Do psicólogo e filósofo americano William James (1842 — 1910).
Blog de análises musicais, mas com eventuais abordagens mais informais –– pessoais, inclusive. Sejam bem-vindos.
terça-feira, outubro 08, 2013
‘A Conspiração Franciscana’, de John Sack
Ainda sobre São Francisco de Assis: o (ótimo) livro A Conspiração Franciscana, lançado em 2007 — mas que, reconheço, li somente em 2012 — aborda, ainda que indiretamente, a biografia do patrono dos animais e da natureza.
Escrito pelo americano John Sack, Conspiração... gira em torno de Conrad de Offida, frade franciscano que vivia recluso nas montanhas e que recebeu, através de um jovem mensageiro, a carta de despedida que o Irmão Leo, discípulo e amigo inseparável de Francisco, escreveu antes de morrer.
O pergaminho em questão continha uma mensagem codificada, indicando que a Igreja teria ocultado, entre outros detalhes referentes à vida do santo, o seu verdadeiro local de sepultamento (!). Preocupado com os desdobramentos da carta, o frade abandona o seu isolamento para tentar elucidar estes mistérios.
Embora seja uma obra de ficção, o romance — que alterna suspense, humor e trechos realmente tocantes — foi baseado em fatos reais. Além dos supracitados Conrad e Leo, o Papa Gregorio X e o poeta Jacopone Da Todi realmente existiram. Recomendo.
sábado, outubro 05, 2013
A (surpreendente) filiação de Marina Silva ao PSB
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| Marina Silva e Eduardo Campos: a provável chapa do PSB para as eleições presidenciais de 2014 |
Já faz algum tempo que não temos postagens sobre política aqui no blog. Sendo assim, retomemos o tema — visto que o momento mostra-se oportuno.
A bem da verdade, é prematuro fazermos qualquer tipo de conjectura agora, faltando ainda doze meses para as próximas eleições presidenciais. Contudo, a (surpreendente) filiação de Marina Silva ao PSB — e o consequente apoio à candidatura do governador de Pernambuco, Eduardo Campos —, nos trazem indícios do que pode vir a ocorrer no ano que vem.
Muito provavelmente a ex-senadora será a vice de Campos. E, salvo alguma anormalidade, a chapa tem, matematicamente, gigantescas possibilidades de estar no segundo turno, disputando com a atual presidente.
Façam as suas apostas.
sexta-feira, outubro 04, 2013
Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Oração de São Francisco’, com Fagner
Embora a sua autoria seja frequentemente atribuída ao próprio santo, a Oração de São Francisco de Assis — também conhecida como Oração da Paz — apareceu pela primeira vez em um boletim espiritual em Paris, em 1912. O autor é desconhecido.
Quatro anos depois, foi impressa em Roma, em uma folha em cujo verso aparecia a imagem de Francisco. Considerando que a oração, de fato, reflete com fidelidade os ideais franciscanos, é fácil compreender o motivo da associação.
Fundador da Ordem dos Frades Menores — também chamada como Franciscanos —, São Francisco é tido por muitos como a segunda figura mais importante do Cristianismo. Pelo seu apreço à natureza, passou a ser considerado o patrono dos animais e do meio ambiente. Seu dia comemora-se precisamente hoje, 04 de outubro.
***
Em seu álbum O Quinze, de 1989, Raimundo Fagner gravou uma (boa) versão para a oração, que foi musicada em 1968 pelo padre paraguaio Casimiro Irala.
Veja o vídeo da versão de Fagner para “Oração de São Francisco”, gravado durante uma apresentação do cantor no Teatro Guaíra, em Curitiba, em dezembro de 2012:
terça-feira, setembro 24, 2013
Em ‘The Last Ship’, Sting ‘navega’ distante do pop
CD
The Last Ship (Cherrytree/Interscope/A&M Records)
2013
Ex-Police edita o seu primeiro álbum de inéditas em uma década
Nos últimos dez anos, até que Sting trabalhou um bocado. Em 2004, lançou a sua (excelente) autobiografia, Fora do Tom, e rodou o mundo até o ano seguinte com a turnê batizada com o nome do livro (Broken Music). Em 2006, na companhia do músico bósnio Edin Karamazov, editou Songs From The Labyrinth, o disco de alaúde mais vendido de todos os tempos. Entre 2007 e 2008, realizou uma (surpreendente) turnê mundial ao lado do Police, que acabou gerando CD/DVD/Blu-ray ao vivo, Certifiable. Já em 2009, deixou a barba crescer e lançou o belo e introspectivo If On a Winter's Night..., composto apenas por canções invernais. Por fim, em 2010, acompanhado por uma orquestra sinfônica, releu o seu cancioneiro em Symphonicities, que também gerou o audiovisual ao vivo Live In Berlin. Entretanto, apenas de tanta labuta, o fato é que o último disco de inéditas do baixista — o bom Sacred Love — chegou às prateleiras em 2003. Há exatos... dez anos (!).
Rompendo o silêncio autoral, Sting — após um processo criativo que lhe rendeu quase três anos (!) de “imersão” — ressurge com The Last Ship, lançado mundialmente hoje, 24 de outubro de 2013. O trabalho, na verdade, é a trilha sonora do musical homônimo, que marcará a sua estreia na Broadway. O tema do espetáculo é a derrocada da indústria naval de Newcastle, sua cidade natal, situada ao norte da Inglaterra, ocorrida na década de 1980. E, embora a peça só entre em cartaz em 2014, o músico, com astúcia, lançou o disco um ano antes, para que o público se “familiarizasse” com as canções — a maior parte delas, de uma forma ou de outra, fala sobre rios, marés, barcos e quetais.
Ambicioso, o álbum está disponível em quatro formatos: CD simples, vinil — ambos com 12 faixas — e CD duplo com 17 ou 20 músicas.
Nenhum sinal do autor de ‘If I Ever Lose My Faith In You’
Primeiramente, é essencial frisar que, em The Last Ship, não há o mais remoto vestígio do pop de “If I Ever Lose My Faith In You” ou “Every Breath You Take”. Sendo assim, é recomendável que aqueles que procuram essa faceta do artista mantenham distância segura deste trabalho. O Sting que se faz presente se assemelha, na verdade, ao autor das bucólicas “Fields Of Gold” [1993] e “The Ghost Story” [1999].
Musicalmente, contudo, o disco é bem variado. A épica faixa-título, que abre os trabalhos, apresenta clara influência celta, com direito, inclusive, a gaita de fole — e o instrumento, por sinal, volta a aparecer em “Ballad Of Great Eastern” e na também celta “What Have We Got?”, dueto com o ator-cantor inglês Jimmy Nail. Curiosamente, em vários momentos do álbum, Sting, pela primeira vez em toda a sua discografia, evoca o sotaque típico de Newcastle — o chamado Novocastrian.
No quesito letra, o compositor continua afiado. O acalanto “August Winds”, estruturado em um violão de nylon, remete aos questionamentos dos versos de “Shape Of My Heart” [1993] — inclusive, volta a falar em “máscara”. Já a valsa (!) “The Night The Pugilist Learned How To Dance” é de cortar o coração: conta a estória de um jovem pugilista de 15 anos — com seu “nariz quebrado” e “orelha de couve-flor” — que decide aprender a dançar para conquistar a sua amada. Cole Porter provavelmente aprovaria.
Outro grande momento é a delicada-porém-impactante “I Love Her But She Loves Someone Else”, em que o eu-lírico é um homem de idade avançada que, confrontado com a perspectiva de sua “mortalidade”, relembra o passado e seus revezes. E conclui: “Esqueci o primeiro mandamento do manual do realista: ‘Não se deixe enganar por ilusões que você mesmo criou’...”.
Do início ao fim, alto nível lírico e musical
A primeira faixa de trabalho foi a minimalista “Practical Arrangement”, possivelmente uma das menos óbvias letras românticas já escritas no cancioneiro popular mundial. Já o segundo single de trabalho é a (espirituosa) bossa nova “And Yet”, que conta com discretas (e precisas) intervenções de seu fiel escudeiro, o guitarrista Dominic Miller. Trata-se da melhor música do disco.
Ainda que um tanto hermético, o trabalho mantém, do início ao fim, alto nível lírico e musical. E reafirma que, artisticamente, o único “compromisso” do ex-Police, prestes a completar 62 anos de idade — e ainda com a voz “em dia” — é consigo próprio. Vale lembrar, no entanto, que The Last Ship é uma trilha sonora. Portanto, seria agradável ouvir, depois de tanto tempo, um disco com canções de Sting que não estivessem “vinculadas” a uma determinada temática.
Leia também:
Veja o vídeo da bossa nova “And Yet”, segundo single de The Last Ship, extraído do programa Later... with Jools Holland...
...e também da magnífica valsa (!) “The Night The Pugilist Learned How To Dance”, em vídeo extraído do programa Le Grand Studio, da TV francesa RTL:
Sting, de 2003 a 2013: índice remissivo
Sobre Sacred Love [2003], o último trabalho de inéditas de Sting, escrevi aqui. Sobre Fora do Tom, a excelente autobiografia do cantor, aqui. Para ler sobre Songs from the Labyrinth, álbum de alaúde gravado ao lado do músico bósnio Edin Karamazov, basta clicar aqui.
A matéria sobre o histórico show do Police no Estádio do Maracanã encontra-se aqui. Já a análise de If Only a Winter's Night..., disco de “canções de inverno” lançado em 2009, está aqui. E, por fim, a resenha do CD Symphonicities, gravado com o acompanhamento de uma orquestra sinfônica pode ser lida aqui.
Da série ‘Frases’: Nelson Rodrigues
“Tenho inveja da burrice porque ela é como a Pedra da Gávea: eterna”.
Do (sempre genial) dramaturgo, jornalista e escritor pernambucano Nelson Rodrigues (1912 — 1980).
sábado, agosto 31, 2013
‘New’: a música nova de Paul McCartney
Desde quinta-feira, 29 de agosto, está disponível nas rádios e nos iTunes a faixa-título do novo disco de inéditas de Sir Paul McCartney, o primeiro desde Memory Almost Full, 2006.
Típico fruto pop do mais melodioso dos Beatles, “New” apresenta cadência que evoca “Penny Lane”, lançada pelo quarteto de Liverpool, em compacto, em 1967. As harmonias vocais, entretanto, remetem de imediato a Pet Sounds, clássico dos Beach Boys.
Produzido por Mark Ronson, New [na foto, a capa], o álbum, será lançado mundialmente no dia 14 de outubro.
Ouça “New”:
Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Jenny Wren’, de Paul McCartney
Carriça [foto] é um minúsculo pássaro comum em toda a Europa e América do Norte, assim como em algumas regiões da Ásia. Não é encontrável no Brasil. Em inglês, tem um nome que parece de menina: Jenny Wren.
Observando essa semelhança, Paul McCartney compôs uma canção com esse título, lançada no excelente Chaos And Creation In The Backyard, de 2005. Delicada balada dedilhada ao violão — contando apenas com uma discreta intervenção de violoncelo —, “Jenny Wren” alude instantaneamente à magistral “Blackbird”*, lançada pelos Beatles no chamado Álbum Branco, de 1968.
A letra, naturalmente, não desperdiça a metáfora: “Como várias garotas / Jenny Wren sabia cantar...”
* Vale lembrar que os versos de “Blackbird” — inspirada nos movimentos pelos Direitos Civis nos Estados Unidos da década de 1960, como os Panteras Negras e o Black Power — também trazem uma mensagem cifrada. Ou seja, o melro da letra é, na verdade... uma mulher negra.
Veja o vídeo de “Jenny Wren”:
Da série ‘Frases’: Pilar del Río
“O que me parece é que a razão tem que mandar sobre a vontade. Isto parece a coisa mais fria e mais forte que se pode dizer. Mas creio que somos racionais e temos a obrigação de ser racionais. E de não nos deixarmos levar, jamais, pelo instinto.”
Da jornalista e tradutora literária Pilar del Río — viúva de José Saramago, prêmio Nobel de Literatura em 1998 —, no (ótimo) documentário José e Pilar [2010], de Miguel Gonçalves Mendes.
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