quinta-feira, setembro 20, 2007

Entrevista (em video) com Erasmo


A entrevista de Erasmo Carlos transcrita na última edição do IM, aliás, também está disponível, na íntegra, em video. Cortesia do site oficial da Jovem Guarda.

O link que conduz à entrevista pode ser acessado clicando aqui.

International Magazine: edição de agosto/2007


Atrasado (como sempre), venho trazer os destaques da edição de agosto do jornal IM - INTERNATIONAL MAGAZINE, que chegou às bancas no finalzinho do mês:

  • tudo sobre Black Rain, o novo álbum do Madman Ozzy Osbourne. Por J.M. Santiago e Daniel Dutra;
  • entrevista exclusiva com o Tremendão Erasmo Carlos. Por Marcelo Fróes e Ana Carolina Landi;
  • outra entrevista exclusiva: dessa vez com Magrão, integrante do 14 Bis - que fala sobre a dobradinha CD/DVD ao vivo, recém-lançada pela banda. Por Elias Nogueira;
  • a hilária “entrevista” com Elvis Presley. O Rei do Rock conta tudo sobre o seu auto-exílio e a sua forjada “morte” - naquilo que a imprensa mundial tem chamado de “a maior armação de todos os tempos”. Por Rodrigo Fernandes.

E artigos meus sobre:

  • a compilação epônima (e dupla) do The Police:
(...) "Formado por músicos de notável técnica - o baixista Sting, o guitarrista Andy Summers e o estupendo Stewart Copeland na bateria - o Police, durante breves sete anos de carreira, gravou apenas cinco discos de estúdio - Outlandos d'Amour, 1978; Reggatta de Blanc, 1979; Zenyatta Mondatta, 1980; Ghost in the Machine, 1981; e Synchronicity, 1983 -, que exerceram enorme influência em muita gente (inclusive aqui no Brasil). Com canções simplesmente perfeitas, embaladas em uma instigante mistura de punk, rock e reggae, o grupo certamente assegurou seu lugar no panteão dos dez melhores de todos os tempos." (...)

  • a coletânea Rocket Man, que comemora o aniversário de 60 anos de Elton John:
"(...) A partir do respeitável Made in England, de 1995 (o primeiro trabalho depois de sua reabilitação das drogas), a verdade é que Elton só tem feito discos à altura de sua reputação - mas que, infelizmente, não tem obtido a devida repercussão. Exemplo disso é o fato de o bom CD do ano passado, The Captain and the Kid, (seqüência do conceitual Captain Fantastic and the Brown Dirt Cowboy, de 1975, que trazia o hit “Someone Saved My Life Tonight”) ter passado em brancas nuvens.

"
Aí é que entram os greatest hits - para que o artista permaneça em evidência - obviamente, capitalize em cima disso - e ninguém esqueça, no caso, o grande artífice que Elton sempre foi. Afinal, não é todo dia que alguém compõe uma 'I Guess That's Why They Call it The Blues'. (...) "

  • o EP Live at Amoeba Music, do TV on the Radio:
(...) "O EP registra a energia do grupo em cima do palco e acaba sendo um interessante souvenir de um show do TVOTR. Mas a verdade é que, exceção feita a 'Province', Return to Cookie Mountain possui canções bem melhores do que as que foram incluídas em Live At Amoeba Music. Quer exemplos? 'Hours', 'Tonight' e 'I Was a Lover'." (...)



Leia a íntegra dessas matérias - e muito mais - no IM - INTERNATIONAL MAGAZINE desse mês. Já nas bancas.

sábado, setembro 15, 2007

Renan Calheiros

Aqui está a lista dos votos dos senadores na sessão que, lamentavelmente, decidiu que Renan Calheiros não deveria ter o seu mandato cassado por quebra de decoro parlamentar. Dica do dia: imprima essa lista, guarde-a bem guardada... e volte a consultá-la em 2010. Trilha sonora desse post: la tarantella [veja o video abaixo]:



Cassação:

Adelmir Santana (Democratas-DF)
Alvaro Dias (PSDB-PR)
Arthur Virgílio (PSDB-AM)
Augusto Botelho (PT-RR)
César Borges (Democratas-BA)
Cícero Lucena (PSDB-PB)
Cristovam Buarque (PDT-DF)
Demóstenes Torres (Democratas-GO)
Eduardo Suplicy (PT-SP)
Efraim Morais (Democratas-PB)
Eliseu Resende (Democratas-MG)
Flávio Arns (PT-PR)
Flexa Ribeiro (PSDB - PA)
Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN)
Gerson Camata (PMDB-ES)
Heráclito Fortes (Democratas-PI
Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE)
Jayme Campos (Democratas-MT)
Jonas Pinheiro (Democratas-MT)
José Agripino (Democratas-RN)
José Nery (Psol-PA)
Kátia Abreu (Democratas-TO)
Lúcia Vânia (PSDB-GO)
Magno Malta (PR-ES)
Mão Santa (PMDB-PI)
Marco Maciel (Democratas-PE)
Mário Couto (PSDB-PA)
Marisa Serrano (PSDB-MS)
Osmar Dias (PDT-PR)
Papaléo Paes (PSDB-AP)
Paulo Paim (PT-RS)
Pedro Simon (PMDB-RS)
Renato Casagrande (PSB-ES)
Romeu Tuma (Democratas-SP)
Rosalba Ciarlini (Democratas-RN)
Sérgio Guerra (PSDB-PE)
Sérgio Zambiasi (PTB-RS)
Tasso Jereissati (PSDB-CE)



Absolvição:

Almeida Lima (PMDB-SE)
Epitácio Cafeteira (PTB-MA)
Euclydes Mello (PTB-AL)
Francisco Dornelles (PP-RJ)
Gilvam Borges (PMDB-AP)
Gim Argello (PTB-DF)
João Tenório (PSDB-AL)
José Maranhão (PMDB-PB)
Renan Calheiros (PMDB-AL)
Wellington Salgado de Oliveira (PMDB-MG)



Abstenção:

Aloizio Mercadante (PT-SP)



Não abriram o voto:

Antônio Carlos Valadares (PSB-SE)
Delcidio Amaral (PT-MS)
Edison Lobão (Democratas-MA)
Eduardo Azeredo (PSDB-MG)
Fátima Cleide (PT-RO)
Geraldo Mesquita Júnior (PMDB-AC)
Ideli Salvatti (PT-SC)
Inácio Arruda (PCdoB-CE)
João Durval (PDT-BA)
João Pedro (PT-AM)
João Ribeiro (PR-TO)
João Vicente Claudino (PTB-PI)
José Sarney (PMDB-AP)
Leomar Quintanilha (PMDB-TO)
Marcelo Crivella (PRB-RJ)
Maria do Carmo Alves (Democratas-SE)
Neuto De Conto (PMDB-SC)
Romero Jucá (PMDB-RR)
Roseana Sarney (PMDB-MA)
Sibá Machado (PT-AC)
Tião Viana (PT-AC)
Valdir Raupp (PMDB-RO)
Valter Pereira (PMDB-MS)



Não foram encontrados:

Antonio Carlos Júnior (Democratas-BA)
Expedito Júnior (PR-RO)
Jefferson Peres (PDT-AM)
Marconi Perillo (PSDB-GO)
Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR)
Patrícia Saboya (PSB-CE)
Paulo Duque (PMDB-RJ)
Raimundo Colombo (Democratas-SC)
Serys Slhessarenko (PT-MT)



Fonte: Terra






O dia em que a Legião Urbana me arrebatou

A Rede Globo exibiu ontem a segunda edição do programa Por Toda a Minha Vida, dessa vez dedicado à vida e à obra de Renato Russo - o primeiro, que foi ao ar em dezembro, focalizava a trajetória de Elis Regina. Com apresentação de Fernanda Lima, o especial novamente misturou reportagem (com depoimentos de Dado Villa-Lobos, Marcelo Bonfá e Dinho Ouro-Preto, entre outros) e dramaturgia (o líder da Legião Urbana foi interpretado pelo ator Bruce Gomlesvky - que, aliás, vive o cantor no teatro).

E o programa serviu para que eu revivesse um pouco do impacto que a música da Legião Urbana exerceu sobre mim, na adolescência. Renato Russo foi um artista absolutamente singular. E faz muita, muita falta.

A título de curiosidade, reproduzo aqui, ipsis litteris, o post na comunidade Tela em Branco, do Orkut, na qual relato o dia em que a Legião me arrebatou de modo irreversível:


EM 1987, eu, um moleque de 13 anos (prestes a fazer 14) estava na casa de um amigo. Nesse dia, o cara me perguntou: 'Tom, vc conhece a Legião Urbana?'. 'Conheço uma música ou outra', responde esse babaca que vos escreve. Ele, então, me entrega o encarte de um vinil e diz: 'vou colocar um negócio pra vc escutar'. Mas advertiu: 'só leia o verso depois que o cara cantar, valeu?'. E eu fui ouvindo, ouvindo. Quando a faixa acabou, eu estava simplesmente... EMBASBACADO.

“A canção era 'Faroeste Caboclo', faixa integrante do recém-lançado
Que País é Este?. “Claro, eu já tinha ouvido 'Eduardo & Mônica', 'Será', 'Ainda é Cedo', mas somente no rádio, de maneira desatenta. Mas 'Faroeste...' me arrebatou de uma forma... irremediável. Quando começou a fazer sucesso (apesar de seus quase 10 minutos de duração, incomuns para o padrão radiofônico), não me surpreendi nem um pouco. Era merecido: tratava-se de uma obra-prima.

“Engraçado que, uma semana depois, era o meu aniversário e esse amigo chegou lá em casa todo sem-graça: 'Pô, foi mal... eu estou sem grana e não pude comprar nada melhor... '. E me entregou uma fita K7 virgem - que, naquela época, tinha uma serventia enorme... Na mesma hora, me deu um click: 'cara, essa fita vai voltar pra casa contigo. Tu vai me gravar Legião Urbana nela... '.

“E esse K7 foi a trilha sonora da minha vida durante uns bons meses. Pouco depois, eu parti para comprar, de uma só vez, os três LPs q a banda havia lançado até então. De modo que a Legião Urbana teve um papel importantíssimo no meu chamado 'período de formação', e marcou a minha vida para sempre - assim como a da minha geração praticamente inteira.


'
...somos pássaro novo longe do ninho...'


Em tempo: leia o artigo que escrevi sobre os dez anos do álbum Dois clicando aqui.

sexta-feira, agosto 31, 2007

Blog Day

Ontem, assistindo o programa Atitude.com, na TVE, tomei conhecimento do Blog Day - que é justamente hoje, 31 de agosto. E a coisa funciona da seguinte forma: cada blogueiro (ô palavrinha feia, não?) deve criar, nesse dia, um post em seu blog indicando outros cinco blogs. A intenção é fazer com que, através dessas sugestões, as pessoas venham a conhecer novos blogs. Sendo assim, vamos lá:

  • Pura Goiaba. O impagável Ruy Goiaba - atualmente mediador interino da comunidade da Bizz no Orkut, durante certo tempo foi colunista da extinta revista, na seção Pense Conosco. E seu blog - ou blogue, como ele prefere - possui enorme (e absolutamente merecida) visitação, devido aos comentários inteligentes e muito bem-humorados de Goiaba acerca dos fatos do cotidiano.
  • Diários Cinéfilos. O crítico musical Rodrigo Fernandes (aliás, colega meu no IM) é responsável pelos Diários Cinéfilos - que, a bem da verdade, não é bem um blog, e sim uma coluna do portal Adoro Cinema. Com seu estilo inconfundível, Rodrigo fala sobre os lançamentos e os clássicos da Sétima Arte.
  • Jam Sessions. Ainda que eu discorde de muita coisa que ele escreve - em especial no que diz respeito à MPB -, Jamari França é um dos mais experientes jornalistas musicais do país. E tenho respeito pelo cara. Em tempo: é necessário um cadastro simples (e-mail válido e senha) para acessar esse blog.
  • Notas Musicais. Colunista d'O Dia, Mauro Ferreira mantém um guia musical que transita por todos os estilos: MPB, pop, rock, jazz, samba, etc.
  • Cena Beatnik. Natural do município de Santa Maria (RS), o jornalista Leonardo Foletto criou um blog de música com um conteúdo sempre interessante.

Technorati tag aqui.

A estória de 'Me and Mrs. Jones'

Por limitação de espaço, não foi possível, na resenha que escrevi do CD Call Me Irresponsible, de Michael Bublé (publicada na edição de julho do IM), contar a... hã... curiosa estória da letra de “Me and Mrs. Jones”, grande sucesso de Billy Paul [foto] na década de 1970, que foi gravado por Bublé no álbum em questão.

Consta que a canção, inclusive, teria tido a sua execução proibida no Brasil durante a ditadura militar, pelo fato de narrar um relacionamento extra-conjugal - a tal “senhora Jones" é uma mulher casada, da mesma forma que o eu-lírico da letra é um sujeito compromissado.

Levando em conta a idiotia dos censores da época - em sua maioria, velhos decrépitos -, considero altamente improvável a hipótese da proibição. Veja bem: o censor, para saber a tradução da música, obviamente teria que possuir um inglês fluente, certo? E, sinceramente, você imagina um reacionário daqueles dando-se ao trabalho de aprender o idioma - certamente classificado por ele como “língua de colonizado”?

Jorge Ben (Jor?), em entrevista concedida há cerca de 15 anos atrás, contou que a sua “Eu Quero Mocotó” foi vetada durante os anos de chumbo. O motivo: “a expressão entoada no refrão trazia, provavelmente em código, alguma mensagem subversiva”. Patético, não?

Bem, aqui está a letra de “Me And Mrs Jones” e sua respectiva tradução:


Me And Mrs Jones

Written by Kenny Gamble, Leon Huff and Cary Gilbert.
A #1 hit for Billy Paul in 1972.



Me and Mrs. Jones, we got a thing going on,
We both know that it's wrong
But it's much too strong to let it cool down now.

We meet ev'ry day at the same cafe,
Six-thirty I know she'll be there,
Holding hands, making all kinds of plans
While the jukebox plays our favorite song. (...)

We gotta be extra careful
that we don't build our hopes too high
Cause she's got her own obligations and so do I. (...)

Well, it's time for us to be leaving,
It hurts so much, it hurts so much inside,
Now she'll go her way and I'll go mine,
But tomorrow we'll meet the same place, the same time.

Me and Mrs. Jones, Mrs. Jones, Mrs. Jones.



Eu e a sra. Jones

Eu e a sra. jones - há algo entre nós.
Nós sabemos que está errado
Mas é muito forte para deixar esfriar agora.

Nos encontramos todos os dias no mesmo café -
Às 6:30, eu sei, eu sei que ela estará lá.
De mãos dadas, fazemos planos
Enquanto o
jukebox toca nossa canção favorita. (...)

Precisamos ter muito cuidado
Para não elevamos nossas expectativas
Porque ela tem suas próprias obrigações
E eu também. (...)

Bem, esta é a hora de partirmos
Doí demais, doí demais no coração.
Agora ela seguirá seu caminho
E eu seguirei o meu.
Amanhã nos encontraremos no mesmo lugar - à mesma hora. (...)

Eu e a sra. jones, sra. Jones, sra. Jones, sra. Jones, sra. jones.

Caetano na Rolling Stone Brasil

A essa altura do campeonato, a cidade inteira, ao passar por uma banca de jornal, já deve ter reparado na capa da edição de agosto da Rolling Stone Brasil [foto ao lado], que traz Caetano Veloso em um visual bem andrógino, com cílios postiços. (Curiosamente, quem olha a revista de relance, na rua, tem impressão de estar vendo na foto, na verdade... o Lulu Santos. Podem observar.) A verdade é que é impossível ficar indiferente a essa capa.

E, assim, se confirma aquilo que todos já sabem (ou, pelo menos, deveriam saber): dentre todos os seus contemporâneos - e eu, particularmente, nutro grande admiração por quase todos eles -, Caetano é, de longe, o artista de maior inquietação. Aos 65 anos de idade, o compositor baiano sabe provocar, polemizar - e, assim, atrair os holofotes em sua direção.

Seu mais recente álbum é um ótimo exemplo: está longe de ser um bom trabalho. Muito pelo contrário: algumas canções soam como meros rascunhos de Caetano. Mas não há como deixar de reconhecer a ousadia da empreitada. Reflitam: qual artista da geração de Caê tomaria, em 2007, a atitude de vestir uma camisa pólo, uma calça jeans surrada e chamaria três garotos para gravar um disco que, em determinados momentos, soa como.... The Strokes?

Mesmo eventualmente discordando das coisas que ele diz, temos mais é que respeitar o cara.


...I'm alive, vivo, muito vivo...

(Caetano Veloso, 1972)

quinta-feira, agosto 16, 2007

Elvis morreu?

Será que ainda há algo para se dizer a respeito de Elvis Presley [ao lado, em foto do histórico The '68 Comeback Special], que não tenha sido dito? Falecido no dia 16 de agosto de 1977 - portanto, há exatos 30 anos - o Rei do Rock, como sempre foi chamado, jamais foi compositor (o que lhe rendeu sérios problemas de repertório), tinha um empresário calhorda e hábitos excêntricos. Contudo, era também um intérprete soberbo e um performer ímpar - com isso, sua influência foi exercida até sobre os sacrossantos Beatles. Foi o primeiro ídolo de massa da música pop mundial. E talvez o maior.

Tanto que, três décadas após o seu desaparecimento, Elvis vende mais discos do que em vida. O mito continua bem vivo.

Para mencionar a data, escolhi dois vídeos do You Tube - ambos, curiosamente, da controversa “fase Las Vegas”: “You've Lost that Lovin' Feelin'” (sucesso com The Righteous Brothers) e “Suspicious Minds”. A pergunta óbvia: por que essas duas e não clássicos que criaram a lenda de Elvis como “Heartbreak Hotel”, “Jailhouse Rock” ou “All Shook Up”? Bem, escolhi a primeira porque, quando foi feito anúncio da morte de Elvis, essa foi a música que mais tocou - eu era bem criança e, mesmo assim, lembro-me perfeitamente.

Já a segunda... escolhi por gostar mesmo.





16 anos sem Gonzaguinha

O desaparecimento de Gonzaguinha [foto] — decorrente de um acidente automobilístico ocorrido no Paraná — completou 16 anos no último 29 de abril. Não vi/ouvi na imprensa nada sobre a efeméride, provavelmente por não se tratar de uma “data redonda”. 

Prefiro crer nisso.

Autor gravado por meio mundo da MPB — de Maria Bethânia a Zizi Possi, passando por Simone, Martinho da Vila e até o Professor Cauby Peixoto — Gonzaguinha deixou uma belíssima obra, repleta de canções como “Sangrando”, “Eu Apenas Queria que Você Soubesse”, o samba “O que É O que É” (“Viver e não ter a vergonha de ser feliz./ Cantar e cantar e cantar/ a beleza de ser um eterno aprendiz”), a pop “Lindo Lago do Amor” e o bolero “Começaria Tudo Outra Vez”, entre muitas outras. Mas há uma em especial: “Feliz”, que, por sinal, obteve boa execução radiofônica no ano de seu lançamento, 1983.

Faixa de Alô, Alô Brasil — disco que traz a versão do autor para “Um Homem Também Chora (Guerreiro Menino)”, sucesso na voz de Fagner — “Feliz” tem uma letra de rara sensibilidade, mesmo falando de um tema nada original: duas pessoas que a vida tratou de separar, mas que não conseguem se desligar por completo (“Trajetórias opostas / sem jamais deixar de se olhar”). 

Impossível não se comover com versos como: “É um carinho guardado no cofre de um coração que voou; / é um afeto deixado nas veias / de um coração que ficou”. E, principalmente: “É a certeza da eterna presença / da vida que foi / na vida que vai”. 

Versos que não carecem de explicação.



Ouça Feliz

 

sábado, agosto 11, 2007

Paternidade

Deixo aqui um grande abraço para todos os pais que estiverem lendo esse post. Fazendo uso do clichê - e sem o menor temor de soar piegas -, devo dizer que a paternidade é algo verdadeiramente... sublime. Aqueles que também são pais certamente irão endossar minhas palavras.

Uma boa sugestão de filme sobre o assunto, aliás - reprisado pela TV aberta mais uma vez ontem à noite - é Uma Lição de Amor [I Am Sam], de 2001. A película conta a estória de Sam Dawson, interpretado de modo soberbo por Sean Penn (que recebeu a indicação ao Oscar de melhor ator por essa atuação), indivíduo com problemas psiquiátricos que, após ter perdido a guarda de sua filha adotiva, luta desesperadamente para recuperá-la.

Michelle Pfeiffer também está ótima no papel da advogada Rita Harrison - a quem Dawson, fã inverterado dos Beatles, chama de Lovely Rita -, que, por força das circunstâncias, acaba aceitando a causa, por diletantismo. A trilha sonora, não por acaso, é composta apenas de canções dos Fab Four que, obviamente, funcionaram muito bem na trama, mesmo sendo registradas por nomes como Rufus Wainwright, Sheryl Crow, Eddie Vedder e Ben Harper, entre outros, que respeitaram as gravações originais - e, acreditem, não estragaram tudo.

Um dos momentos mais tocantes foi quando Dawson, indagado pelo Promotor Público sobre as razões que o levavam a querer retomar a guarda da menina Lucy In the Sky, deu um exemplo da incapacidade de se explicar o amor: quando Paul McCartney começou a compor 'Michelle', ele só havia conseguido escrever os primeiros versos [nota: Michelle ma belle/ These are words that go together well/ My michelle./ Michelle ma belle/ Sont les mots qui vont très bien ensemble/ Très bien ensemble]. John Lennon criou aquela parte que diz 'I love you, I love you, I love you' e, anos depois, Paul disse que, ainda que os versos de John fossem tão simples, sem eles... a canção jamais seria a mesma.

Uma Lição de Amor é um filme comovente, capaz de emocionar até mesmo... uma árvore.


...love is all you need...

(Lennon - McCartney, 1967)