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sábado, março 09, 2024

Da série ‘Certas Canções’: ‘50 Anos’, com Paulinho da Viola

 

Parceria de Cristóvão Bastos e Aldir Blanc, a belíssima “50 Anos”, interpretada por Paulinho da Viola, foi a faixa-título do CD lançado em 1996 [no detalhe, a capaem homenagem ao cinquentenário de Blanc (1946 — 2020), um dos maiores letristas brasileiros.

Desde então, mesmo sem me identificar com a letra na sua totalidade, imaginei o momento em que poderia postar esta canção — com propriedade.

E eis que, finalmente, este dia chegou, meus amigos.



50 ANOS

(Cristóvão Bastos — Aldir Blanc)


Eu vim aqui prestar contas

de poucos acertos

de erros sem fim.

Eu tropecei  tanto às tontas

que acabei chegando no fundo de mim.


O filme da vida não quer despedida

e me indica: 

“Ache a saída”.

E pede socorro onde a Lua

encanta o alto do morro

e gane que nem cachorro,

correndo atrás do momento que foi vivido.


Venha de onde vier,

ninguém lembra porque quer.

Eu beijo na boca de hoje

as lágrimas de outra mulher.


Cinquenta anos são bodas de sangue —

casei com a inconstância e o prazer.

Perdoo a todos, não peço desculpas —

Foi isso que eu quis viver.


Acolho o futuro de braços abertos.

Citando Cartola:

“Eu fiz o que pude”.


Aos cinquenta anos...


Insisto na juventude.




terça-feira, maio 05, 2020

Aldir Blanc (1946 — 2020)


Falecido ontem, aos 73 anos, o carioca Aldir Blanc figurava indiscutivelmente entre os cinco melhores letristas brasileiros. Conhecido especialmente pelas parcerias com João Bosco — várias delas imortalizadas na voz de Elis Regina —, Blanc foi coautor de sucessos de Nana Caymmi, Leila Pinheiro, MPB-4 e Roupa Nova, entre outros. 



Parceria com Cristóvão Bastos, “Resposta ao Tempo” é a faixa-título do álbum lançado por Nana Caymmi em 1998 — e uma das mais belas gravações da cantora. Naquele mesmo ano, foi a música-tema da minissérie Hilda Furacão.


 

Em 1996, Leila Pinheiro gravou um disco inteiro com composições de Guinga e Aldir Blanc. A faixa-título, Catavento e Girassol retrata, com rara sensibilidade e pitadas do mais fino humor, um casal que não tem absolutamente nada a ver um com o outro. Uma obra-prima.


 

Era de Aldir Blanc a autoria da letra de A Viagem, uma das mais tocantes gravações do Roupa Nova, interpretada magistralmente pelo vocalista/baterista Sérgio Herval. Música-tema da novela homônima [1994], a canção fala sobre um amor que desafia planos existenciais. 





Blanc também escreveu os versos de outro grande sucesso do Roupa Nova: Coração Pirata”. Violões, cordas e um refrão pungente asseguram o tom épico da faixa, que integrou a trilha sonora da novela Rainha da Sucata.




Dois pra Lá, Dois pra Cá foi uma das mais marcantes composições de João Bosco e Aldir Blanc gravadas por Elis Regina. Pasmem: um bolero que, sem pudor algum, cita La Puerta no final. A letra é cinematográfica: em meio a um porre de whisky com guaraná, a protagonista lembra da noite em que dançou com o seu amado, apesar do incômodo de um torturante band-aid no calcanhar.




Dentre todas as parcerias de João Bosco e Aldir Blanc gravadas por Elis Regina, O Bêbado e o Equilibrista” foi, sem dúvida alguma, a mais emblemática. A interpretação da Pimentinha potencializa a carga emocional dos versos que retratam o período em que a canção foi lançada — 1979, seis meses antes da promulgação da Lei de Anistia.