No detalhe, Jennifer, Roberto e Kany García, autora da versão original da canção
Single digital
Chegaste (Sony Music)
2016
O single “Chegaste” é a concretização da tão comentada colaboração entre Roberto Carlos e Jennifer Lopez, já disponível nas plataformas digitais. Versão de “Llegaste”, de autoria da cantora e compositora Kany García — vencedora do Grammy Latino por três vezes —, teve a letra adaptada para português pelo próprio Roberto.
Gravada em Los Angeles, com produção de Julio Reyes Copello — conhecido por trabalhos com Alejandro Sanz, Nelly Furtado e Ricky Martin entre outros —, “Chegaste” é uma balada suave cuja letra fala de um amor que surge inesperadamente (“Quem diria que você diria sem dizer que vinha?”). Não se trata de um clássico, mas tem a sua beleza. Foi a primeira vez em que a americana J Lo — que possui ascendência porto-riquenha — cantou no nosso idioma. E até que não se saiu mal.
A versão em espanhol do dueto integrará o álbum que Jennifer está finalizando — o primeiro hispânico em uma década. Por outro lado, não se sabe se a gravação em português fará parte do novo trabalho de inéditas de Roberto — após um hiato de 14 anos (!) —, prometido para abril de 2017.
O vídeo oficial, gravado na residência da cantora, em Los Angeles, será lançado no especial anual de RC, no dia 23 de dezembro.
Além da vasta obra literária, o poeta, ensaísta, crítico de arte, dramaturgo, biógrafo e tradutor Ferreira Gullar — falecido ontem, aos 86 anos — teve alguns de seus poemas, como “Traduzir-se” e “Me Leva (Cantiga pra Não Morrer)”, musicados por Fagner.
E, juntos, verteram para português “Burbujas de Amor”, canção do dominicano Juan Luis Guerra. Fagner conta que, quando decidiu fazer a versão, concluiu que precisava de alguém com uma assinatura de peso — já que costumava levar “muita pancada da crítica”. Por já serem parceiros, o cantor escolheu Gullar, que, a princípio, mostrou-se reticente à ideia — justamente por tratar-se de uma versão. Mas acabou ficando satisfeito com o resultado final.
“Borbulhas de Amor”, do álbum Pedras que Cantam [1991], tornou-se um dos maiores sucessos da carreira do músico cearense.
Veja o vídeo de “Borbulhas de Amor”, gravado ao vivo em 2002…
...e também a (impagável) explicação dada por Ferreira Gullar, durante a Flip de 2010, sobre o “peixe” da letra da canção:
Exibido na Broadway este ano, o musical Lazarus foi, ao lado do CD Blackstar, um dos últimos trabalhos de David Bowie, falecido no dia 10 de janeiro. E a trilha sonora do espetáculo, formado inteiramente por canções do Camaleão interpretadas pelo elenco, chega agora às prateleiras, via Sony Music, em edição nacional.
Os arranjos de algumas faixas, como “Valentine's Day”, “Where Are You Now?”, “Love Is Lost” e o blues “Dirty Boys” — curiosamente, todas do penúltimo álbum de Bowie, o ótimo The Next Day [2013] — são idênticos aos originais. O que resulta em uma grande perda de tempo — afinal, se é para ouvir covers, melhor recorrer à (vasta) discografia do artista.
Os melhores resultados são alcançados justamente nas releituras que “desconstruíram” as gravações originais. É o caso de “This Is Not America”, quase irreconhecível na voz de Sophia Anne Caruso, e da abordagem minimalista de “Heroes” na voz de Michael C. Hall, protagonista do extinto seriado Dexter. Mas nada se compara à (acachapante) versão eletrônica de Charlie Pollack de “The Man Who Sold The World”, também regravada com sucesso pelo Nirvana em 1994. Bowie — que, felizmente, teve tempo de assistir a peça — deve ter adorado.
Entretanto, o grande trunfo da trilha é o CD bônus que traz as três últimas faixas inéditas de David Bowie, gravadas na companhia do Donny McCaslin Trio durante as sessões do já mencionado Blackstar. “When I Met You” é uma tocante canção pop com melodia tipicamente Bowie, em que os vocais “dobrados” passam a impressão de que ele “dialoga” consigo próprio. Já a pesada e raivosa “Killing a Little Time” parece falar sobre a doença que o vitimou: “Estou caindo, cara / estou sufocando, cara / Estou desaparecendo, cara”.
A lenta “No Plan” é a melhor das três. Capcioso, Bowie brinca com a palavra “plano” — que tanto pode se referir a “planejamento” quanto a outro plano… existencial: “Todas as coisas que compõem a minha vida / meu humor / minhas crenças / meus desejos / eu, sozinho / nada a se arrepender / este não é lugar nenhum / mas aqui estou eu”.
Entre obviedades e bons momentos, Lazarus se impõe, principalmente, pelo valor documental: trata-se do último estertor criativo de um artista incomparável. E que deixou muita saudade.
Ouça a (acachapante) versão eletrônica de “The Man Who Sold The World” de Charlie Pollack...
...e também “No Plan”, uma das três inéditas deixadas por Bowie:
Além dos dois (impactantes) vídeos gravados pelo próprio David Bowie, Blackstar ganhou um terceiro audiovisual — o primeiro póstumo.
Utilizando recursos de computação gráfica, Jonathan Barnbrook — também responsável pelo design do álbum — criou um caprichado lyric video para a comovente “I Can't Give Everything Away”, faixa que encerra (com chave de ouro) o último CD de Bowie.
Barnbook explicou suas escolhas:
— Começamos [o vídeo] com o mundo preto-e-branco de ★. Contudo, no refrão final, mudamos para um colorido brilhante, como uma espécie de “celebração” ao David. Uma forma de dizer que, apesar da adversidade que enfrentamos, das dificuldades que surgiram com a morte do David, os seres humanos são naturalmente positivos. Eles olham para frente e conseguem tirar algo positivo do passado e usar como algo para ajudá-los no presente. Somos uma espécie naturalmente otimista e sempre celebramos o bem que nos é ofertado.
Além de companheiros de banda e grandes amigos, ex-beatles Ringo Starr e George Harrison também chegaram a compor juntos. “Photograph”, provavelmente o maior sucesso da carreira solo de Ringo, é parceria sua com George.
Lançada em Ringo, de 1973 [no detalhe, a capa], é a única faixa oficialmente creditada à dupla — embora eles tenham trabalhado juntos em outras canções. Na gravação, além do próprio Harrison, participaram figurões como o saxofonista Bobby Keys (que excursionava com os Rolling Stones) e o pianista Nicky Hopkins, entre outros.
Veja o vídeo de “Photograph”, gravado durante o (magnífico) Concert for George, de 2002, tributo realizado no Royal Albert Hall, em Londres, no exato dia em que Harrison completou um ano de falecimento:
No dia em que George Harrison completa exatos 15 anos de falecimento, vamos relembrar uma passagem comovente, que ilustra a sua amizade com Ringo Starr.
Em 2001, o ex-baterista dos Beatles decidiu fazer uma visita ao seu companheiro de banda — que já se encontrava em estágio terminal — em um hospital da Suíça. Em um determinado momento, Starr pediu desculpas e disse que precisava se retirar: iria para Boston acompanhar a filha, Lee, que se submeteria a uma cirurgia para retirar um tumor do cérebro — da qual, felizmente, se recuperou.
Totalmente devastado pela doença, Harrison mal conseguia se mexer no leito de hospital. Mas, mesmo assim, perguntou a Ringo:
— Quer que eu vá com você?
E estava falando sério.
Starr revelou esse episódio em uma entrevista concedida em abril de 2015 à revista Rolling Stone. E não conseguiu conter as lágrimas.
Composta a quatro mãos por Lulu Santos e o produtor e compositor Nelson Motta, “Tempo em Movimento” foi gravada inicialmente por Luíza Possi – na companhia do próprio Lulu – no álbum Sobre o Amor e o Tempo, de 2013. Exatos três anos depois, recebe (bela) versão do guitarrista carioca, seguindo o padrão “bolero havaiano” de clássicos da dupla como “De Repente Califórnia”, “Sereia” e, claro, “Como uma Onda”.
Registrada em estúdio em 2014, “Tempo em Movimento” será a única inédita na voz de Lulu a integrar a coletânea Tesouros da Juventude, que reunirá 14 parcerias suas com Nelson, como “Tudo Azul”, “Certas Coisas”, “Areias Escaldantes” e a faixa-título, entre outras.
Tesouros da Juventude será lançada ainda este ano.
Sting nunca escondeu que o fator surpresa sempre foi o principal motor de seu trabalho. Em 2007, depois de gravar o CD de alaúde mais vendido da história (o medieval Songs From The Labyrinth), deixou o mundo estupefato ao reativar o Police para uma bem-sucedida turnê mundial – algo que passou duas décadas repetindo que “jamais” faria. Terminada a excursão, passou a ostentar uma barba típica de um profeta e debruçou-se nas canções invernais do melancólico If On A Winter's Night [2009]. Em outra reviravolta, decidiu reler faixas de sua carreira solo e de seu antigo grupo acompanhado por uma grande orquestra em Symphonicities [2010]. E, por fim, compôs a trilha do seu primeiro musical exibido na Broadway, The Last Ship [2013]. Portanto, o que surpreenderia o seu público? Um retorno ao formato básico de baixo-bateria-guitarra, sem dúvida. Bingo: essa é justamente a proposta do inglês no recém-lançado 57th & 9th – esquina nova-iorquina que ele atravessava diariamente no caminho para o estúdio de gravação. Detalhe: o seu último disco “de carreira”, o bom Sacred Love, foi lançado em 2003 (!).
É bem verdade que a irresistível “I Can't Stop Thinking About You”, que abre os trabalhos, e a pesada “Petrol Head” não soariam deslocadas no repertório do Police. Aliás, perguntado se o disco novo teria o som característico do trio, Sting respondeu à moda Newcastle (região do norte da Inglaterra onde nasceu, na qual as pessoas são reconhecidamente… rudes): “I am the fucking Police”. Contudo, é mais apropriado definir 57th & 9th como um álbum de pop rock – como a agradável “One Fine Day”, que clama para que, “um dia desses”, líderes mundiais se mobilizem acerca do aquecimento global.
Um dos pontos altos é a amarga “50,000”, que mostra o impacto que as mortes de David Bowie, Prince, Glenn Frey e do amigo Alan Rickman (o “Snape” da série Harry Potter) exerceram sobre Sting, que completou 65 anos no mês passado. “Outro obituário no jornal de hoje”, lamenta. Em um determinado trecho, ele parece se dirigir aos seus ex-colegas de banda: “Como lembro bem dos estádios em que tocamos / e as luzes que varriam o mar de 50.000 almas que enfrentaríamos”. E, ciente da “imortalidade” que os seus companheiros de profissão costumam atingir, conclui: “Astros do rock nunca morrem / apenas desvanecem”.
Por outro lado, o Sting reflexivo dos últimos 30 anos se faz presente nas acústicas “Heading South On The Great North Road”, balada com ares celtas que poderia tranquilamente estar em The Last Ship, e “The Empty Chair”, que encerra os trabalhos com um pedido: não ser esquecido depois de partir (“Guarde o meu lugar e a cadeira vazia / e, de alguma forma, estarei lá”).
Bom letrista, ele se mostra afiado na arabesca “Inshallah”, que aborda a questão dos refugiados. O título é uma expressão bastante utilizada no mundo islâmico, que, em uma tradução livre, equivale ao nosso “se Deus quiser”. Na edição Deluxe do álbum, há uma outra versão dessa faixa, gravada em Berlim na companhia de músicos egressos da Síria. No entanto, a melhor letra provavelmente é a tocante “If You Can't Love Me” (“Não quero nada pela metade (…) / se você não consegue me amar assim / então você tem que me deixar”).
Embora um tanto incompreendido – e subestimado – desde o início de sua trajetória solo, Sting já foi indicado 38 vezes para o Grammy, tendo vencido em 16 ocasiões. Está indiscutivelmente inserido no panteão dos grandes compositores pop do século passado, onde já se encontram Lennon & McCartney, Jagger & Richards, Elton John & Bernie Taupin, o supracitado David Bowie e Bob Dylan, entre outros. E, em 57th & 9th, a mensagem é clara: a canção popular ainda é assunto dele, sim.
Ao entrar em estúdio para gravar 57th & 9th, Sting não possuía uma única canção inédita – todas foram compostas durante o processo. E “I Can't Stop Thinking About You”, que acabou se tornando a primeira faixa de trabalho, foi gerada de forma curiosa.
Em um determinado momento, o músico se dirigiu à varanda de sua cobertura em Manhattan, em meio a uma nevasca, para que as condições “adversas” lhe trouxessem inspiração. Deu certo: assim surgiu uma metacanção que fala justamente sobre a angústia do artista diante da “tela em branco” (“Página em branco / um campo vazio de neve / meu quarto está 25 graus abaixo de zero”). Não se trata, portanto, de uma canção romântica – como muitos podem ter imaginado.
Infecciosa desde os primeiros acordes e dona de um refrão poderoso, “I Can't Stop Thinking About You” é faixa mais despudoradamente pop que Sting lança desde “If I Ever Lose My Faith In You”, de 1993 (!). Um clássico instantâneo que, a partir de agora, não poderá ficar de fora dos shows do ex-Police – e tampouco de suas futuras coletâneas.
A ótima “Your Love”, o maior sucesso comercial dos ingleses do The Outfield, é a música que o Police “esqueceu” de compor e gravar – tamanha é a influência do trio, desde o arranjo até o agudo registro vocal.
Faixa de Play Deep [no detalhe, a capa – que não tinha como ser mais feia], de 1985, álbum de estreia da banda, a canção tem uma particularidade: só começou a ser executada (maciçamente) nas rádios brasileiras cinco anos após o lançamento.
Em 2014, com a morte de John Spinks, guitarrista e principal compositor, o grupo encerrou as suas atividades. De qualquer forma, adoraria ter visto a cara de Sting, Andy Summers e Stewert quando ouviram “Your Love” pela primeira vez…