quinta-feira, agosto 16, 2007

16 anos sem Gonzaguinha

O desaparecimento de Gonzaguinha [foto] — decorrente de um acidente automobilístico ocorrido no Paraná — completou 16 anos no último 29 de abril. Não vi/ouvi na imprensa nada sobre a efeméride, provavelmente por não se tratar de uma “data redonda”. 

Prefiro crer nisso.

Autor gravado por meio mundo da MPB — de Maria Bethânia a Zizi Possi, passando por Simone, Martinho da Vila e até o Professor Cauby Peixoto — Gonzaguinha deixou uma belíssima obra, repleta de canções como “Sangrando”, “Eu Apenas Queria que Você Soubesse”, o samba “O que É O que É” (“Viver e não ter a vergonha de ser feliz./ Cantar e cantar e cantar/ a beleza de ser um eterno aprendiz”), a pop “Lindo Lago do Amor” e o bolero “Começaria Tudo Outra Vez”, entre muitas outras. Mas há uma em especial: “Feliz”, que, por sinal, obteve boa execução radiofônica no ano de seu lançamento, 1983.

Faixa de Alô, Alô Brasil — disco que traz a versão do autor para “Um Homem Também Chora (Guerreiro Menino)”, sucesso na voz de Fagner — “Feliz” tem uma letra de rara sensibilidade, mesmo falando de um tema nada original: duas pessoas que a vida tratou de separar, mas que não conseguem se desligar por completo (“Trajetórias opostas / sem jamais deixar de se olhar”). 

Impossível não se comover com versos como: “É um carinho guardado no cofre de um coração que voou; / é um afeto deixado nas veias / de um coração que ficou”. E, principalmente: “É a certeza da eterna presença / da vida que foi / na vida que vai”. 

Versos que não carecem de explicação.



Ouça Feliz

 

3 comentários:

SONINHA DE ORLANDO disse...

Realmente, eu fico muito triste em saber que o gonzaguinha caiu mesmo no esquecimento.Ele que foi um extraordinario cantor e compositor ser esquecido dessa maneira.
Revolta sabe, mas fazer o que ne? Sei que ele sempre sera lembrado pelas pessoas que ainda tem bom gosto.

Tom Neto disse...

Soninha,

Repare que esse meu post foi bem anterior ao início da novela Duas Caras - que, você sabe, tem "E Vamos À Luta", do Gonzaguinha, como música de abertura.

Assim como é anterior à regravação de "O Homem Falou", também de Gonzaguinha, no recente CD da Maria Rita, Samba Meu.

O que deve mostrar que o que eu disse aqui sobre o esquecimento do compositor faz algum sentido. ;)


Grande abraço e obrigado pela leitura atenta.

nico disse...

realmente foi uma perda irreparavel.tive o prazer de ver um show de gonzaguinha,e é algo impar.Ate hoje me emociono, ouvindo suas musicas.