sábado, janeiro 26, 2008

Paulinho da Viola: velha intimidade


Com seu Acústico MTV, Paulinho da Viola realiza um dos melhores trabalhos de 2007

Ainda que todos considerem a série Acústico MTV um formato esgotado, eis que a emissora paulistana tira um belo coelho da cartola, com o lançamento - em CD e DVD, como é de praxe - do título dedicado a Paulinho da Viola, via Sony & BMG.

A bem da verdade, um Acústico de Paulinho tem um quê de redundância, visto que a música de Paulinho jamais foi elétrica. Mas o projeto serve para jogar luz e dar visibilidade a esse que, sem dúvida, é um mestre do samba.

Com a elegância de sempre, Paulinho da Viola apresenta um repertório muito bem escolhido, com sucessos como “Eu Canto Samba”, a politizada “Sinal Fechado” (que fala, de modo cifrado, do silêncio imposto ao país pela ditadura militar), “Coração Leviano”, “Argumento”, “Dança da Solidão” e outros. Entre as inéditas, destaque para “Talismã”, parceria de Paulinho com Marisa Monte e Arnaldo Antunes, que já nasceu clássica.

Seguindo o mesmo raciocínio, seria interessante que a MTV realizasse, com toda pompa e circunstância a que tem direito, um Acústico (sem ironia) com ninguém menos que o papa da bossa nova, João Gilberto.

Crie o seu... er, avatar dos Simpsons. Pronto, falei.

Momento besteirol do nosso blog. Uma dica para quando você estiver sem nada para fazer - desde que você goste dos Simpsons, é claro [no detalhe, a... digamos, "ternura" de Homer para com Bart]: o site oficial do longa-metragem (que entrou em cartaz no segundo semestre do ano passado) oferece a possibilidade de o internauta fazer o seu próprio avatar da família amarela mais famosa do mundo, à sua imagem e semelhança. Até eu, em um (raro) momento de ócio, acabei fazendo o meu.

De modo que, se eu tivesse nascido em Springfield, seria mais ou menos assim:


sábado, janeiro 19, 2008

Dois trechos do livro ‘Fora do Tom’, de Sting


...foram-me particularmente marcantes. São eles:

E me dou conta, talvez pela primeira vez, que o amor nunca é desperdiçado. O amor pode ser negado ou ignorado, ou até deturpado, mas ele não desaparece: apenas troca de forma, até que estejamos conscientemente prontos a aceitar seu mistério e poder. Isso pode levar um momento ou uma eternidade, e não há insignificâncias na eternidade.”

Talvez seja a escassez de vocabulário a raiz do problema. 'Amor' parece uma palavra tão profundamente inadequada para um conceito com tantos matizes, formas e graus de intensidade complexos. Se os inuítes [nota do blog: esquimós] têm vinte palavras para o conceito de neve, talvez seja porque vivem num lugar onde as diferenças entre cada tipo de neve são de vital importância para eles, e as minúcias de seu vocabulário específico refletem essa importância central. No entanto nós, que despendemos enormes quantidades de nosso tempo, energia e engenhosidade pensando no amor, sendo amados, amando, desejando amar, vivendo por amor, até mesmo morrendo por amor, não contamos com nada além dessa palavra pobre e problemática que é tão descritiva ou eficaz quanto a palavra 'trepada' para expressar as maravilhosas e infinitas variedades do ato sexual. É mais ou menos como um habitante da cidade olhando para a floresta e estupidamente grunhindo a palavra 'árvores' para a múltipla diversidade diante de si. Há plantas ali que podem alimentá-lo, plantas que podem curá-lo e plantas que podem matá-lo, e quanto antes ele identificá-las e lhes dar nomes, mais seguro estará.”

Mas por que 'Fora do Tom'?

E por falar em livro, gostei bastante de Fora do Tom (Broken Music), autobiografia de Sting [ver sete posts abaixo]. O baixista do The Police é um cara inteligente, escreve muito bem e, como eu havia dito na resenha, poderia escrever até romances, se quisesse.

Mas você deve estar se perguntando por que esse título. Bem, é simples. Logo após ter tomado conhecimento do caso que sua mãe mantinha com um funcionário da leiteria do pai - e o decorrente apodrecimento do ambiente familiar que decorreu disso -, o ainda menino Sting, quando ia para a casa dos avós paternos, despejava todo o seu ódio “martelando” com os dedos as teclas de um velho piano da família. Sua avó, Agnes, então dizia:

- Gordon, querido, por que você não aprende realmente a tocar, em vez de ficar fazendo essa coisa 'fora do tom'?

E enquanto Jagger edita disco novo...

...sua ex-esposa, Jerry Hall [no detalhe, em uma foto deveras... , maternal] lançará um livro. Esse será o segundo escrito por ela, que foi modelo na década de 1970. Em 1985, ela escreveu o Jerry Halls's Tall Tales, uma espécie de contos de fadas sobre sua própria vida: de como ela, uma texana pobre, foi parar em Paris, com apenas US$ 800 que recebera de uma indenização por um acidente de carro, e virou uma estrela.

Imaginem que abacaxi deve ser esse livro - e ainda existe quem fale mal dos álbuns solo de Jagger...

Pelo novo título, especula-se que ela deva receber aproximadamente R$ 1,750 milhão. Nele, ela promete contar detalhes íntimos (e sórdidos, provavelmente) de sua carreira e do casamento de nove anos com Mick, pai de seus filhos Elizabeth, James, Georgia e Gabriel. Jerry conheceu o vocalista dos Rolling Stones quando ainda era noiva do cantor Bryan Ferry, líder do Roxy Music (hum, entendi...).

O casamento dela com Jagger, todos sabem, terminou depois que veio à tona o affair do Stone com a apresentadora brasileira Luciana Gimenez, com quem ele teve um filho, Lucas.

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘God Gave Me Everything’, de Mick Jagger


Muita gente deve ter ridicularizado o fato de Mick Jagger ter lançado uma coletânea de seus trabalhos fora dos Rolling Stones [ver cinco posts abaixo], como se a carreira solo do parceiro de Keith Richards não merecesse o menor crédito.

Bem, verdade seja dita, a despeito de hit aqui e outro acolá, os dois primeiros discos solo dele (She's The Boss, de 1984, e Primitive Cool, de 1987) realmente não são bons. Mas os dois posteriores (Wandering Spirit, de 1993, e Goddess In The Doorway, 2001) são dois álbuns bem decentes. Especialmente o Wandering....

Um exemplo de que Jagger fez coisas interessantes em seus CDs solos é a visceral “God Gave Me Everything” (“Deus me Deu Tudo”). Faixa do supracitado Goddess..., conta com a participação de Lenny Kravitz nas guitarras - ele é também co-autor da canção.

A letra fala de fé - assunto que me interessa -, mas com tamanha vitalidade e entusiasmo, que a narrativa ficou distante daquela coisa piegas que estamos acostumados a ouvir. Confesso que adoro essa música - e não por acaso.



Veja aqui o video de “God Gave Me Everything:

Quanto ao show...


Passados mais de 30 dias, confesso que ainda estou sob o impacto da acachapante apresentação que o Police realizou no Estádio do Maracanã - que contou com a demolidora abertura d'Os Paralamas do Sucesso.

Lembro que, na manhã daquele sábado (08/12), tive que sair e, já no clima, coloquei o Reggatta De Blanc no CD player do carro. Quando tocou “Walking On The Moon” (uma das minhas preferidas), pensei: “Minha nossa. Ainda hoje, estarei ouvindo essa música ao vivo... e tocada por esses caras!”. Demais.

Mas confesso que só acreditei que estava realmente presenciando esse momento quando soaram os primeiros acordes de “Message In A Bottle”. E senti-me muito grato naquele instante.

Tive as minhas expectativas não somente atendidas - mas superadas. Foi um dos maiores espetáculos que já presenciei na minha vida. Seguramente. E olha que já assisti um bocado de shows...

Leia a resenha sobre a apresentação do Police no Maracanã na edição de janeiro do jornal INTERNATIONAL MAGAZINE, que chegará às bancas no final do mês.

quinta-feira, janeiro 10, 2008

'Greatest Video Hits': onde encontrar

Um dia desses, para minha surpresa, dei de cara com o DVD Greatest Video Hits, ótima compilação de clipes do The Police [ver dois posts abaixo], na banca de jornal que fica precisamente em frente à entrada do Shopping Tijuca (aqui no Rio de Janeiro).

Pelo fato de isso ter coincidido com o período do show (ou seja, há mais ou menos uns 20 dias atrás), não posso assegurar que ainda terá sobrado algum exemplar. Mas, em todo caso - se esse DVD lhe interessa -, acho que não custa nada tentar.

Detalhe: por menos de 15 pratas você leva esse mimo para casa ...

Sérgio Benchimol e seus Ciclos Imaginários


Em seu segundo álbum solo, músico reafirma sua opção pelo instrumental

O músico, compositor (e surfista nas horas vagas) Sérgio Benchimol acaba de editar Ciclos Imaginários (independente), que conta com a participação de músicos experientes como Lui Coimbra e Eduardo Morenlenbaum, entre outros. Ciclos... surge três anos após a sua primeira empreitada solo, A Drop In The Ocean, Ocean In A Drop, que recebeu críticas positivas na ocasião de seu lançamento.

Fundador da banda de rock progressivo Semente - que, além de um álbum de estúdio, editou também uma dobradinha CD/DVD gravados ao vivo no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro -, Benchimol fundou também o grupo instrumental True Illusion, que chegou a lançar dois álbuns (sendo um ao vivo) e um DVD ainda inédito. O True Illusion, aliás, foi considerado a revelação do ano de 2000, no segmento instrumental.

E Ciclos Imaginários é um trabalho autoral que tem tudo para prosseguir a pavimentação da trajetória de Sérgio, que toca violão em todas as faixas. Majoriariamente instrumental - apenas duas canções, “Depois da Praia” e “Daqui Pr'ali” têm letra -, o álbum é um híbrido de música brasileira e jazz, com oportunas pitadas de progressivo. Destaque para “Oregon Mountains”, “Terral II” e os metais em brasa de “Shadow Valley”.

Gravado no Rio de Janeiro e muito bem-produzido pelo próprio Benchimol com a colaboração de David Ganc, Ciclos Imaginários oferece momentos de deleite para quem aprecia a boa música. E merece ser ouvido.

segunda-feira, janeiro 07, 2008

International Magazine: edição de novembro/2007


Venho, atrasadaço como sempre, trazer os destaques da edição de novembro do jornal IM - INTERNATIONAL MAGAZINE, que chegou às bancas no começo de dezembro:


  • entrevista exclusiva com Dani Carlos, que, após vários CDs de covers, acaba de editar o seu primeiro trabalho autoral. Por Marcelo Fróes;

  • outra entrevista exclusiva: com George Israel, saxofonista do Kid Abelha, que está lancando seu segundo disco-solo, Distorções do meu Jardim. Por Elias Nogueira;

  • tudo sobre Remember That Night, o DVD (duplo) ao vivo de David Gilmour, voz e guitarra do Pink Floyd. Por Emílio Pacheco;

  • a crítica de Dylanesque Live, o novo DVD de Bryan Ferry. Por Jorge Albuquerque;

  • o surpreendente álbum Sound of Silver, do LCD Soundsystem. Por J. M. Santiago.

E artigos meus sobre:


  • o DVD Multishow: Cê ao Vivo, de Caetano Veloso:
Aproximadamente um mês após o seu lançamento em CD (contendo 17 faixas), a Universal edita em DVD Multishow: Cê ao Vivo, de Caetano Veloso. Trazendo na íntegra a apresentação realizada no dia 12 de junho desse ano na Fundição Progresso (Rio de Janeiro), o registro audiovisual apresenta 24 músicas. (...)



  • o livro Fora do Tom, autobiografia de Sting:
“(...) Curiosamente, a narrativa se inicia aqui no Rio de Janeiro: em 1987, o músico estava na cidade para os shows da turnê Nothing Like the Sun, que seriam realizados no Estádio do Maracanã. Seria o maior público para qual o ex-Police teria se apresentado até então. E, durante a sua estadia no Rio, ele procurou se informar a respeito do chá ayahuasca, cerne do ritual religioso da seita Santo Daime. Na companhia de sua esposa, a atriz inglesa Trudie Styler, Sting foi levado até uma sessão e ingeriu a beberagem. (...)



  • o DVD Greatest Video Hits, compilação de clipes do The Police:
“(...) Lançado originalmente em 1992, em VHS, Greatest Video Hits somente agora chega - oficialmente - ao formato digital, com sua capa modificada. Apresentando 16 clipes de sucessos, o audiovisual é puro deleite para os admiradores da banda inglesa - mesmo trazendo, rigorosamente, o repertório da coletânea (também em VHS) Every Breathe You Take, de 1986 (as faixas foram, inclusive, dispostas na mesma ordem). O diferencial foi a adição de dois vídeos: os raros “King Of Pain” e “Tea In The Sahara”, ambos gravados ao vivo. Detalhe: mesmo Every Breathe You Take só foi editado em DVD pela primeira vez em 2003. (...)



  • o CD The Very Best of..., coletânea de Mick Jagger:
“(...) Para muitos, pode ser risível a notícia de que o vocalista e líder dos Rolling Stones, Mick Jagger, lançou uma coletânea com 17 faixas de sua carreira solo, sintomaticamente batizada de The Very Best of... (Warner). Mas a verdade é que a idéia não é tão estapafúrdia assim. (...)



Leia a íntegra dessas matérias - e muito mais - no IM - INTERNATIONAL MAGAZINE desse mês. Já nas bancas.