sexta-feira, novembro 08, 2013

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Saturn’, de Stevie Wonder



Wonder apresentará, em um concerto beneficente (...), na íntegra, pela primeira vez, aquele que provavelmente é o melhor título de sua extensa discografia: o estupendo Songs In The Key Of Life, de 1976




Aproveitando o ensejo, relembramos o monumental Songs In The Key Of Life [acima, a capa], em uma faixa que, embora não tenha se tornado um hit, é uma das mais emocionantes não apenas do álbum, mas da carreira do músico: “Saturn”. 

Na letra, escrita pelo guitarrista Mike Sembello, o planeta Saturno é uma metáfora para Saginaw, cidade natal de Stevie Wonder. Além de ser um libelo contra a violência e pela paz entre os homens, “Saturn” fala do desejo de retornar a um lugar idílico e acolhedor, onde permanecem as nossas “raízes” — e a nossa inocência perdida. 

E no qual se tem a sensação de estar “a salvo” das mazelas do mundo adulto. 



Da série ‘Curiosidades’: ‘Balada do Louco’, dos Mutantes, e ‘Saturn’, de Stevie Wonder



Curiosamente, “Saturn”, de Stevie Wonder, e “Balada do Louco”, d'Os Mutantes, possuem versos de significados semelhantes. Em um determinado trecho, a canção do grupo paulistano diz: “Se eles têm três carros, eu posso voar”. E a composição do multi-instrumentista americano parece concordar: “Não precisamos de carros porque aprendemos a voar” (“Don't need cars cause we've learn to fly”). 

Mas é importante frisar que “Balada...”* foi lançada quatro anos antes de “Saturn”, no álbum Mutantes e seus Cometas no País do Baurets, de 1972 [acima, a capa].



* Composta a quatro mãos por Arnaldo Dias Baptista e Rita Lee, a belíssima “Balada do Louco” fala sobre... amor-próprio. Ou seja, sempre haverá alguém melhor do que cada um de nós, em todos os aspectos. Mais bem-sucedido. Mais inteligente. Mais bonito. Enfim, isso é um fato. Essa constatação, no entanto, não pode, em hipótese alguma, abalar a autoestima e o bem-estar de quem quer que seja. Mesmo que, para alguns, isso possa parecer... loucura.




Veja a comovente versão extraída do DVD Mutantes Ao Vivo — Barbican Theatre, Londres, de 2006, no qual Sérgio Dias, além da ótima interpretação, mostra por que é um dos melhores guitarristas brasileiros de sempre:

Da série ‘Discos para se Ter em Casa’: ‘The Dark Side Of The Moon’, do Pink Floyd



“...a exemplo do que fez o Pink Floyd em 1995, ao regravar ao vivo o clássico The Dark Side Of The Moon no álbum P.U.L.S.E...”




Por sinal, o atemporal The Dark Side Of The Moon [acima, a capa], do Pink Floyd, está completando 40 anos de lançamento em 2013. E permanece respeitado e influente como sempre. 

Quatro décadas depois, tudo já foi dito sobre essa obra-prima. E você pode ser ouvi-la, na íntegra, no vídeo abaixo:


sexta-feira, novembro 01, 2013

Stevie Wonder lançará dois (!) álbuns em 2014



Sem editar um disco de inéditas há exatos oito anos — o mais recente foi A Time To Love, de 2005 —, Stevie Wonder anunciou que lançará não um, mas dois (!) álbuns em 2014. Seus respectivos títulos são When The World Began e Ten Billion Hearts. Divorciado da estilista Kai Millard Morris, com quem foi casado durante 11 anos, o artista conta que as suas novas composições falam sobre “família, mudança, crescimento e corações partidos”.

No repertório, além de faixas escritas recentemente, Wonder — que afirmou estar “ouvindo muito rap” — pretende incluir uma faixa que compôs aos 13 anos de idade. Além disso, o autor de “Superstition” pretende regravar alguns de seus sucessos, com o acompanhamento de uma orquestra.

Stevie também revelou ter a intenção de gravar um terceiro (!) álbum, apenas de canções religiosas, intitulado Gospel Inspired by Lula, cumprindo a promessa que fez à sua mãe, falecida em 2006.

No entanto, ainda este ano, Wonder apresentará, em um concerto beneficente — a ser realizado em Los Angeles, no dia 21 de dezembro —, na íntegra, pela primeira vez, aquele que provavelmente é o melhor título de sua extensa discografia: o estupendo Songs In The Key Of Life, de 1976, que traz pérolas como “Isn't She Lovely”, “I Wish” e “Sir Duke”, entre outras. 

Resta torcer para que o cantor lance o espetáculo em DVD e Blu-ray — a exemplo do que fez o Pink Floyd em 1995, ao regravar o clássico The Dark Side Of The Moon, de 1973, no álbum ao vivo P.U.L.S.E..

quinta-feira, outubro 31, 2013

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Ghost Song’, do The Doors



Impossível falar em grandes letristas do rock, como Bob Dylan, Leonard Cohen e o recém falecido Lou Reed, sem mencionar Jim Morrison (1943 — 1971), ex-vocalista do The Doors. Por sinal, no caso dele, a palavra “poeta” não se aplicava como adjetivo — mas como substantivo: Morrison, de fato, escrevia poesias.

Por sinal, em 1978, sete anos após o seu precoce desaparecimento, os membros sobreviventes da banda — o tecladista Ray Manzarek, o guitarrista Robby Krieger e o baterista John Densmore — decidiram musicar alguns poemas do Rei Lagarto que haviam sido recitados pelo próprio, entre 1969 e 1970. Daí surgiu o... digamos assim, incomum álbum An American Prayer [acima, a capa].

O destaque desse disco é “Ghost Song”, na qual Manzarek, Krieger e Densmore conseguem criar uma interessante “moldura sonora” para as delirantes divagações do bardo.



Os versos de “Ghost Song” citam, ainda que nas entrelinhas, uma experiência que Morrison teve durante a sua infância. Certa vez, ele e sua família dirigiam por uma estrada deserta dos Estados Unidos e viram um terrível acidente ocorrido poucos momentos antes: dois caminhões com trabalhadores indígenas colidiram, causando várias vítimas fatais. Desde então, o vocalista passou a acreditar que as almas dos nativos acidentados “saltaram para dentro de sua alma e permaneceram lá”. Vai entender... 

domingo, outubro 27, 2013

Lou Reed (1942 — 2013)



Com seu singular estilo “falado” de cantar — como se estivesse sempre contando uma estória —, Lou Reed escreveu excelentes “crônicas do submundo” como “Vicious”, “Heroin”, “Waiting For The Man” e, claro, “Walk On The Wild Side”. Ao lado de Bob Dylan e Leonard Cohen, destacou-se, sem sombra de dúvida, como um dos mais brilhantes letristas que o rock já teve.

O ex-vocalista do Velvet Underground faleceu hoje, aos 71 anos, cinco meses após ter sido submetido a um transplante de fígado. E o seu maior legado foi, a exemplo dos supracitados Dylan e Cohen, provar que letras de música podem, sim, ser tão relevantes e profundas quanto livros de poesia. 



A minha preferida do bardo: a doce — e, ao mesmo tempo, ácida — “What's Good (The Thesis)”, do conceitual (e ótimo) álbum Magic And Loss, de 1992.

Da série ‘Frases’: Lou Reed


You're going to reap just what you sow.”

(Da bela — porém cínica — “Perfect Day”, faixa de Transformer, segundo álbum solo de Lou Reed, lançado em 1972.)




terça-feira, outubro 08, 2013

Inaugurando a série ‘Curiosidades’: ‘Everybody Laughed But You’ e ‘January Stars’, de Sting



Ainda sobre Sting: “Everybody Laughed But You” é uma obscura — porém interessante — canção que integra o repertório de Ten Summoner's Tales [acima, a capa], de 1993, quarto disco solo de estúdio do músico inglês. Por alguma razão, foi excluída nas versões do álbum lançadas nos Estados Unidos e no Canadá — sendo alocada, naqueles dois países, no lado B do primeiro single de trabalho, “If I Ever Lose My Faith In You”.

E ocorre que o ex-Police decidiu aprontar uma. Aproveitou somente a melodia do refrão e a base instrumental da gravação de “Everybody...” e escreveu uma nova melodia, acompanhada de uma letra completamente diferente. Assim nasceu “January Stars”, que chegou às prateleiras como lado B de “Seven Days”, segundo single de Ten Summoner's Tales.

O resultado? Confiram e escolham a sua preferida:



Everybody Laughed But You



January Stars

Da série ‘Frases’: William James

A arte de ser sábio consiste em saber o que ignorar”.


Do psicólogo e filósofo americano William James (1842 — 1910).


‘A Conspiração Franciscana’, de John Sack



Ainda sobre São Francisco de Assis: o (ótimo) livro A Conspiração Franciscana, lançado em 2007 — mas que, reconheço, li somente em 2012 — aborda, ainda que indiretamente, a biografia do patrono dos animais e da natureza.

Escrito pelo americano John Sack, Conspiração... gira em torno de Conrad de Offida, frade franciscano que vivia recluso nas montanhas e que recebeu, através de um jovem mensageiro, a carta de despedida que o Irmão Leo, discípulo e amigo inseparável de Francisco, escreveu antes de morrer. 

O pergaminho em questão continha uma mensagem codificada, indicando que a Igreja teria ocultado, entre outros detalhes referentes à vida do santo, o seu verdadeiro local de sepultamento (!). Preocupado com os desdobramentos da carta, o frade abandona o seu isolamento para tentar elucidar estes mistérios.

Embora seja uma obra de ficção, o romance — que alterna suspense, humor e trechos realmente tocantes — foi baseado em fatos reais. Além dos supracitados Conrad e Leo, o Papa Gregorio X e o poeta Jacopone Da Todi realmente existiram. Recomendo.