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sábado, novembro 12, 2016

Leonard Cohen (1934 — 2016)


Apesar da idade avançada (82 anos), recebi com espanto — e tristeza — a notícia do falecimento de Leonard Cohen. Sobretudo porque ele lançou um CD novo, You Want It Darker há apenas três semanas. A causa da morte não foi divulgada. 

Poeta que se tornou cantor e compositor somente depois dos 30 anos de idade, o canadense de origem judaica intensificou a sua atividade profissional nos últimos 15 anos de vida. De 2012 para cá, chegou a lançar discos ano-sim-ano-sim. O “surto criativo”, contudo, tem uma explicação prática: a descoberta de que uma ex-agente havia abalado as suas finanças. 

Dono de uma obra de raro lirismo, Cohen pode ser considerado um dos três maiores letristas da música pop de todos os tempos — os outros dois são Lou Reed e, claro, Bob Dylan.  E, com sua voz grave e seu estilo declamado de cantar, acabou se tornando um intérprete peculiar para as próprias canções.

Em agosto desse ano, enviou um e-mail para a amiga (e ex-namorada) Marianne Ihlen — inspiradora de “So Long Marianne —, que veio a falecer no dia seguinte, vítima de leucemia. Na carta, lida no funeral da norueguesa, Cohen foi fiel ao seu melhor estilo: Bem, Marianne, chegou aquela altura em que estamos tão velhos que os nossos corpos começam a se desfazer e acho que vou lhe seguir muito em breve. Quero que saiba que estou tão próximo que se estender a mão talvez consiga tocar na minha. (...) Quero apenas lhe desejar boa viagem. Adeus, velha amiga. Encontramo-nos no caminho”.

Em 2016, a música popular perdeu David Bowie, Glenn Frey, Prince e, agora, Leonard Cohen. Um ano para lá de esquisito.



Cohen será sempre lembrado pela sua obra-prima “Hallelujah” [1984], que, curiosamente, tornou mais conhecida nos últimos anos como “a música do filme do Shrek”. A versão definitiva, no entanto, é a do também falecido Jeff Buckley, que integra o único álbum que lançou em vida, o estupendo Grace [1994]:


domingo, outubro 27, 2013

Lou Reed (1942 — 2013)



Com seu singular estilo “falado” de cantar — como se estivesse sempre contando uma estória —, Lou Reed escreveu excelentes “crônicas do submundo” como “Vicious”, “Heroin”, “Waiting For The Man” e, claro, “Walk On The Wild Side”. Ao lado de Bob Dylan e Leonard Cohen, destacou-se, sem sombra de dúvida, como um dos mais brilhantes letristas que o rock já teve.

O ex-vocalista do Velvet Underground faleceu hoje, aos 71 anos, cinco meses após ter sido submetido a um transplante de fígado. E o seu maior legado foi, a exemplo dos supracitados Dylan e Cohen, provar que letras de música podem, sim, ser tão relevantes e profundas quanto livros de poesia. 



A minha preferida do bardo: a doce — e, ao mesmo tempo, ácida — “What's Good (The Thesis)”, do conceitual (e ótimo) álbum Magic And Loss, de 1992.

Da série ‘Frases’: Lou Reed


You're going to reap just what you sow.”

(Da bela — porém cínica — “Perfect Day”, faixa de Transformer, segundo álbum solo de Lou Reed, lançado em 1972.)




terça-feira, janeiro 06, 2009

Da série ‘Frases’: Lou Reed


Serei o seu espelho. Refletirei o que você é.

(“I'll Be Your Mirror”, Lou Reed, CD The Velvet Underground & Nico, 1967)