu-Ray, com o título de Celebration Day.

Nos primeiros momentos do audiovisual, que foi exibido recentemente nas salas de cinema, alguns detalhes saltam aos olhos e ouvidos. Jimmy Page, ao invés das madeixas negras de outrora, ostenta cabelos que mais se assemelham a flocos de algodão. John Paul Jones, hoje um senhor de idade, abandonou a longa cabeleira e usa atualmente um penteado “comportado”. Já Robert Plant, embora tenha aderido ao cavanhaque, conserva os cachos dourados e o carisma que ajudaram a torná-lo famoso. Sua voz, entretanto — embora dê conta do recado —, já não possui o viço e o alcance dos áureos tempos. E, nas baquetas, no lugar do finado John “Bonzo” Bonham, estava o seu filho, Jason. 

Esses pormenores, no entanto, são irrelevantes. Nos acordes iniciais da bombástica “Good Times, Bad Times”, que abre o espetáculo, não resta a menor dúvida: é o Led Zeppelin, monstruoso — na melhor acepção da palavra — que está ali, em carne e osso, com a técnica instrumental de sempre. Apenas os quatro no palco. 

E é mais do que o suficiente.



Em 2007, Page lamentou que a banda não tenha entrado em turnê

Em duas horas — até o grand finale, com Rock And Roll, o grupo faz um resumo de sua (brilhante) obra, sem poupar cavalos-de-batalha como “Whole Lotta Love” e “Black Dog”, entre outros. E não deixa pedra sobre pedra. “Stairway To Heaven”, obviamente, não ficou de fora — por sinal, no seu (inacreditável) solo de guitarra, Page periga fazer com que muito marmanjo vá às lágrimas.

Além dos clássicos, destaque para a sequência de blues, na qual a banda enfileirou “In My Time Of Dying”, “Trampled Under Foot”, “Nobody s Fault But Mine”, “No Quarter”, “Since I ve Been Loving You” e “Dazed And Confused”, em execuções simplesmente demolidoras. 

Vale destacar também a performance de Jason Bonham — que, decididamente, não ocupou o posto de seu pai apenas por uma questão de DNA. O cidadão, de fato, toca muito — no final de “Kashmir”, por exemplo, ele rouba a cena. E, ao longo da apresentação, recebeu o afeto dos três veteranos, que voltavam-se para ele a todo momento. 

Diferentemente da reunião do Police, em 2007, na qual Sting, Andy Summers e Stewart Copeland não conseguiam disfarçar no palco a falta de intimidade entre eles — provavelmente por resquícios dos conflitos do passado —, os integrantes do Led Zeppelin interagiram o tempo todo, sorrindo em vários momentos. Pareciam estar ali por puro prazer, orgulhosos daquele momento. E de sua trajetória como um todo.

Em entrevista recente, Jimmy Page revelou o seu desapontamento pelo fato de a banda não ter entrado em turnê após o concerto de 2007. É realmente de se lamentar. Entretanto, apesar de meia década de atraso, Celebration Day lega para a eternidade um registro essencial não apenas da história do Led Zeppelin, mas do próprio rock'n'roll. Aliás, para quem desconhece o gênero e tem curiosidade em descobrir, trata-se de uma verdadeira enciclopédia.

Resumindo: compre ontem. E assista de joelhos.




Veja o vídeo de “Black Dog...





...e de “Kashmir”, na qual o baterista Jason Bonham simplesmente “quebra tudo”:


Da série ‘Fotos’: Robert Plant e Inri Cristo

Na verdade, mais uma série da “Separados na Maternidade”: detesto dizer isso, mas... o Robert Plant não está a cara do tal Inri Cristo?


“Meu Páe!”

Da série ‘Frases’: Renato Russo

Deixa o copo encher até a borda / que eu quero um dia de sol / num copo d'água...”


Na faixa “A Montanha Mágica”, do (ótimo) álbum V, da Legião Urbana, Renato Russo fala — de modo cifrado — de sua luta contra o alcoolismo. 



terça-feira, dezembro 04, 2012

Da série ‘Causos’: Cream




Impossível falar sobre power trios como The Jimi Hendrix Experience sem mencionar o Cream [no detalhe], supergrupo por formado por Jack Bruce, Eric Clapton e Ginger Baker na década de 1960. 

Em apenas três anos (1966-1969), o Cream gravou quatro álbuns de estúdio — Fresh Cream, Disraeli Gears, Wheels of Fire e Goodbye — e encerrou as suas atividades, devido às brigas constantes entre Bruce e Baker. As apresentações da banda em sua reta final acabaram se tornando um mero espetáculo de exibicionismo por parte do baterista e do baixista/vocalista. 

Reza a lenda que, durante um show, Baker e Bruce começaram a improvisar alucinadamente, como se quisessem provar um para o outro quem era o instrumentista mais competente. Clapton, obviamente, percebeu a situação. E, para ver qual seria a reação da dupla, parou de tocar a sua guitarra.

Pasmem: os dois rivais sequer perceberam (!). E prosseguiram o seu “duelo” particular.




Em 2005, o Cream se reuniu para cinco apresentações no Royal Albert Hall, em Londres. Clapton revelou à imprensa que a ideia partiu dele. E foi motivada pelo estado de saúde dos ex-companheiros — Baker sofria de artrite e Bruce, vítima de câncer, havia passado por um transplante de fígado. A fragilidade física da dupla é visível no vídeo abaixo, do maior clássico do grupo, “Sunshine Of Your Love”, extraído do DVD Royal Albert Hall London May 2-3-5-6, 2005. A (exuberante) técnica instrumental do trio, entretanto, não se dissipou com o tempo. E, infelizmente, o mesmo se pode dizer das rusgas do passado. Observem que, antes de saírem do palco, Clapton e Bruce, sorridentes, se abraçam. Este e Baker, por sua vez, mal se olham...