sexta-feira, fevereiro 07, 2014

‘On Stage Together’: a turnê de Sting e Paul Simon



Não faz muito tempo, Sting e Paul Simon [no detalhe], amigos de longa data — e moradores do mesmo prédio em Nova York nos anos 1980 — tentaram compor uma canção juntos. Entretanto, sem chegar a um acordo em relação ao tema, acabaram colocando a ideia de lado. 

Contudo, após a apresentação beneficente para a Robin Hood Foundation, em maio de 2013 — na qual tocaram “The Boxer” e “Fields Of Gold” —, decidiram iniciar uma (inusitada) colaboração. A dupla sairá em turnê, intitulada On Stage Together, com datas agendadas nos EUA e Canadá até o dia 16 de março. O primeiro espetáculo, aliás, acontece precisamente amanhã, em Houston, no Texas.

Além dos sets individuais, Simon e Sting pretendem “fundir” canções suas que possuam temática semelhante — como “Brand New Day” e “50 Ways to Leave Your Lover”, por exemplo (“Uma fala sobre o início de um relacionamento e a outra, sobre o fim”, explica o ex-Police). E também desejam “trocar figurinhas”: o americano já declarou que gostaria de cantar “Fragile” e o inglês, “The Boy In The Bubble”. Outro provável destaque do roteiro é “Bridge Over Troubled Water”, pérola regravada por Elvis Presley, que será interpretada em dueto.

Apesar de elogiar o antigo parceiro de Simon, Art Garfunkel (“Uma das mais belas vozes da história do pop”, classificou), Sting se apressou em dizer que não tem a intenção de “imitá-lo”.

Embora animados com a empreitada, Sting e Paul Simon, envolvidos em seus próprios projetos, não cogitam prolongar a turnê para além do mês de março — e tampouco registrá-la em CD/DVD. O baixista estreará em junho, na Broadway, o seu musical The Last Ship, cuja trilha foi lançada em setembro do ano passado. E Simon, por sua vez, está trabalhando em um álbum de inéditas.




Veja o vídeo de “The Boxer”, gravado por alguém da plateia durante o show de estreia da turnê da dupla, realizado ontem em Houston, no Texas:

quarta-feira, fevereiro 05, 2014

‘Invisible’: o novo single do U2


Single digital
Invisible (Universal)
2014



Quem também acaba de lançar música nova é o U2. Um vídeo de “Invisible” — a inédita em questão — com um minuto de duração foi apresentado no último domingo, 02, no intervalo da decisão do Superbowl. No dia seguinte, a banda disponibilizou a faixa para download gratuito no iTunes por 24 horas. 

Como era de se esperar, a vocação humanitária do quarteto se fez presente: a cada cópia baixada, o Bank of America, patrocinador da empreitada, destinava um dólar para a ONG Red, que angaria recursos para combater a aids, a tuberculose e a malária.

Produzida por Danger Mouse — metade da dupla Gnarls “Crazy” Barkley —, “Invisible” apresenta o som “clássico” do U2, com discretos sequenciadores que remetem o ouvinte a Achtung Baby e a Pop, álbuns de 1991 e 1997, respectivamente. A letra, clara e objetiva, fala sobre profundas mudanças internas (“Não vou ser o filho do meu pai”). Sobre... superação. E “renascimento”. 

Contudo, não há informação de que a faixa é uma prévia do novo disco dos irlandeses, ainda sem título, cujo lançamento está agendado para o verão europeu. Em recente entrevista a uma emissora de rádio, o vocalista Bono não escondeu a sua insegurança em relação à “relevância” do grupo nos dias atuais.

O mais recente trabalho de inéditas do U2, o razoável No Line On The Horizon, foi lançado em 2009.



Veja o vídeo oficial de “Invisible:


‘Sócio do Amor’: a música nova de Lulu Santos


Single digital
Sócio do Amor (Sony Music)
2014



Ensolarada (e libertária) canção pop com a inconfundível assinatura melódica de Lulu Santos — e com um leve acento eletrônico —, a inédita “Sócio do Amor” foi disponibilizada em versão digital no iTunes pelo músico carioca no finalzinho de 2013. A faixa já havia sido executada por Lulu na última edição do programa The Voice Brasil, do qual era um dos jurados.

Não há, entretanto, nenhuma confirmação de que a faixa integrará o novo trabalho de estúdio do cantor — pronto há quase dois anos (!) —, ou quando o mesmo verá a luz do dia.

Tendo completado 60 anos de idade em 2013, o autor de “Como Uma Onda” adiou o lançamento de seu supracitado álbum de inéditas em função do box comemorativo de seus 30 anos de carreira discográfica, Toca Lulu [2012] — que, por sinal, dá nome à turnê com a qual o músico tem percorrido o país —, e do projeto Lulu Canta e Toca Roberto e Erasmo, editado em maio do ano passado.



Ouça “Sócio do Amor:


Da série ‘Frases’: Gurdjieff

Diferencie problemas reais de problemas imaginários e elimine-os. Afinal, são pura perda de tempo e ocupam um espaço mental precioso — que deveria ser utilizado para coisas mais importantes.”


Do mestre espiritual armênio George Ivanovich Gurdjieff (1866 — 1949).


quinta-feira, dezembro 26, 2013

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Como Uma Onda’, de Lulu Santos e Nelson Motta



Bem, a data não poderia mesmo passar em branco: “Como Uma Onda”, a canção pela qual Lulu Santos será sempre lembrado, está completando 30 anos em 2013. Foi lançada em 1983, em O Ritmo do Momento [acima, a capa], segundo álbum solo do guitarrista carioca.

A letra, escrita pelo jornalista, produtor e escritor Nelson Motta, disserta brilhantemente sobre a transitoriedade de... tudo (“Nada do que foi será / de novo do jeito que já foi um dia / tudo passa / tudo sempre passará”). E, musicalmente, é o que poderíamos classificar como um “bolero havaiano” — que veio a se tornar uma das “marcas registradas” do cantor, em canções como “Lua de Mel” e “Sereia”.

Ao longo dessas três décadas, “Como Uma Onda” foi regravada inúmeras vezes. No ano de seu lançamento, recebeu versão de Zizi Possi, em seu sexto álbum, Pra Sempre e Mais um Dia. Exatos dez anos depois, foi relida por Tim Maia, em (magistral) fonograma inicialmente destinado a uma propaganda de chinelos — e bastante fiel ao arranjo original. E, em 2002, foi a vez de Caetano Veloso, em dueto com o próprio autor, no seu Noites do Norte — Ao Vivo.

Recentemente, foi cantada por ninguém menos do que Roberto Carlos — na companhia de Lulu —, em seu especial anual.




Ouça “Como Uma Onda” nas vozes de Tim Maia...




Caetano Veloso...




Roberto Carlos, em seu especial de 2013...





...e, claro, Lulu Santos — no raríssimo vídeo original da canção:

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Seres Humanos’, de Roberto Carlos e Erasmo Carlos



Uma das mais esclarecidas letras da dupla Roberto &; Erasmo, o rap-placebo “Seres Humanos” foi lançada originalmente como faixa-bônus do CD ao vivo, epônimo, que Roberto Carlos editou em 2002 [acima, a capa]. No ano seguinte, integrou o repertório de Pra Sempre, último álbum de inéditas do Rei.

Sob um belo arranjo, RC exalta as conquistas da humanidade (“O telefone, o rádio, a luz elétrica / a televisão, o computador / progressos na engenharia genética / maravilhas da ciência prolongando a vida”), a despeito do quanto o planeta tem sido “castigado” ao longo dos anos (“Que negócio é esse de que nós não temos / os devidos cuidados com o mundo em que vivemos? / Fazemos tudo por necessidade”). E não deixa de citar os mistérios que envolvem a existência humana neste mundo (“Nem sabemos por que aqui estamos / e, mesmo sem saber, seguindo em frente vamos”).

Em uma observação para lá de oportuna, Roberto menciona a busca por “respostas” — e também a tolerância religiosa (“Buscamos apoio nas religiões / e procuramos verdades em suposições. / Católicos, judeus, espíritas e ateus / somos maravilhosos / afinal, somos filhos de Deus”). E, em linhas gerais, rejeita a visão de “culpa” e “pecado” que várias crenças procuram impor a seus fiéis: “Que tal olhar as coisas que a gente tem conseguido? / E o mundo, hoje, é bem melhor / do que há muito tempo atrás / e as mudanças desse mundo / o ser humano é que faz”.

Uma reflexão e tanto para os nossos tempos.




Veja o vídeo de “Seres Humanos”, extraído do especial de Roberto Carlos de 2002:

domingo, dezembro 22, 2013

Roberto Carlos ‘na pista’



EP
Remixed (Amigo Records/Sony Music)
2013


Anunciado em dezembro de 2012 como um CD completo, Remixed chega às prateleiras como EP de cinco músicas — repetindo o formato de Esse Cara Sou Eu, que obteve estrondoso sucesso no ano passado. Essa, aliás, não foi a única modificação: o (espirituoso) título inicial, Reimixed, acabou sendo alterado, provavelmente pelo fato de que, em 52 anos de carreira, nenhum trabalho de RC foi batizado com qualquer menção à palavra “rei”.

Os remixes de “Fera Ferida”, “Se Você Pensa”, “O Portão”, “É Preciso Saber Viver” e “É Proibido Fumar” “respeitam” as gravações originais — com destaque para o primeiro, assinado pelo experiente DJ Marcelo “Memê” Mansur [saiba mais aqui]. E, se não são exatamente brilhantes, também não comprometem. E atestam a versatilidade das canções de Roberto & Erasmo.

No mais, fica a impressão de que os remixes já haviam sido gravados há algum tempo, pelo fato de  ao contrário das faixas eletrônicas do novo CD de Paul McCartney —, não soarem propriamente “modernos”. E um certo “conservadorismo” também se faz notar na capa, que segue o padrão habitual dos discos de RC.  

A bem da verdade, Remixed apenas cumpre o papel de oferecer ao público um produto “novo” de Roberto Carlos para as vendas de Natal, considerando que o aguardado disco de inéditas do cantor — o primeiro em dez anos (!) — foi novamente adiado. Três prováveis motivos: a atribulada agenda de shows do artista; o seu perfeccionismo extremo; o fato de não desejar editar um novo álbum justamente em um ano 13...




Leia também:





Ouça o remix do DJ Felipe Venâncio para “O Portão”, faixa lançada originalmente em 1974:


Rui Motta: doação de sangue



Faço um apelo a todos: Rui Motta [foto], ex-baterista d'Os Mutantes, precisa de uma doação de sangue — de qualquer tipo.

Para doar, basta se dirigir a um dos dois endereços abaixo e informar o nome completo do paciente (Rui Castro Motta) e o local onde ele se encontra internado (Hospital Copa D'or):


* Rua Conde de Irajá, 183 — Humaitá: de 2ª a 6ª feira, de 8h às 16h; sábado, de 8h às 11h;

* Rua Santa Luzia, 206 Centro (Santa Casa de Misericórdia): de 2ª a 6ª feira, de 8h às 15h; sábado, de 8h às 12h.

quinta-feira, dezembro 12, 2013

O triunfal retorno dos Rolling Stones ao Hyde Park



Blu-Ray/ DVD /CD
Sweet Summer Sun: Hyde Park Live (Eagle Rock)
2013



Banda inglesa lança mão de seu arsenal de clássicos para uma plateia sempre ávida para ouvi-los


Em 2013, exatos 44 anos após a histórica apresentação — registrada no DVD Stones In The Park — em memória de Brian Jones, um dos fundadores do grupo, os Rolling Stones fizeram o seu retorno triunfal ao Hyde Park londrino em dois espetáculos. A versão áudio foi lançada no dia 22 de julho, exclusivamente em formato digital, através do iTunes. Já a versões Blu-Ray, DVD e CD duplo chegaram ao mercado no final de novembro, sob o título Sweet Summer Sun: Hyde Park Live — porém, ainda sem lançamento nacional.

Novidades? Apenas a (boa) “Doom And Gloom”, uma das duas inéditas da compilação Grrrr, editada em 2012. Mas... quem se importa? A exemplo de Paul McCartney e Bob Dylan, os Stones possuem um vasto arsenal de clássicos — e um público sempre ávido para ouvi-los. 

A audiência, aliás, é peça-chave em Sweet Summer Sun. Na competente filmagem estilo concert film, a plateia aparece tanto quanto os próprios músicos. Sendo assim, é possível observar pessoas de todas as idades, absolutamente extasiadas com a performance irrepreensível da Maior Banda de Rock And Roll do Mundo.

A infalível “Start Me Up” abre os trabalhos, seguida por “It's Only Rock N'Roll (But I Like It)”. No telão, a menção respeitosa a figuras mitológicas do rock e dos blues, como Chuck Berry, B. B. King e Jerry Lee Lewis, entre outros. Resultado: já na segunda música, a turba estava “na mão” dos Stones. E com justiça: afinal, pela música e por todo o aparato, trata-se de um dos maiores espetáculos da Terra. 

A banda continua afiada como sempre. Mas é impossível não destacar a (sobrenatural) atuação de Mick Jagger. Aos 70 anos de idade, correndo por um palco gigantesco durante duas horas, ele não deixa transparecer, em momento algum, qualquer limitação física imposta pelo peso dos anos. E continua sendo o frontman impecável que todos conhecemos. Com o deboche habitual, não perdeu a chance de usar novamente, em “Honk Tonk Women”, a mesma bata — de senhora (!) — que vestiu no lendário show de 1969

Um dos pontos altos da apresentação é a épica “You Can't Always Get What You Want”, que, graças a um coral de 24 vozes (!), tem recriada a atmosfera gospel da gravação original, do álbum Let It Bleed, de 1969. E, claro, a participação do guitarrista Mick Taylor no blues “Midnight Rambler” — “duelando” com a harmônica de Jagger —, e no apoteótico final de “(I Can't Get No) Satisfaction”. Músico versátil e de técnica apurada, Taylor ingressou no grupo em 1969, substituindo o supracitado Brian Jones, e permaneceu até 1974.

Os Rolling Stones não pensam em aposentadoria. Aliás, prosseguem na turnê comemorativa de seus 50 anos de carreira, com datas agendadas na Austrália e na Ásia. Há, portanto, uma enorme probabilidade de a banda editar mais um audiovisual em 2014. Contudo, se os Stones decidissem não lançar mais nada, Sweet Summer Sun: Hyde Park Live teria sido um desfecho memorável para a sua brilhante trajetória.




Leia também:










Veja o vídeo de “Jumpin' Jack Flash”, no qual — com o perdão do trocadilho infame — os Stones não deixam pedra sobre pedra:

Da série ‘Frases’: Confúcio

Se você não conhece o filho, olhe para o seu pai; se você não conhece uma pessoa, olhe para os seus amigos; se você não conhece o imperador, olhe para os seus súditos; se você não conhece o terreno, olhe para o capim que nele cresce.


Do filósofo chinês Confúcio (551 a.C. — 479 a.C.), cujos pensamentos permanecem tão relevantes quanto no tempo em que viveu.