sexta-feira, julho 26, 2013

Mick Jagger: 70 anos



Embora tenha declarado, na década de 1970, que preferiria “estar morto do que cantar ‘(I Can't Get No) Satisfaction’ aos 45 anos”, eis que Sir Mick Jagger (felizmente) continua cantando a canção mais emblemática de sua banda, mesmo aos 70 anos (!) de idade — que está completando no dia de hoje.

Sem mais delongas — visto que, a esta altura, tudo já foi dito sobre o líder dos Rolling Stones —, relembremos alguns momentos marcantes dos 50 anos de carreira do “homem-dos-lábios-de-borracha”.




Seria uma obviedade sem tamanho falarmos sobre a supracitada “Satisfaction”. Portanto,  optemos por outra faixa fundamental dos Stones: a demolidora “Jumpin' Jack Flash”, lançada em single em 1968. O vídeo abaixo foi gravado no histórico show realizado da praia de Copacabana em fevereiro de 2006. E este que vos fala estava lá:





Em 1978, no auge do movimento punk, os Rolling Stones “flertaram” com a disco music em “Miss You”, do álbum Some Girls, que tornou-se um clássico instantâneo do grupo:





Em 1981, após um disco “meia boca” — Emotional Rescue, lançado no ano anterior —, Jagger & cia. reviraram o seu “baú” em busca de demo inacabadas. Daí surgiu uma canção que, desde então, não pôde mais estar ausente do roteiro das apresentações da banda: “Start Me Up:






Ainda que tenha lançado quatro discos solo — dos quais podemos pinçar faixas interessantes aqui e ali —, o fato é que Jagger não obteve sozinho, nem de longe, o sucesso que logrou ao lado do grupo. Destaque para “Just Another Night”, de seu primeiro álbum solo, She's The Boss [1985], que traz a participação de Jeff Beck e da dupla Sly & Robbie:





Uma das duas faixas inéditas da compilação Grrrrr, lançada em 2012 — a outra é “One More Shot” —, a caótica (e irresistível) “Doom And Gloom” simplesmente “coloca no bolso” 95% das bandas de rock da atualidade. E mostra que os Rolling Stones, digamos assim, “ainda dão no couro”:

quarta-feira, julho 24, 2013

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Moon Over Bourbon Street’, de Sting





Desde os tempos do Police, as canções de Sting são repletas de referências literárias absolutamente incomuns à música pop. “Don't Stand So Close To Me” — faixa de Zenyatta Mondatta [1981], terceiro álbum do trio —, por exemplo, menciona Lolita, do russo Wladimir Nabokov. Um dos clássicos da banda, “Message In a Bottle” — de seu segundo disco, Regatta de Blanc [1980] —, remete claramente a Robinson Crusoé, romance de Daniel Defoe.

Em seu primeiro álbum solo, The Dream Of Blue Turtles [1985], o baixista se inspirou no livro Entrevista com o Vampiro [1976], de Anne Rice, para compor “Moon Over Bourbon Street”. Escrita na primeira pessoa, “Moon...” narra a torturante (e imortal) rotina de um vampiro, que vaga pelas noites de Nova Orleans.

Em sua estrofe final, a letra também alude ao desfecho de A Balada do Cárcere de Reading, célebre poema de Oscar Wilde: “Eu devo amar o que destruo / e destruir o que amo”.

Não por acaso, Sting já regravou “Moon Over Bourbon Street” cinco (!) vezes ao longo de sua discografia: nos álbuns ao vivo Bring On The Night [1986], ...All This Time... [2001] e Live In Berlin [2010]; no DVD Live From Universal Ampitheatre [2000]; e como lado B do single Send Your Love [2003].



Veja o vídeo de “Moon Over Bourbon Street”, extraído do DVD Live In Berlin:


Da série ‘Frases’: Oscar Wilde

“...mas a gente sempre destrói aquilo que mais ama...”


Do poema “A Balada do Cárcere de Reading”, escrito por Oscar Wilde em 1896, enquanto estava na prisão — mas publicado somente dois anos depois. Inconscientemente (ou não), Sting citou o verso do escritor irlandês em sua canção “Moon Over Bourbon Street”.


Da série ‘Frases’: Fyodor Dostoiéwski

O amor ativo significa trabalho duro e tenacidade — embora algumas pessoas tentem vê-lo como uma ciência exata.”


De Os Irmãos Karamazov [1879], de Fyodor Dostoiéwski (1821—1881), considerado pelo psicanalista checo Sigmund Freud como um dos maiores romances já escritos, “senão o maior”.


terça-feira, julho 16, 2013

‘Practical Arrangement’, o novo single de Sting



Exatos dez anos após Sacred Love, o seu último trabalho de inéditas, Sting (finalmente) anuncia um novo álbum. The Last Ship reúne faixas que o ex-Police compôs para o musical homônimo que marcará, em 2014, a sua estreia na Broadway.

A primeira música de trabalho, já disponível no iTunes, é a bela “Practical Arrangement”. Solene balada ao piano — com indisfarçável influência dos standards americanos —, “Practical...” ilustra, com impecável lirismo, uma situação nada usual em canções românticas: o homem propõe à mulher que eles passem a viver juntos apenas por razões “práticas” — contando com a possibilidade de que ela talvez aprenda a amá-lo / com o tempo”.

O lançamento mundial de The Last Ship está previsto para o dia 24 de setembro.



Veja o vídeo de “Practical Arrangement”, extraído de uma aparição do cantor em um programa de TV na Noruega:



Da série ‘Frases’: Sting

I will turn your face to alabaster
Then you will find your servant is your master


Da metafórica “Wrapped Around Your Finger”, de Synchronicity [1983], quinto e último álbum do Police.


quarta-feira, julho 10, 2013

Da série ‘Discos para se Ter em Casa’: ‘As Canções que Você Fez para Mim’, de Maria Bethania



Antes de Lulu Santos, apenas Maria Bethania, há exatos 20 anos — com o ótimo As Canções que Você Fez para Mim — havia recebido a deferência de gravar um álbum inteiro dedicado à obra de Roberto e Erasmo Carlos.




Com um milhão de cópias vendidas, As Canções que Você Fez para Mim* foi uma ideia que partiu da gravadora da qual Maria Bethania era contratada na ocasião, a Polygram — atual Universal Music. O repertório, entretanto, foi selecionado pela cantora. 

Ao contrário de Lulu Santos — que optou por faixas lançadas até a primeira metade dos anos 1970 —, Bethania baseou as suas escolhas entre a segunda metade da década de 1970 e primeira dos anos 1980. O resultado? Um disco excelente da primeira à penúltima música — a exceção é “Emoções”, que encerra os trabalhos, a canção que intérprete algum deveria perder tempo em tentar regravar...

Destaque para “Olha” [1975], “Eu Preciso de Você” [1981], a épica versão de “Fera Ferida” [1982] — que tornou-se tema da homônima novela global — e, especialmente, a faixa-título, em registro amplamente superior ao original, lançado por Roberto Carlos em 1968.



* Ouça As Canções que Você Fez para Mim, na íntegra, aqui.

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Se Você Pensa’, com Lulu Santos

Se, em 1995, Lulu gravou, na companhia do DJ Marcelo ‘Memê’ Mansur, uma desconcertante versão de ‘Se Você Pensa’...”




A bem da verdade, a (ousada) releitura de Lulu Santos para “Se Você Pensa” foi gravada em 1994, para Rei, disco-tributo a Roberto e Erasmo, produzido por Roberto Frejat. Mas, por razões contratuais, acabou excluída do álbum.

Foi assim: Luís Oscar Niemeyer, então presidente da BMG-Ariola — gravadora de Lulu à época —, compareceu ao coquetel de lançamento do disco. No local, percebeu o “burburinho” dos presentes em torno da versão de “Se Você Pensa”. E concluiu que esta seria a faixa de trabalho — com grandes possibilidades de sucesso. 

Provavelmente temendo “entregar de bandeja” um hit para uma concorrente — no caso, a Sony Music —, o executivo conversou com Lulu, para explicar os seus motivos vetar a cessão do artista ao projeto. A capa do álbum [foto], desenhada pelo cartunista Angeli, já estava pronta, inclusive. O que fez com que a caricatura de Lulu Santos tivesse que ser totalmente pintada de preto — restando apenas sua “silhueta”.

Na ocasião, o músico carioca comentou o episódio em uma entrevista:

— Pelo arrazoado dele [Niemeyer] e pela relação que temos, tive que entender a sua decisão.

Na mesma entrevista, Lulu revelou a apreensão do Tremendão pela não-inclusão da faixa:

— O Erasmo me ligou, desanimado: “, bicho, não vai sair”. E eu respondi: “Calma. Vai, sim”.

Estruturada no (mortífero) riff de “Long Train Running”, do Doobie Brothers — e com a letra recitada no ritmo de rap —, a versão de Lulu acabou sendo lançada somente no ano seguinte, no álbum Eu & Memê, Memê & Eu, o título de maior sucesso comercial da discografia do autor de “Tudo Bem”.

Composta a quatro mãos por Roberto & Erasmo, “Se Você Pensa” foi lançada originalmente pelo Rei em 1968, no clássico O Inimitável.



segunda-feira, maio 13, 2013

Lulu opta por releituras ‘respeitosas’ das canções do Rei e do Tremendão

Em agosto de 2012, Roberto Carlos visitou o camarim do cantor carioca no show Lulu Canta e Toca Roberto e Erasmo, no Vivo Rio

CD
Lulu Canta e Toca Roberto & Erasmo (Sony Music)
2013


Em seu segundo disco, O Ritmo do Momento [1983], Lulu Santos não fez por menos e emplacou logo três sucessos: “Um Certo Alguém”, “Adivinha o Quê?” e a canção que se tornou o seu carro-chefe eterno, o bolero-havaiano “Como uma Onda”. No ano seguinte, com Tudo Azul, consolidou de vez o status de hitmaker, com gemas pop do calibre de “Tão Bem”, “Certas Coisas”, “Lua de Mel” e... “O Calhambeque”, versão de Erasmo Carlos que ficou célebre na voz de Roberto Carlos. Foi também neste álbum que Lulu lançou uma de suas faixas mais emblemáticas, “O Último Romântico” — que fez com que o cantor carioca passasse a ser identificado como “o roqueiro romântico”, “sucessor de Roberto Carlos” e classificações do tipo. Desconfortável com o rótulo, Lulu decidiu “subverter as regras do jogo”: em 1985, lançou o ácido e roqueiro Normal, que acabou não sendo compreendido pelo público e teve pouca repercussão. Mas com o qual o artista logrou a intenção de “desconstruir” a imagem de “romântico”.

No entanto, o mundo gira e a Lusitana roda. E eis que, 28 anos após Normal, Lulu Santos, aos 60 anos de idade e 31 de carreira, finalmente abraça a obra da dupla — que inequivocamente exerceu influência em seu trabalho — no recém-lançado Lulu Canta e Toca Roberto & Erasmo, decorrente do show homônimo que percorreu algumas capitais brasileiras em 2012. 

Se, em 1995, Lulu gravou, na companhia do DJ Marcelo “Memê” Mansur, uma desconcertante versão de “Se Você Pensa”, desta vez optou por uma abordagem “respeitosa” dos clássicos dos autores de “Detalhes”. A capa do CD, na qual o guitarrista veste um terno impecavelmente cortado, dá um indício de seu conteúdo. A própria “Se Você Pensa”, aliás, reaparece “comportada” — mas, ainda assim, emulando, em um determinado momento, o canto falado da versão anterior. 



Apesar da ‘reverência’, pequenas ‘ousadias’ 

Provavelmente recorrendo à sua memória afetiva, Lulu concentrou sua atenção nas canções lançadas até a primeira metade da década de 1970. E, oscilando entre o blues e o rock tradicional, foi feliz na escolha do repertório, que conta com “É Preciso Saber Viver”, “As Curvas da Estrada de Santos”, “Sentado À Beira do Caminho” — a melhor faixa do disco, na qual o cantor não poupou a emoção que a canção pede — e a impagável “Sou uma Criança, Não Entendo Nada”, entre outros. A única exceção — e também a música mais “recente” do álbum — é “Emoções” [1981], que, sinceramente, de tão cristalizada na voz de Roberto, não deveria ser regravada por ninguém...

Apesar da opção por releituras “reverentes” das canções de Roberto e Erasmo, Lulu não deixou de cometer pequenas “ousadias”, como a versão reggae de “Eu te Darei o Céu”, na qual executa boa parte da melodia com sua guitarra. E nas alterações de ritmo de “Quando” e de “Não Vou Ficar” — canção de Tim Maia que, lançada por Roberto Carlos em 1969, abriu portas para o Síndico.

Antes de Lulu Santos, apenas Maria Bethania, há exatos 20 anos — com o ótimo As Canções que Você Fez para Mim — havia recebido a deferência de gravar um álbum inteiro dedicado à obra de Roberto e Erasmo Carlos. E todos os artistas que já tentaram regravar faixas da dupla sabem de toda a “burocracia” envolvida na empreitada. E, embora nenhuma das versões de Lulu supere as originais — convenhamos: abordar clássicos de 40, 50 anos não é exatamente uma tarefa fácil —, Lulu Canta e Toca Roberto & Erasmo não deixa de representar uma lufada de ar fresco em um dos mais importantes cancioneiros nacionais. Trata-se, portanto, de um trabalho digno da discografia do músico carioca. E à altura dos homenageados.




Leia também:





Ouça “As Curvas da Estrada de Santos”, com participação da cantora Késia Estácio...




...e também a bela “Sentado À Beira do Caminho”:

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Como É Grande o Meu Amor por Você’, com Lulu Santos




Lançada no dia 19 de abril, a primeira música de trabalho de Lulu Canta e Toca Roberto & Erasmo é “Como É Grande o Meu Amor por Você”. 

Composta solitariamente por Roberto Carlos — que, na ocasião, estava brigado com Erasmo Carlos —, a faixa integra o clássico Em Ritmo de Aventura, de 1967 [no detalhe, a capa]. Com sua letra extremamente simples e, apesar disto — ou justamente por causa disto — deveras tocante, “Como É Grande...” é faixa cativa no roteiro dos shows do Rei.

A versão de Lulu Santos, em alta rotação nas rádios e na internet, ganhou ares de fox, gênero americano do qual o próprio Roberto já se aproximou várias vezes ao longo de sua discografia*.



* Dois exemplos: “Pra Sempre”, faixa-título de seu álbum de 2003, e a versão de “Lovin' You”, sucesso de Elvis Presley, que gravou em 2005.





Ouça “Como É Grande o Meu Amor por Você”, o primeiro single de Lulu Canta e Toca Roberto & Erasmo...





...e também a versão do autor: