sábado, agosto 28, 2010

Ronaldinho Gaúcho: justa homenagem

Na primeira vez em que voltou a pisar, como jogador, no gramado de seu ex-clube, o Barcelona, Ronaldinho Gaúcho – atualmente no Milan, da Itália – foi recebido como um rei. Antes da partida entre o dono da casa e o time rossonero, o telão do estádio Camp Nou mostrou imagens de momentos gloriosos do craque dentuço com a camisa azul-grená – o ápice de sua carreira.

E, ao entrar em campo, Ronaldinho foi aplaudido efusivamente por todos os presentes. Barcelona e Milan disputaram o troféu que leva o nome do fundador do clube catalão, o suiço Joan Gamper. Após o empate de 1 a 1 no tempo normal, o Barça venceu, nos pênaltis, por 3 a 1. Mas o melhor ainda estava por vir.

Após receber a taça, o capitão do time, Carles Puyol, emocionando a todos, deu-a de presente ao brasileiro [no detalhe, em foto da agência Reuters], em reconhecimento a todos os serviços prestados ao clube – dois Campeonatos Espanhóis (2004/05 e 2005/06); uma Liga dos Campeões (2005/06); duas Supercopas da Espanha (2005/06 e 2006/07); e três Copas da Catalunha (2003/04, 2004/05 e 2006/07).

Aliás, foi com a camisa do Barcelona que o jogador foi eleito, por duas vezes, o melhor do mundo, pela Fifa: 2004 e 2005.

Ainda que, atualmente, aos 30 anos de idade, Ronaldinho Gaúcho já não seja o mesmo futebolista que encantou o planeta, sua passagem pelo clube foi, indiscutivelmente, memorável. Ele foi um gênio, um esteta da bola.

Portanto, a homenagem é mais do que merecida.


Bilhete azul (2): Rogério Lourenço

Rogério Lourenço [no detalhe] não suportou a pressão das arquibancadas e foi demitido ontem do comando técnico do Flamengo. Toninho Barroso – que trabalha nas divisões de base do clube – assume interinamente o cargo.

Quando uma equipe não apresenta um bom desempenho, nem sempre a culpa é do treinador. Contudo, o retrospecto recente de Rogério à frente no Fla não era nada, nada animador.

O rubro-negro tem, atualmente, o segundo pior ataque da competição – superando apenas o Ceará – com 12 gols em 16 jogos. E ocupa o 10º lugar da tabela, 15 pontos (!) atrás do líder Fluminense.

É bem verdade que o time não tinha ataque. Val Baiano ainda não marcou um gol sequer e Leandro Amaral vem de um longo período de inatividade. Somente agora chegaram os dois reforços para o setor ofensivo: Deivid, ex-Fenerbahçe, e Diogo, ex-Olympiakos. Mas, independentemente disso, o Fla vinha jogando de maneira... er, “acanhada”, como se fosse time pequeno.

E convenhamos: isso não é Flamengo.

Enquanto isso, a diretoria do clube se movimenta para encontrar o sucessor de Rogério. Vários nomes já foram citados: Carlos Alberto Parreira, Andrade, Leonardo, Vanderlei Luxemburgo... Espero que o escolhido não seja um dos que foram recentemente defenestrados de outros clubes, como Emerson Leão, Geninho e Antônio Carlos, por exemplo.

E, principalmente, Dunga ou o seu auxiliar, o ex-lateral Jorginho...

Bilhete azul: Robinho

A despeito de ter sido a mais contratação da história do futebol, inglês, Robinho [no detalhe] está de saída do Manchester City. Entretanto, do alto de sua “humildade” habitual, o atacante tratou de rechaçar a única proposta oficial que surgiu pelo seu passe: a do Fenerbahçe, da Turquia.

— Com todo o respeito ao futebol turco, mas eu não vou jogar lá neste momento. A equipe [Fenerbahçe] foi a única que me mandou uma proposta oficial, mas já está decidido que eu não vou (...). A única coisa que eu digo é que continuarei na Europa. Itália ou Espanha.

Robinho deveria se dar por satisfeito em receber uma proposta da Turquia. Com o futebol que vem apresentando há tempos, não seria nenhum espanto se ele fosse parar na Áustria.

Com todo o respeito à Áustria, é claro.

Da série ‘Perguntar não ofende’: Garotinho e sua ‘reeducação alimentar’

Perguntar não ofende: será que, do alto de seus dois queixos (!), não seria oportuno que o ex-governador Anthony Garotinho reiniciasse a sua greve de fome?



Em tempo: declaro, publicamente, o meu apoio à censura ao humor – que, aliás, foi derrubada pelo STF. Chacota com político é algo que considero inadmissível...

terça-feira, julho 20, 2010

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Alright’, do Supergrass

Tão infecciosa quanto – sem exagero – “She Loves You”, dos Beatles, “Alright”, do Supergrass, foi como um lufada de ar puro em meio à “poluição” que, via de regra, caracteriza a programação das FMs.

Faixa do disco de estreia do grupo, I Should Coco [no detalhe, a capa], de 1995, “Alright”, a despeito da letra bobinha, chega a comover, tamanha é a espontaneidade da coisa. Lembro exatamente do impacto que senti na primeira vez que a ouvi. Não por acaso, está entre as dez músicas de que mais gosto na vida.

E vale ressaltar que o vídeo é absolutamente condizente com o alto astral adolescente da canção.

Em abril deste ano, depois de seis álbuns de estúdio, a banda de Oxford anunciou o fim de suas atividades. Uma pena. De qualquer forma, fica para a posteridade um clássico digno da excelência pop que caracteriza a Grã-Bretanha.


Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘That's What Friends Are For’, de Burt Bacharach

Em referência ao Dia Internacional da Amizade – que se comemora hoje, 20 de julho –, somente “Canção da América*”, de Milton Nascimento e Fernando Brant, seria tão adequada quanto esta: a belíssima “That's What Friends Are For”.

Composta por um gênio do pop, Burt Bacharach [foto], em parceria com a letrista americana Carole Bayer Sager – que, aliás, foi sua esposa durante nove anos –, a faixa foi gravada inicialmente por Rod Stewart, em 1982, para a trilha sonora da comédia Corretores do Amor (Night Shift).

A versão mais conhecida, no entanto, é que reúne Dionne Warwick – sem dúvida, a melhor intérprete de Bacharach – a Gladys Knight, Elton John e Stevie Wonder. Lançada em um single em dezembro de 1985, teve seus fundos revertidos para o American Foundation for AIDS Research. E foi um sucesso retumbante.

Além de ter levado duas estatuetas Grammy – uma delas de Canção do Ano de 1986 –, foi eleita pela Billboard uma das cem maiores músicas de todos os tempos. E arrecadou três milhões de dólares pela causa.


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Bem, nunca fui um homem de muitos amigos. Mas os que tenho me são verdadeiramente caros e especiais. Sejam novos ou antigos; próximos ou distantes: saúdo a todos. Não preciso sequer mencioná-los – eles saberão se reconhecer.

E o mais importante: a exemplo do que diz a canção, eles sabem que podem “sempre contar comigo / com certeza”.

Amigos servem para isso.



* Por sinal, esta é uma canção que me emociona bastante...


A hora e a vez da ‘Fúria’


Não foi exatamente uma surpresa para ninguém que a Espanha [foto], pela primeira vez em sua História, tenha vencido a Copa do Mundo. Afinal, graças à sua melhor geração de jogadores de todos os tempos, a “Fúria” já havia conquistado a Eurocopa de Seleções, há dois anos.

Para o bem do futebol, a vitória espanhola é uma ótima notícia. Em uma Copa de sofrível nível técnico, com muitas “retrancas” – e some-se a isso uma bola que gerou inúmeras reclamações, a famigerada Jabulani –, a Espanha, a despeito de ter perdido a primeira partida, para a fraca Suíça, jogou um futebol ofensivo, vistoso. Cortesia de jogadores talentosos como Iniesta, Xavi, Xabi Alonso e David Villa.

Resumo: a taça está em boas mãos.


***


Apesar do desempenho pífio na África do Sul – apenas um jogador brasileiro, o lateral direito Maicon, foi um dos eleitos no Time do Sonhos da FIFA –, o Brasil, pasmem, ainda tem o que comemorar: a Seleção Canarinho, pentacampeã, só poderá ser alcançada em número de títulos mundiais em 2014.

Isso, é claro, se a Itália – que é tetra – vencer a Copa do Mundo que será realizada no Brasil, daqui a quatro anos.

terça-feira, julho 13, 2010

Nelson Rodrigues e a ‘Pátria de Chuteiras’

Dentre as inúmeras brilhantes frases cunhadas pelo dramaturgo, cronista e jornalista Nelson Rodrigues [foto] (1912 – 1980), existe uma que é particularmente especial para mim: “A Seleção é a Pátria de calções e chuteiras”. Perfeito.

De fato: os onze jogadores perfilados em campo, durante a execução do Hino Nacional, transcendem a esfera meramente esportiva: são a fiel representação da Nação e suas cores. Contudo, não é nenhuma falácia dizer que os cidadãos brasileiros não se sentiram plenamente... er, representados pela Seleção que disputou a Copa do Mundo na África do Sul.

E, em especial, pelo seu comandante.

Nas ruas, o entusiasmo era visivelmente... moderado. Uma parte significativa da população torceu pelo time Canarinho apenas... por torcer. Mas houve também quem se mostrasse indiferente.

E arrisco-me a dizer que alguns até torceram... contra.

Pelo simples fato de que não desejariam vislumbrar a vitória do futebol “de resultado”. Da falta de ousadia. Da “retranca”. E, sobretudo, do destempero e da prepotência. Medíocre enquanto jogador, o técnico conseguiu montar um time exatamente à sua feição. E o futebol brasileiro sempre foi arte – não truculência.

Bem, agora é pensar em 2014. Tomara que tenhamos mais sorte na próxima...

Dunga, o Zangado

Após a derrota para a Holanda, nas quartas-de-final da Copa da África do Sul, Dunga [foto] foi execrado pela imprensa e pela população. Enquanto isso, Maradona foi aclamado pelo povo argentino – apesar da vergonhosa derrota dos hermanos diante da Alemanha, por 4 a 0. Qual a explicação para tratamentos tão distintos? Simples: empatia.

Quando o juiz apitou o final do jogo contra os alemães, Maradona entrou em campo. E, pasmem, além de aplaudir, beijou seus jogadores. Um por um.

Como não admirar um gesto desses?

Em contrapartida, ao término de Holanda x Brasil, o técnico brasileiro simplesmente... virou as costas. E desceu pelo túnel.

Dunga jamais teve a menor preocupação em... er, cativar a torcida ou os jornalistas. Muito pelo contrário: sempre defendeu suas decisões com extrema arrogância. Jamais demonstrou o equilíbrio emocional que o cargo exige. E, obviamente, sabia, desde o primeiro segundo, a pressão que seria exercida sobre ele...

Conclusão: apesar de o Brasil – sabe-se lá como – ter vencido a Copa América e a Copa das Confederações, o comando técnico da Seleção foi um equívoco*.

E a prova está aí.



* Ou será que as pessoas já se esqueceram o “sufoco” durante as Eliminatórias?

Felipe Melo, a ‘invenção’ que não deu certo

O volante Felipe Melo [foto] foi a personagem principal da derrota para o Holanda, que culminou na desclassificação do Brasil na Copa do Mundo.

Atualmente na Juventus, da Itália, Melo foi eleito o pior estrangeiro em atividade no Calcio na temporada 2009/2010. E, ainda assim, era titular da Seleção Brasileira. Vai entender...

Atleta do Flamengo entre 2001 e 2003 – por sinal, poucos se recordam de sua passagem pela Gávea – Felipe Melo, enquanto atuava pela Fiorentina, também da Itália, foi “inventado” como jogador de Seleção.

Como todo o Brasil gostaria de esquecer, Melo fez o gol contra que deu início à reação holandesa. Minutos depois, em um gesto de total descontrole emocional, pisou o apoiador Robben. E, obviamente, foi expulso.

Ainda assim, é necessário dizer: ele não é culpado de nada. A culpa é de quem o convocou e escalou.

O Brasil certamente se supreendeu com a sua belíssima “enfiada” que resultou no gol de Robinho. No entanto, momentos depois, as coisas voltaram aos seus devidos lugares...