quinta-feira, dezembro 26, 2013

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Seres Humanos’, de Roberto Carlos e Erasmo Carlos



Uma das mais esclarecidas letras da dupla Roberto &; Erasmo, o rap-placebo “Seres Humanos” foi lançada originalmente como faixa-bônus do CD ao vivo, epônimo, que Roberto Carlos editou em 2002 [acima, a capa]. No ano seguinte, integrou o repertório de Pra Sempre, último álbum de inéditas do Rei.

Sob um belo arranjo, RC exalta as conquistas da humanidade (“O telefone, o rádio, a luz elétrica / a televisão, o computador / progressos na engenharia genética / maravilhas da ciência prolongando a vida”), a despeito do quanto o planeta tem sido “castigado” ao longo dos anos (“Que negócio é esse de que nós não temos / os devidos cuidados com o mundo em que vivemos? / Fazemos tudo por necessidade”). E não deixa de citar os mistérios que envolvem a existência humana neste mundo (“Nem sabemos por que aqui estamos / e, mesmo sem saber, seguindo em frente vamos”).

Em uma observação para lá de oportuna, Roberto menciona a busca por “respostas” — e também a tolerância religiosa (“Buscamos apoio nas religiões / e procuramos verdades em suposições. / Católicos, judeus, espíritas e ateus / somos maravilhosos / afinal, somos filhos de Deus”). E, em linhas gerais, rejeita a visão de “culpa” e “pecado” que várias crenças procuram impor a seus fiéis: “Que tal olhar as coisas que a gente tem conseguido? / E o mundo, hoje, é bem melhor / do que há muito tempo atrás / e as mudanças desse mundo / o ser humano é que faz”.

Uma reflexão e tanto para os nossos tempos.




Veja o vídeo de “Seres Humanos”, extraído do especial de Roberto Carlos de 2002:

domingo, dezembro 22, 2013

Roberto Carlos ‘na pista’



EP
Remixed (Amigo Records/Sony Music)
2013


Anunciado em dezembro de 2012 como um CD completo, Remixed chega às prateleiras como EP de cinco músicas — repetindo o formato de Esse Cara Sou Eu, que obteve estrondoso sucesso no ano passado. Essa, aliás, não foi a única modificação: o (espirituoso) título inicial, Reimixed, acabou sendo alterado, provavelmente pelo fato de que, em 52 anos de carreira, nenhum trabalho de RC foi batizado com qualquer menção à palavra “rei”.

Os remixes de “Fera Ferida”, “Se Você Pensa”, “O Portão”, “É Preciso Saber Viver” e “É Proibido Fumar” “respeitam” as gravações originais — com destaque para o primeiro, assinado pelo experiente DJ Marcelo “Memê” Mansur [saiba mais aqui]. E, se não são exatamente brilhantes, também não comprometem. E atestam a versatilidade das canções de Roberto & Erasmo.

No mais, fica a impressão de que os remixes já haviam sido gravados há algum tempo, pelo fato de  ao contrário das faixas eletrônicas do novo CD de Paul McCartney —, não soarem propriamente “modernos”. E um certo “conservadorismo” também se faz notar na capa, que segue o padrão habitual dos discos de RC.  

A bem da verdade, Remixed apenas cumpre o papel de oferecer ao público um produto “novo” de Roberto Carlos para as vendas de Natal, considerando que o aguardado disco de inéditas do cantor — o primeiro em dez anos (!) — foi novamente adiado. Três prováveis motivos: a atribulada agenda de shows do artista; o seu perfeccionismo extremo; o fato de não desejar editar um novo álbum justamente em um ano 13...




Leia também:





Ouça o remix do DJ Felipe Venâncio para “O Portão”, faixa lançada originalmente em 1974:


Rui Motta: doação de sangue



Faço um apelo a todos: Rui Motta [foto], ex-baterista d'Os Mutantes, precisa de uma doação de sangue — de qualquer tipo.

Para doar, basta se dirigir a um dos dois endereços abaixo e informar o nome completo do paciente (Rui Castro Motta) e o local onde ele se encontra internado (Hospital Copa D'or):


* Rua Conde de Irajá, 183 — Humaitá: de 2ª a 6ª feira, de 8h às 16h; sábado, de 8h às 11h;

* Rua Santa Luzia, 206 Centro (Santa Casa de Misericórdia): de 2ª a 6ª feira, de 8h às 15h; sábado, de 8h às 12h.

quinta-feira, dezembro 12, 2013

O triunfal retorno dos Rolling Stones ao Hyde Park



Blu-Ray/ DVD /CD
Sweet Summer Sun: Hyde Park Live (Eagle Rock)
2013



Banda inglesa lança mão de seu arsenal de clássicos para uma plateia sempre ávida para ouvi-los


Em 2013, exatos 44 anos após a histórica apresentação — registrada no DVD Stones In The Park — em memória de Brian Jones, um dos fundadores do grupo, os Rolling Stones fizeram o seu retorno triunfal ao Hyde Park londrino em dois espetáculos. A versão áudio foi lançada no dia 22 de julho, exclusivamente em formato digital, através do iTunes. Já a versões Blu-Ray, DVD e CD duplo chegaram ao mercado no final de novembro, sob o título Sweet Summer Sun: Hyde Park Live — porém, ainda sem lançamento nacional.

Novidades? Apenas a (boa) “Doom And Gloom”, uma das duas inéditas da compilação Grrrr, editada em 2012. Mas... quem se importa? A exemplo de Paul McCartney e Bob Dylan, os Stones possuem um vasto arsenal de clássicos — e um público sempre ávido para ouvi-los. 

A audiência, aliás, é peça-chave em Sweet Summer Sun. Na competente filmagem estilo concert film, a plateia aparece tanto quanto os próprios músicos. Sendo assim, é possível observar pessoas de todas as idades, absolutamente extasiadas com a performance irrepreensível da Maior Banda de Rock And Roll do Mundo.

A infalível “Start Me Up” abre os trabalhos, seguida por “It's Only Rock N'Roll (But I Like It)”. No telão, a menção respeitosa a figuras mitológicas do rock e dos blues, como Chuck Berry, B. B. King e Jerry Lee Lewis, entre outros. Resultado: já na segunda música, a turba estava “na mão” dos Stones. E com justiça: afinal, pela música e por todo o aparato, trata-se de um dos maiores espetáculos da Terra. 

A banda continua afiada como sempre. Mas é impossível não destacar a (sobrenatural) atuação de Mick Jagger. Aos 70 anos de idade, correndo por um palco gigantesco durante duas horas, ele não deixa transparecer, em momento algum, qualquer limitação física imposta pelo peso dos anos. E continua sendo o frontman impecável que todos conhecemos. Com o deboche habitual, não perdeu a chance de usar novamente, em “Honk Tonk Women”, a mesma bata — de senhora (!) — que vestiu no lendário show de 1969

Um dos pontos altos da apresentação é a épica “You Can't Always Get What You Want”, que, graças a um coral de 24 vozes (!), tem recriada a atmosfera gospel da gravação original, do álbum Let It Bleed, de 1969. E, claro, a participação do guitarrista Mick Taylor no blues “Midnight Rambler” — “duelando” com a harmônica de Jagger —, e no apoteótico final de “(I Can't Get No) Satisfaction”. Músico versátil e de técnica apurada, Taylor ingressou no grupo em 1969, substituindo o supracitado Brian Jones, e permaneceu até 1974.

Os Rolling Stones não pensam em aposentadoria. Aliás, prosseguem na turnê comemorativa de seus 50 anos de carreira, com datas agendadas na Austrália e na Ásia. Há, portanto, uma enorme probabilidade de a banda editar mais um audiovisual em 2014. Contudo, se os Stones decidissem não lançar mais nada, Sweet Summer Sun: Hyde Park Live teria sido um desfecho memorável para a sua brilhante trajetória.




Leia também:










Veja o vídeo de “Jumpin' Jack Flash”, no qual — com o perdão do trocadilho infame — os Stones não deixam pedra sobre pedra:

Da série ‘Frases’: Confúcio

Se você não conhece o filho, olhe para o seu pai; se você não conhece uma pessoa, olhe para os seus amigos; se você não conhece o imperador, olhe para os seus súditos; se você não conhece o terreno, olhe para o capim que nele cresce.


Do filósofo chinês Confúcio (551 a.C. — 479 a.C.), cujos pensamentos permanecem tão relevantes quanto no tempo em que viveu.




quarta-feira, novembro 20, 2013

Não foi por acaso que Paul McCartney batizou seu novo álbum de ‘New’



CD
New (Universal Music)
2013


Sob a batuta de quatro (!) jovens produtores, ex-Beatle ‘atualiza’ o seu som


Embora não tenha parado de excursionar ao redor do planeta — e tenha lançado em 2012 o sofisticado Kisses On The Bottom, disco de standards americanos da década de 1930 e 1940 —, o mais recente trabalho de inéditas de Sir Paul McCartney, o bom Memory Almost Full, fora lançado em 2006. Após seis anos, o baixista ressurge com New, gravado entre Londres e Los Angeles, em cinco estúdios.

As sessões de New tiveram a particularidade de terem sido pilotadas por quatro (!) jovens produtores: Ethan Johns, produtor do Kings of Leon e filho de Glyn Johns, engenheiro de som que trabalhou em discos dos Beatles e dos Wings; o DJ Mark Ronson, responsável pelo ótimo Back to Black, de Amy Winehouse; Paul Epworth, um dos produtores do cavalo-de-vendas 21, de Adele; e Giles Martin, filho de ninguém menos do que o eterno produtor dos Beatles, Sir George Martin. Em entrevistas recentes, McCartney explicou que tentou trabalhar com profissionais diferentes justamente para ver qual deles mais o agradava. E acabou gostando de todos.

As oito mãos que produziram o álbum construíram uma sonoridade, com o perdão do trocadilho, “renovada”, contemporânea para as doze faixas — quatorze na versão Deluxe — que compõem o trabalho. E indicam que o ex-Beatle, embora orgulhoso de sua (soberba) trajetória, não deseja se tornar, musicalmente, “uma relíquia do passado”. Traduzindo: aos 71 anos, Paul ainda está “na pista”. E a ação do tempo em sua voz é perceptível somente em alguns momentos de uma única faixa, a nostálgica — e tocante — balada country “Early Days”.  



‘Moderno’, mas sem se ‘desvirtuar’

As guitarras da introdução de “Save Us”, pulsante pop rock que abre a bolacha, fazem com que o ouvinte se pergunte se realmente colocou o “disco certo” para tocar. Até que uma voz para lá de familiar coloca as coisas nos seus devidos lugares.

Sons eletrônicos caracterizam “Road”, a ousada Appreciate” eLooking At Her” — e remetem ao ótimo Electric Arguments [2008], fruto de seu projeto paralelo The Fireman —, mas sempre com muito critério, sem jamais “desvirtuar” a essência da musicalidade de McCartney.

E o autor de “Silly Love Songs”, que domina como poucos os cânones da canção pop, continua hábil em criar melodias assobiáveis com a naturalidade de quem bebe um copo d'água. Ótimos exemplos são “On My Way To Work”, a maravilhosa “Alligator”, “I Can Bet” e a melancólica balada acústica “Hosanna”.

A primeira música de trabalho foi a infecciosa faixa-título, que simplesmente nasceu clássica. E que é fortíssima candidata a integrar qualquer futura coletânea do músico.

New está no (bom) nível dos trabalhos de Paul McCartney nos últimos 20 anos — seu último disco mediano, Off The Ground, foi lançado exatamente em 1993. Só nos resta, portanto, agradecer pelo simples fato de ele estar... vivo. E continuar nos brindando com a sua imorredoura música.



Leia também:





Para o vídeo de “Quennie Eye”, segundo single de New, McCartney recrutou um verdadeiro exército de celebridades. Dá até para brincar de adivinhar os figurões: Johnny Depp, Meryl Streep, Sean Penn, Jeremy Irons, Jude Law, Kate Moss... E vale frisar que “Quennie Eye” é o nome de uma brincadeira que era muito popular em Liverpool, durante a infância de Paul:





A improvisada versão acústica de “New” — com direito a um belo arranjo vocal dos quatro (felizardos) membro de sua banda —, escancara a habilidade do ex-Beatles em engendrar melodias memoráveis. Vale a pena conferir:


sexta-feira, novembro 08, 2013

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Saturn’, de Stevie Wonder



Wonder apresentará, em um concerto beneficente (...), na íntegra, pela primeira vez, aquele que provavelmente é o melhor título de sua extensa discografia: o estupendo Songs In The Key Of Life, de 1976




Aproveitando o ensejo, relembramos o monumental Songs In The Key Of Life [acima, a capa], em uma faixa que, embora não tenha se tornado um hit, é uma das mais emocionantes não apenas do álbum, mas da carreira do músico: “Saturn”. 

Na letra, escrita pelo guitarrista Mike Sembello, o planeta Saturno é uma metáfora para Saginaw, cidade natal de Stevie Wonder. Além de ser um libelo contra a violência e pela paz entre os homens, “Saturn” fala do desejo de retornar a um lugar idílico e acolhedor, onde permanecem as nossas “raízes” — e a nossa inocência perdida. 

E no qual se tem a sensação de estar “a salvo” das mazelas do mundo adulto. 



Da série ‘Curiosidades’: ‘Balada do Louco’, dos Mutantes, e ‘Saturn’, de Stevie Wonder



Curiosamente, “Saturn”, de Stevie Wonder, e “Balada do Louco”, d'Os Mutantes, possuem versos de significados semelhantes. Em um determinado trecho, a canção do grupo paulistano diz: “Se eles têm três carros, eu posso voar”. E a composição do multi-instrumentista americano parece concordar: “Não precisamos de carros porque aprendemos a voar” (“Don't need cars cause we've learn to fly”). 

Mas é importante frisar que “Balada...”* foi lançada quatro anos antes de “Saturn”, no álbum Mutantes e seus Cometas no País do Baurets, de 1972 [acima, a capa].



* Composta a quatro mãos por Arnaldo Dias Baptista e Rita Lee, a belíssima “Balada do Louco” fala sobre... amor-próprio. Ou seja, sempre haverá alguém melhor do que cada um de nós, em todos os aspectos. Mais bem-sucedido. Mais inteligente. Mais bonito. Enfim, isso é um fato. Essa constatação, no entanto, não pode, em hipótese alguma, abalar a autoestima e o bem-estar de quem quer que seja. Mesmo que, para alguns, isso possa parecer... loucura.




Veja a comovente versão extraída do DVD Mutantes Ao Vivo — Barbican Theatre, Londres, de 2006, no qual Sérgio Dias, além da ótima interpretação, mostra por que é um dos melhores guitarristas brasileiros de sempre:

Da série ‘Discos para se Ter em Casa’: ‘The Dark Side Of The Moon’, do Pink Floyd



“...a exemplo do que fez o Pink Floyd em 1995, ao regravar ao vivo o clássico The Dark Side Of The Moon no álbum P.U.L.S.E...”




Por sinal, o atemporal The Dark Side Of The Moon [acima, a capa], do Pink Floyd, está completando 40 anos de lançamento em 2013. E permanece respeitado e influente como sempre. 

Quatro décadas depois, tudo já foi dito sobre essa obra-prima. E você pode ser ouvi-la, na íntegra, no vídeo abaixo:


sexta-feira, novembro 01, 2013

Stevie Wonder lançará dois (!) álbuns em 2014



Sem editar um disco de inéditas há exatos oito anos — o mais recente foi A Time To Love, de 2005 —, Stevie Wonder anunciou que lançará não um, mas dois (!) álbuns em 2014. Seus respectivos títulos são When The World Began e Ten Billion Hearts. Divorciado da estilista Kai Millard Morris, com quem foi casado durante 11 anos, o artista conta que as suas novas composições falam sobre “família, mudança, crescimento e corações partidos”.

No repertório, além de faixas escritas recentemente, Wonder — que afirmou estar “ouvindo muito rap” — pretende incluir uma faixa que compôs aos 13 anos de idade. Além disso, o autor de “Superstition” pretende regravar alguns de seus sucessos, com o acompanhamento de uma orquestra.

Stevie também revelou ter a intenção de gravar um terceiro (!) álbum, apenas de canções religiosas, intitulado Gospel Inspired by Lula, cumprindo a promessa que fez à sua mãe, falecida em 2006.

No entanto, ainda este ano, Wonder apresentará, em um concerto beneficente — a ser realizado em Los Angeles, no dia 21 de dezembro —, na íntegra, pela primeira vez, aquele que provavelmente é o melhor título de sua extensa discografia: o estupendo Songs In The Key Of Life, de 1976, que traz pérolas como “Isn't She Lovely”, “I Wish” e “Sir Duke”, entre outras. 

Resta torcer para que o cantor lance o espetáculo em DVD e Blu-ray — a exemplo do que fez o Pink Floyd em 1995, ao regravar o clássico The Dark Side Of The Moon, de 1973, no álbum ao vivo P.U.L.S.E..