quarta-feira, dezembro 08, 2010

Três décadas sem John Lennon


Exatos 30 anos após o precoce desaparecimento de John Lennon [no detalhe], aos 40 anos de idade, todos os pormenores da vida do ex-Beatle já foram amplamente destrinchados. Sua infância sofrida. Seu temperamento difícil. Sua (nada discreta) relação com a esposa, Yoko Ono. Seu ativismo político. Seu brutal assassinato. E, principalmente, seu inestimável legado artístico.

Sendo assim, só nos resta, mais uma vez... homenagear a sua memória.



Quem souber dizer a exata explicação,
me diz como pode acontecer?
Um simples canalha mata um rei...
Em menos de um segundo
...”


(“Canção do Novo Mundo”, Beto Guedes e Ronaldo Bastos)




Nobody Told Me’, do álbum póstumo Milk and Honey, de 1984.





Instant Karma!’, seu terceiro single solo, editado em 1970. Foi composta e gravada no mesmo dia. E chegou às lojas apenas dez dias (!) depois...





Look at Me’, de primeiro álbum lançado por John após o fim dos Beatles, Plastic Ono Band, de 1970.





Jealous Guy’, de seu segundo álbum pós-Fab Four, Imagine, de 1971.





Oh My Love’, também de Imagine. Como podem perceber, a faixa tem a participação de George Harrison, na guitarra.



Da série São Bonitas as Canções: ‘Canção do Novo Mundo’, de Beto Guedes

A faixa citada no post acima é a tocante “Canção do Novo Mundo”, letra de Ronaldo Bastos, musicada por Beto Guedes [no detalhe], e gravada por este.

Originalmente lançada no álbum Contos de Lua Vaga, de 1981 – e também registrada por Milton Nascimento em seu Ao Vivo, de 1983 –, “Canção do Novo Mundo” claramente homenageia John Lennon. E lamenta o seu falecimento: “Oh, minha estrela amiga / por que você não fez a bala parar?


***


Só para constar: Beto Guedes é um dos artistas brasileiros que mais respeito e admiro. Suas canções, na minha modéstia opinião, são a mais nítida “fotografia sonora” das Minas Gerais que tanto amo – mesmo sendo carioca de pai e mãe.


sábado, dezembro 04, 2010

Lulu Santos: Acústico II – A Missão


CD/DVD
Lulu Acústico II (Universal Music)
2010



Cantor rebobina mais sucessos e ‘lados B’ em novo especial da MTV

Em 2000, Lulu Santos quebrou um paradigma com o seu Acústico MTV: eram tantos hits que, pela primeira vez na série, um artista mereceu – além do habitual DVD – um CD duplo com o registro de sua apresentação. E o compositor carioca permaneceu como o detentor solitário da façanha até 2002, quando Jorge Ben Jor recebeu a mesma deferência.

Passados exatos dez anos, Lulu volta à carga com Lulu Acústico MTV II, que chega às prateleiras em CD – desta vez, simples – e DVD, realizado de forma independente, com distribuição via Universal Music.

Impossível não ceder à tentação de relacionar o Acústico atual com o anterior – dadas as suas diferenças e semelhanças. Para começo de conversa, o cantor dispensou o tradicional “banquinho”, permanecendo de pé durante toda a apresentação. E, sem repetir uma música sequer do especial da década passada, desfiou sucessos como “Um Pro Outro”, “Minha Vida” e a bela “Papo Cabeça”, e bons “lados B” como “Pra Você Parar”, “Brumário”, “Dinossauros do Rock” e a sentida “Auto Estima”, que fecha os trabalhos.

Além do talento como hitmaker, Lulu Santos, em comparação aos seus congêneres/contemporâneos, tem um trunfo: a enorme facilidade em reinventar a si próprio e ao seu cancioneiro, a todo momento. Isso fica claro em “Tudo Azul”, faixa-título de seu bem-sucedido álbum de 1984, que ressurge mais brasileira do que nunca. O mesmo vale para “Vale de Lágrimas”, de 2005 – uma de suas melhores canções recentes – cujo novo arranjo, com ares de... tango (!), realçou a dramaticidade da letra.

A outrora dançante “Baby de Babylon” lançada no ano passado, recebeu um roupagem bossa nova, com eventuais compassos de... reggae (!). Ficou interessante. Já a ótima “Já É!”, de 2003, mesmo desplugada, não perdeu o seu pulso disco.


No DVD, Lulu homenageia os seus três ‘santos’

A cantora Marina De La Riva – descrita pelo cantor como “indescritível” – é convidada especial da (excelente) versão hispânica de “Adivinha o Quê?” e, apesar da voz pequena, empresta puro charme à gravação. Simplesmente hilário o momento em que ela se dirige a Lulu, no idioma de Cervantes, dizendo “tremendo vacilón”. Detalhe: a flauta supriu perfeitamente a ausência do solo de guitarra.

O baixista Jorge Aílton, autor de “Atropelada” – gravada pelo anfitrião em Singular, o antecessor de Lulu Acústico MTV II – faz o vocal principal da sua “O Óbvio”. Com seu jeitão de hino, a mediana “E Tudo Mais”, que abre o espetáculo, é a única inédita.

Disponíveis apenas no DVD, as três faixas bônus são, na definição do próprio Lulu, “velas” acesas para os seus “santos”: Gilberto Gil, homenageado com “Ele Falava Nisso Todo Dia”; o já mencionado Jorge Ben Jor, com “Tuareg”; e Caetano Veloso, com “Odara”, que contou novamente com a participação de Marina De La Riva e também de Andrea Negreiros, vocalista da banda de Lulu. As duas primeiras já haviam sido gravadas pelo autor de “Certas Coisas” – em Letra & Música, de 2005, e Assim Caminha a Humanidade, de 1994, respectivamente. Apenas “Odara” é inédita na voz do cantor carioca.

Mesmo sem superar o primeiro Acústico – que trazia o supra-sumo de sua obra –, Lulu Acústico MTV II é um bom registro daquele que é um dos principais nomes da música brasileira. Considerando o autor que sempre foi, Lulu Santos, se tivesse nascido no Reino Unido, certamente estaria à altura de um Elton John...



Confira os vídeos de ‘Adivinha o Quê?’...




...de ‘Baby de Babylon’...


...e de ‘Já É!’:

‘Lulu Acústico MTV II’: índice remissivo

Sobre “Auto Estima”, escrevi aqui. Sobre “Vale de Lágrimas”, aqui. Sobre “Baby de Babylon”, aqui. Sobre “Atropelada” [post reescrito], aqui.

A resenha de Singular, o mais recente álbum de inéditas de Lulu Santos, pode ser lida aqui. E o vídeo de “Tudo Azul”, extraído do DVD Lulu Acústico MTV II, pode ser visto aqui.


terça-feira, novembro 16, 2010

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Spirits In The Material World’, do Police


Faixa de Ghost In The Machine (1981), o quarto — e penúltimo — álbum do Police [no detalhe], o ótimo reggae de brancoSpirits In The Material World” foi composta em referência ao cenário político britânico da década de 1980 — Sting, o autor, é inglês.

Contudo, a letra da canção aplica-se a qualquer contexto. Inclusive ao Brasil do ano 2010...

Com sua falaciosa “retórica do fracasso”, o suposto “líder” — entre aspas, naturalmente — tenha “aprisionar” e “subjugar” os submissos — e também os ignorantes. A metáfora dos “espíritos no mundo material”, aliás, refere-se justamente a isso: a manipulação da população.

Ou seja, os “espíritos” conseguem ver e ouvir tudo que se passa no “mundo material”. Entretanto, sendo intangíveis, não detém o menor poder de interferência...

O verso final passa uma mensagem... anarquista, digamos assim: “Se é algo que não podemos comprar / deve haver outro jeito...”. Nesse sentido, lembra, curiosamente, “Shoplifters Of The World Unite”, lançada pelos Smiths cinco anos depois.


Spirits In The Material World
(Sting)

There is no political solution
To our troubled evolution
Have no faith in constitution
There is no bloody revolution.

We are spirits in the material world.

Our so-called leaders speak
With words they try to jail you.
They subjugate the meek
But it's the rhetoric of failure.

We are spirits in the material world.

Where does the answer lie?
Living from day to day
If it's something we can't buy
There must be another way.

We are spirits in the material world.


Espíritos no Mundo Material
(Tradução: Tom Neto)

Não há solução política
Para a nossa problemática evolução.
Não há fé na Constituição.
Não há nenhuma revolução sangrenta.

Somos espíritos no mundo material.

Nossos supostos “líderes” falam –
Com palavras, eles tentam lhe aprisionar.
Eles subjugam os submissos
Mas é a retórica do fracasso.

Somos espíritos no mundo material.

Onde repousa a resposta,
Vivendo dia após dia?
Se é algo que não podemos comprar,
Deve haver um outro jeito.

Somos espíritos no mundo material.



Sobre o Anarquismo

O verso final passa uma mensagem... anarquista, digamos assim: ‘Se é algo que não podemos comprar / deve haver um outro jeito...’”



Convencionou-se definir Anarquismo [no detalhe, o símbolo da ideologia] da maneira mais simplista: como “baderna”. Ledo engano.

O Anarquismo prega, na verdade, a total “ausência de governo”. Ou seja, “se hay gobierno, soy contra”. Não confundir, entretanto, com “ausência de ordem”.

É uma filosofia absolutamente utópica, eu sei. Afinal, a sociedade jamais deixará de ter algum tipo de... er, “autoridade”. O que, convenhamos, é uma amostra clara da incompetência dos seres humanos — que sempre precisam que alguém lhes diga o que fazer. Todavia, não deixa de ter... algum sentido...

Se somos todos biologicamente iguais, por que raios alguns têm “poder” sobre a esmagadora maioria? Pensem nisso.

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘Shoplifters of the World Unite’, dos Smiths


Nesse sentido, curiosamente, lembra ‘Shoplifters of the World Unite’, lançada pelos Smiths cinco anos depois.


O refrão de “Shoplifters of the World Unite” conclama:

Shoplifters of the world
Unite and take over
Shoplifters of the world
Hand it over
Hand it over
Hand it over

(“Ladrões de loja do mundo,
Unam-se e dominem.
Ladrões de loja do mundo
Distribuam
Distribuam
Distribuam”)


Na ocasião, para evitar que desavisados interpretassem os versos da canção como uma apologia à ladroagem pura e simples, Morrissey, o autor da letra, explicou:

— É um “roubo” mais ou menos espiritual, cultural — no sentido de levar as coisas e usá-las em seu próprio benefício.

A faixa não está presente em nenhum dos álbuns de carreira da célebre banda de Manchester: foi editada somente em single, em 1987. Posteriormente, no entanto, foi incluída nas compilações Louder Than Bombs e The World Won't Listen.

terça-feira, novembro 02, 2010

Da série ‘Frases’: Renato Russo

“...estes são dias desleais...”

(“Metal Contra as Nuvens”, Dado Villa-Lobos – Renato Russo – Marcelo Bonfá, CD V, 1991)


Da série ‘Frases’: Renato Russo

Estou acordado e todos dormem. Todos dormem. Todos dormem

(“Monte Castelo”, Renato Russo, com trechos de “1 Coríntios 13” e do “Soneto 11”, de Luís de Camões, CD As Quatro Estações, 1989)


Da série ‘Frases’: Voltaire

O povo é gado – e o que ele precisa é de canga, aguilhada e forragem

Voltaire
(1694 — 1778), escritor, ensaísta, e filósofo iluminista francês.