terça-feira, agosto 25, 2015

David Gilmour regrava ‘Here, There And Everywhere’, dos Beatles



A nova edição da Mojo traz um presente e tanto para os seus leitores: o CD David Gilmour & Friends. Lançada com exclusividade pela revista britânica, a compilação apresenta duetos do ex-guitarrista e vocalista do Pink Floyd com nomes como David Crosby & Graham Nash, Phil Manzanera e The Orb, entre outros.

O grande trunfo do álbum, entretanto, é o delicado cover de Gilmour para “Here, There and Everywhere”, clássico dos Beatles. Em entrevista, o músico reconheceu a enorme influência que o quarteto exerceu em seu trabalho (“Eles me ensinaram a tocar guitarra. (…) Eles eram fantásticos”). E confessa que gostaria de ter feito parte do grupo.

A releitura de Gilmour foi gravada com a colaboração de seu filho, Joe, e enviada para a Mojo há dois anos. Contudo, o seu lançamento só veio a se concretizar após “longas conversas”. Embora tenha respeitado a versão original — lançada em Revolver [1966] —, o mestre não deixou de imprimir a sua assinatura na canção — o que inclui um solo de guitarra bem ao seu estilo. 

Dele, não poderíamos esperar menos. 



Ouça a versão de David Gilmour para “Here, There and Everywhere:

quarta-feira, junho 10, 2015

Os 30 anos de ‘Exagerado’, de Cazuza



Para celebrar os 30 anos de lançamento de “Exagerado”, uma das mais emblemáticas faixas da carreira de Cazuza, grandes nomes do pop nacional reuniram-se, sob a batuta do experiente produtor Liminha, para regravar a canção, em uma realização da Musickeria Corp.

Preservando o registro de voz do cantor, “Exagerado 3.0” contou com as participações de Dado Villa-Lobos (guitarras, Legião Urbana), João Barone (bateria, Paralamas do Sucesso) e Kassim (programações eletrônicas), além do próprio Liminha (baixo). E, embora a ficha técnica estelar não tenha superado a (imbatível) gravação original, o resultado ficou bastante satisfatório. Ademais, a causa é (para lá de) nobre.

Parte dos direitos da venda do single — disponível somente no formato digital — será destinada à Sociedade Viva Cazuza, entidade criada há 25 anos por sua mãe, Lucinha Araújo, com o intuito de dar apoio a crianças infectadas com o vírus HIV, que vitimou o artista em 1990.



Ouça ‘Exagerado 3.0’:

Da série ‘Fotos’: Milton Nascimento



Em um tapume situado na Rua do Rosário, Centro do Rio, alguém teve a (curiosa) ideia de “carimbar” o rosto de Milton Nascimento, mencionando também o seu segundo álbum, Courage [1969] — cujo repertório é formado majoritariamente por faixas do primeiro trabalho do cantor, de 1967, com algumas de suas letras vertidas para o inglês, visando o mercado norte-americano.


Inaugurando a série ‘Pensatas’: Individualismo / Círculo Vicioso


No fundo, trata-se de um círculo vicioso — e dificílimo de ser rompido: as pessoas tornam-se individualistas e prepotentes justamente devido… ao individualismo e à prepotência dos demais.


domingo, janeiro 04, 2015

Sting: Prêmio Kennedy 2014



No dia 07 de dezembro — somente agora os vídeos foram disponibilizados na web —, Sting foi um dos agraciados com o Prêmio Kennedy 2014 pelo conjunto de sua obra. 

Nada mais justo: gostem alguns ou não, trata-se de um dos mais brilhantes compositores populares do século XX, autor de pérolas como “Every Breath You Take”, “Fields Of Gold” e “Roxanne”, entre outras. Bom melodista e exímio letrista, não ganhou 16 Grammy Awards à toa.

Como de praxe, algumas canções do homenageado foram interpretadas por outros artistas em um pocket show, que sempre conta com a presença do presidente dos Estados Unidos e sua primeira dama. Os demais laureados dessa edição foram o ator Tom Hanks, a comediante Lily Tomlin, a bailarina Patricia McBride e o “reverendo” da soul music Al Green.



Lady GaGa — que, certa vez, em pleno palco, classificou Sting como “uma de suas pessoas favoritas no mundo” — abriu os trabalhos. Acompanhada por uma banda afiada, cantou a suingada “If I Ever Lose My Faith In You”. E nem mesmo os exageros vocais da cantora comprometeram a sua (boa) releitura:




Em seguida, Esperanza Spalding e Herbie Hancock tocaram “Fragile”, uma das canções de Sting com notável influência da sonoridade brasileira:




Na sequência, Bruce “O Cara” Springsteen retribuiu a (excelente) participação de Sting no Prêmio Kennedy de 2009, quando foi um dos homenageados. E simplesmente “quebrou tudo” em uma versão antológica do country “I Hung My Head”. Em um determinado momento, o autor, no camarote, fechou os olhos tentar para conter a emoção. Após um lancinante solo de guitarra de “The Boss”, um coral gospel adentra o palco, coroando uma performance para ver e rever várias e várias vezes:




O grand finale ficou sob a responsabilidade de Bruno Mars — o mesmo que, na cerimônia do Grammy de 2013 conseguiu a façanha de colocar Sting para cantar uma canção sua (!). E o jovem não fez feio no medley que reuniu dois dos maiores sucessos do Police: “So Lonely” e “Message In A Bottle”. É bem verdade que Sting assistiu a apresentação inteira com os olhos marejados. Mas o momento de maior emoção para o baixista foi quando, para sua surpresa, todo o elenco de The Last Ship, seu primeiro musical na Broadway, entrou em cena para o encerramento:

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘I Hung My Head’, de Sting


No DVD Live In Berlin [2010], Sting revelou que o seu apreço de infância por seriados western como Bonanza fez com que se aproximasse da música country. Anos mais tarde, quando começou a compor, era natural eventualmente querer escrever canções inspiradas no gênero, como “This Cowboy Song” [1994]. Contudo, o fato de ser inglês sempre o deixou tímido para enveredar por um estilo musical tradicionalmente americano.

Até que, um dia, o lendário Johnny Cash regravou a sua “I Hung My Head” — o que foi recebido por Sting como uma espécie de “aval”.

Faixa do quinto álbum solo de estúdio do ex-Police, Mercury Falling [no detalhe, a capa], de 1996, trata-se de uma de suas letras mais instigantes, embora pouco conhecida: no raiar do dia, um camponês pega emprestado o rifle de amigo e sai para caminhar. Ao avistar um cavaleiro que passava ao longe, apontou em sua direção para treinar a própria mira. Subitamente, a arma lhe escapa das mãos e dispara sozinha, ferindo mortalmente a vítima. Julgado diante da população da pequena cidade, o atirador mostra-se arrependido e implora o perdão da viúva e dos filhos do cavaleiro. Mas não escapa da punição: a guilhotina.

A canção também foi interpretada de modo magistral por Bruce Springteen na cerimônia na qual Sting recebeu o Prêmio Kennedy 2014




Ouça a versão de Johnny Cash, lançada no surpreendente American IV: The Man Comes Around, de 2002:




E veja o vídeo com a versão do autor, extraído do supracitado DVD Live In Berlin:

quinta-feira, janeiro 01, 2015

Kanye West e Paul McCartney lançam novo single


Em agosto de 2014, surgiram rumores de que Paul McCartney e Kanye West estariam em estúdio trabalhando juntos em “algumas faixas” que poderiam vir a ser lançadas em um álbum. Procurada pela imprensa, a assessoria do ex-Beatle não confirmou nem desmentiu: “Sem comentários”.

Nas primeiras luzes de 2015, os indícios se confirmaram: o rapper americano surpreende e lança o single Only One [no detalhe, a capa], que traz, no órgão e nos backing vocais, a participação (mais do que) especial justamente de... McCartney (!).

Já se sabe que a (suave) canção integrará o novo CD de West, ainda sem título — o primeiro desde 2009 —, que chegará às prateleiras ainda este ano. 



Veja o vídeo oficial de “Only One:


quarta-feira, dezembro 31, 2014

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Almost Home’, de Moby



Um ano após a tocante “The Perfect Life” ter se tornado o tema da menina autista interpretada brilhantemente por Bruna Linzmayer em Amor à Vida, Moby emplacou mais uma no horário nobre global. 

A bela “Almost Home” — com participação do cantor indie Damien Jurado nos vocais — integra a trilha sonora de Império, atual novela das nove.

Por sinal, o álbum que abriga as duas canções, Innocents, de 2013 [no detalhe, a capa], vale a audição.



Veja o vídeo de “Almost Home:

sexta-feira, dezembro 26, 2014

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Vai Passar’, de Chico Buarque



“(...) E pode despertar o interesse do mercado internacional de rock para o autor de ‘Vai Passar’...”




Analisando nos dias de hoje, não deixa de ser irônico lembrar que Chico Buarque finalizou o seu álbum epônimo de 1984 [no detalhe, a capa] com o samba “Vai Passar”, que trazia os seguintes versos:


Dormia a nossa pátria, mãe tão distraída,
sem perceber que era subtraída
em tenebrosas transações...”



sexta-feira, dezembro 12, 2014

Sérgio Vid ousa ao reler Chico em roupagem roqueira e com letras em inglês


CD 
Rock ‘N’ Chico (independente)
2015 
(Foto: Elias Nogueira)


Ao longo dos anos, a obra de Chico Buarque já foi relida inúmeras vezes, e pelos artistas das mais diversas vertentes. Mas, sem sombra de dúvida, nunca de maneira tão inusitada quanto no projeto Rock ‘N’ Chico — que levou sete anos até ver a luz do dia —, de Sérgio Vid, uma das melhores vozes da cena carioca dos anos 1980.

A idéia de Vid, ex-Sangue da Cidade — do sucesso “Brilhar a Minha Estrela (“Dá Mais Um)” — sobressaiu em relação a todas as abordagens anteriores das canções de Chico: regravá-las com uma roupagem roqueira. E com todas as letras vertidas para inglês (!).

O resultado é simplesmente estupendo. Produzido pelo tecladista PH Castanheira, o álbum apresenta excelente padrão sonoro. Dono de um inglês impecável, Vid continua com o vocal em plena forma. E respeitou a temática das letras de todas as dez faixas do álbum, lançadas entre 1968 e 1989. 

Apesar de não possuir resquício algum de samba em seu arranjo, “If You Know Who You Are (Partido Alto)”, que abre a bolacha, consegue conservar a malandragem da gravação original. Já a pungente “I Forgive You (Mil Perdões)” manteve a sua carga emocional preservada. Outro grande momento é a etérea “Two Brothers’s Hill (Morro Dois Irmãos)”, que finaliza o disco. Todavia, o destaque inconteste é “Women Of Athens”, épica versão de “Mulheres de Atenas”, cuja sonoridade lembra as grandiloquentes baladas do Led Zeppelin.

Fã ardoroso de Chico, Sérgio Vid revelou que o compositor — que, todos sabem, sempre foi admirador dos gêneros mais tradicionais da música brasileira — “adorou” o projeto. Não é para menos: independentemente da ousadia, Rock ‘N’ Chico, com lançamento previsto para janeiro de 2015, é um trabalho de alto nível. E pode despertar o interesse do mercado internacional de rock para o autor de “Vai Passar”.



Ouça a versão de Sérgio Vid para “Mulheres de Atenas: