sábado, abril 20, 2013

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Signe’, de Eric Clapton




Em 1992, para o seu (bem-sucedido) álbum MTV Unplugged, o mestre das seis cordas compôs e gravou a faixa instrumental Signe — que lembra vagamente... Um Abraço no Bonfá, de João Gilberto.




Ainda que o blues tenha estado muito presente no repertório de seu MTV Unplugged [no detalhe, a capa], Eric Clapton não deixou de arriscar um discreto “flerte” com a sonoridade brasileira na faixa “Signe”, com qual abriu os trabalhos.



Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Um Abraço no Bonfá’, de João Gilberto




Em 1992, para o seu (bem-sucedido) álbum MTV Unplugged, o mestre das seis cordas compôs e gravou a faixa instrumental  Signe — que lembra vagamente...  Um Abraço no Bonfá, de João Gilberto.




Faixa do segundo álbum de João Gilberto, O Amor, o Sorriso e a Flor, de 1960 [no detalhe, a capa], a instrumental “Um Abraço no Bonfá” é uma das raras composições autorais do inventor da “batida diferente”. E homenageia o compositor brasileiro Luís Bonfá (1922 — 2001), autor de “Manhã de Carnaval”, “Samba de Orfeu” e “Correnteza” (em parceria com Antonio Carlos Jobim), entre outras.

Por sinal, além de diretor musical do disco, Jobim foi o autor de metade das doze canções do trabalho.



sábado, abril 13, 2013

Esbanjando técnica, Biglione relê, ao vivo, Jobim, Bonfá e Charlie Parker


CD
The Gentle Rain — Victor Biglione Trio ao Vivo (Rob Digital)
2013



Ao longo de sua (extensa) carreira, o guitarrista argentino-praticamente-carioca Victor Biglione gravou ao lado de nomes como Cássia Eller, Marcos Valle, Wagner Tiso e o ex-Police, Andy Summers, entre outros. E acaba de lançar o seu trigésimo (!) disco solo, The Gentle Rain, gravado ao vivo.

(Bem) acompanhado por Sérgio Barrozo (baixo acústico) e André Tandeta (bateria), Biglione esbanja técnica em oito fonogramas gravados durante apresentações entre 2000 e 2010 em solo carioca. Com acentuado toque jazzístico, The Gentle Rain apresenta clássicos como “Take Five”, de Paul Desmond, e “Au Privave”, de Charlie “Bird” Parker, além de “Batida Diferente”, de Durval Ferreira e Mauricio Einhorn. 

A faixa-título, composta por Luís Bonfá — parceiro de Antonio Carlos Jobim em “Correnteza” —, foi a música-tema do filme homônimo [1966], que, desde então, recebeu versões de Diana Krall e Tony Bennett, entre outros. O mencionado Jobim, aliás, é o autor mais evidente do álbum — presente em três faixas do trabalho: “Por Causa de Você” (composto com Dolores Duran), “Eu Sei que Vou te Amar” (com letra de Vinícius de Moraes) e “Wave”.

Curiosamente, a capa de The Gentle Rain foi concebida por um artista que, a exemplo de Biglione, também é radicado há muito anos no Rio de Janeiro: o cartunista uruguaio Lan.



Ouça a versão de “Wave” do Victor Biglione Trio:


Livro mostra que Victor Biglione já é ‘de casa’


Livro
O Guitarrista Victor Biglione & a MPB, de Euclides Amaral (Esteio Editora)
2011/2013



Residente no Rio de Janeiro há meio século, Victor Biglione tem a sua proximidade com a música brasileira destrinchada em O Guitarrista Victor Biglione & a MPB, escrito por Euclides Amaral. Com prefácio do compositor Sérgio Natureza e nota do pesquisador Ricardo Cravo Albim, o livro foi editado originalmente em 2011 e recebe agora uma versão revista e ampliada.

Minucioso, Amaral refaz, em 221 páginas amplamente ilustradas — com fotos e partituras —, toda a trajetória profissional de Biglione, nascido em Buenos Aires e torcedor do San Lorenzo, o mesmo time do Papa Francisco I.

Antes de vir para o Rio — onde se estabeleceu em definitivo —, a família Biglione deixou a capital argentina para morar em São Paulo. Mais tarde, o músico transferiu-se para os Estados Unidos, para estudar na Universidade de Berklee, levando debaixo do braço uma carta de recomendação assinada por um certo... Antonio Carlos Jobim.

De volta ao Brasil, o guitarrista passou a acompanhar, em estúdio e apresentações ao vivo, nomes como Chico Buarque, Gilberto Gil, Maria Bethania, Gal Costa e Djavan, entre outros. O Guitarrista Victor Biglione & a MPB não deixa dúvidas: o músico estrangeiro com mais colaborações em shows e gravações de artistas brasileiros já é, definitivamente, “de casa”.

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Lígia’, de Antonio Carlos Jobim


Nem todos sabem, mas parte da letra de “Lígia”, clássico de Antonio Carlos Jobim, foi escrita por ninguém menos do que... Chico Buarque. Foi, aliás, o próprio Chico quem revelou, em um entrevista concedida em 1996.

Tendo sido parceiros em outras canções — como “Retrato em Branco e Preto” e “Pois É”, entre outras —, Jobim procurou Chico com a primeira parte da letra de “Lígia” já pronta (“Eu nunca sonhei com você / nunca fui ao cinema / não gosto de samba / não vou à Ipanema / não gosto de chuva / nem gosto de sol”). A segunda parte, contudo, traz nitidamente a “assinatura” do autor de “Vai Passar”: “E, quando eu lhe telefonei, / desliguei: foi engano / o seu nome, não sei. / Esqueci no piano as bobagens de amor / que eu iria dizer”.

E por que Chico não assinou a canção? A explicação é simples: na década de 1970, o compositor enfrentou problemas com a censura imposta pela ditadura militar, que vetava todas as canções suas que eram submetidas ao crivo dos censores. Tanto que, em 1974, decidiu gravar um disco de intérprete: Sinal Fechado [no detalhe, a capa].

No álbum, Chico recebeu uma inédita de Caetano Veloso (“Festa Imodesta”), outra de Gilberto Gil (“Copo Vazio”) e regravou clássicos de Dorival Caymmi (“Você Não Sabe Amar”), Noel Rosa (“Filosofia”) e Paulinho da Viola (a faixa-título). A única composição autoral, “Acorda, Amor”, foi assinada com o curioso pseudônimo de Julinho da Adelaide (!).

Diante de cenário tão adverso, Chico Buarque, apesar de ter sido o primeiro a gravar “Lígia”, preferiu não receber os créditos pela canção — registrada por Jobim somente no ano seguinte, no álbum Urubu.




Veja a versão de “Lígia” que Chico Buarque cantou no (polêmico) Tributo a Tom Jobim, realizado na Praia de Copacabana, em 1995:





Em seu especial global de 1978, Roberto Carlos convidou Antonio Carlos Jobim para que, juntos, cantassem “Lígia”. Com larga experiência como pianista na noite — foi assim, aliás, que começou a carreira —, Jobim improvisou a terceira parte da letra de canção, (aparentemente) surpreendendo Roberto. Com o seu já conhecido perfeccionismo, o Rei, entretanto, insistiu em cantar a versão original. Este fonograma acabou incluído na compilação Duetos, que RC editou em 2006:


Da série ‘Frases’: Chico Buarque




Eu chamava o Tom de ‘Tão*’, e ele falava: ‘O pessoal na roça me chama de Tão, lá em Poço Fundo’...


Em entrevista concedida em novembro de 1996, Chico Buarque relembrou, bem-humorado, o modo como os habitantes de Poço Fundo, local situado no município de São José do Vale do Rio Preto — que fica a 40 minutos de Petrópolis, Região Serrana do Rio —, onde Antonio Carlos Jobim possuía o sítio Beira Rio, se referiam ao Maestro Soberano [no detalhe, os dois parceiros]. 



* Tenho um amigo de longa data, nascido na cidade de São João do Oriente, interior de MG, que só consegue me chamar de “Tão”. Por sinal, só percebi isso há cerca de três anos. E, a bem da verdade, foi precisamente esta curiosidade que acabou ensejando a postagem.

sábado, fevereiro 23, 2013

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Locked Out Of Heaven’, de Bruno Mars


Por mais que, atualmente, o cenário pop não possua, nem de longe, a inspiração de priscas eras, sempre é possível encontrar uma faixa que se sobressaia em meio à mesmice. É o caso da infecciosa “Locked Out Of Heaven”, de Bruno Mars.

Faixa de Unorthodox Jukebox [no detalhe, a capa], segundo álbum do havaiano, lançado em novembro de 2012, “Locked...” leva o ouvinte na conversa desde o “oh, yeah, yeah” da introdução. E, estruturada no trinômio baixo-bateria-guitarra, prova que (ainda) é possível formatar uma canção verdadeiramente pulsante sem abusar de elementos eletrônicos.

Não foi à toa que, na cerimônia do Grammy deste ano, Mars conseguiu fazer que Sting cantasse “Locked Out Of Heaven”... junto com ele! Na plateia, figuras como Adele e Nicole Kidman não conseguiram disfarçar o entusiasmo com a canção.



Veja o vídeo oficial de “Locked Out Of Heaven:


Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Tighten Up’, do The Black Keys

Por mais que, atualmente, o cenário pop não possua, nem de longe, a inspiração de priscas eras, sempre é possível encontrar uma faixa que se sobressaia em meio à mesmice.

(“Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Locked Out Of Heaven’, de Bruno Mars”, fevereiro de 2013)



Outro (feliz) exemplo é “Tighten Up”, faixa de Brothers, sexto álbum do The Black Keys [no detalhe, a originalíssima capa], editado em 2010.

Primeiro hit mundial dos músicos americanos, “Tighten Up” é certeira como uma cobrança de falta “no ângulo”. Dispensando qualquer “mirabolância”, as intervenções de guitarra do também vocalista Dan Auerbach são de uma eficácia a toda a prova. 

Aliás, a sonoridade do The Black Keys — que, a exemplo dos extintos The White Stripes, trata-se de uma dupla (!) —, como um todo, confirma a máxima oriental de que “menos é mais”.

“Tighten Up” também foi um dos destaques da trilha sonora do game Fifa 11, da EA Sports.




Vale a pena ver o (hilário) vídeo oficial de “Tighten Up”, com as suas adoráveis criancinhas:



Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Seven Nation Army’, do The White Stripes

“...a exemplo dos extintos The White Stripes...”

(“Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Tighten Up’, do The Black Keys”, fevereiro de 2013)



É sempre oportuno relembrar o maior hit do The White Stripes, “Seven Nation Army”, faixa de abertura de Elephant [2003], quarto álbum do duo [no detalhe, a capa] — e eleita a Melhor Música Rock daquele ano. 

Acreditem: o (antológico) riff de guitarra de Jack White, atual The Dead Weather, se transformou em hino de torcida de futebol ao redor do planeta — inclusive no Brasil!




sexta-feira, dezembro 28, 2012

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Celebration Day’, do Led Zeppelin





Para encerrar (por ora) o assunto Led Zeppelin: curiosamente, “Celebration Day”, a canção que dá título ao novo DVD da banda, está ausente do repertório. 

Faixa do (fantástico) Led Zeppelin III, de 1970 [no detalhe, a capa], “Celebration...” é tão genial que, além da letra totalmente alto-astral (“My, my, my, I'm so happy (...) / we are gonna dance and sing in celebration”), consegue, apesar do peso, ser... dançante (!). 

Enfim, é uma daquelas canções que despertam vontade de ouvir seguidas vezes. E, de preferência, em volume bem alto.