sábado, janeiro 19, 2008

Mas por que 'Fora do Tom'?

E por falar em livro, gostei bastante de Fora do Tom (Broken Music), autobiografia de Sting [ver sete posts abaixo]. O baixista do The Police é um cara inteligente, escreve muito bem e, como eu havia dito na resenha, poderia escrever até romances, se quisesse.

Mas você deve estar se perguntando por que esse título. Bem, é simples. Logo após ter tomado conhecimento do caso que sua mãe mantinha com um funcionário da leiteria do pai - e o decorrente apodrecimento do ambiente familiar que decorreu disso -, o ainda menino Sting, quando ia para a casa dos avós paternos, despejava todo o seu ódio “martelando” com os dedos as teclas de um velho piano da família. Sua avó, Agnes, então dizia:

- Gordon, querido, por que você não aprende realmente a tocar, em vez de ficar fazendo essa coisa 'fora do tom'?

E enquanto Jagger edita disco novo...

...sua ex-esposa, Jerry Hall [no detalhe, em uma foto deveras... hã, maternal] lançará um livro. Esse será o segundo escrito por ela, que foi modelo na década de 1970. Em 1985, ela escreveu o Jerry Halls's Tall Tales, uma espécie de contos de fadas sobre sua própria vida: de como ela, uma texana pobre, foi parar em Paris, com apenas US$ 800 que recebera de uma indenização por um acidente de carro, e virou uma estrela.

Imaginem que abacaxi deve ser esse livro - e ainda existe quem fale mal dos álbuns solo de Jagger...

Pelo novo título, especula-se que ela deva receber aproximadamente R$ 1,750 milhão. Nele, ela promete contar detalhes íntimos (e sórdidos, provavelmente) de sua carreira e do casamento de nove anos com Mick, pai de seus filhos Elizabeth, James, Georgia e Gabriel. Jerry conheceu o vocalista dos Rolling Stones quando ainda era noiva do cantor Bryan Ferry, líder do Roxy Music (hum, entendi...).

O casamento dela com Jagger, todos sabem, terminou depois que veio à tona o affair do Stone com a apresentadora brasileira Luciana Gimenez, com quem ele teve um filho, Lucas.

Da série ‘São Bonitas as Canções’: ‘God Gave Me Everything’, de Mick Jagger


Muita gente deve ter ridicularizado o fato de Mick Jagger ter lançado uma coletânea de seus trabalhos fora dos Rolling Stones [ver cinco posts abaixo], como se a carreira solo do parceiro de Keith Richards não merecesse o menor crédito.

Bem, verdade seja dita, a despeito de hit aqui e outro acolá, os dois primeiros discos solo dele (She's The Boss, de 1984, e Primitive Cool, de 1987) realmente não são bons. Mas os dois posteriores (Wandering Spirit, de 1993, e Goddess In The Doorway, 2001) são dois álbuns bem decentes. Especialmente o Wandering....

Um exemplo de que Jagger fez coisas interessantes em seus CDs solos é a visceral “God Gave Me Everything” (“Deus me Deu Tudo”). Faixa do supracitado Goddess..., conta com a participação de Lenny Kravitz nas guitarras - ele é também co-autor da canção.

A letra fala de fé - assunto que me interessa -, mas com tamanha vitalidade e entusiasmo, que a narrativa ficou distante daquela coisa piegas que estamos acostumados a ouvir. Confesso que adoro essa música - e não por acaso.



Veja aqui o video de “God Gave Me Everything”:

Quanto ao show...


Passados mais de 30 dias, confesso que ainda estou sob o impacto da acachapante apresentação que o Police realizou no Estádio do Maracanã - que contou com a demolidora abertura d'Os Paralamas do Sucesso.

Lembro que, na manhã daquele sábado (08/12), tive que sair e, já no clima, coloquei o Reggatta De Blanc no CD player do carro. Quando tocou “Walking On The Moon” (uma das minhas preferidas), pensei: “Minha nossa. Ainda hoje, estarei ouvindo essa música ao vivo... e tocada por esses caras!”. Demais.

Mas confesso que só acreditei que estava realmente presenciando esse momento quando soaram os primeiros acordes de “Message In A Bottle”. E senti-me muito grato naquele instante.

Tive as minhas expectativas não somente atendidas - mas superadas. Foi um dos maiores espetáculos que já presenciei na minha vida. Seguramente. E olha que já assisti um bocado de shows...

Leia a resenha sobre a apresentação do Police no Maracanã na edição de janeiro do jornal INTERNATIONAL MAGAZINE, que chegará às bancas no final do mês.

quinta-feira, janeiro 10, 2008

'Greatest Video Hits': onde encontrar

Um dia desses, para minha surpresa, dei de cara com o DVD Greatest Video Hits, ótima compilação de clipes do The Police [ver dois posts abaixo], na banca de jornal que fica precisamente em frente à entrada do Shopping Tijuca (aqui no Rio de Janeiro).

Pelo fato de isso ter coincidido com o período do show (ou seja, há mais ou menos uns 20 dias atrás), não posso assegurar que ainda terá sobrado algum exemplar. Mas, em todo caso - se esse DVD lhe interessa -, acho que não custa nada tentar.

Detalhe: por menos de 15 pratas você leva esse mimo para casa ...

Sérgio Benchimol e seus Ciclos Imaginários


Em seu segundo álbum solo, músico reafirma sua opção pelo instrumental

O músico, compositor (e surfista nas horas vagas) Sérgio Benchimol acaba de editar Ciclos Imaginários (independente), que conta com a participação de músicos experientes como Lui Coimbra e Eduardo Morenlenbaum, entre outros. Ciclos... surge três anos após a sua primeira empreitada solo, A Drop In The Ocean, Ocean In A Drop, que recebeu críticas positivas na ocasião de seu lançamento.

Fundador da banda de rock progressivo Semente - que, além de um álbum de estúdio, editou também uma dobradinha CD/DVD gravados ao vivo no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro -, Benchimol fundou também o grupo instrumental True Illusion, que chegou a lançar dois álbuns (sendo um ao vivo) e um DVD ainda inédito. O True Illusion, aliás, foi considerado a revelação do ano de 2000, no segmento instrumental.

E Ciclos Imaginários é um trabalho autoral que tem tudo para prosseguir a pavimentação da trajetória de Sérgio, que toca violão em todas as faixas. Majoriariamente instrumental - apenas duas canções, “Depois da Praia” e “Daqui Pr'ali” têm letra -, o álbum é um híbrido de música brasileira e jazz, com oportunas pitadas de progressivo. Destaque para “Oregon Mountains”, “Terral II” e os metais em brasa de “Shadow Valley”.

Gravado no Rio de Janeiro e muito bem-produzido pelo próprio Benchimol com a colaboração de David Ganc, Ciclos Imaginários oferece momentos de deleite para quem aprecia a boa música. E merece ser ouvido.

segunda-feira, janeiro 07, 2008

International Magazine: edição de novembro/2007


Venho, atrasadaço como sempre, trazer os destaques da edição de novembro do jornal IM - INTERNATIONAL MAGAZINE, que chegou às bancas no começo de dezembro:


  • entrevista exclusiva com Dani Carlos, que, após vários CDs de covers, acaba de editar o seu primeiro trabalho autoral. Por Marcelo Fróes;

  • outra entrevista exclusiva: com George Israel, saxofonista do Kid Abelha, que está lancando seu segundo disco-solo, Distorções do meu Jardim. Por Elias Nogueira;

  • tudo sobre Remember That Night, o DVD (duplo) ao vivo de David Gilmour, voz e guitarra do Pink Floyd. Por Emílio Pacheco;

  • a crítica de Dylanesque Live, o novo DVD de Bryan Ferry. Por Jorge Albuquerque;

  • o surpreendente álbum Sound of Silver, do LCD Soundsystem. Por J. M. Santiago.

E artigos meus sobre:


  • o DVD Multishow: Cê ao Vivo, de Caetano Veloso:
“Aproximadamente um mês após o seu lançamento em CD (contendo 17 faixas), a Universal edita em DVD Multishow: Cê ao Vivo, de Caetano Veloso. Trazendo na íntegra a apresentação realizada no dia 12 de junho desse ano na Fundição Progresso (Rio de Janeiro), o registro audiovisual apresenta 24 músicas. (...)”



  • o livro Fora do Tom, autobiografia de Sting:
“(...) Curiosamente, a narrativa se inicia aqui no Rio de Janeiro: em 1987, o músico estava na cidade para os shows da turnê Nothing Like the Sun, que seriam realizados no Estádio do Maracanã. Seria o maior público para qual o ex-Police teria se apresentado até então. E, durante a sua estadia no Rio, ele procurou se informar a respeito do chá ayahuasca, cerne do ritual religioso da seita Santo Daime. Na companhia de sua esposa, a atriz inglesa Trudie Styler, Sting foi levado até uma sessão e ingeriu a beberagem. (...)”



  • o DVD Greatest Video Hits, compilação de clipes do The Police:
“(...) Lançado originalmente em 1992, em VHS, Greatest Video Hits somente agora chega - oficialmente - ao formato digital, com sua capa modificada. Apresentando 16 clipes de sucessos, o audiovisual é puro deleite para os admiradores da banda inglesa - mesmo trazendo, rigorosamente, o repertório da coletânea (também em VHS) Every Breathe You Take, de 1986 (as faixas foram, inclusive, dispostas na mesma ordem). O diferencial foi a adição de dois vídeos: os raros “King Of Pain” e “Tea In The Sahara”, ambos gravados ao vivo. Detalhe: mesmo Every Breathe You Take só foi editado em DVD pela primeira vez em 2003. (...)”



  • o CD The Very Best of..., coletânea de Mick Jagger:
“(...) Para muitos, pode ser risível a notícia de que o vocalista e líder dos Rolling Stones, Mick Jagger, lançou uma coletânea com 17 faixas de sua carreira solo, sintomaticamente batizada de The Very Best of... (Warner). Mas a verdade é que a idéia não é tão estapafúrdia assim. (...) ”



Leia a íntegra dessas matérias - e muito mais - no IM - INTERNATIONAL MAGAZINE desse mês. Já nas bancas.

sexta-feira, dezembro 07, 2007

'Synchronicity'

A faixa-título do quinto e último álbum de estúdio do The Police (editado em 1983) foi batizada dessa forma em referência ao conceito desenvolvido pelo suíço Carl Jung [foto] - considerado um dos maiores psiquiatras do mundo - para definir “acontecimentos que se relacionam não por relação causal [como em uma simples coincidência], mas por relação de significado”. A sincronicidade é também chamada por Jung de “coincidência significativa”.

Muitos acreditam que a sincronicidade é “reveladora” e necessita de uma compreensão. E essa compreensão poderia surgir espontaneamente, sem nenhum raciocínio lógico. A esse tipo de entendimento instantâneo, Jung dava o nome de “insight”.

'Ghost In The Machine'

Ghost in the Machine (1981), quarto disco do The Police, recebeu esse título numa alusão à frase contida no livro O Conceito de Mente [The Concept of Mind, 1949], do filósofo inglês Gilbert Ryle, que faz uma crítica à chamada teoria do Dualismo Cartesiano (ou Dualidade Cartesiana), desenvolvida pelo francês René Descartes.

No livro, Ryle afirma que Descartes cometeu um “engano conceitual ao enxergar um fantasma (a mente) numa máquina (o corpo)”. E a isso chamou, ironicamente, de “o dogma do fantasma na máquina”.

'Zenyatta Mondatta'

O título do terceiro álbum do The Police significa “topo do mundo” em sânscrito - língua clássica da Índia antiga que influenciou praticamente todos os idiomas ocidentais.

Desenvolvido a partir do ano de 1500 a.C., é eventualmente descrito como um “equivalente asiático” do Latim, dada a sua importância na literatura religiosa e histórica da Índia [no detalhe, uma das maravilhas do Mundo Moderno: o Taj Mahal, situado na cidade de Agra].