sábado, maio 21, 2011

Da série São Bonitas as Canções: ‘...e o Mundo Não se Acabou’, com Paula Toller

O final dos tempos é um antigo temor da humanidade. E, eventualmente, surge como temática de alguma canção. É o caso de “...e o Mundo Não se Acabou”, composição de Assis Valente (1911 – 1958), gravada pela primeira vez por Carmen Miranda em 1938 (!).

A letra, autoexplicativa, fala das peripécias que o eu-lírico comete diante da iminência de uma hecatombe. E, no final das contas, o mundo não acaba...

Em 1998, recebeu versão de Paula Toller [foto], em seu primeiro CD solo, epônimo – curiosamente, exatos 50 anos após o registro da Pequena Notável.

Outra curiosidade fica por conta do verso “peguei na mão de quem não conhecia”, que foi... digamos, atualizado pela cantora do Kid Abelha...

O vídeo em questão foi extraído do DVD ao vivo, Nosso, lançado por Paula Toller em 2008.


Assis Valente, o autor de ‘Brasil Pandeiro’ e ‘Boas Festas’

É o caso de ‘...e o Mundo Não se Acabou...’, composição de Assis Valente...
  

Baiano de Santo Amaro da Purificação – e, portanto, conterrâneo de Caetano Veloso – Assis Valente [foto] cometeu suicídio ingerindo formicida na extinta Praia do Russel, no Rio de Janeiro – por conta de dívidas e, reza a lenda, também de sua condição homossexual.

Foi o autor de “Brasil Pandeiro”, gravada por Carmen Miranda em 1940, e que recebeu excelente versão dos Novos Baianos no clássico Acabou Chorare (1972). E também de “Boas Festas”, provavelmente a mais conhecida canção natalina brasileira.


Veja o vídeo de “Brasil Pandeiro”, com os Novos Baianos...
  



...e também de “Boas Festas”, com João Gilberto:

Paul McCartney em solo carioca

                                                                 
Todo mundo sabe: Sir Paul McCartney [foto] tocará amanhã e segunda-feira, 23, no Estádio Olímpico João Havelange, o já famoso Engenhão, no Rio de Janeiro. Será a segunda passagem da turnê Up And Coming por terras brasileiras em menos de doze meses. Em novembro do ano passado, Macca se apresentou no Morumbi, em São Paulo, e no Beira-Rio, em Porto Alegre.

E convenhamos: seria de uma obviedade sem tamanho postar aqui, para mencionar o fato, algum dos clássicos dos Beatles, ou mesmo um hit do Wings ou de sua carreira solo.

Portanto, para mostrar que McCartney está (muito) distante de qualquer acomodação artística, uma boa pedida é a ousada “Don't Stop Running”, faixa que encerra o seu mais recente trabalho de estúdio, o surpreendente  Electric Arguments [à esquerda, a capa do álbum], de 2008.

O CD foi creditado, na verdade, a The Fireman, o projeto paralelo que Paul desenvolve ao lado do DJ Youth, ex-baixista do Killing Joke, e que já rendeu três álbuns.

Climática e eletrônica, “Don't Stop Running” é a prova cabal de que, mesmo tendo ultrapassado os “sixty-four”, Paul McCartney ainda procura novos rumos para a sua carreira. E acha.


P.S.: a resenha que escrevi sobre Electric Arguments pode ser lida clicando aqui.

P.S. nº 2: a apresentação de amanhã, 22,  será transmitida, ao vivo, em http://paul.terra.com.br/.



Ouça “Don't Stop Running”, do The Fireman. Tem quase quase dez minutos de duração. Mas vale a pena:

Paul McCartney: jazz e ‘rock pesado’

                         

Esta semana, aliás, Paul McCartney [foto] anunciou que está gravando um CD com standards de jazz. Canções da era “pré-rock”, segundo o próprio artista.

— É o estilo do meu pai e são músicas que admiro. Sempre quis fazer isso, desde quando ainda estava nos Beatles. Só que o Rod [Stewart] fez. Aí, pensei: ‘Vou ter que esperar um pouco, para não parecer que o estou imitando’.... — explicou o ex-beatle.

O repertório está sendo mantido no mais absoluto sigilo — McCartney só adiantou que pretende “se afastar das óbvias”. Sabe-se, contudo, que algumas faixas contam com a participação da cantora e pianista canadense Diana Krall.

— Vai ser música para a hora de chegar em casa, depois do trabalho. Você põe pra tocar e pega uma taça de vinho...

Este será o terceiro álbum de regravações da carreira do cantor. Em 1987, editou Choba B CCCP (Back In The USSR), inicialmente disponível apenas para a antiga União Soviética, no qual resgatou clássicos do rock como “Lucille” e “Twenty Flight Rock”. E repetiu a dose em 1999, com o arrasador Run Devil Run, seu primeiro trabalho após o falecimento de sua esposa Linda McCartney, em 1998.

Em contrapartida, Paul revelou que também está compondo para um álbum de “rock pesado”, inspirado por Wasting Light, o mais recente trabalho do Foo Fighters, banda de Dave Grohl, ex-Nirvana.

— Isso pode parecer estranho, mas mantém o frescor. Nunca se sabe: posso correr para uma garagem e fazer este outro álbum.


Veja o vídeo da (estupenda) versão “No Other Baby”, obscura faixa do The Vipers, que McCartney gravou em Run Devil Run:

terça-feira, abril 26, 2011

O ‘presente de casamento’ de George Michael

                             

George Michael [foto] declarou que sua intenção era oferecer um “presente de casamento” ao príncipe William e à sua futura esposa, Kate Middleton — cujo enlace ocorre na próxima sexta-feira, 29. Os presenteados, entretanto, foram os fãs do cantor inglês.

Em homenagem aos noivos, George regravou a pérola “You And I (We Can Conquer The World)” de Stevie Wonder, originalmente lançada no clássico Talking Book, de 1972. E, de quebra, criou um hot site para disponibilizar a faixa para download gratuito.

Contudo, o “presente” de George Michael acabou gerando (para variar) alguma contrevérsia. Houve quem interpretasse o gesto de Michael — que, mesmo tendo sido amigo de Lady Di, mãe do noivo, não foi convidado para a cerimônia — como uma forma de “se promover”.

O motivo: o artista encontra-se atualmente em estúdio, finalizando um álbum de inéditas a ser editado ainda este ano, o primeiro desde o mediano Patience, de 2004 (!). E, um mês antes de “You And I”, soltou um novo single: um surpreendente cover de “True Faith” do New Order.



Ouça ‘You And I (We Can Conquer The World)’, com George Michael:

George Michael grava New Order

‘...soltou um novo single: um surpreendente cover de True Faith do (extinto?) New Order...’




Lançada inicialmente em um single em 1987, “True Faith” é um típico fruto do (extinto?) New Order [foto]: (bela) letra melancólica/existencialista, acompanhada de batida eletrônica.

George Michael, no entanto, optou por desfigurar a canção: excluiu toda e qualquer característica dançante, e adicionou vocoder em sua voz. Deu certo.

Mas os fãs da banda de Manchester podem estranhar o clima... hum, sombrio...



Ouça a gravação original de ‘True Faith’, com o New Order...





...e veja o vídeo da versão de George Michael:


terça-feira, abril 19, 2011

Roberto Carlos: 70 anos

                           

Do alto de meio século de uma carreira singular, Roberto Carlos [foto] tem muitos motivos pelos quais se orgulhar. Goste-se ou não dele, nenhum outro artista brasileiro possui números tão superlativos — na América Latina, vendeu mais até do que, pasmem... os Beatles (!).

Além de intérprete notável, RC é um compositor que, com a simplicidade de suas palavras, consegue tocar o coração de pessoas de todas as faixas etárias, de todas as classes sociais. Seja falando de amor ou de fé, o autor de “Emoções” é, sem sombra de dúvida, a voz do Brasil.

E, a exemplo de milhões de brasileiros, as canções de Roberto se entrelaçam com a história de minha vida. E isso vem desde a infância, nas celebrações do Natal na companhia de meus familiares — alguns, por sinal, já não estão vivos —, quando a trilha sonora sempre foi o seu novo álbum.

Sendo assim, não me constranjo em declarar a enorme admiração e sincero respeito que nutro por este homem. No meu íntimo, é como se RC fosse uma pessoa próxima, um amigo muito querido. E, de fato, sua música tem estado a meu lado durante todos esses anos.

Hoje, 19 de abril de 2011, Roberto completa 70 anos de idade. Fico feliz por ele estar vivo. Com saúde. E em plena atividade. Não sucumbiu diante de todos os momentos tristes que atravessou — e continua atravessando. Como disse (sabiamente) Caetano Veloso, “uma força” o leva a cantar. Somos privilegiados por ouvi-lo.

Em suma, Roberto Carlos é o Rei. De fato e de direito. Vida longa ao Rei.

terça-feira, abril 12, 2011

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Contos da Lua Vaga’, de Beto Guedes


“...a maldade já vimos demais...”





Existem determinados instantes — alegres ou tristes — em que... nos faltam as palavras. Por sorte, precisamente nestes momentos, temos... a música.

Para que, através dela, possamos nos compreender. Nos expressar. Ou, para que, por meio dela, consigamos... nos consolar. É clichê, porém verdadeiro: sempre existirá uma canção que caberá como uma luva na nossa emoção — seja ela qual for.

Não há muito mais a ser dito sobre a barbárie de Realengo. Só nos resta lamentar. Profundamente. Pelas vidas ceifadas. Pelos familiares e amigos que agora choram. E também pelas crianças que sobreviveram — que muito provavelmente carregarão, até o fim de seus dias, o trauma de toda aquela violência.

E é justamente em instantes como este que a música entra em cena. Para nos... traduzir. E nos... confortar.



“...iremos passar,
mas não podemos nunca esquecer de mais alguém que vem.
Simples inocentes a nos julgar perdidos:
as iluminadas crianças, herdeiras do chão —
solo plantado...

Não as ruínas de um caos...”



P. S.: A tocante “Contos da Lua Vaga”, de Beto Guedes e Márcio Borges, foi a faixa-título do álbum que o músico mineiro lançou em 1981. O título foi inspirado no homônimo filme japonês, dirigido por Kenji Mizoguchi em 1953.




Massacre de Realengo: o futebol de luto


Na partida entre Flamengo e Botafogo, realizada no domingo, 10 de abril, no Engenhão, o massacre de Realengo não deixou de ser lembrado.

Os atletas do time da casa, em sinal de luto, entraram em campo de camisas pretas. E, pouco antes do apito inicial, as duas equipes [acima, em foto de Alexandre Cassiano, da Agência O Globo] fizeram, em homenagem às vítimas da tragédia, um minuto de silêncio — que, surpreendentemente, foi respeitado pelo público presente ao estádio. Uma cena impressionante.

Até mesmo experientes profissionais da narração esportiva confessaram a sua comoção diante daquela... consternação coletiva.

Igualmente louvável foi a atitude do Corinthians [abaixo, em foto de Marcos Ribolli, do GloboEsporte.com]. Contra o São Caetano, no Pacaembu, todos os titulares do clube paulista atuaram com os nomes das crianças assassinadas impressos na parte de trás de suas camisas.

Com gestos assim, o futebol mostra que pode, sim, ser um instrumento de paz e solidariedade. Nem tudo está perdido.


Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Sementes do Amanhã’, com Erasmo Carlos

Em Buraco Negro, seu álbum de 1984, Erasmo Carlos [foto] gravou a bela “Sementes do Amanhã”.

Composta pelo saudoso Gonzaguinha, a faixa também foi registrada pelo autor naquele mesmo ano em Grávido, porém com o título de “Nunca Pare de Sonhar”. A gravação de Erasmo — impecável, diga-se de passagem — integrou também a trilha sonora da novela global Livre para Voar.

Na semana passada, doze “sementes do amanhã” foram perdidas diante de uma mente doentia e perversa. Mas que esta tragédia não faça que percamos... a fé. A“fé na vida”. A “fé no homem”. E muito menos a “fé no que virá”.

Afinal, como diz a canção, apesar de todos os pesares, “nós podemos tudo”. Decididamente, “nós podemos mais”.