terça-feira, julho 16, 2013

Da série ‘Frases’: Sting

I will turn your face to alabaster
Then you will find your servant is your master


Da metafórica “Wrapped Around Your Finger”, de Synchronicity [1983], quinto e último álbum do Police.


quarta-feira, julho 10, 2013

Da série ‘Discos para se Ter em Casa’: ‘As Canções que Você Fez para Mim’, de Maria Bethania



Antes de Lulu Santos, apenas Maria Bethania, há exatos 20 anos — com o ótimo As Canções que Você Fez para Mim — havia recebido a deferência de gravar um álbum inteiro dedicado à obra de Roberto e Erasmo Carlos.




Com um milhão de cópias vendidas, As Canções que Você Fez para Mim* foi uma ideia que partiu da gravadora da qual Maria Bethania era contratada na ocasião, a Polygram — atual Universal Music. O repertório, entretanto, foi selecionado pela cantora. 

Ao contrário de Lulu Santos — que optou por faixas lançadas até a primeira metade dos anos 1970 —, Bethania baseou as suas escolhas entre a segunda metade da década de 1970 e primeira dos anos 1980. O resultado? Um disco excelente da primeira à penúltima música — a exceção é “Emoções”, que encerra os trabalhos, a canção que intérprete algum deveria perder tempo em tentar regravar...

Destaque para “Olha” [1975], “Eu Preciso de Você” [1981], a épica versão de “Fera Ferida” [1982] — que tornou-se tema da homônima novela global — e, especialmente, a faixa-título, em registro amplamente superior ao original, lançado por Roberto Carlos em 1968.



* Ouça As Canções que Você Fez para Mim, na íntegra, aqui.

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Se Você Pensa’, com Lulu Santos

Se, em 1995, Lulu gravou, na companhia do DJ Marcelo ‘Memê’ Mansur, uma desconcertante versão de ‘Se Você Pensa’...”




A bem da verdade, a (ousada) releitura de Lulu Santos para “Se Você Pensa” foi gravada em 1994, para Rei, disco-tributo a Roberto e Erasmo, produzido por Roberto Frejat. Mas, por razões contratuais, acabou excluída do álbum.

Foi assim: Luís Oscar Niemeyer, então presidente da BMG-Ariola — gravadora de Lulu à época —, compareceu ao coquetel de lançamento do disco. No local, percebeu o “burburinho” dos presentes em torno da versão de “Se Você Pensa”. E concluiu que esta seria a faixa de trabalho — com grandes possibilidades de sucesso. 

Provavelmente temendo “entregar de bandeja” um hit para uma concorrente — no caso, a Sony Music —, o executivo conversou com Lulu, para explicar os seus motivos vetar a cessão do artista ao projeto. A capa do álbum [foto], desenhada pelo cartunista Angeli, já estava pronta, inclusive. O que fez com que a caricatura de Lulu Santos tivesse que ser totalmente pintada de preto — restando apenas sua “silhueta”.

Na ocasião, o músico carioca comentou o episódio em uma entrevista:

— Pelo arrazoado dele [Niemeyer] e pela relação que temos, tive que entender a sua decisão.

Na mesma entrevista, Lulu revelou a apreensão do Tremendão pela não-inclusão da faixa:

— O Erasmo me ligou, desanimado: “, bicho, não vai sair”. E eu respondi: “Calma. Vai, sim”.

Estruturada no (mortífero) riff de “Long Train Running”, do Doobie Brothers — e com a letra recitada no ritmo de rap —, a versão de Lulu acabou sendo lançada somente no ano seguinte, no álbum Eu & Memê, Memê & Eu, o título de maior sucesso comercial da discografia do autor de “Tudo Bem”.

Composta a quatro mãos por Roberto & Erasmo, “Se Você Pensa” foi lançada originalmente pelo Rei em 1968, no clássico O Inimitável.



segunda-feira, maio 13, 2013

Lulu opta por releituras ‘respeitosas’ das canções do Rei e do Tremendão

Em agosto de 2012, Roberto Carlos visitou o camarim do cantor carioca no show Lulu Canta e Toca Roberto e Erasmo, no Vivo Rio

CD
Lulu Canta e Toca Roberto & Erasmo (Sony Music)
2013


Em seu segundo disco, O Ritmo do Momento [1983], Lulu Santos não fez por menos e emplacou logo três sucessos: “Um Certo Alguém”, “Adivinha o Quê?” e a canção que se tornou o seu carro-chefe eterno, o bolero-havaiano “Como uma Onda”. No ano seguinte, com Tudo Azul, consolidou de vez o status de hitmaker, com gemas pop do calibre de “Tão Bem”, “Certas Coisas”, “Lua de Mel” e... “O Calhambeque”, versão de Erasmo Carlos que ficou célebre na voz de Roberto Carlos. Foi também neste álbum que Lulu lançou uma de suas faixas mais emblemáticas, “O Último Romântico” — que fez com que o cantor carioca passasse a ser identificado como “o roqueiro romântico”, “sucessor de Roberto Carlos” e classificações do tipo. Desconfortável com o rótulo, Lulu decidiu “subverter as regras do jogo”: em 1985, lançou o ácido e roqueiro Normal, que acabou não sendo compreendido pelo público e teve pouca repercussão. Mas com o qual o artista logrou a intenção de “desconstruir” a imagem de “romântico”.

No entanto, o mundo gira e a Lusitana roda. E eis que, 28 anos após Normal, Lulu Santos, aos 60 anos de idade e 31 de carreira, finalmente abraça a obra da dupla — que inequivocamente exerceu influência em seu trabalho — no recém-lançado Lulu Canta e Toca Roberto & Erasmo, decorrente do show homônimo que percorreu algumas capitais brasileiras em 2012. 

Se, em 1995, Lulu gravou, na companhia do DJ Marcelo “Memê” Mansur, uma desconcertante versão de “Se Você Pensa”, desta vez optou por uma abordagem “respeitosa” dos clássicos dos autores de “Detalhes”. A capa do CD, na qual o guitarrista veste um terno impecavelmente cortado, dá um indício de seu conteúdo. A própria “Se Você Pensa”, aliás, reaparece “comportada” — mas, ainda assim, emulando, em um determinado momento, o canto falado da versão anterior. 



Apesar da ‘reverência’, pequenas ‘ousadias’ 

Provavelmente recorrendo à sua memória afetiva, Lulu concentrou sua atenção nas canções lançadas até a primeira metade da década de 1970. E, oscilando entre o blues e o rock tradicional, foi feliz na escolha do repertório, que conta com “É Preciso Saber Viver”, “As Curvas da Estrada de Santos”, “Sentado À Beira do Caminho” — a melhor faixa do disco, na qual o cantor não poupou a emoção que a canção pede — e a impagável “Sou uma Criança, Não Entendo Nada”, entre outros. A única exceção — e também a música mais “recente” do álbum — é “Emoções” [1981], que, sinceramente, de tão cristalizada na voz de Roberto, não deveria ser regravada por ninguém...

Apesar da opção por releituras “reverentes” das canções de Roberto e Erasmo, Lulu não deixou de cometer pequenas “ousadias”, como a versão reggae de “Eu te Darei o Céu”, na qual executa boa parte da melodia com sua guitarra. E nas alterações de ritmo de “Quando” e de “Não Vou Ficar” — canção de Tim Maia que, lançada por Roberto Carlos em 1969, abriu portas para o Síndico.

Antes de Lulu Santos, apenas Maria Bethania, há exatos 20 anos — com o ótimo As Canções que Você Fez para Mim — havia recebido a deferência de gravar um álbum inteiro dedicado à obra de Roberto e Erasmo Carlos. E todos os artistas que já tentaram regravar faixas da dupla sabem de toda a “burocracia” envolvida na empreitada. E, embora nenhuma das versões de Lulu supere as originais — convenhamos: abordar clássicos de 40, 50 anos não é exatamente uma tarefa fácil —, Lulu Canta e Toca Roberto & Erasmo não deixa de representar uma lufada de ar fresco em um dos mais importantes cancioneiros nacionais. Trata-se, portanto, de um trabalho digno da discografia do músico carioca. E à altura dos homenageados.




Leia também:





Ouça “As Curvas da Estrada de Santos”, com participação da cantora Késia Estácio...




...e também a bela “Sentado À Beira do Caminho”:

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Como É Grande o Meu Amor por Você’, com Lulu Santos




Lançada no dia 19 de abril, a primeira música de trabalho de Lulu Canta e Toca Roberto & Erasmo é “Como É Grande o Meu Amor por Você”. 

Composta solitariamente por Roberto Carlos — que, na ocasião, estava brigado com Erasmo Carlos —, a faixa integra o clássico Em Ritmo de Aventura, de 1967 [no detalhe, a capa]. Com sua letra extremamente simples e, apesar disto — ou justamente por causa disto — deveras tocante, “Como É Grande...” é faixa cativa no roteiro dos shows do Rei.

A versão de Lulu Santos, em alta rotação nas rádios e na internet, ganhou ares de fox, gênero americano do qual o próprio Roberto já se aproximou várias vezes ao longo de sua discografia*.



* Dois exemplos: “Pra Sempre”, faixa-título de seu álbum de 2003, e a versão de “Lovin' You”, sucesso de Elvis Presley, que gravou em 2005.





Ouça “Como É Grande o Meu Amor por Você”, o primeiro single de Lulu Canta e Toca Roberto & Erasmo...





...e também a versão do autor:



Da série ‘Frases’: Edouard Valdman


Se estás dentro de ti mesmo, estás por toda a parte.


(Edouard Valdman, in.: Os Poemas da Ausência, tradução de Andrei Mikhail, Editora Nonoar, 2013)


terça-feira, abril 23, 2013

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Something’, com Paul McCartney e Eric Clapton



A participação de Eric Clapton em duas faixas do trabalho mais recente de Paul McCartney, Kisses On The Bottom — guitarra solo em “Get Yourself Another Fool” e violão de nylon na estupenda “My Valentine” —, não foi a primeira colaboração entre as duas lendas [no detalhe].

Em 1968, Clapton gravou o (lancinante) solo de “While My Guitar Gently Weeps”, composição de George Harrison, lançada pelos Beatles no chamado Álbum Branco. E em 2002, no histórico Concert For George — que homenageava o autor de “Here Comes The Sun”, que falecera um ano antes —, a dupla executou uma versão fantástica de “Something”* , faixa de Abbey Road, de 1969.

Acompanhado apenas pelo ukelele — uma espécie de cavaquinho —, Paul inicia a canção, evocando a singela versão que fazia parte do roteiro de sua turnê Driving Rain. Somente na segunda parte entram Clapton e a banda, com um arranjo absolutamente fiel à gravação original. 

Sem exagero: o momento em que McCartney faz uma terça de voz para Clapton é provavelmente um dos mais belos e intensos de toda a história do pop. Uma verdadeira pororoca de gênios.



* Curiosidade: Frank Sinatra, que também regravou “Something”, se referia (equivocadamente) à canção como “a mais bela composição de Lennon e McCartney”.




Leia mais “Something” no perfil do blog no Facebook.




Veja o vídeo da (maravilhosa) versão de “Something” do Concert For George:


Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Autumn Leaves’, com Eric Clapton




A exemplo do que fizera em seu álbum anterior, Clapton volta a resgatar standards como ‘The Folks Who Live On The Hill’ e a magistral ‘Our Love Is Here To Stay’, de George Gershwin, que fecha o álbum.”




A admiração de Eric Clapton pelos clássicos americanos vem de longa data. Ao longo de sua trajetória, Clapton regravou, entre outras, “Smile”, de Charlie Chaplin (incluída na compilação ao vivo Time Pieces Vol. II: Live In The Seventies, de 1983) e “(Somewhere) Over de Rainbow” (na dobradinha CD/DVD ao vivo One More Car, One More Rider, de 2003), tema do filme O Mágico de Oz.

No antecessor de Old Socks, Clapton [no detalhe, a capa], editado em 2010, EC investiu pesado nos standards: “When Somebody Thinks You're Wonderful” e “My Very Good Friend The Milkman” (ambas do pianista e comediante Fats Waller), “How Deep Is The Ocean” (de Irving Berlin), “Rocking Chair” (ótima reflexão de Hoagy Carmichael sobre a velhice, famosa na voz de Louis Armstrong) e “Autumn Leaves”.

Versão da canção francesa “Les Feuilles Mortes”, de 1945, “Autumn Leaves” com seu majestoso arranjo de cordas, é entoada por Clapton como a suavidade de quem conta um segredo ao pé do ouvido. E fecha o álbum com chave de ouro.




Leia também:






Ouça a versão de “Autumn Leaves” de Eric Clapton:



Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Come Rain Or Come Shine’, com Eric Clapton e B. B. King



A admiração de Eric Clapton pelos clássicos americanos vem de longa data.”

(“Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Autumn Leaves’, com Eric Clapton”, abril de 2013)



Outro exemplo: a belíssima “Come Rain Or Come Shine”, já regravada por Deus-e-o-mundo — de Frank Sinatra a Ray Charles, passando por Billie Holiday e Sarah Vaughan —, que fecha o álbum Riding With The King, que Clapton editou na companhia de B. B. King [no detalhe, a capa] em 2000.


Leia mais sobre Eric Clapton no perfil do blog no Facebook



Ouça a versão de “Come Rain Or Come Shine” de Eric Clapton e B. B. King:



sábado, abril 20, 2013

Descontados pequenos equívocos, Clapton mostra competência como intérprete e arranjador


CD
Old Sock (Universal Music)
2013



Do alto de mais de meio século de carreira, Eric Clapton deixou, há muito, de ser “apenas” o segundo maior guitarrista de rock de todos os tempos, perdendo apenas para Jimi Hendrix — e talvez dividindo o posto com o seu colega de Yardbirds, Jimmy Page, ex-Led Zeppelin. Com o passar dos anos, Clapton tornou-se um bom arranjador e um intérprete convincente. Ao longo de sua trajetória, regravou canções de Bob Dylan, Stevie Wonder e até Michael Jackson (!), entre outros. E é justamente esta faceta que God quis evidenciar em 21º trabalho solo, o recém-lançado Old Sock, que chega às prateleiras três anos após o seu disco mais recente, o (bom) Clapton.

O título, Old Sock (“meia velha”) foi inspirado em uma expressão que o músico ouviu recentemente de David Bowie. E remete àquela roupa surrada, mas confortável como nenhuma outra — da qual ninguém gosta de desfazer. Esta é justamente a intenção de Clapton com este álbum: apresentar canções alheias que sempre fizeram parte de sua vida.

A bem da verdade, o disco não começa propriamente inspirado, com “Further Up Down The Road”, do bluesman americano Taj Mahal — e com participação do próprio —, em ritmo de reggae. Mahal, por sinal, também colaborou em duas faixas do CD ao vivo que Clapton dividiu com o saxofonista Winton Marsalis em 2011. A canção seguinte, “Angel”, do parceiro de longa data J. J. Cale, autor de “After Midnight” e do hit “Cocaine” — e que participa da gravação — deixa melhor impressão.

Curiosamente, as duas outras notas dissonantes do disco também estão relacionadas ao reggae: nas releituras “Till Your Well Runs Dry”, de Peter Tosh, e “Your One And Only Man”, soul originalmente gravado por Otis Redding. Clapton, aliás, já foi mais feliz ao se aproximar da música jamaicana — como, por exemplo, na regravação de “I Shot The Sheriff”, de Bob Marley. 

De resto, contudo, Old Sock coleciona acertos.



Ao lado de Paul McCartney, Clapton brilha em ‘All Of Me’

Mostrando versatilidade, Clapton se aventura pelo country — “Born To Lose” e o clássico “Goodnight Irene”— e regrava, na companhia de Stevie Winwood no órgão Hammond, “Still Got The Blues”, o maior sucesso solo do ex-guitarrista do Thin Lizzy, Gary Moore, falecido em 2011. A exemplo do que fizera em seu álbum anterior, Clapton volta a resgatar standards como “The Folks Who Live On The Hill” e a magistral “Our Love Is Here To Stay”, de George Gershwin, que fecha o álbum.

A cereja do bolo, entretanto, é “All Of Me”. Retribuindo a “canja” que Clapton deu em duas faixas de seu mais recente trabalho, o ótimo Kisses On The Bottom [2012], Paul McCartney assume o baixo e os backing vocais do clássico norte-americano, em uma versão simplesmente irretocável. E, no sentido de evitar que o disco soasse exclusivamente revisionista, EC incluiu duas inéditas: “Every Little Thing” e a ensolarada “Gotta Get Over”, com participação de Chaka Khan nos vocais.

O íntimo e despretensioso Old Sock provavelmente não figurará na galeria de títulos essenciais da discografia de Eric Clapton. No entanto, descontados os pequenos equívocos, trata-se de álbum marcado pela competência de um músico de múltiplos talentos. E de audição extremamente agradável.



Leia também:








Ouça “Gotta Get Over”, uma das duas inéditas de Old Sock...






...e a versão do standardAll Of Me”, com Paul McCartney no baixo e nos backing vocais: