sábado, novembro 22, 2014

Da série ‘Frases’: Winston Churchill


A democracia é o pior dos regimes — com exceção de todos os outros”.


Do ex-primeiro-ministro britânico Winston Churchill (1874 — 1965).



sábado, novembro 08, 2014

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Perfeição’, da Legião Urbana



Com todo respeito a Ary Barroso e a sua imorredoura “Aquarela do Brasil” — merecidamente considerada o “hino extra-oficial brasileiro” —, provavelmente nenhuma outra canção foi capaz de retratar o País (com o perdão da redundância) de modo tão perfeito do que “Perfeição”, da Legião Urbana.

Em sua letra discursiva, com clara influência do rap — Renato Russo revelou que o groove da faixa foi trazido ao estúdio pelo baterista Marcelo Bonfá em uma fita K7 —, nada escapa aos olhos de águia do líder da banda. A “estupidez do povo”, que, “a cada fevereiro e feriado” comemora “como idiotas”, sem necessariamente ter motivos para tal. A “violência” (“O meu país e sua corja de assassinos covardes / estupradores e ladrões”). A “desunião” da população. O “descaso por educação”. O estado deplorável da saúde pública (“Os mortos por falta de hospitais”). A crueldade da Previdência Social brasileira (“...a nossa gente / que trabalhou honestamente a vida inteira / e agora não tem mais direito a nada”). 

Também apontou problemas estruturais (“a água podre”), sociais (“a fome”), ambientais (“queimadas”) e as mazelas inerentes à natureza humana (a “hipocrisia”, a “inveja”, a “indiferença” e as “mentiras”). E, embora tenha lembrado que, apesar de tudo, existe algum patriotismo (“Vamos cantar juntos o Hino Nacional / a lágrima é verdadeira”), não poupou de crítica sequer... a si próprio (“Também podemos celebrar / a estupidez de quem cantou essa canção”).

Outro trecho digno de registro: “Vamos celebrar nossa bandeira”. Entre os “absurdos gloriosos” do passado a que o autor se refere, certamente se encontra a própria Proclamação da República — na verdade, um golpe militar. E vale frisar que, naquele momento, a família Real não apenas foi apeada do poder, como também banida do Brasil para sempre, além de ter todos os seus bens confiscados e, posteriormente, leiloados. Ou seja, naquele momento, o País saiu de um regime absolutista (a Monarquia) para ser governado por dois ditadores (os marechais Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto). E, a cada ano, a data é feriado nacional...

“Perfeição” foi lançada em 1993. Portanto, é um desalento constatar que, decorridos 21 anos, seus versos continuam tristemente atuais. E que, para nos tornarmos, de fato, uma nação, ainda há muito, muito a ser realizado.

A evocação aos mitos gregos também não foi gratuita: a menção a Eros e Thanatos (o Amor e a Morte) trata-se de uma menção velada à sua condição de soropositivo. E Perséfone e Hades representam, no caso, a chamada “síndrome de Estocolmo” — o estranho e inexplicável apego por alguém que lhe fez/faz mal. 

Já nas duas estrofes finais da canção — que citam a melodia de “O Bêbado e o Equilibrista”, de João Bosco e Aldir Blanc, imortalizada na voz de Elis Regina —, o cantor nos deixa uma mensagem de esperança (“Nosso futuro recomeça”). E exalta a verdade (“Só a verdade liberta / chega de maldade e ilusão”), remetendo-nos imediatamente ao Evangelho de João (8:32): “Conhecereis a verdade. E a verdade vos libertará”.

Parceria dos supracitados Russo e Bonfá com o guitarrista Dado Villa-Lobos, “Perfeição”, eterna obra-prima do rock nacional, integra o álbum O Descobrimento do Brasil [no detalhe, a capa], sexto e antepenúltimo álbum de estúdio da Legião Urbana. 




Veja o vídeo de “Perfeição:

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Somos Todos Iguais nesta Noite’, de Ivan Lins



Faixa-título do sexto álbum de Ivan Lins, editado em 1977, “Somos Todos Iguais nesta Noite” traz uma série de mensagens subliminares referentes ao contexto político da época em que foi lançada — no caso, o governo do general Ernesto Geisel. Curiosamente, embora tenha sido o período do regime militar que marcou o início da abertura política, também foi quando ocorreu o caso Vladimir Herzog.

Escrita por Vitor Martins, parceiro mais constante de Ivan, a (capciosa) letra deixa claro, em linhas gerais, que, “no ensaio diário de um drama”, sempre resta à população... o “papel de palhaço” (“Olha nós outra vez no picadeiro...”).

Um dos aspectos mais interessantes, contudo, é justamente... o título da canção. Não importa região, etnia ou mesmo classe social: ninguém fica imune a uma governança equivocada. Ninguém. Portanto, somos todos iguais nesta “noite” — ou seja, no “breu” que temos que atravessar...

E, sendo assim, “vamos dançar mais uma vez...”



Ouça “Somos Todos Iguais nesta Noite:





Da série ‘Frases’: Victor Hugo


Entre um governo que faz o mal e o povo que o consente, há uma certa cumplicidade vergonhosa”.


Do poeta, dramaturgo, ensaísta, artista, estadista e ativista francês Victor Hugo (1802 — 1885).



segunda-feira, setembro 15, 2014

‘Hope For The Future’, a nova música de Paul McCartney



Paul McCartney não para. Menos de um ano após o lançamento de New, seu mais recente álbum de inéditas, o ex-Beatle anuncia uma nova faixa, a épica “Hope For The Future”.

Produzida por Giles Martin, filho do lendário George Martin — e produtor de algumas faixas de New —, “Hope” foi composta, pasmem, para a trilha sonora do game Destiny, disponível nos consoles PlayStation 3, PlayStation 4, Xbox 360 e Xbox One. Além da canção, o músico auxiliou a equipe nas orquestrações do jogo.

E adivinhem quanto McCartney recebeu pela empreitada? Nem um tostão. Segundo Eric Osborne, diretor de comunidades da Bungie — empresa que desenvolveu Destiny —, embora o autor de “The Long And Winding Road” seja um artista conhecido no mundo inteiro, ele ficou bastante interessado pela oportunidade de ser ouvido por público que “habitualmente, não tem proximidade com a sua música”. Ponto para ele.

Em seu site oficial, Paul publicou uma nota afirmando que “Hope” será lançada comercialmente “em breve”. Contudo, não explicou se chegará às lojas através de um single ou se será incluída em uma versão “extended” do supracitado New, prometida ainda para 2014. A conferir.



Ouça “Hope For The Future:



sábado, setembro 06, 2014

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Forever Young’, de Rod Stewart



Por mais que soe clichê, a verdade é uma só: para um pai, seu filho será sempre um menino — ainda que ele esteja quase da sua altura. Essa (belíssima) canção de Rod Stewart — lançada em Out Of Order [1988], seu 15º disco de estúdio — fala exatamente sobre isso. 

Sendo assim, dedico-a ao meu filho, que está aniversariando hoje.



Que o bom Deus esteja com você em cada estrada que você trilhe.
Que a luz do sol e a felicidade o envolvam quando você estiver longe de casa.
E que você cresça para ser orgulhoso, digno e sincero
e faça para os outros como você teria feito para si mesmo.”



Curiosidade: Stewart, um dos autores de “Forever Young”, deu créditos a Bob Dylan, por ter utilizado trechos da letra da canção homônima, escrita pelo poeta americano para o álbum Planet Waves [1974].



sábado, agosto 30, 2014

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Deusa do Amor’, de Pepeu Gomes



Em um país desmemoriado como o nosso, é provável que poucas pessoas recordem que Pepeu Gomes, além de um dos mais brilhantes guitarristas brasileiros, também já foi um hitmaker — e dos bons.

Entre o final dos anos 1970 e a metade da década seguinte, o ex-garoto prodígio dos Novos Baianos enfileirou sucessos como “Mil e uma Noites de Amor”, “Eu Também Quero Beijar”, “Fazendo Música, Jogando Bola” e “Ela É Demais”, entre outros. 

E, para provar que as boas canções pop não perecem jamais, “Deusa do Amor”, de seu sexto álbum solo, Masculino e Feminino [1983] — cuja faixa-título, aliás, também obteve grande execução radiofônica na época —, integra a trilha sonora de Boogie Oogie, atual novela global das seis.


Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Sem Pecado e sem Juízo’, de Baby Consuelo


É inevitável: não há como mencionar Pepeu Gomes sem lembrar de Baby Consuelo. Além de parceiros musicais, os ex-membros dos Novos Baianos foram casados durante 18 anos e tiveram seis filhos.

Na década de 1990, após se tornar evangélica, adotou o nome artístico de Baby do Brasil e enveredou pelo gospel. Antes disso, porém — no exato período em que Pepeu era presença constante nas FMs — foi bem-sucedida com um repertório secular do calibre de “Barrados na Disneylândia” (inspirada em um fato real), “Cósmica”, “Menino do Rio” (por sinal, a versão definitiva da canção de Caetano Veloso) e, claro, a bela “Sem Pecado e sem Juízo (Tudo Azul)”, faixa título de seu sétimo álbum solo [1985]. Rá!


quinta-feira, agosto 14, 2014

Eduardo Campos (1965 — 2014)



A perda humana é, sem dúvida alguma, o aspecto mais doloroso do súbito e trágico desaparecimento de Eduardo Campos. Afinal, o candidato à presidência pelo PSB era um homem de 49 anos recém-completados, pai de cinco filhos — sendo um de apenas seis meses. Contudo, a lacuna política também é algo a se lamentar.

Governador reeleito de Pernambuco com mais de 80% de aprovação, Campos despontava como uma figura respeitada e extremamente promissora — em especial, na região Nordeste. Com cerca de 10% de intenções de voto nas eleições presidenciais desse ano, provavelmente não chegaria ao segundo turno. Entretanto, com a visibilidade nacional que a atual candidatura lhe proporcionaria, o neto de Miguel Arraes certamente seria um nome fortíssimo para o pleito de 2018.

Por tudo isso, é natural que familiares, amigos, correligionários, eleitores e até opositores estejam chocados com a sua precoce saída de cena. A vida pública brasileira fica (ainda mais) empobrecida sem ele.

Da série ‘Fotos’: Vincent van Gogh


Com o auxílio de ferramentas de edição de imagem, o fotógrafo e arquiteto lituano Tadao Cern transformou o famoso auto-retrato de Vincent van Gogh em uma foto moderna do pintor holandês. O resultado é simplesmente... espantoso.

Van Gogh certamente se orgulharia.