“Auto-estima” não integra Mondo Cane. Foi editada, meses depois – também pela Polygram –, em um (malfadado) formato chamado maxi-single. Portanto, pode-se dizer que está no mesmo... hum, contexto do álbum.
Curiosidade: na letra, Lulu Santos menciona o supracitado Hamilton Vaz Pereira, autor de “Aquela Vontade de Rir” – saiba mais aqui.
O único registro de “Auto-estima” que se encontra atualmente em catálogo está na coletânea Perfil, de 2004 [no detalhe].
Vinte anos após ‘Popsambalanço & Outras Levadas’, cantor flerta novamente com o gênero
Apesar de não exibir, como compositor, a mesma inspiração de priscas eras, Lulu Santos continua, musicalmente, inquieto como sempre. E, com isso, ao contrário de praticamente todos os seus contemporâneos, mantém a sua relevância. E a sua... hum, singularidade – o clichê foi inevitável.
Não por acaso, Singular é o título de seu novo álbum, foi produzido pelo próprio Lulu juntamente com o seu tecladista, Hiroshi Mizutani, e inteiramente bancado pelo autor de “Casa” – apenas distribuído pela EMI. É o seu 22º trabalho, sendo o 19º de estúdio.
Em “Duplo Mortal” e “Na' Boa”, o cantor e compositor carioca transita pelo pop que o fez famoso. A tônica do CD, no entanto, é a amálgama entre o samba e a eletrônica, presente, por exemplo, nas instrumentais “Spydermonkey” e “Restinga”, primeira e última faixa do álbum, respectivamente.
No samba, aliás, Lulu soa bastante convincente, tanto na inédita “Procedimento” – não faria feio em um disco de Paulinho da Viola –, como na ousada releitura de “Zazueira”, de Jorge Ben, gravada para o disco-tributo O Baile de Simonal.
Provavelmente mencionando os vinte anos de Popsambalanço & Outras Levadas – álbum de 1989 no qual o artista flertou com samba e afins –, Lulu relê, com ares de funk carioca, “Perguntas”, aqui rebatizada de “Perguntas (II)”. Em tempos de verba pública escondida em meias e cuecas, a letra, por sinal, continua bem atual: “Diz aí qual é a tradição / país no duro ou refúgio de ladrão?”.
“Fuscio”, composta em homenagem ao seu cachorro, é um típico bolero havaiano, daqueles que Lulu compõe com naturalidade – vide “De Repente, Califórnia”, “Lua de Mel”, “Sereia”, “Tudo” e, claro, “Como uma Onda”.
A primeira música de trabalho é a disco “Baby de Babylon”, uma mistura infalível de “Fogo de Palha” (Calendário, 1999) com “Já É!” (Bugalu, 2003). A faixa integra a trilha sonora da novela Viver a Vida.
Completam o repertório “Black and Gold”, do australiano Sam Sparro e a sofrida “Atropelada”, do baixista, cantor e compositor Jorge Ailton.
No final das contas, Singular deixa melhor impressão do que o seu antecessor, o pouco inspirado Long Play (2007). Mas, decididamente, não supera o último grande CD de estúdio de Lulu Santos, o ótimo Letra e Música (2005).
Com a coleção de sucessos que possui, Lulu Santos [foto], se tivesse nascido na Inglaterra, nada deveria a nenhum Elton John. Fato.
Na minha modesta opinião, dentro da seara pop, não tem para ninguém: ele é simplesmente o cara. Se Guilherme Arantes foi o precursor da linguagem pop na música brasileira, certamente Lulu foi o artista que melhor soube formatá-la e inserí-la no nosso contexto.
Existem, pelo menos, uns quinze hits dele que entrariam, fácil, fácil, na nossa série “São Bonitas as Canções”. E com certeza entrarão - no... digamos, decorrer do período.
Isso, sem falar as inúmeras canções obscuras – muitas delas belíssimas – presentes no cancioneiro do músico carioca. Várias, por sinal, foram resgatadas no projeto Dudu Sanchez [saiba mais aqui], que, infelizmente, não teve registro oficial.
Uma destas “pérolas perdidas” é o bolero havaiano “Tudo”, do álbum O Ritmo do Momento, de 1983, que também trazia “Um Certo Alguém”, “Adivinha o Quê?”, “Esse Brilho em teu Olhar” e o seu cartão-de-visitas, “Como uma Onda (Zen-Surfismo)”.
Detalhe: este, ainda no bom e velho vinil, foi o segundo disco que ganhei da vida. Ou, pelo menos, o segundo que eu, em tenra idade, quis ter. O primeiro foi Vôo de Coração*, do Ritchie, que foi lançado naquele mesmo ano.
* “Vôo” com circunflexo, sim, ora. Ainda não havia Acordo Ortográfico naquela época...
Editado em 2007, o último álbum de inéditas de Lulu Santos, Long Play [no detalhe, a capa], passou em brancas nuvens [leia a resenha clicando aqui].
A faixa de maior destaque foi a releitura de “Deixe Isso para Lá”, eternizada na voz de Jair Rodrigues, que integrou a trilha sonora da novela Sete Pecados.
Mesmo assim, há uma faixa de Long Play que traz um... er, lampejo do autor de “A Cura”: a pop “Contatos”.
O curioso é que, na primeira vez em que ouvi essa canção, lembrei imediatamente de “Futuros Amantes”, obra-prima de Chico Buarque. Em um determinado momento, as letras das duas canções parecem querer dizer a mesma coisa.
Como se determinadas manifestações românticas, através de cartas ou e-mails, chegassem ao conhecimento de gerações posteriores – e, surpreendentemente, não fossem consideradas... digamos, “obsoletas”. Talvez pelo fato de que os sentimentos são, na verdade... atemporais.
Ou seja, hoje, as pessoas se querem bem exatamente como acontecia nos anos 30. E daqui a 50 anos continuará sendo da mesma forma.
Observe:
“Imagine que, no futuro, as pessoas vão ler sobre nós E vão se admirar com o jeito que a gente arrumou Para não deixar de se amar.”
Para saber mais sobre “Futuros Amantes”, clique aqui.
...vamos abrir um parêntese: em dezembro, a Bravo! dedicou uma edição especial aos Beatles. Nesse mês, o contemplado foi Chico Buarque [no detalhe, a capa].
O foco da publicação, no entanto, é carreira literária de Chico, desde o seu primeiro romance, Estorvo, de 1991, até o quarto, o ótimo Leite Derramado, lançado no ano passado.
Uma curiosidade sobre Letra e Música [no detalhe, a capa]: essa foi a minha primeira resenha publicada no extinto jornal IM – International Magazine [link aqui], há quase meia década – puxa, o tempo passa depressa demais...
Gosto muito desse CD. Aliás, todas as vezes em que Lulu Santos se aproximou do rock, obteve bons resultados. Exemplos: Normal (1985) e o estupendo Mondo Cane, de 1992 [saiba mais aqui].
A faixa de maior destaque de Letra e Música foi a tocante “Vale de Lágrimas”, cujo clipe conta com a participação especial do “homem-da-voz-inconfundível”: Paulo César Pereio.
Pela mágoa profunda expressa em seu refrão, “Atropelada”, gravada por Lulu Santos em seu novo CD, Singular, é uma canção que não passa desapercebida.
O autor da faixa é Jorge Ailton [foto], que, como baixista, já tocou com Sandra de Sá, Paula Toller e Mart'nália. E está lançando o seu primeiro disco solo, O Ano 1.
No My Space do cantor, estão disponíveis, para audição on line, “Substantivo Feminino”, “Soliquida” e a acachapante versão original de “Atropelada”, que me impressionou sobremaneira. E que, com todo o respeito, é muito melhor do que a de Lulu...
Confira as duas versões de “Atropelada”: a de Lulu Santos...
Na sexta-feira, 15, Vagner Love [foto] foi apresentado como o novo reforço do Flamengo. Em sua primeira coletiva, afirmou estar realizando “um sonho de infância” ao defender as cores de seu time de coração. E não conseguiu segurar as lágrimas.
Bem, via de regra, não fico muito animado quando o Rubro-negro contrata figurões. Vários deles tiveram um desempenho pífio no clube: Sócrates, Edmundo, Denílson (ex-Palmeiras), Alex (atual Fenerbahce, da Turquia) e muitos outros. E, francamente, não fazia fé no Adriano, e muito menos no Petkovic. E ambos acabaram me surpreendendo.
De qualquer forma, considero Love um bom atacante. E, evidentemente, espero que ele dê certo na Gávea.
O jogador permanecerá no Flamengo, por empréstimo, até o dia 31 de julho. Seus direitos federativos pertencem ao CSKA, da Rússia
Deixando a “temperança” um pouquinho de lado: a cantora (?) Sandy emitiu, ontem, 14, via Twitter, a sua... ahn, “relevante” opinião sobre a ajuda humanitária brasileira às vítimas do terremoto no Haiti.
Traduzindo: ainda que, depois, tenha tentado consertar, a artista, a princípio, deu a entender que o Brasil deveria cuidar apenas dos próprios problemas. Tipo: “os outros que se danem”. E, repleta de “sabedoria”, aproveita para aconselhar: “Pense nisso”. Eu não.
Desinformada, parece não saber que cerca de 70 pessoas perderam a vida no desastre de Angra dos Reis. Lamentavelmente. E que no Haiti, entretanto, o número de mortos poderá passar de 100 mil (!).
Pior: do alto de sua arrogância burguesa, classificou como “ignorantes de plantão” aqueles que discordaram dela.
Ou seja, perdeu uma excelente oportunidade de manter-se bem caladinha.
Há quem diga que cada passagem de ano representa apenas uma “troca de calendário”. Particularmente, discordo dessa ideia.
Sem querer soar clichê, penso que cada ano que inicia é um novo... ciclo, no qual – como sabiamente cantou Milton Nascimento – “renovam-se as esperanças”, apesar das dificuldades de sempre.
Portanto, desejo a todos que frequentam esse blog – e que são importantíssimos para a existência do mesmo – tudo o que se deseja a quem se quer bem: saúde, que é o mais importante. Paz. Alegria. Prosperidade. E temperança, que é o que os chineses desejam uns para os outros nessa época do ano.
Além de ser a 14ª carta do Tarot, temperança – que significa “moderação”, “equilíbrio”, em todos os aspectos – é considerada uma das “virtudes universais” propostas pelo Cristianismo.
É também uma das quatro virtudes cardinais (ou cardeais) propagadas pela Igreja Católica – as demais são: prudência, justiça e fortaleza.
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Na foto, Temperança, obra do escultor português Salvador Barata Feyo (1899 – 1990). Observem que a figura segura com a mão direita um pequeno jarro de onde verte um líquido para a taça apoiada sobre o joelho com a mão esquerda, como que “temperando” o que esta pudesse conter.
A estátua se encontra na Assembleia da República de Portugal, o Palácio de São Bento, situado em Lisboa.
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Espero que, em 2010, vocês se manifestem mais por aqui, sem acanhamentos. Sugestões e críticas – desde que mantida a educação – serão acolhidas com carinho e respeito.
Fico no aguardo.
Ouça a canção citada neste post, a atemporal “Coração de Estudante”, de Milton e Wagner Tiso: